2. Bölüm, Araştırmanın Kuramsal Çerçevesi İle İlgili Araştırmalar
2.1.7. Sosyal Öz-yeterlik İle İlgili Araştırmalar
Ao descrevermos alguns aspectos da Escola Beta, analisaremos sua histórica, espaço físico, vizinhança/localização, população estudantil, professores, distinções especiais, com o objetivo de descrever, mesmo que brevemente, mais um local de pesquisa. Para finalizar esta descrição, apresentamos algumas considerações sobre a gestão escolar e sua prática.
A origem a Escola Beta deu-se em virtude da demanda dos alunos, que em 2000 estavam cadastrados para cursarem, no ano de letivo de 2001, a 1.ª série na região próxima à escola. Como as obras para a construção da escola estavam no início, os alunos foram transportados para outra escola de ensino fundamental da rede municipal durante todo o ano letivo de 2001. Estes 105 alunos foram atendidos no período intermediário, que funcionou das 11h às 15h.
Com grande expectativa dos pais e dos próprios alunos, pois iriam estudar perto de suas residências, a escola foi inaugurada em 3 de fevereiro de 2002, com a presença do prefeito, seus secretários e demais autoridades municipais, além de muitas pessoas da comunidade.
A escola iniciou formalmente suas atividades em fevereiro de 2002 com cinco classes de 1.ª série; três classes de 2.ª série; três classes de .3ª série e três classes de 4.ª série, subdividas nos períodos da manhã e da tarde.
Fica localizada em um bairro novo da cidade, contava com péssima infra- estrutura e tinha água encanada, luz elétrica, ruas sem pavimentação e as poucas que possuíam massa asfáltica estavam em péssimo estado de conservação; possuía ainda cemitério, linhas de ônibus que interligam o bairro com demais localidades da cidade e com o centro comercial, coleta de lixo três vezes por semana. Não havia galerias de águas fluviais, posto de saúde e, quando chovia, o bairro fica intransitável. Os ônibus urbanos passavam na rua lateral onde estava localizada a escola, mas não passavam à sua frente devido às péssimas condições de conservação da rua.
Havia também um pequeno comércio local, composto por supermercado, lanchonetes, bares, lojas variadas de roupas e aviamentos, oficinas mecânicas. Em grande parte das casas do bairro encontramos pequenos quintais e em muitos casos estas não ultrapassavam três cômodos. O bairro tinha pouco fluxo de veículos diário. Era conhecido como um bairro de periferia perigoso, pois, normalmente, a cada semana, havia pelo menos dois homicídios por lá. A população deste era jovem, a maioria desempregada viera de outra cidade e realizava serviços temporários ou vivia da informalidade.
O prédio dividia o quarteirão com uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) e ficava a poucos metros de uma creche (Escola Municipal de Educação Infantil Integrada – EMEII). Em frente à escola, havia um terreno baldio, algumas casas e um pequeno comércio: uma casa teve sua garagem transformada em bar para a venda de guloseimas aos alunos da escola no horário da entrada ou da saída das aulas. Os terrenos circundantes à escola eram baldios, mas não faziam divisas com a escola.
Sobre a estrutura física do prédio, destacamos que o mesmo possuía amplas salas de aula arejadas com aproximadamente 49m², banheiros em quantidade suficiente e adaptados para deficientes, um grande pátio, corredores largos, salas administrativas, cozinha, copa, entre outros espaços, ou seja, tudo na escola era amplo e planejado para atender adequadamente às necessidades de uma instituição escolar contemporânea. Tinha dois portões: principal na entrada e outro na mesma calçada para que professores e funcionários guardassem seus veículos no interior da escola.
A área total do terreno era de 3.525,31m² e sua área construída representava 2.248,50m², conforme apresentado pela Figura 4, sendo 1 área total e 2 área construída.
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Figura 4: Gráfico da área total e área construída da Escola Beta.
Era rodeada por uma cerca de alambrado que possibilitava a visualização do que ocorria no seu interior. Havia muros apenas na frente da escola e este estava constantemente pichado. As paredes da quadra poliesportiva também receberam constantes pichações e rabiscos. Algumas paredes do interior das salas de aula e do pátio também receberam pichações e rabiscos em 2006.
