2.2. Kaos ve Eğitim
2.2.1. Sosyal bilimlerde Yeni Paradigma: Kaos
O modo operatório é constituído por sequências de ação, de gestos, de sucessões de busca e de tratamento de informações, de comunicações verbais ou gráficas, para identificar incidentes ou anomalias características da tarefa efetiva realizada pelo operador (WEILL- FASSINA, 1990 apud LIMA, 2003). A estratégia operatória é um conjunto ordenado de passos, que envolve o raciocínio e a resolução de problemas para possibilitar a ação do operador (MONTMOLLIN, 1995 apud LIMA, 2003 e MONTMOLLIN, 1999 apud IACONO, 2005).
As habilidades cognitivas podem ser consideradas como procedimentos operatórios que foram objeto de uma aprendizagem e que estão prontas para serem utilizadas através da aplicação de regras particulares ( MONTMOLLIN apud SANTOS, ZAMBERLAN, 1992, p. 40).
A resolução de problemas é uma sequência de passos que se inicia com a identificação do problema, para, depois, se verificar a construção de uma estratégia de resolução, a organização das informações, a alocação de recursos cognitivos, a monitoração e, ao final, a avaliação da resolução. A tomada de decisão ocorre a partir das estratégias que a pessoa utiliza para julgar a probabilidade de acerto entre diferentes escolhas (STERNBERG, 2000 in SILVINO, 1999 apud LIMA, 2003). O critério para escolha da estratégia é influenciado pelas restrições ambientais, pelas experiências anteriores, pelo conhecimento e interesse disponível, pelos aspectos do problema, pelo tempo disponível para resolução, e pela relevância e conteúdo da informação recuperada (NASSIF et al, 2007).
Após a seleção da estratégia, o indivíduo operacionaliza um conjunto de procedimentos com o intuito de atingir o objetivo desejado/planejado. Os procedimentos são modos operatórios, consequência de uma regulação entre o que deve ser feito, as condições disponíveis para sua execução e o estado interno do indivíduo (GUÉRIN et al, 2001). Para operacionalizar a estratégia, pressupõe-se que o operador utilize o recurso mental de
representar o contexto, para orientar sua atividade de trabalho, sendo, desse modo, a construção mental indispensável à sua ação (LEPLAT, 1992 apud IACONO, 2005).
Para analisar esses aspectos cognitivos, é preciso identificar os modos e as estratégias operatórias. Para isso, deve-se realizar registros, descrever as etapas e o desenvolvimento das atividades no tempo, identificar as estratégias utilizadas, as verbalizações, as relações entre essas variáveis e como as representações são (re)constituídas e utilizadas nas situações de trabalho (SARMET,2003; LIMA, 2003).
O comportamento motor modela as funções realizadas pelo sistema neuromuscular para realizar as ações físicas selecionadas pelos processos cognitivos mencionados anteriormente. O planejamento, a tomada de decisão e outros comportamentos cognitivos “invisíveis” são, no final das contas, manifestados no comportamento observado durante a realização da atividade (OLIVEIRA et al, 2002, p. 3).
Fica, portanto, estabelecido o grande desafio de conseguir captar e explicitar as representações daquilo que não está verbalizado ou numa ação consciente do operador, utilizando-se do recurso de observações da atividade, das verbalizações espontâneas e de entrevistas. Com essa compreensão de como o operador utiliza essas representações durante o seu trabalho – ou seja, a conexão entre a tarefa, os modelos operatório cognitivos e as representações disponíveis e as utilizadas –, tem-se recursos necessários para delinear as preocupações do operador e a sua estratégia operatória. Desse modo, pode-se montar um quadro para subsidiar decisões sobre como ajustar a interface à pessoa e ajudar o operador com o sistema e com organização do trabalho (WEILL-FASSINA, 1990 apud LIMA, 2003).
