Istanbul and the Conundrum of Silhoutte Abstract
SOSYAL BİLİMLER EMRE ZEYTİNOĞLU
Quando os proprietários de uma empresa optam pela abertura do capital, usualmente, têm por objetivo principal captar recursos a baixo custo para financiar a atividade. Os gestores que assumem o objetivo de expandir suas empresas no mercado veem no processo de abertura de capital uma opção atrativa para fomentar o crescimento da empresa sem que para isso precisem investir capital próprio ou, então, sem a necessidade de recorrer a empréstimos no mercado financeiro, o que, normalmente, é muito mais dispendioso.
A utilização do mercado de capitais como alternativa para a captação de recursos ainda pode ser considerada incipiente no Brasil, apesar da crescente busca por esta alternativa nos últimos anos. Segundo a Bovespa, a capitalização de recursos em bolsa no Brasil é ainda um terço da apresentada por Países de economia desenvolvida.
Segundo estudos realizados pela Fundação Dom Cabral, BOVESPA e FIEMG (2007), a forma de financiamento dos investimentos mais utilizada pelas empresas seria por meio do caixa próprio (retenção de lucros), seguido dos financiamentos institucionais (BNDES, BDMG, etc). Se, de um lado, esse dado demonstra uma postura mais cautelosa na forma como os gestores financiam seus investimentos, de outro, indica uma limitação na capacidade de crescimento das empresas.
Leite (1994) corrobora com esta visão ao considerar a dependência da reversão de lucros um fator limitante para o crescimento das empresas e destaca ainda que o mercado de capitais representa um importante meio de alavancagem de recursos para o desenvolvimento econômico e para a manutenção de um alto nível de emprego, induzindo à eficiência e à produtividade das empresas. Neste sentido, o mercado de ações, de certa forma, atua selecionando e apoiando os empreendimentos promissores em detrimento daqueles mal administrados.
A condição básica para que as empresas consigam negociar suas ações no mercado de capitais é a abertura de seu capital. A Lei das Sociedades Anônimas (6.404/1976) define como companhia aberta aquela detentora do direito de negociar seus valores mobiliários de forma pública e que esteja devidamente registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A CVM é o órgão fiscalizador do mercado de capitais brasileiro, como também o responsável pelo registro e autorização de emissão dos valores mobiliários para distribuição pública.
Por sua vez, além do significado de registro da companhia na CVM, a Bovespa emprega o termo
abertura de capital para indicar a primeira venda de ações da empresa ao público, conhecida
como Oferta Pública Inicial, ou IPO (Initial Public Offering). A partir da IPO, a companhia poderá optar por três formas de venda de ações: distribuição primária, distribuição secundária ou a combinação entre as duas. Na distribuição primária, a companhia emite novas ações e as coloca para venda pública. Já na distribuição secundária, são os próprios sócios, ou o empreendedor, quem vendem ações já existentes.
Casagrande Neto, Souza e Rossi (2000) alertam sobre a importância de o mercado de capitais não ser utilizado apenas como uma fonte alternativa de recursos, mas como origem permanente de capitalização pela empresa. Dessa forma, desde que exista uma boa política de manutenção dos valores mobiliários pós-mercado, as empresas que mantiverem sua liquidez poderão dispor
Conforme elucida Alves (2006), as ações são títulos nominativos, negociáveis e representativos da propriedade de uma fração do capital social de uma sociedade por ações, sendo consideradas o instrumento mais efetivo na abertura de capital. Quanto à espécie, podem ser ordinárias, preferenciais ou de fruição. As ações ordinárias são aquelas que dão aos detentores direito a voto, permitindo a interferência nas decisões e rumos da empresa, além da participação nos resultados da companhia. As preferenciais, normalmente, não têm direito a voto ou possuem restrições ao seu exercício. Também recebem prioridade no recebimento dos dividendos, exceto no caso de ações com dividendos mínimos ou fixos e de liquidação da empresa. As ações de fruição são as resultantes da amortização das ações ordinárias ou preferenciais, não representando parte do capital social da companhia. Contudo, são ações que dão direito ao contínuo recebimento de parcelas do lucro em forma de dividendos, após o reembolso do equivalente à sua parte do capital social da empresa.
Dentre as principais vantagens decorrentes da abertura de capital destacadas pela literatura, pode- se citar aquelas enumeradas por Pagano, Panetta e Zingales (1998), como:
ampliação da base de captação, facilitando o acesso a novas fontes de recursos de menor custo em detrimento dos financiamentos bancários;
aumento do poder de barganha em relação aos bancos, que diminuem os custos de capital para as companhias abertas e criação de liquidez patrimonial para os acionistas;
auxílio na reestruturação acionária, representando uma opção em relação à partilha de herança ou sucessão na empresa;
consolidação da imagem institucional da organização, a partir da maior transparência de suas informações financeiras; e
aumento da profissionalização da empresa.
Em relação às desvantagens e motivos que levariam alguns empresários a fecharem ou a não abrirem o capital de suas empresas, são citadas, também por Pagano, Panetta e Zingales (1998), as seguintes razões:
perda de confidencialidade, devido à divulgação de informações financeiras da empresa; falta de proteção ao acionista minoritário; e
alto custo do processo de abertura de capital.
Muitas das vantagens e desvantagens citadas são também percebidas por empreendedores de empresas mineiras e sintetizadas na Tabela 2 e na Tabela 3, a partir da pesquisa realizada, em 2007, com 70 empresas mineiras de controle familiar, pela Fundação Dom Cabral, BOVESPA e FIEMG.
Tabela 2
Fonte: BOVESPA, FDC, FIEMG (2007, p.26).
Tabela 3
Fonte: BOVESPA, FDC, FIEMG (2007, p.26).
Especificamente em relação à empresa familiar no Brasil, é um fato bastante discutido que a mesma enfrenta tipicamente problemas em sua capitalização adequada e em sua capacidade de sustentar um projeto mais pesado de investimento. Durante muito tempo, a possibilidade prática e viável para a captação de recursos para investimentos foi representada pelo Banco Nacional de
apresentava-se como interessante, mas que nos tempos mais recentes se torna praticamente imperativa, é aquela que leva ao processo de busca de novos sócios ou parceiros. Enquanto essa procura de sócios nasce da necessidade de capitalização do empreendimento, em tese, a alternativa de abertura do capital com oferta pública de ações seria a mais aceitável para o empresário familiar. No entanto, conforme aponta Gonçalves (2000), quando esta opção era concretizada acabava esvaziada na maioria dos casos, porque os direitos de acionistas minoritários sempre foram limitados e, assim mesmo, pouco respeitados. O processo de abertura de capital representava não mais do que um expediente para a captação de recursos a custos baixos sem a contrapartida de responsabilidades maiores (GONÇALVES, 2000).
Outro ponto que merece atenção no tocante aos empreendedores de empresas familiares é que muitos hesitam diante da possibilidade de abertura de capital. Lethbridge (2005) identifica como o maior obstáculo ao êxito desse procedimento a relutância dos dirigentes familiares em dividir o poder com os novos sócios e em admitir o acesso de profissionais não familiares a cargos de direção. Tal afirmação é reforçada pelo fato de que as sociedades de capital aberto com ênfase no controle familiar apresentam no Brasil forte concentração de ações ordinárias (com direito a voto) nos grupos familiares controladores, aliado a um alto índice de emissão de ações preferenciais (sem direito a voto).