4. MEVCUT DURUMUNDEĞERLENDİRİLMESİ
4.2. Sorunlar
De acordo com Araújo e Melo (2011, citado por Ribeiro & Paúl, 2011, pp. 141- 144), as pessoas são por natureza seres sociais que vivem em interacção com os outros. Ao longo da vida vamos pertencendo a vários grupos, nomeadamente ao grupo familiar, ao grupo de amigos e de colegas, quer na escola quer no trabalho. É estando inseridos nestes grupos que vivenciamos as melhores experiências da vida e vamos construindo os traços que nos caracterizam. Em muitos aspectos, as nossas relações são âncoras em que estruturamos as nossas prioridades e uma convivência harmoniosa com os outros faz-nos sentir seguros, apoiados e compreendidos, contribuindo para a definição da nossa identidade, pois aquilo que pensam de nós contribui para a imagem que vamos construindo de nós próprios. O apoio que recebemos da família, dos amigos e dos vizinhos tem benefícios a vários níveis: a nível afectivo, ser aceite e estimulado por outros (independentemente dos erros e feitios) possibilita reforçar a própria auto-estima; emocionalmente, permite receber sentimentos de apoio e segurança ajudando os idosos a ultrapassar os problemas; a nível informativo, o apoio social permite a aquisição de informações e conselhos que ajudam os idosos a compreenderem melhor as situações do dia-a-dia, e tem ainda uma função instrumental, através da disponibilização de bens e serviços que ajudam o idoso na realização de tarefas e na resolução de problemas; por fim, potencia o convívio social, que ajuda a aliviar tensões, diminuindo o isolamento e aumentando a participação social.
Ora, tendo em conta a importância das redes de socialização primária na vida dos idosos, constatar que a população envelhecida não se encontra num acentuado isolamento físico, na sua área de residencia, é insuficiente para que possamos concluir que estes possam efectivamente contar com os seus familiares, vizinhos e amigos para manter viva a sua sociabilidade e, além disso, ajudar a realizar as tarefas do dia-a-dia (quando se torna necessário) indispensáveis à sua sobrevivência e dignidade.
Assim, a abordagem que se segue, teve por objectivo primeiro tentar apreciar o potencial destes laços primários, nomeadamente, dos filhos. Para o efeito,
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formularam-se uma série de perguntas que foram organizadas em duas grandes dimensões: a primeira dimensão está relacionada com a satisfação das necessidades de sociabilidade, que intitulamos por preservação da sociabilidade85; e a segunda está relacionada com a realização de tarefas fundamentais da vida quotidiana, a que chamamos de p ote ç oài st u e tal86 . Como podemos constatar pela tabela A38 (disponível em anexo), as duas séries de itens foram cotadas numa escala de 1 a 5 sendo que 1 significa que pode contar sempre com a ajuda dos filhos e 5 nunca conta com a ajuda do/a (s) filho/a (s).
Na análise relativa ao nível das sociabilidades destaca-se em primeiro lugar a partilha de momentos felizes e/ ou festivos (Natal, Páscoa, aniversários) com 82,6% dos inquiridos a referirem que podem contar sempre com os seus descendentes. Efectivamente, aqueles que não têm a oportunidade de conviver com os seus filhos correspondem a uma percentagem de 3,7% da amostra. Em segundo lugar, saliento o apoio dos descendentes no acompanhamento dos progenitores às consultas médicas, sendo a saúde uma questão que revela um maior nível de preocupação (67,5% dos inquiridos responderam que os filhos acompanhavam sempre a sua ida ao médico e, 8,3% dos inquiridos que nunca contam com os filhos para fazer companhia numa ida ao médico) (cf. tabela A38 disponível em anexo).
Ao nível da protecção instrumental, mais de metade dos inquiridos dispõe da ajuda dos filhos nomeadamente no apoio de actividades como efectuar as compras necessárias para o dia-a-dia (conta sempre, 57,2%), preparar as refeições (conta sempre, 55,7%), limpar e arrumar a casa (conta sempre, 58,0%) e, apenas 39,2% dos inquiridos conta sempre com a ajuda dos seus descendentes no apoio à higiene pessoal. Em nenhuma das duas dimensões se verifica diferenças significativas entre o género, ou entre escalões etários (cf. tabela A38 disponível em anexo).
85 Para a construção da novaàva i velà p ese vaç oàdaàso ia ilidade ,àfo a à eag upadosàosàsegui tesà
itens: poder contar com os filhos para acompanhar a uma consulta médica; fazer compras; dar um passeio; conversar; buscar para passar o fim-de-semana; partilhar momentos festivos; almoçar ou jantar juntos; dar um passeio em família.
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Esta nova variável foi construída por via da análise factorial e do reagrupamento dos itens: efectuar as compras necessárias para o dia-a-dia; tratar da higiene pessoal; preparar as refeições; limpar e arrumar a casa; ficar com o inquirido durante a noite se ele se sentir adoentado.