Nesse mesmo ano, a estrutura física do prédio foi suficientemente espaçosa para abrigar todos os estudantes de forma adequada, pois havia salas para o reforço e recursos, sem desalojar outros espaços.
O edifício encontrava-se conservado, com as paredes pintadas no início do ano letivo e sujas no final dele. A conservação do prédio poderia estar em melhor estado se a comunidade colaborasse; não roubando as grelhas dos ralos, a fiação elétrica e não quebrando os vidros que eram constantemente repostos.
As janelas encontravam-se sempre abertas, na verdade, eram vitrôs com pequena abertura. O interessante era que, mesmo nos meses de calor intenso, muitos professores trabalhavam com as portas fechadas, o que impedia a circulação de ar e aumentava a sensação de calor na sala de aula. As portas das salas de aula eram de vidro, seguindo o modelo dos vitrôs. As demais portas (secretaria, diretoria, cozinha, copa, sala dos professores) eram de madeira e não permitiam a visualização do interior quando fechadas. As salas de aula eram espaçosas e estavam em boas condições para acomodar 35 alunos em média.
Os objetos e a mobília do edifício permaneciam sempre nos mesmos lugares. As paredes das salas de aulas e os corredores eram decorados com os trabalhos dos alunos, mas, como a escola recebia alguns “visitantes” durante a madrugada, esses trabalhos eram rasgados com freqüência. Eram atividades desenvolvidas pelos alunos em sala de aula, como: cartazes, desenhos, recortes de figuras e montagem de painéis.
Os banheiros eram limpos após os recreios, mas, mesmo assim, continuavam com odores desagradáveis. Observamos que a limpeza dos banheiros era feita com pano e desinfetante, não havia lavagem com água todos os dias, apenas uma vez na semana. Não havia sabonetes e nem toalhas nos banheiros para os alunos, somente no banheiro dos professores, da direção e dos funcionários. Quando os alunos solicitavam à professora que queriam ir ao banheiro e esta permitia, oferecia ao aluno uma vasilha com sabonete para que o mesmo usasse e devolvesse em seguida. O papel higiênico era dado ao aluno somente quando este solicitava. As portas dos sanitários asseguravam a privacidade dos alunos. Em todos os vasos sanitários havia portas e divisórias, mas estas não tinham trinco ou fechaduras.
A escola não possuía sinalização clara que permitisse aos novos visitantes encontrar o que desejam. As placas indicativas encontravam-se apenas nas portas das salas o que dificultava encontrar o local procurado. Os pais, quando iam à escola conversar, com professores ou com a direção, eram atendidos no hall de entrada ou no pátio.
Havia, enquanto equipamento audiovisual, uma caixa de som, dois microfones, duas televisões de 29”, cinco rádios, um retroprojetor, um videocassete, um aparelho de DVD. As condições de funcionamento e equipamentos audiovisual eram bons, pois foram adquiridos recentemente com a verba do FUNDEF e/ou PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) do Governo federal. Esses equipamentos ficam guardados na biblioteca ou na sala da coordenação pedagógica. Para usá-los, o professor deve solicitar à direção o uso do equipamento. Não há necessidade de agendamento e poucos professores, durante o ano de 2006, utilizaram esses recursos. Quanto ao equipamento danificado, este era enviado ao conserto com os recursos financeiros da APM, mas, quando esses recursos eram insuficientes para o reparo, e esse equipamento acabava sendo enviado para a SME a fim de que esta providenciasse o reparo. A escola recebia pouca verba da APM devido à carência econômica dos alunos.
No pátio havia nove mesas com dois bancos cada uma, dispostas de frente para a cozinha, onde era servida a refeição.
As portas das salas de aula e dos banheiros eram suficientemente amplas para dar acesso a cadeirantes. A escola tem banheiros adaptados para eles, mas, durante o ano de 2006, não havia aluno com este tipo de deficiência freqüentando a escola.
