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DÖRDÜNCÜ BÖLÜM

4.1. Sosyal Güvenlik Reformun ĠĢletmeler Üzerindeki Etkis

Durante a constituição dos Estados modernos, no período que vai dos séculos XVI ao XVII na Itália, França, Inglaterra, Espanha e Alemanha, desenvolveram-se teorias político-econômicas, para o fortalecimento dos Estados nacionais em conformação, que viam nas populações uma das fontes de riqueza e engrandecimento das nações. Essas formulações propunham uma ação efetiva do Estado com o objetivo de aumentar e preservar suas populações. Estudiosos da economia, política, homens de Estado, médicos, universidades elaboraram propostas em saúde pública, ou seja, oferta de serviços a determinados grupos populacionais, formação de pessoal em saúde, abertura de hospitais, etc. O entendimento de que determinadas condições de vida e trabalho influíam na saúde e doença das populações estava presente como assinala ROSEN (1979). Leis foram aprovadas, hospitais foram criados, pessoal foi qualificado. No entanto, por terem no Estado o executor dessas medidas, e por necessitarem de

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Por teorias socialistas CHAUÍ (1997, p.408-9) compreende: a) socialismo utópico, cujos principais representantes são os franceses Saint-Simon, Fourier, Proudhin, Louis Blanc, Blanqui e o inglês Owen ; b) o anarquismo, com os autores Bakunin, Krpotkin, Ema Goldman, Tolstói, Malatesta e George Orwell e; c) socialismo científico ou comunismo de Marx e Engels.

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CHAUÍ (1997, p.432) observa que o termo minoria usado para designar grupos de pessoas que quantitativamente eram a maioria, deriva-se da política liberal: “Quando o pensamento político liberal definiu os que teriam direito à cidadania, usou como critério a idéia de maioridade racional: seriam cidadãos aqueles que houvessem alcançado o pleno uso da razão. Alcançaram o pleno uso da razão ou a maioridade racional os que são independentes, isto é, não dependem de outros para viver. São independentes os proprietários privados dos meios de produção e os profissionais liberais”(grifos da autora).

estruturas burocráticas para sua viabilização, grande parte delas ficou nas intenções.

O espírito dessas teorias pode ser sintetizado nas palavras do inglês William Petty (1623 – 1689), autor da “aritmética política, ou seja, da utilização de estatísticas no estudo de fenômenos sociais”. Defensor da assistência médica, aos que dela necessitassem, para a prosperidade da nação assim expressou-se para defender seu ponto de vista (ROSEN, 1979, p. 200-1):

“Agora suponha’, disse ele em uma conferência dada em Dublin, em 1676, ‘que nos domínios do Rei haja nove milhões de pessoa, sendo que 360.000 morram todo ano e 440.000 nasçam. E suponha que, pelo avanço da arte da medicina, menos de um quarto morra. Então o Rei ganhará e salvará 200.000 súditos por ano que, a um valor de £ 20 por cabeça, o menor preço pago por escravo, constituirá um lucro de quatro milhões para o Commonwealth. Considero que a investigação completa e profunda sobre o estado natural e global dos animais através da anatomia e sobre o estado depravado e viciado através das observações comparativas e diferenciadas feitas nos hospitais possa em cem anos avançar a arte da medicina, como foi dito acima. Por esse motivo não é de interesse do Estado deixar os médicos e os pacientes entregues (como agora) a seus próprios desígnios”.

Petty recomendou inúmeras vezes a criação de hospitais para pobres ou não, para doentes contagiosos, maternidades; sugeriu que se fizessem estudos estatísticos de morbidade e mortalidade de “fazendeiros, manufatureiros, comerciantes, marinheiros e soldados que eram ‘os pilares de qualquer comunidade’ (ROSEN, 1979, p.202) e, insistiu muito na formação de pessoal médico.

Nos territórios alemães o cameralismo está identificado com a forma de constituição do moderno Estado alemão, com maior sucesso na Prússia, quando, vindos de uma estrutura medieval, os príncipes territoriais alemães procuraram obter a soberania contra o poder imperial acima deles e, abaixo, os grupos territoriais, nos séculos XVI, XVII, XVIII.