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Em suma, a análise relativa aos laços de filiação sugerem que este ainda desempenha uma função de protecção nas duas dimensões que acabamos de mencionar. Com efeito, na primeira dimensão (preservação das sociabilidades), os valores médios oscilam entre 1 (sempre) e 3 (algumas vezes) e, na segunda dimensão (protecção instrumental), os valores médios são ligeiramente inferiores oscilando entre 2 (muitas vezes) e 3 (algumas vezes). Faz algum sentido destacar esta diferença entre as duas dimensões na medida em que a pontuação mais desfavorável para estes inquiridos é precisamente a que envolve tarefas mais constrangedoras, que exigem uma dedicação mais continua e, por outro lado, se prendem com necessidades essenciais à sobrevivência (protecção instrumental) (cf. tabela A39 disponível em anexo).
Esta constatação relativamente aos laços de filiação leva-nos a atribuir algum crédito aos resultados verificados nas três perguntas relativas à importância que os filhos reconhecem aos inquiridos no dia-a-dia, à compreensão que têm das suas necessidades e, finalmente, à preocupação manifestada em lhes proporcionar momentos de prazer e bem-estar. Com efeito, os resultados da nossa amostra permitem-nos constatar que para todas estas perguntas a percentagem maior concentra-se na opção 5 (que corresponde a muita) com valores sempre superiores a 80%. Relativamente a estas questões não se verificam diferenças significativas entre o género nem por escalão etário (cf. tabela A40 disponível em anexo).
Todavia, importa aqui salientar que devido à extensão do inquérito (que em média a sua aplicação demorou cerca de 80 minutos) não foi possível perceber o papel dos netos, bem como, dos amigos ou vizinhos ao nível da protecção instrumental nem ao nível das sociabilidades. Ficando aqui apenas algumas notas que, poderão ser alvo de outros estudos no futuro.
Contudo, quando interrogados sobre a presença dos netos no seu dia-a-dia, 61,9% dos inquiridos deram respostas positivas, sendo que as percentagens mais elevadas (30,1%) situam-seà oà es al oà et ioà dosà aisà velhos (cf. tabela A41 disponível em anexo). Além disto, foi ainda possível constatar que apesar da média às
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perguntas que visavam elucidar se os inquiridos se sentem reconhecidos como pessoas com valor para os seus netos ser igual à dos filhos (5 que corresponde a muita), as pontuações dos netos diminuíram por comparação aos seus progenitores (as percentagens das respostas nos filhos variam entre 81% e 85% e nos netos, variam entre 78% e 82% no máximo) (cf. tabela A40 e A42 disponível em anexo).
Procurando prolongar a análise da sociabilidade primária e da sua persistência no quotidiano da população envelhecida, interessa dar alguma atenção às relações de vizinhança e de amizade. De acordo com Hoff (2008, p. ,à asà elaçõesà deà entreajuda com amigos e vizinhos são menos seguras que as relações com familiares. Tal deve-se ao facto de estas se regerem em grande medida pela regra da reciprocidade. Enquanto a ajuda recebida dos membros da família pode ser retribuída num período indeterminado de tempo, a troca de ajuda com amigos e vizinhos p essupõeà u aà ea ç oà aisà i ediata . No entanto, as respostas relativamente à existência de amigos/vizinhos sugerem que no habitat em estudo estas redes continuam a ser significativas. De facto, como podemos ver pela informação reunida na tabela A43 (disponível em anexo) quase a totalidade dos inquiridos (97,6%) respondeu ter amigos e vizinhos próximos, sendo que, 64% mencionou que estes estão presentes no seu dia-a-dia (cf. tabela A44 disponível em anexo). Contudo, a percepção que os inquiridos têm sobre a importância que os vizinhos/amigos têm na sua vida, bem como a preocupação destes para com a suas necessidades e, em lhes proporcionar prazer e bem-estar, são em muito inferiores às verificadas nos filhos e nos netos. Com efeito, os resultados não ultrapassam os 45%, claramente muito inferiores aos resultados provenientes dos laços de parentesco (cf. tabela A45 disponível em anexo).
Destes resultados sai reforçada a conclusão de que a perpetuação de diversos tipos de relações de proximidade é, na União de Freguesias de Rio Mau e Arcos, mais aparente do que real. Do ponto de vista dos inquiridos, somente as interacções com os filhos podem proporcionar parcialmente os cuidados e suportes que o avançar da idade tende a tornar cada vez mais necessários.
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Ora, tendo em conta os baixos recursos económicos, escolares, e em parte relacionais, necessários para reorganizar activamente a vida após a reforma e enfrentar o trabalho de envelhecer (Mallon, 2007), pode a população da União de Freguesias de Rio Mau e Arcos salvaguardar o interesse e a vontade de se implicar em actividades socialmente relevantes para os próprios e para a sociedade?