A estrutura física do prédio estava adaptada para atender com qualidade as pessoas com deficiência física, porém, as ruas e calçadas que davam acesso à escola eram inadequadas para a circulação desse segmento populacional. As ruas não tinham massa asfáltica, o que muitas vezes provocava erosões e atolamentos dos carros no período de chuvas. Só havia calçadas defronte à entrada da escola.
Observamos que o acesso à pessoa cadeirante no interior da escola não apresentava barreiras arquitetônicas, pois a escola era totalmente plana, não havendo diferentes níveis de piso. Entretanto, destacamos o descaso do Poder Público para com as ruas que circundavam a escola e que ofereciam péssimo acesso às pessoas sem limitações físicas, quanto mais aos cadeirantes ou a qualquer outra pessoa que apresentava alguma deficiência física, conforme pode ser observado na Figura 5.
Figura 5: Fachada da Escola Beta.
Fonte: Arquivo da pesquisadora, setembro de 2006.
Ao observarmos a imagem, percebemos as péssimas condições em que se encontrava a rua defronte à escola no mês de setembro, um mês com pouca quantidade de chuvas.
Com relação à reputação da escola na comunidade, obtivemos, por meio de conversas informais com os alunos, depoimentos deles sobre seus pais, que a consideravam de boa qualidade, pois oferecia uniforme, material escolar e merenda aos alunos, ou seja, tinham uma visão assistencialista. Consideravam-na boa ainda por ser de fácil acesso e ficar na região central de bairro.
Em 2006, um fato demonstrou a insatisfação da comunidade interna da escola para com a gestão da mesma. Foi enviada ao Diário Oficial do Município no mês de março a convocação para a composição da APM para o exercício de 2006. No entanto, um fato chamou a atenção: no texto estava escrito que a direção da escola convocava seus “escravos” para reunião. Foi aberto processo administrativo para averiguar tal irregularidade, mas até o final daquele ano não havia sido encontrado o responsável. Esta situação provocou discussões na imprensa local, na SME e na própria unidade escolar.
A comunidade local quase não se encontrava na escola e, durante todo o período de visitas à escola, não foi observada atividade para a comunidade no local. Somente aos fins de semana os moradores do bairro utilizavam a quadra poliesportiva para jogos de futebol.
Cabe destacar que, no mês de outubro, um adolescente de 17 anos que jogava futebol na quadra da escola, num domingo, levou um tiro no pescoço e morreu no local; o disparo foi dado por outro adolescente acidentalmente. A direção da escola não comentou o assunto, mas a escola ficou fechada para os alunos na segunda-feira seguinte em virtude da grande movimentação da polícia e da imprensa no local. A Secretaria Municipal de Educação proibiu a entrada da comunidade nas quadras das escolas municipais aos fins de semana até que o fato seja esclarecido.
A escola não realizou festas ou eventos comemorativos. Somente nas comemorações das datas cívicas (21 de abril, 9 de julho, 7 de setembro, 15 de novembro) foram promovidas atividades diferenciadas, como hasteamento da bandeira nacional, canto do Hino Nacional e alguma apresentação dos alunos. Nas demais datas, não houve qualquer tipo de comemoração. A escola manteve sempre a mesma rotina. O espaço na escola encontrava- se aparentemente organizado: eram respeitados os horários, as atividades e os locais onde elas se realizam; porém, quando havia falta de professores, a situação era alterada: s horários eram refeitos, improvisados, os espaços eram utilizados por outros professores e muitas vezes os alunos eram dispensados das aulas no portão da escola. A vida diária da escola não era determinada pelas necessidades dos alunos, dos professores e dos funcionários, pois seguia as determinações da SME que padronizava a vida diária das escolas municipais de ensino fundamental por meio do Regimento Escolar comum e do calendário escolar.
Em 2006, acolheu 617 alunos, divididos em 20 turmas, em dois turnos de funcionamento, sendo 294 no período da manhã, 323 no período da tarde, conforme apresentado na Tabela 7:
Tabela 7: Número de alunos da Escola Beta em 2006.
Escola Salas 1.ª 2.ª 3.ª 4.ª Manhã Tarde Total de alunos
Beta 20 134 193 155 135 294 323 617
Total 20 134 193 155 135 294 323 617
Conforme os dados apresentados na Tabela 7, podemos concluir que há preferência pelo período da tarde e que o maior número de alunos encontrava-se na 2.ª série.
