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Nas Tabelas 4 e 5 são apresentados os resultados da análise das 60 amostras ambientais coletadas no Rio Cocó. A CPP de Aeromonas típicas na água variou de 10 UFC/mL a 7.050 UFC/mL no ponto A; de 25 UFC/mL a 38.500 UFC/mL no ponto B; e para o ponto C as contagens foram menores que 10. Para o sedimento a CPP de Aeromonas sp no estuário do Rio Cocó variou de 100 UFC/est./g a 37.500 UFC/g no ponto A; de 1.200 UFC/g a 43.500 UFC/g no ponto B; e as contagens no ponto C foram menores que 10.

Tabela 4: Contagem padrão em placas (CPP) em UFC/mL em amostras de água

coletadas no estuário do Rio Cocó,Ce, no período de outubro de 2007 a abril de 2008.

*UFC/mL estimada Coleta CPP (UFC/mL) PA PB PC 1ª 90* 95* <10 2ª 3.900 285 <10 3ª 10* 25* <10 4ª 815 490 <10 5ª 40* 44 <10 6ª 365 1.180 <10 7ª 25* 160 <10 8ª 335 235* <10 9ª 565 435 <10 10ª 7.050 38.500 <10

Tabela 5: Contagem padrão em placas (CPP) em UFC/g em amostras de sedimento

coletadas no estuário do Rio Cocó,Ce, no período de outubro de 2007 a abril de 2008.

*UFC/mL estimada

Pode-se observar que na décima coleta ocorreram as maiores contagens de Aeromonas sp, oscilando entre 7.050 e 38.500 UFC/mL para água e de 37.500 a 43.500 UFC/g para o sedimento.Enquanto que no ponto C ocorreram as menores contagens para água. Para o sedimento as menores contagens ocorreram também no ponto C. Para os pontos A e B as menores contagens ocorreram na terceira e quinta coletas,respectivamente.

É possível que os altos índices de Aeromonas tenham ocorrido pelo fato de que a décima coleta aconteceu no mês de abril de 2008, período chuvoso, fator que favorece o aumento de matéria orgânica trazida pela lixiviação, e diminuição

Coleta CPP (UFC/g) PA PB PC 1ª 5.500* 11.500* <10 2ª 750 24.500 <10 3ª 1.500* <10 <10 4ª 100* 200 <10 5ª 500* <10 <10 6ª 9.750 4.750 <10 7ª 5.600 1.200 <10 8ª 14.000 25.000* <10 9ª 3.000 2.500 <10 10ª 37.500 43.500 <10

da salinidade (fator limitante para proliferação de Aeromonas) pela a ação das chuvas.

A terceira e quarta coletas foram realizadas no mês de setembro, período de seca, o que, possivelmente, explica a redução da contagem de Aeromonas, pois ocorre uma diminuição da intensidade de chuvas acompanhada pelo aumento da temperatura e salinidade. Resultados semelhantes a esses foram encontrados por Martins (2005) ao estudar a distribuição de Aeromonas no estuário do Rio Bacanga em São Luiz, Maranhão, quando foram obtidas maiores contagens no mês de abril, 3,0x107 UFC/mL, e as menores no mês de outubro 4,6x102. O fato de o ponto C estar mais próximo da praia e possuir, portanto, uma maior salinidade pode ter contribuído para uma contagem menor que dez, tanto na água quanto no sedimento para este ponto.

Marcel et al. (2002) isolaram e caracterizaram espécies de Aeromonas do lago Ebrié, Abidjan,Costa do Marfim e também obtiveram as maiores contagens na estação chuvosa quando a salinidade era baixa e as menores nos meses mais secos, com salinidade acima de 10º/oo.

Seidler et al. (1980) em um estudo com o objetivo de enumerar e isolar bactérias do gênero Aeromonas na água e no sedimento de um rio situado no Estado de Washington DC, Estados Unidos, observaram que a maior contagem de Aeromonas ocorreu no período em que a temperatura da água era mais elevada. As contagens máximas obtidas em seu estudo foram de 4,0 x105 UFC/g no

sedimento e de 300 UFC/mL na água.

Além da água o solo pode ser uma importante fonte de contaminação por Aeromonas, como sugere Brandi et al. (1996), que ao estudarem a sobrevivência

de cepas de Aeromonas em solo rico e pobre de microflora indígena puderam notar que as cepas de Aeromonas foram capazes de sobreviver nos dois tipos de solo analisados. No entanto, Rocha (2004) ao estudar a ocorrência de Aeromonas em lagoas de estabilização no município de Lins, São Paulo, observou que os parâmetros físico-químicos analisados não faziam correlação com a presença de Aeromonas sp.

Sautour et al. (2003) estudaram o efeito da temperatura, da atividade de água e do pH no crescimento de Aeromonas hydrophila e sua sobrevivência em água, e concluíram que os principais fatores que influenciam na atividade de crescimento dessa bactéria é a temperatura, sendo o pH o fator de menor significância.

Vários fatores ambientais (matéria orgânica, nutrientes inorgânicos, oxigênio dissolvido, pH, salinidade, temperatura, etc.) agem nos ecossistemas aquáticos, influenciando não somente na quantidade e na composição da microbiota, mas também na morfologia e fisiologia dos microrganismos (FIORENTINI et al., 1998). Os resultados referentes às medidas dos parâmetros físico-químicos medidos, das amostras de águas superficiais do estuário do rio Cocó estão dispostos na Tabela 6.

Tabela 6. Parâmetros fisico-quimicos (pH, salinidade e temperatura) dos pontos

de amostragem A, B e C das águas do Rio Cocó, Fortaleza-CE, no período de outubro de 2007 a abril de 2008.