4.19 Dimensão coletiva do trabalho
As atividades em salas de controle são desempenhadas por equipes tipicamente compostas por operadores que atuam em console, supervisores da atividade, operadores de campo e as equipes de automação, elétrica, tecnologia da informação (redes, comunicação) etc. Segundo Ferreira ( 1996, p.31) “as operações é um grupo, não é só um, são várias cabeças pensando, trocando idéias”.
O suporte técnico é, geralmente, composto por engenheiros, técnicos de operação, vapor, instrumentação, automação etc. As tarefas dessas equipes podem variar de acordo com a situação e com a composição de cada uma. No caso de uma situação de anormalidade, a atuação de cada equipe varia conforme a evolução da anormalidade no processo e a consequente necessidade de intervenção (RESENDE, 2011). Ferreira ressalta que “Um
73 coletivo bem construído é a melhor garantia para o bom funcionamento e a segurança de complexos industriais, o trabalho do petróleo é basicamente um trabalho de equipe” (FERREIRA, 1996).
A atuação do operador, de forma coletiva e em colaboração com outros atores do sistema sociotécnico, é fundamental para regular e ajustar o processo dentro dos parâmetros aceitáveis e esperados, visto que a instabilidade é inerente aos sistemas complexos. Por isso mesmo, a regulação automática não dá conta de controlar todos os disfuncionamentos decorrentes (WYNNE, 1988 apud FIGUEIREDO et al, 2002; RESENDE, 2011).
A cooperação é o processo formal mediante o qual um coletivo de agentes atinge um objetivo seguindo regras explicitas – emanadas de uma coordenação formal – e implícitas (regras não ditas, eventualmente contrárias às regras explicitas). A cooperação mobiliza o saber tácito, nem sempre formalizável e até mesmo difícil de analisar. De acordo com essa definição, podemos compreender porque uma máquina exibe capacidades bastante limitadas de cooperação. Esta situação explica as dificuldades de conceber e de ajustar sistemas homem-máquina cooperativos, e a opção por sistemas em rede mais flexíveis (VIDAL; CARVALHO, 2008, p. 62).
O trabalho cooperativo e coordenado é uma característica dos sistemas de trabalho contemporâneos e o paradigma da cognição social, o qual, sem negar a individualidade, situa a cognição num contexto de integração indivíduo-sociedade-cultura (VIDAL; CARVALHO, 2008). Essa dimensão coletiva do trabalho tem grande relevância para o funcionamento seguro, eficaz e confiável do sistema, especialmente pelos elementos de comunicação e de cooperação (LEPLAT, 1968; LEPLAT e TERSSAC, 1990 apud FIGUEIREDO et al, 2002; DUARTE, 1994). Tal cooperação também pode ter origem na divisão informal das atividades, quando existe simultaneidade entre vários trabalhadores que desenvolvem uma linguagem comum, as regras do ofício, o respeito e o conhecimento das competências e o trabalho do outro (WELL-FASSINA; PASTRÉ, 2007).
No trabalho com dinâmica coletiva exige ações de cooperação do operador, a natureza e grau de engajamento dele no processo coletivo vão depender necessariamente dos seus objetivos individuais, das suas intenções, das suas crenças e dos modelos que ele tem dele mesmo, dos outros e do seu ambiente (PARVARD, 1994, p. 122).
O contexto de trabalho integra o conhecimento, por um lado, e regras, por outro, além dos estados mentais dos agentes, que, integrados, formam um comportamento adaptado. Entretanto, os quadros mentais dos operadores são os resultados da sua própria história, de
sua percepção de mundo, da interação com ele e com os outros agentes (PARVARD, 1994). Para Ferreira (1996, p. 105): “A natureza do trabalho e o convívio diário criam laços muito fortes entre as pessoas”.
Para que haja uma atividade coletiva, é necessário que os sujeitos envolvidos tenham os mesmos objetivos, que busquem o mesmo estado final do objeto e tenham uma representação comum do produto final com a soma dos resultados parciais de cada etapa da atividade, obtidos pela ação de uma pessoa e de todos os envolvidos na atividade. (SAVOYANT, 1984 apud TERSSAC, CHABAUD, 1968).