Seu quadro funcional, em 2006, era composto por 26 pessoas e pode ser visualizado pela Tabela 8.
Tabela 8: Número de funcionários, cargos e funções da Escola Beta, em 2006.
Cargo / Função Número de Servidores
Diretora 1 Assistente de Direção / Coordenadora Pedagógica 1
Secretária 1 Serventes 3 Professores 20 Total 26 Fonte: Diário das Observações Digital.
Ao analisarmos a Tabela 8, destacamos que havia diferentes categorias de profissionais que trabalhavam na escola e que formalmente somente três professoras se removeram para outra escola em 2007. Entretanto, das 20 salas que funcionaram em 2006, 12 eram de professoras da casa; as demais foram oferecidas como dobra para professores de outras unidades escolares e até outras divisões (como educação infantil e educação de jovens e adultos). Cabe destacar que, durante 2006, a escola ficou sem vice-diretora, sendo que uma professora I respondeu pela coordenação pedagógica e pela vice-direção ao mesmo tempo.
Nos últimos anos, a escola se defrontou com o problema do vandalismo; do descaso da comunidade com o prédio escolar e com a aprendizagem dos alunos, com a educação escolar em si; com a ausência de uma equipe de gestão e de professores que permanecesse ano após ano.
Alunos, professores e funcionários aparentavam não se incomodar com a nossa presença no cotidiano escolar. Conversavam, contavam histórias, brincavam, como se pertencêssemos a esse ambiente.
Sobre os alunos, destacamos que todos pertenciam ao bairro, assim, a escola atendia exclusivamente à comunidade local. De modo geral, os alunos tinham as seguintes características.
A faixa etária variava entre os 6-7 aos 10-11 anos pertencentes às quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. Entretanto, encontramos cinco alunos com idade acima dos 12 anos (multirrepentes).
Sobre a condição socioeconômica dos mesmos, por meio de conversas informais durante o recreio, concluímos que a grande maioria dos pais vivia da informalidade; em alguns casos, eram criados por avós e tios, pois seus pais estavam presos. Assim, a composição socioeconômica dos alunos era financeiramente carente, pois havia carência de recursos materiais e financeiros e, na sua maioria, vivam de doações e dos programas sociais do Governo federal.
Ressaltamos que a escola localizava-se na periferia da cidade, num dos bairros mais violentos e mal falados da cidade: assaltos, assassinatos, brigas eram constantes, tanto no bairro quanto envolvendo moradores do mesmo em outros pontos da cidade.
A composição racial dos alunos da escola era miscigenada, encontramos muitos negros, morenos, pardos, brancos e nenhum descendente de japoneses ou coreanos. Os alunos com deficiência eram tratados pelos demais alunos com naturalidade. Encontramos apenas deficientes mentais e/ou alunos com acentuadas dificuldades de aprendizagem.
Durante o horário de entrada dos alunos na escola, havia intenso movimento de pessoas que vinham andando pelas ruas do bairro. Os alunos atravessavam a rua defronte à escola com freqüência para comprar guloseimas num bar. Ao adentrar na escola, os alunos faziam fila no pátio, esperando o professor para fazem a oração do dia sob as orientações da coordenadora pedagógica/vice-diretora. Depois dessa atividade no pátio, os alunos seguiam em fila para as salas de aula.
Nos horários de entrada ou saída dos alunos, havia sempre algum pai e/ou responsável querendo saber sobre o comportamento do seu pupilo. Estes eram atendidos no
hall de entrada da escola em frente à secretaria, depois de feita a oração.
Durante o recreio, não havia uma atmosfera tranqüila para a refeição: tudo era agitado e barulhento, com músicas evangélicas ao fundo e conversas intensas. Os alunos falavam com a boca cheia de alimentos, não demonstrando nenhuma etiqueta à mesa. As refeições obrigatoriamente deveriam ser realizadas nas mesas e os alunos respeitavam isso, pois estavam sob a supervisão das serventes. A comida era preparada na própria escola por duas merendeiras nos períodos da manhã e da tarde. O alimento era servido diretamente nos pratos dos alunos, que depois de faziam as refeições e colocavam os pratos e os talheres utilizados num canto próximo à porta da cozinha para serem lavados. Eram oferecidos aos alunos como utensílios para as refeições um prato de plástico (marrom), uma colher de metal e uma caneca de plástico (marrom). A caneca só era oferecida aos alunos quando era servido leite ou suco; nos demais dias, os alunos bebiam água no bebedouro sem o uso das mesmas. O cardápio era elaborado pelas próprias merendeiras e variava conforme o material recebido.
