Aumento na frequência de MN com idade e gênero foi observada por Kirsch-Voldere et al. 2006. Imperfeições no sistema celular de defesa que protege contra a fixação de danos ao DNA tais como os danos induzidos ao DNA pelas espécies reativas de oxigênio (ERO) decrescem a eficácia do reparo de DNA e pode levar ao acúmulo de mutações que em combinação com a idade pode contribuir para o envelhecimento e o desenvolvimento de patologias relacionadas com idade (GORBUNOVA; SELUANOVA, 2005). Existem evidências de interações entre gênero e genótipo em relação às defesas antioxidantes da enzima glutationa peroxidase (BASTAKI et al., 2006).
Existem grandes correlações entre o aumento da idade e a frequência de MN, entretanto, em relação às AC existem baixas correlações (BOLOGNESI et al., 1999). Depois de 30 anos os efeitos da idade é mais pronunciado em fêmeas (BUKVIC et al., 2001), sugerida pela perda de cromossomos. Entretanto, outros estudos não demonstram correlações de MN em linfócitos humanos com idade (RADACK, et al., 1995). Aumento na frequência de MN com idade e gênero foi observada por Kirsch-Voldere et al. (2006). Diferenças em relação ao gênero foram observadas para a incidência de MN em linfócitos de sangue periférico, com alta frequência em mulheres.
De forma similar Fenech (1998) relata um aumento na frequência de MN de 1.2 para 1.6 em fêmeas em relação aos machos. Muitos estudos mostram altas e
significantes correlações entre MN e AC para homens, entretanto, para AC os dados ainda não são conclusivos. Assim, é pragmático incluir também em investigações de genotoxicidade com o uso de MN e AC, sujeitos de ambos os sexos (BROGGER et
al., 1984).
1.4.3.2 Tabagismo
O fumo é uma importante variável para induzir significantes alterações no material genético, indicado por biomarcadores citogenéticos tais como as AC e quebras de cromátides irmãs (ÇELIK; AKBAS, 2005) e aumenta os riscos de câncer. Isto tem sido bem sugerido pelo aumento de MN em células epiteliais de mucosa bucal (ÇELIK et al., 2003). A exposição ao fumo também tem efeitos nas frequências de MN, CR, CL, células binucleadas (ERGENE et al., 2007).
Em relatos de danos ao DNA em linfócitos de sangue periférico com o teste de MN e cometa existem diferenças significantes entre fumantes e não fumantes (HOFFMANN e SPEIT, 2005). Associação entre o fumo e o câncer, devido à diversidade de substâncias químicas que compõe o tabaco serem consideradas como genotóxicos e carcinógenos (IARC, 2002). Estudos indicam o aumento da frequência de MN em linfócitos de sangue periférico em fumantes (FENECH, 1993; SCHNEIDER et al., 2001).
Em avaliação genotóxica com o teste cometa diferenças significativas foram observadas entre população fumantes, não fumantes e fumantes passivos, pelo aumento da cauda, oriunda da grande migração de DNA nos fumantes, de forma associada com os níveis de glutationa peroxidase e tocoferol, indicando a indução de danos oxidativos (ZALATA et al., 2007). Entretanto, inúmeros relatos indicam que não existem associações entre fumantes e o aumento da migração de DNA em linfócitos periféricos de fumantes de mais de 20 cigarros por dia (SPEIT et
al., 2003; HOFMANN; SPEIT, 2005). Diante de muitas controvérsias sobre as
influências do uso do fumo em estudos de biomonitoramento ocupacional, outras análises podem ser feitas para melhor esclarecer os diferentes relatos, a exemplo do estudo de polimorfismo genético de populações expostas (BATTERSHILL et al., 2008).
