• Sonuç bulunamadı

Para que os dados desta pesquisa fossem analisados, pesquisamos categorias de análise que nos auxiliassem na tarefa de responder à nossa pergunta de pesquisa. Para tanto, usamos categorias elaboradas a partir da discussão de Kerbrat-Orecchioni (1996) sobre a análise da conversação, conforme a seguir.

Kerbrat-Orecchioni (2006) compreende que, para haver o exercício da fala, é necessária uma alocução – a existência de um destinatário fisicamente distinto do falante, uma interlocução – o diálogo, em que se permutam o papel do locutor e do receptor e uma interação – e o exercício de uma rede de influências mútuas entre os

participantes de uma troca comunicativa. Para a análise da conversação, a pesquisadora faz alusão a três noções: de interação, de conversação, de regras conversacionais.

A pesquisadora entende que, para que haja a interação, os falantes devem estar envolvidos na troca e devem dar sinais confirmando esse envolvimento, a que chama de validação interlocutória. Os fáticos (enviados pelo emissor) compreendem movimentos do corpo, formas de tratamento, ou captadores, como “heim”, “não é”, “sabe”. Os reguladores são enviados pelo receptor, indicando que está envolvido no circuito comunicativo (p. 9) como as ações não verbais (olhar, meneio de cabeça, sorriso) e verbais (sim, certo).

A pesquisadora acrescenta que esses sinais são interdependentes, ou seja, se o emissor se embaraça, o ouvinte tende a multiplicar os reguladores, e se o ouvinte mostra-se desinteressado, o falante tende a multiplicar os sinais fáticos.

Esses mecanismos de ajustes de comportamento para que haja a interação são denominados sincronização interacional e se caracterizam, a exemplo, pelo funcionamento dos turnos da fala, os comportamentos corporais e a escolha de temas, dos estilos da troca, do registro da língua, do vocabulário utilizado etc. Ressalta que há interações verbais, não verbais e mistas. Dentre as verbais, estão as conversas familiares, os debates, as entrevistas, reuniões de trabalhos etc.

Assim, Kerbrat-Orecchioni (2006) ressalta que, para a análise da interação, é necessário fazer o inventário de tipologia da interação a partir da natureza do lugar, o número e a natureza dos participantes, objetivo, grau de formalidade e estilo da interação. Lembra ainda que na mesma interação os gêneros mudam; uma piada

dentro de um debate, por exemplo. Ressalta que quando conversamos nos adaptamos a regras conversacionais de natureza diversa.

Algumas estão presentes em qualquer interação, outras são específicas de um dado gênero. Variam muito conforme as culturas de um dado grupo, estão em conjuntos flexíveis e são adquiridas progressivamente.

Fazer a análise da conversação é “explicitar essas regras que sustentam o funcionamento das trocas comunicativas de todos os gêneros” (KERBRAT- ORECCHIONI, 2006, p. 15).

Outra categoria de análise de dados usada foram as escolhas lexicais de cada participante de pesquisas que revelaram os sentidos-e-significados que eles têm da função de tutor.

As escolhas lexicais, gravadas em áudio e transcritas, permitiram-nos construir um quadro com os sentidos-e-significados a que nos referimos. Notamos que esses sentidos-e-significados poderiam ser divididos em duas grandes categorias: aquelas que eram comuns entre os contextos universitários e aquelas que eram diferentes, próprias de cada contexto universitário.

Para que visualizássemos melhor as duas grandes categorias, colocamos os sentidos-e-significados em uma planilha do Programa Excel e destacamos com azul aqueles sentidos-e-significados que eram semelhantes, e com vermelho aqueles que eram diferentes, próprios de cada contexto. O quadro a seguir é um exemplo dessa planilha:

Quadro 4 – Exemplo de planilha de sentidos-e-significados

Destacadas as duas categorias a que nos referimos, fizemos a análise a partir de cada conversa reflexiva, conforme exemplo a seguir:

Quadro 5 – Exemplo de análise de dados

Excerto 18

26. IEDA: Da Universidade do Acre! Então, eh, de tudo o que vocês disseram, a

única exceção é que, na UNIVERSIDADE DO ACRE, eles decidiram que os tutores presenciais não corrigem atividades, né? então, nós fazemos tudo o que vocês fazem na UNIVERSIDADE DO PARANÁ, mas nós não corrigimos atividades. Não sabemos exatamente qual o motivo, mas provavelmente é pela preocupação de que nós estamos mais próximos dos alunos e eventualmente pode ser que haja aí uma preocupação deles essa correção, de ela não ser tão imparcial... mas não foi informado nada. No início, disseram que nós dividiríamos com o tutor a distância, mas, logo em seguida, nós já não fizemos nenhuma correção, aí já vieram com a informação de que não, nós não corrigiríamos. Nós fazemos todo o acompanhamento do aluno. A princípio seria só o administrativo, mas agora a gente vê que é tudo o que vocês fazem, pedagógico inclusive, como agora em que eu estava auxiliando o aluno com a escolha do tema da monografia dele...

Ieda, da Universidade do Acre, também não corrige atividades. Esses sentidos-e-significados presentes na fala de Ieda são detectáveis pelas suas escolas lexicais, ao afirmar que faz tudo o que os tutores da universidade do Paraná fazem, e, a seguir, em uma oração coordenada adversativa, informa que não corrige atividades: mas nós não corrigimos atividades. Ieda revela que havia a intenção por parte de sua universidade de que os tutores presencias fizessem essa tarefa, mas que isso não aconteceu: aí já vieram com a informação de que não, nós não

corrigiríamos.

As orientações do curso de tutores oferecido para os tutores presenciais em inicio de atividade na Universidade do Acre, prescrevem que as atividades do tutor presencial são as de tirar as dúvidas de compreensão de conteúdo, da realização de atividades e de avaliar seu processo de ensino-aprendizagem. No entanto, o tutor não se envolve na avaliação das atividades do aluno, o que denota uma contradição. Segundo Bruno e Lemgruber (2009) e Bonk e Dennen (2003), são também de responsabilidade do tutor as atividades pedagógicas. Considerando que as Universidades do Acre e de Goiás negam a correção de atividades aos seus tutores presenciais, achamos que essas perdem o tutor, como mediador, nas suas tarefas diárias: a correção de atividades dos alunos.

Finalizamos aqui este capítulo e passaremos a seguir para a análise dos dados.

Benzer Belgeler