Toda semana os alunos comiam arroz, feijão, carne vermelha, carne branca, bolacha doce e salgada, leite, macarrão, salsicha, situação comum em todas as escolas municipais.
O recreio era marcado pela correria, alimentação de merenda e algumas guloseimas vendidas na cantina da escola, além de brincadeiras diversas com o monitoramento das serventes: os alunos corriam constantemente. Quando o sinal tocava para os alunos entrarem novamente nas salas de aula, havia gritaria generalizada e os mesmos seguiam em direção à porta das salas de aula. O recreio era subdivido em turmas, tanto no período da manhã, quanto no período da tarde: lanchavam primeiro as primeiras e segundas séries, depois as terceiras e quartas séries. A correria era mais intensa nos primeiros recreios.
No horário previsto para a saída, os alunos eram dispensados pelos professores: alguns acompanhavam sua turma de alunos até o portão, outros se despendiam na porta da sala de aula. Havia novamente algumas pessoas esperando os alunos no portão, mas a grande maioria ia embora caminhando pelas ruas do bairro.
Durante os vários meses de observação, pudemos verificar que, em quase todas as turmas, havia alunos considerados os favoritos do professor: alunos bem comportados e que não apresentavam dificuldades de aprendizagem sentavam nas primeiras carteiras, eram asseados e participavam das aulas quando solicitados. Normalmente, esses eram os ajudantes do professor.
Aqueles que terminavam primeiro as atividades eram elogiados pelo professor, porém, os que demoravam mais recebiam insultos e bilhetes nos cadernos. Não havia distinções entre meninos e meninas.
Os professores e os funcionários levantavam sempre a voz aos alunos, pois diziam que eram desobedientes.
Os alunos agrediam-se verbalmente na sala de aula e no recreio. Falavam palavras de baixo calão, ofendiam as mães dos colegas e realizavam ofensas relacionadas à sexualidade dos colegas. Observamos que as brigas dos alunos começavam na rua e eles levavam para dentro da escola. A escola acabava sendo o lugar onde eles “acertavam as contas”. Durante o período de observações, aconteceram várias brigas dos alunos na esquina da escola.
A escola conhecia a vida dos alunos por meio dos relatos que estes ou seus responsáveis faziam. O pessoal da escola não tinha o costume de ir à casa do aluno para saber por que este estava faltando ou mudou de comportamento, usavam o telefone como veículo de comunicação. Quando informações sobre a história dos alunos chegavam à escola, não era tratada com sigilo, de modo que todos ficavam sabendo o que estava acontecendo.
Os alunos estavam sempre uniformizados com as vestes doadas pela PMB. As vestes eram meias brancas, tênis azul marinho, abrigo completo (calça comprida e blusa para os dias frios), bermuda e camiseta branca.
Quando os alunos apresentavam comportamento inadequado, em sala de aula ou em outros espaços da escola, estes eram encaminhados para a equipe de gestão da escola. Os incidentes acontecidos com os alunos, bem como seu comportamento inadequado, eram registrados (escritos) no livro de ocorrências da escola. Neste livro, havia o registro do fato e do comportamento do aluno, era assinado pelo aluno e, posteriormente, pelo responsável. Os alunos apresentavam verdadeiro pavor deste livro e choravam quando necessitavam assinar a ocorrência. Não havia espaço para defesa do aluno.
O Grêmio Estudantil, espaço para participação dos alunos, não existia na escola, ou melhor, existia formalmente apenas nos documentos da escola.
Aos alunos com necessidades educacionais especiais que freqüentavam o ensino regular, era oferecido o apoio da Sala de Recursos no horário inverso ao das aulas