O cameralismo apresentou duas características marcantes: uma primeira relativa aos “fundadores do moderno pensamento econômico entre autores políticos que, pela primeira vez, encaram os problemas do Estado em termos financeiros “ e, uma segunda referida à “ciência da administração nas

primeiras recomendações referentes aos dispositivos burocráticos, feitas aos príncipes territoriais alemães” (SCHIERA, 1991 a, p.137). O “estado de polícia” foi um modo específico de abordagem dessas concepções que tem na Polizei32 um instrumento para a consecução desse objetivo, e diz respeito a um conjunto de ordenanças que além das questões tradicionais de administração versaram sobre novas demandas, tratando da “regulamentação dos problema fundamentais dos nascentes Estados territoriais: criação de um exército permanente, aumento de impostos, formação de uma administração profissional eficiente e segura, fomento da atividade econômica, bem-estar dos súditos. Em todos estes setores, o Governo do príncipe intervém como fator de racionalização, de regulação e de estímulo do mecanismo estatal em vias de formação, exercendo influências no duplo sentido da superior jurisdição imperial e dos privilégios tradicionais das classes locais” (SHIERA, 1991 b, p. 410). Para a consecução desses objetivos o crescimento populacional apresentava-se como uma tática de governo e, nesse sentido, desenvolveram-se teorias relativas à saúde e doença que terminaram por se traduzir na fórmula de que o bem-estar do Estado estava identificado com o bem-estar dos seus súditos. Sobre essa última característica, o autor ainda destaca (p. 411-2):

“O bem-estar da ‘polícia’, ao invés, não só está impregnado de elementos eudonísticos, mundanos, concreto (‘a felicidade material’ de que superabundam os escritos políticos dos séculos XVII e XVIII), como também é sempre fruto, graças justamente a isso, de opções conscientes e penosas. Além disso o bem-estar dos súditos não é apenas um fim que há de ser alcançado para a realização do Estado ideal; mas é também um meio importante para fazer funcionar o Estado em sua concretização histórica”.

Sob o ponto de vista da saúde, foi sob o conceito de “polícia médica”, que difundiram-se e institucionalizaram-se em alguns Estados propostas para a proteção da maternidade e da criança. O autor mais representativo foi Johann Peter Frank (1745 -1821) com sua obra Sistema de uma polícia

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Polizei, polícia, vem do grego politeia e diz respeito aos problemas da administração da pólis. O entendimento de polícia como uma instituição do Estado ocupada em prevenir e punir atos ilícitos é própria da modernidade.

médica completa (System einer vollständigen medicinischen). Como o

próprio conceito na área econômica e administrativa, na área da saúde também encontrava-se presente a identificação do bem-estar da população com o bem-estar do Estado. Na realidade, para se chegar à última, tinha-se como condição, a realização da primeira. As idéias e conceito utilizados por Frank foram desenvolvidos durante os séculos XVI e XVII por diversos autores nos estados alemães.

Entre os autores que ajudaram a elaborar o conceito de polícia, encontra-se Samuel Pufendorf, considerado por BOBBIO (BOBBIO, BOVERO, 1987, p. 24-5) um dos precursores da ética racional. Entre os pensadores citados por ROSEN é um dos poucos que fala em direitos. Nas palavras de ROSEN (1979, p.157): “Ele [Pufendorf] estava consciente de que o bem-estar dos homens estava relacionado a três fatores – riqueza, saúde e gozo dos direitos”. Outro autor, Joseph von Sonnenfels (1732-1817) foi influenciado pelo iluminismo francês: “Sonnenfels, ao mesmo tempo em que se mantinha dentro do terreno cameralista, aderindo à idéia do absolutismo esclarecido, já refletia tanto a reivindicação humanitária de sua época por justiça social quanto o iluminismo dos philosophes franceses” (ROSEN, 1974,p.159). Embora essas teorias tivessem como pressupostos a intervenção do Estado, visando uma melhor condição de saúde das respectivas populações, elas não podem, segundo o ponto de vista do direito, serem consideradas como tal, pois o objetivo maior não era o próprio homem, ou os grupos populacionais a que se dirigiam, mas sim o engrandecimento do Estado. No entanto, como pode-se observar em MARSHALL (1967), ROSEN (1979, 1994) e, até mesmo em BOBBIO (1992), a própria compreensão da diferença entre um direito como aparece inscrito na Declaração de 1948, ou seja, “do reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana” (BRANDÃO, 2001, p.97), e a assistência aos pobres, ou então, o engrandecimento da nação, só foi construído historicamente.

Benzer Belgeler