Estudos relacionam o polimorfismo genético e a formação de MN, como resposta ao tabaco. O tabaco contém uma mistura de substâncias com efeitos genotóxicos e carcinógenos que metabolicamente ativam as enzimas de fase I, especialmente as CYP1A1 ou as detoxificação (enzimas de fase II, GST), além de polimorfismos de proteínas envolvidas no reparo de danos ao DNA induzidos pelo tabaco (NORPPA, 2004). Associações também foram evidenciadas entre polimorfismos da CYP1A1 ou GSTM1 em homens com câncer de pulmão (HUSGAFVEL-PURSIAINEN, 2004). Outro aspecto de importância é que a exposição ocupacional pode ser correlacionada com o significante aumento da frequência de MN em sangue periférico de trabalhadores que fumam (BONASSI et
al., 2003).
1.4.3.3 Etilismo
As bebidas alcoólicas têm sido comumente associadas ao câncer (Committee on Carcinogenicity, 1995), entretanto os mecanismos de ação ainda não foram bem elucidados e ainda não existem relatos de mutagenicidade em roedores, e os dados sobre os efeitos de bebidas alcoólicas na indução de MN e AC em linfócitos de sangue periférico ainda não são conclusivos. Entretanto, estudos de polimorfismos da enzima ALDH 2 (aldeído desidrogenase), que age no metabolismo do acetaldeído (Committee on Mutagenicity, 2000), e que algumas doenças originadas do consumo de bebidas alcoólicas podem influenciar na indução de MN e de AC. Variantes do gens ALDH2 são significantemente associados com genotoxicidade induzida pelo álcool na formação de MN. A eficiência de converter etanol para acetaldeído e subseqüentemente para acetato é determinada pelo gene ADH e ALDH, com diferenças individuais, especialmente para a ADLH2.2, que codifica uma subunidade da ADLH2 que prevalece em populações (MAFFEI et al., 2002).
1.4.3.4 Micronutrientes
A função dos micronutrientes na manutenção da estabilidade genômica tem sido extensivamente revisada na literatura (FENECH et al., 1999b). Existem relatos de que dieta pobre em micronutrientes aumenta o risco de doenças
degenerativas, incluindo o câncer (AMES, 2001; FENECH et al., 1999b). Sabe-se que as vitaminas e os minerais são essenciais para a manutenção da estabilidade do genoma, bem como podem influenciar em muitos aspectos do metabolismo do DNA, incluindo síntese, reparo, metilação e apoptose (PASTINK et al., 2001).
As evidências de que os micronutrientes são importantes para a estabilidade genômica foram relatadas em estudos de intervenção, com suplementação de vitaminas A, C e E, devido aos seus efeitos protetores em quebras de cromossomos, hipometilação de DNA e proteção aos danos oxidativos (FENECH et al., 2005; ABRAMSSON-ZETTERBERG, 2006).
Dentre os fatores que podem predizer a formação de MN, os micronutrientes por sua capacidade de proteção ao DNA encontram-se, quando em deficiências nutricionais como indutor da formação de MN (BEETSTRA et al., 2006). As quebras e perdas dos cromossomos envolvem diferentes disfunções celulares como fragmentos de cromossomos acêntricos resultam em quebras duplas pode levar a formação de micronúcleos, que pode ser afetada por co-fatores como magnésio e cálcio (MATEUCA et al., 2006).
As doenças cardiovasculares e câncer são as maiores causas de mortalidade no mundo. Ambas constituem fatores de riscos, incluindo o fumo e dieta, como também processos patogênicos, tais como inflamações crônicas e estresse oxidativo que ocasionam instabilidade genética. Deficiências nutricionais e variantes do gene MTHFR e outros polimorfismos relacionados ao metabolismo de folato podem ser determinantes nas doenças coronárias (BOTTO et al., 2003). Além desses aspectos a interação gene-dieta modulada por polimorfismos no metabolismo e nas respostas de reparo do DNA, em resposta a deficiências de micronutrientes podem ser igualmente importante na determinação da estabilidade genômica e dos riscos das doenças (FENECH et al., 2005).