2. YENİ MEDYA
2.3. YENİ MEDYA ARAÇLARI
2.3.4. Sosyal Ağlar
O poder de polícia possui atributos que lhe são peculiares, intrínsecos e sem os quais seu exercício estaria comprometido, a saber: a discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade (MEIRELLES, 1989, 115-117).
a) A discricionariedade é a opção de que desfruta a Administração Pública para, analisando o caso concreto e levando em consideração parâmetros de conveniência e oportunidade, aplicar o poder de polícia para atingir seus objetivos de fazer prevalecer o interesse público, de subjugar a satisfação da pretensão privada em prol do benefício coletivo. Para tanto, pode a Administração valer-se dos meios, instrumentos e mecanismos que forem necessários — desde que seu emprego e hipóteses de intervenção estejam amparados no ordenamento jurídico, sob pena de agir abusiva e, portanto, ilegalmente — para fazer prevalecer os desígnios superiores da coletividade em detrimento do interesse meramente privado.
No campo da segurança pública, exemplos típicos seriam o de manifestação de determinada categoria profissional, reivindicando aumento salarial ou melhores condições de trabalho; ou, então, ato pacifista, protestando contra articulações beligerantes desencadeadas no mundo. Tanto num caso, como noutro, estão as manifestações protegidas por dispositivos constitucionais, sendo, assim, tuteladas pelo ordenamento jurídico nacional. São, em outras palavras, legítimas e legais. Pode ocorrer, no entanto, abuso na externalização de tais demandas, o que
pode afetar o interesse público e ou ferir direitos de terceiros. Poderia, no primeiro caso, ter ocorrido emprego de coquetéis molotov a fim de constranger e tentar inibir a classe patronal. Poderia, no segundo, haver obstrução de importantes vias automotivas, quer de acesso a equipamentos públicos de importância, como hospitais, quer por serem imprescindíveis à fluidez de tráfego de uma grande cidade. Em ambas as situações, haveria, indubitavelmente, congestionamento que afetaria toda a urbe, trazendo prejuízos imprevisíveis à sociedade. Nestes dois casos, poderia a polícia de preservação da ordem pública, no caso a Polícia Militar, atuar. Com fundamento no poder de polícia, ela seria empregada quer para reprimir abusos no exercício do direito, quando empregou violência para externar suas pretensões; quer para evitar prejuízos a terceiros e à sociedade como um todo, quando se bloqueiam importantes vias de acesso.
Em ambos os casos, deve a Polícia Militar observar os três pré-requisitos parcialmente delineados acima: i) Abuso lesivo ao interesse público: em primeiro lugar, ter o fato gerador da aplicação do poder de polícia contrariado o ordenamento jurídico ou, em sua externalização, ter abusado no sentido de trazer prejuízo a terceiros ou à sociedade — no caso citado, ter havido emprego de violência e paralisação de importantes vias públicas; ii) Competência para intervenção: em segundo lugar, estar o fato entre as hipóteses de intervenção do Poder Público, em especial, de um de seus órgãos específicos, no caso a polícia de choque para contenção de manifestações ou distúrbios civis; iii) Proporcionalidade restrita: empregar meios e recursos de forma limitada e condizente para a normalização da situação, impedindo abusos e ações que coloquem em risco a vida de cidadãos. Esta é a razão porque, em todo o mundo, desenvolvem-se munições não letais para contenção de manifestações descontroladas, evitando-se, ao máximo possível, lesões a seus participantes.
Vê-se que a discricionariedade funda-se na liberdade que o administrador público tem de analisar as atividades passíveis de incidência do poder de polícia e na graduação das sanções aplicadas a seus transgressores.
Pode ocorrer que a lei, em alguns casos, já predetermine a atitude que a autoridade pública deve tomar em caso de infração à norma legal. Nestas situações, deixa de haver discricionariedade para haver ato vinculado, pelo que, se não for observado, incorre a autoridade em sanções legais — por exemplo, prática do crime de prevaricação — e administrativas — como a perda da função pública.
