O aumento da demanda de alimentos industrializados, principalmente os de origem animal, aumenta também a preocupação em produzir esse alimento seguro. O alimento oferecido ao consumidor, deve ser assegurado pela avaliação de conformidade, identificação de origem através de normas técnicas e através de processos produtivos adotados pelos estabelecimentos que o produzem.
O checlist aplicado permitiu identificar as não conformidades relativas aos estabelecimentos produtores de linguiça frescal suína, mostrando-se um instrumento útil para se verificar os processos do segmento. O fato de não haver diferenças significativas entre o grande e pequeno produtor, mostrou que o checklist é útil para a padronização dos procedimentos de inspeção, entretanto os itens relacionados à estrutura física dos estabelecimentos são extremamente minuciosos e os relacionados aos procedimentos, um pouco superficiais. Seria interessante revisar o conteúdo ou acrescentar itens relacionados às BPF.
As linguiças frescal suínas, produzidas nos estabelecimentos inspecionados pelo SIM no Município de Rio Verde/Goiás, apresentaram-se, em sua maioria, próprias ao consumo humano. No entanto, 29 e 28 amostras apresentaram-se positivas para Staphylococcus coagulase positivos e coliformes termotolerantes, respectivamente. Como observado no presente estudo, podem representar um risco à saúde do consumidor. Esse resultado sugere revisão da RDC nº 12 de 2 de janeiro de 2001, legislação brasileira vigente, visto que a mesma não sofre mudanças há 15 anos.
Considerando os resultados obtidos, os estabelecimentos pesquisados que se encontram fora das normas necessitam adequar-se. A inocuidade dos alimentos e as condições higiênico-sanitárias dos estabelecimentos produtores estão diretamente relacionados com a forma de execução e controle dos processos de produção.
O controle sanitário deve ser realizado não somente nos produtos industrializados, mas também nas matérias primas. A contaminação dos produtos de origem animal pode acontecer em toda cadeia produtiva e, para que aconteça esses controles sanitários é imprescindível implantar rapidamente o laboratório de análises microbiológicas de alimentos através do convênio com a UniRV.
O convênio para a implantação do laboratório não será apenas importante para as análises microbiológicas dos produtos inspecionados pelo SIM, mas também poderá dar suporte para futuras pesquisas na área de alimentos. Para a realização das análises microbiológicas do presente estudo, encontraram-se dificuldades, pois a UniRv não possui laboratório para pesquisas, entretanto a universidade cedeu o laboratório de análises microbiológicas didático para realização das análises no período de férias dos alunos.
A importância de pesquisas de agentes patogênicos ou de indicadores de condições higiênicas de produção, contribuem para identificação de perigos em potencial. A realização de trabalhos que procuram avaliar a qualidade higiênico- sanitária dos alimentos colocados no comércio varejista podem constituir em informações valiosas, gerando dados para o estabelecimento e estratégias de atuação dos órgãos responsáveis pelo controle da segurança dos alimentos. Demonstram também a necessidade de orientar e educar a população quanto aos cuidados necessários na conservação, manipulação e consumo dos alimentos.
Considerando que a manipulação, armazenamento e distribuição inadequada de alimentos podem resultar no aparecimento de DTA, que os cuidados e conhecimentos apresentados pelos manipuladores são de grande importância para a prevenção destas doenças, é essencial investir em cursos de BPF. O SIM deve intensificar a capacitação dos manipuladores abordando os critérios de higiene pessoal, DTA e demais conhecimentos de BPF. É importante que essas capacitações sejam contínuas e cuidadosamente elaboradas, com atividades teóricas e práticas, e serem posteriormente supervisionadas pelos RTs.
O SIM possui fundamental importância no cumprimento de normas e regulamentos referentes à inspeção e fiscalização de alimentos de origem animal. Para tanto, é indispensável que os profissionais recebam uma capacitação adequada e disponham de equipamentos pertinentes para realização de suas tarefas, assim como sejam em números de fiscais suficientes para atender a demanda do município. Na maioria das vezes, órgãos de fiscalização não tem sido tratados com a devida importância pelas autoridades, por pensarem que os custos de manter a fiscalização são altos, desconhecendo os benefícios para a saúde pública.
As DTA podem trazer consequências graves ao estado geral da população e prejuízos de ordem econômica aos cofres públicos para restaurar a saúde dessa população, diante disso é interessante uma parceria entre a SMS para que possa repassar verba para a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento com a finalidade de otimizar a atuação do SIM.
A UniRV ou o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, poderia proporcionar um curso de fluxo de caixa para os proprietários dos estabelecimento. Este instrumento auxilia o empresário a controlar o financeiro do seu empreendimento. O fluxo de caixa é uma importante ferramenta para tomada de decisões, controla os valores que entram e saem da empresa, de forma organizada, identificando onde e como a verba está sendo investida. Através do fluxo de caixa, o empreendedor conseguirá avaliar áreas carentes de investimento e operações com gasto superior ao necessário. Por consequência, é possível otimizar os processos cortando gastos indevidos em determinada área e redirecionando a verba para setores ou operações deficitárias.
Por fim é necessário que consumidores tenham informações claras e facilmente compreensíveis, através da rotulagem e instruções que permitam a proteção do alimento contra contaminação e contra o desenvolvimento/sobrevivência de patógenos veiculados por alimentos, para conservação, manuseio e preparo correto dos alimentos. E, somente através do conhecimento e compreensão do controle de determinadas doenças para a proteção de sua própria saúde e de sua família, o consumidor poderá reconhecer a importância desse conhecimento e dos seus direitos como cidadão.
A forma de fazer isto é através da educação sanitária, ferramenta indispensável para a eficiente implementação de qualquer programa de fiscalização e inspeção sanitária. O consumidor deve se manter informado sobre as leis de proteção, seus direitos ao acesso a bens, produtos e serviços com qualidade, que vão lhe garantir a segurança e a tranquilidade do consumo, além de uma melhor qualidade de vida.