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1.4. EĞİTİM AMAÇLI İNTERNET VE SOSYAL AĞ KULLANIMI

1.4.2. Sosyal Ağlar

Tendo em vista a estreita relação entre o lugar de trabalho e o da moradia, no caso a Aldeota e a periferia se fazem necessário a compreensão do equipamento urbano que os ligam.

A apropriação a partir da habitação é muito sensível as mudanças dos transportes. A capacidade de fazer um deslocamento mais longo até o local de trabalho depende em parte da taxa de salário (que permite ao trabalhador pagar pela viagem); depende em parte da extensão do dia de trabalho (que dá ao trabalhador tempo para viajar) e em parte depende do custo e disponibilidade do transporte (HARVEY 1982, p. 11).

Segundo Kowarick (1979) a espoliação se evidencia no modo de vida urbano, sobretudo no quesito moradia, onde a classe trabalhadora sofre com a precarização da habitação popular. O autor afirma que apesar de São Paulo ser uma cidade que se constitui no centro dinâmico do país, é nesta metrópole que se percebe a pauperização de vastas parcelas da população.

Nos primórdios da industrialização e basicamente até os anos 30, as empresas resolveram em parte o problema da moradia da mão-de-obra através da construção de “vilas operárias”, geralmente contíguas às fábricas, cujas residências eram alugadas ou vendidas aos operários. (...) Tal tipo de solução era viável na medida em que a quantidade de força de trabalho a ser alojada era relativamente pequena – pois destinava-se de modo especial aos operários menos disponíveis no mercado de trabalho – e o baixo custo dos terrenos e da construção compensava a fixação do trabalhador na empresa (KOWARICK 1979, p. 30).

Desta forma, a relação estabelecida entre o migrante e a metrópole se dá a partir do trabalho, entretanto, a porta de entrada deste trabalhador só foi possível, durante muito tempo, graças ao alojamento. Ou seja, através de uma moradia que, em sua maioria, se localizava no próprio canteiro de obras ou em vilas operárias e albergues. “A instrumentalização do alojamento vai permitir a exploração da força de trabalho, efetivamente através de salários baixos e a domesticação do trabalhador” (SPOLLE 2001, p. 15). Logo, a disponibilização do alojamento consistiu num dispositivo de acumulação capitalista bastante rentável ao empregador, visto que se apropriava duplamente da mais-valia, pois não havia custeio com transportes e nem com aluguel.

Em contrapartida, esse tipo de moradia possibilitava a mobilização dos trabalhadores, pois a intensa convivência no canteiro de obras, tanto no horário de trabalho, como no alojamento, facilitava a organização sindical, que desde o princípio das manifestações operárias, a construção civil sempre foi atuante e presente. Devido a isso, a luta sindical desta categoria conseguiu várias conquistas, dentre estas, a Norma Regulamentadora n° 18 ou NR 18 – Condições de Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção que foi sancionada em 26 de julho de 1983. E alterada em 10/06/1994. A nova RN 18 foi publicada no D.O.U em 07/07/1995. Esta lei implicou em várias mudanças no canteiro de obras, visando garantir uma maior segurança para os trabalhadores e, por isso estabeleceu vários padrões para a instalação do alojamento que, por sua vez, foi extinto desde então, pois a criação e manutenção desta moradia, conforme as regras previstas na lei teriam um custo altíssimo para a construtora.

Uma observação importante é que a regulamentação do alojamento consistiu na sua própria extinção e, não, na efetivação deste. Entretanto, isso não foi uma perda para a classe trabalhadora da construção civil, pois o alojamento consiste numa forma de controlar os trabalhadores, garantindo-lhes baixos salários. Sem contar, na privação de não poder ter uma família, de ficar longe dos amigos, parentes e vizinhos do bairro. Contudo, o problema da precarização da moradia é uma luta que precisa ser superada por esta categoria, tendo em

vista que é responsável pela construção de imóveis, quando muitos não têm onde morar ou moram na casa de familiares e em situações irregulares.