Por derradeiro, cabe salientar que discricionariedade não é sinônimo de arbitrariedade. A discricionariedade age dentro de parâmetros e limites legais. A arbitrariedade é abusiva, é a ação praticada fora ou excedente da configuração legal, com abuso ou desvio de poder (MEIRELLES, 1989, 115).
b) A autoexecutoriedade consiste na capacidade jurídica de que dispõe a Administração Pública para intervir ou atuar sem necessidade de prévia autorização ou decisão do Poder Judiciário. Através da autoexecutoriedade, permite-se ao Poder Público concretizar suas medidas e impor suas sanções sem autorização de qualquer outro órgão público ou judicial, a fim de evitar, conter ou obstar ato considerado antissocial ou lesivo ao interesse público. Este atributo permite ao Estado atuar de forma célere e incisiva quando a situação assim o exige, eximindo dos procedimentos que, via de regra, tornam os processos judiciais longos e burocratizados. Isto porque, no Judiciário, há necessidade de se fazer prevalecer princípios e resguardar bens jurídicos tutelados pelo Direito. No caso da Administração Pública, um longo procedimento pode trazer conseqüências irreversíveis para a comunidade, caso medidas concretas não sejam tomadas com urgência para evitar o agravamento do ato antissocial. Há casos, no entanto, em que a sanção ou intervenção do Poder Público só serão possíveis através de processo administrativo, que, se não houver, viciará o ato de ilegalidade e o tornará passível de anulação ex-tunc. Lembra Hely Lopes Meirelles que a aplicação de sanções sumárias e sem defesa só serão possíveis em caso de ―risco a segurança ou a saúde pública, ou quando se tratar de infração instantânea surpreendida na sua flagrância‖ (MEIRELLES, 1989, 116).
Cite-se, como exemplo, neste caso, a autuação do policial de trânsito nas situações de transgressão às normas de condução de veículos, ou a atuação do policial ambiental nos casos de infração às normas de proteção à fauna, à flora e aos mananciais.
São pré-requisitos da autoexecutoriedade: i) competência do agente: o agente deve ter atribuições legais para exercer o poder de polícia; não pode o funcionário de vigilância sanitária autuar uma infração de trânsito; ii) transgressão à
norma legal: a ação do particular deve contrariar as posturas legalmente instituídas;
iii) inexigibilidade de prestação jurisdicional: para a intervenção e aplicação de sanções do Poder Público, não se requer a atuação do Poder Judiciário.
c) A coercibilidade é a capacidade de que dispõe o Estado, por intermédio do poder de polícia, para impor, de forma coativa, as medidas e decisões adotadas por sua Administração Pública. Todo ato resultante do emprego do poder de polícia é
obrigatório para seu destinatário, que não tem a faculdade de poder negociar a decisão tomada. Em outras palavras, ―todo ato de polícia é imperativo‖ (MEIRELLES, 1989, 117), representando uma das facetas mais contundentes da potestas do Estado. Para ser cumprida pelo destinatário, pode o Poder Público inclusive empregar a força para obrigar o particular a cumprir suas deliberações. A coação estatal dá-se através do emprego de uma de suas forças policiais, que emprega o potencial estritamente necessário para que as emanações legítimas do Estado sejam observadas e cumpridas.
Exemplo típico ocorre na situação em que a Polícia Militar, num estádio, delimita o espaço para cada uma das torcidas rivais. Caso uma delas não observe o espaço que deve ocupar, está o dispositivo policial-militar autorizado a usar da força necessária para fazê-las recuar e, assim, evitar um mal maior que seria o confronto de torcedores. Outro exemplo é o cidadão que estaciona seu veículo em local proibido e se nega a retirá-lo, mesmo diante do pedido do policial. Além do crime implícito em tal ato, está o policial autorizado a, mediante o emprego dos meios necessários, retirar compulsoriamente o veículo daquele lugar.
Vê-se, desta forma, que o poder de polícia deve se valer da coercibilidade sob pena de o Poder Público desmoralizar-se, de ver suas decisões e medidas desprezadas e de assistir à instalação do caos e da instabilidade no seio social. O objetivo da coercibilidade não é outra senão dar caráter executório ao Estado, além de representar um dos mais importantes mecanismos de que este dispõe para monopolizar a violência legítima que lhe é peculiar.