A forma pela qual a cidade foi projetada para o consumo da classe trabalhadora revela o nível de “exclusão” a que está submetida. Entretanto, o conceito de “exclusão” merece algumas ressalvas, pois segundo Martins (2007)

Todos problemas sociais passam a ser atribuídos mecanicamente a essa coisa vaga e indefinida a que chamam de exclusão (...). O rótulo acaba se sobrepondo ao movimento que parece empurrar as pessoas, os pobres, os fracos, para fora da sociedade, para fora de suas “melhores” e mais justas e corretas relações sociais, privando-as dos direitos que dão sentido a essas relações. Quando, de fato, esse movimento as está empurrando para “dentro”, para a condição subalterna de reprodutores mecânicos do sistema econômico, reprodutores que não reivindicam nem protestam em face de privações, injustiças e carências (MARTINS 2007, p. 16-17).

A crítica levantada por Martins revela o quanto o conceito de “exclusão” é deturpado no próprio contexto científico, que insiste em atribuir que os seres humanos possam de alguma forma estarem excluídos da sociedade, quando, na verdade, a expressão mais coerente é “incluídos de forma precária e patológica”, pois o capitalismo não exclui os indivíduos do seu circuito, e sim, do acesso a uma vida digna. Entretanto, o autor discute a “exclusão” como fruto de uma nova pobreza, mas deixa claro que ser pobre hoje em dia é muito relativo, devido aos níveis de consumo da população. Porém, a questão não é fenomenológica que busca perceber o consumo do indivíduo, mas se trata de uma nova percepção social, onde

Estamos em face de uma nova desigualdade, e não mais apenas da desigualdade gerada pelo aparecimento das classes sociais. As classes sociais, o operariado e a burguesia, cada qual a seu modo e no seu tempo, foram ou são revolucionárias. Já as novas categorias sociais geradas pela exclusão degradam o ser humano, retiram- lhe o que é historicamente próprio – a preeminência da construção do gênero humano, do homem livre num reino de justiça e igualdade (MARTINS 2007, p. 18).

A rigor, o processo de “exclusão” não se dar somente pela falta ou pela precariedade de uma boa saúde, educação, alimentação, moradia, trabalho e todo um conjunto de infra- estruturas necessárias a sobrevivência humana. A “exclusão” inclui um redimensionamento moral que faz repercutir na privação da esperança, apesar do senso comum ainda atribuir a pobreza a uma vontade divina.

Contudo, as privações materiais não são momentâneas e estão longe de serem passageiras, pois é como se houvesse uma condenação irremediável no destino dos grupos sociais “excluídos”, fazendo parecer como se estivéssemos na sociedade feudal, onde as estruturas sociais eram bem definidas e não havia possibilidades de ascensão e nem de mudança da condição social.

A condição de operário da construção civil se adéqua a muitos níveis de “exclusão”, começando pela escolaridade, já que uma grande maioria dos trabalhadores não é alfabetizada. Devido a isso, recebem baixos salários, que servem para sustentar famílias bastante numerosas, que por sua vez, sofrem com todos os tipos de privações possíveis. Este fator faz com que os membros da família, incluindo mulher e filhos também busquem outras fontes de rendas para complementar nos gastos domésticos. Na maioria das vezes, o filho homem segue a mesma profissão do pai, estendendo os níveis de “exclusão” para outras gerações, evidenciando a estrutura social definida, como foi exemplificado anteriormente.

Via de regra, não poderíamos considerar o operário como um indivíduo “excluído”, pois o mesmo dispõe de um emprego em detrimento de uma grande massa de desempregados. Porém, a construção civil se caracteriza por sua sazonalidade, onde persiste uma grande quantidade de trabalhadores temporários que ao terminar à obra, ficam durante um longo período procurando outro trabalho. Isto favorece para agravar ainda mais os níveis de “exclusão”, pois

Todo o conjunto de sub-condições de existência, estão "confinados" nas áreas mais precárias da cidade. Os piores índices se concentram todos nas mesmas áreas, o que significa que é a mesma população que está precarizada no conjunto das condições sociais de existência, ou ainda, que as situações de exclusão são decorrentes da superposição de carências de diferentes naturezas (IKUTA 2003, p. 24).

Portanto, a situação da classe trabalhadora é bastante fragilizada, tendo em vista as condições postas pelo processo de “exclusão” e por sua vez, da segregação sócio-espacial como fruto do processo de fragmentação da cidade.

Benzer Belgeler