Para o pH, os valores variaram entre 7,0 e 8,2, havendo uma tendência maior para a alcalinidade. O mês de outubro foi o que apresentou os maiores valores de pH e o de abril, os menores.

Mattè (1995) relatou que valores de pH entre 5,5 e 9,0 não só favorecem a sobrevivência, mas também a multiplicação de Aeromonas sp. No presente estudo foram registrados valores de pH entre 7,2 e 8,2, ao longo do estuário indicando que este fator é favorável ao desenvolvimento desses organismos.

Em relação à temperatura pode-se observar que não houve variações significativas nos meses de coleta, sendo obtidas temperaturas ideais e favoráveis ao crescimento e proliferação de Aeromonas.

Segundo Melo et al. (1990), a temperatura é um fator de fundamental importância uma vez que sua elevação provoca um aumento considerável no

número de microrganismos, quando a água contém pequena quantidade de elementos nutritivos.

No que diz respeito ao fator salinidade este sofreu pouca variação durante os meses de coleta, figurando como o principal fator limitante neste trabalho, divergindo dos resultados de Martins (2005), que encontrou os menores valores de salinidade (4,1 a 7,8%o) no mês de abril, meses de chuva; e os maiores valores

foram obtidos em outubro (23,1 a 27,4%0), período de estiagem.

Rael e Frankenberger (1996) estudaram a influência do pH, salinidade e selênio no crescimento de Aeromonas veronii na água de drenagem de uma agricultura, em Fresno County, Califórnia, e concluíram que a salinidade pareceu ser o fator mais limitante do estudo por eles realizado.

Quando analisadas em seu conjunto, a temperatura, o pH e a salinidade, demonstram a existência de condições ambientais extremamente propícias para ocorrência e multiplicação de Aeromonas para os pontos de coleta A e B.

Diversos estudos demonstram que as características bioquímicas desse gênero podem variar de acordo com a fonte de isolamento, e mesmo com características geográficas, favorecendo uma variabilidade de resultados dos testes e dificultando o posicionamento taxonômico dos isolados (JOSEPH; CARNAHAM; 2000).

No presente estudo foram isoladas 120 cepas suspeitas de Aeromonas sendo que 34,1%(41) cepas foram identificadas até espécie. Das espécies identificadas, 37,7% (17) foram isoladas do ponto A: 24,4%(11) da água e 13,3%(6) do sedimento; 51,1% (23) foram isoladas do ponto B: 40%(18) da água e

11,1%(5) do sedimento; e do ponto C foi isolada apenas 2,2% correspondendo a uma estirpe proveniente do sedimento (Figuras 23 e 24).

Figura 24: Ocorrência de Aeromonas em água de três pontos distintos do Rio

Cocó, CE.

Figura 25: Ocorrência de Aeromonas em sedimento de três pontos distintos do

Rio Cocó, CE.

0 2 4 6 8 10 12 PA PB PC Pontos de Coleta

Ocorrência de Aeromonas em água do estuário do Rio Cocó, CE.

A. cavie A. trota A.sobria A.salmonicida A.allossacharophyla

0 2 4 6 8 PA PB PC Pontos de Coleta

Ocorrência de Aeromonas em sedimento do estuário do Rio Cocó, CE.

O ponto B é o mais próximo da cidade, local onde se observa um maior impacto ambiental devido a proximidade com o shopping Iguatemi, motivo que pode ter favorecido a ocorrência de um maior número de isolados nesse local de coleta.

Durante os meses de amostragem foram isoladas e identificadas as espécies Aeromonas caviae, Aeromonas sobria, Aeromonas trota, Aeromonas salmonicida e Aeromonas allossacharophyla. É importante ressaltar que de um mesmo ponto foi isolado mais de um tipo de Aeromonas (Figuras 24 e 25).

Dentre as espécies de Aeromonas isoladas das amostras de água constatou-se que A. caviae teve freqüência de 46,6%, A. sobria de 7,3%, A. salmonicida de 12,2%, A.trota de 2,2% e A. allossaccharophyla de 2,2%, do total das cepas testadas. Em relação às amostras de sedimento a espécie mais freqüente também foi A. caviae com 29,2%, seguida por A. sobria com 2,2% do total de isolados (Figura 26).

Figura 26: Percentual de espécies de Aeromonas sp. identificadas em três pontos

distintos do Rio Cocó, CE.

Leitão e Silveira (1991) encontraram uma positividade de 77% para Aeromonas spp, ao usarem o mesmo método de análise em diferentes tipos de amostra: água e pescado de origem marinha, e água e peixes de rios e hortaliças. No entanto, esses autores observaram maior freqüência da espécie Aeromonas hydrophila, em discordância com os resultados obtidos neste estudo.

De acordo com Turnbull et al. (1984) e Araújo et al. (1991), Aeromonas caviae é a espécie mais encontrada em água doce, no entanto, Matté et al. (1995), ao analisarem 64 amostras de água de superfície e 24 de sedimento da Represa de Guarapiranga em São Paulo, verificaram que em 76,6% das amostras foram isoladas Aeromonas jandaei, em 43,7% Aeromonas sobria, em 31,2% Aeromonas caviae e em 18,7% Aeromonas hydrophila.

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00%

Percentual de espécies de Aeromonas identificadas em três pontos distintos do rio Cocó

água 46,60% 7,30% 2,20% 12,20% 2,20%

sedimento 29,20% 2,20%

A. caviae A. sobria A. trota A. Salmonici da

A. Allosaccha rophyla

Evangelista-Barreto et al. (2006) ao isolarem Aeromonas de ostras coletadas em um berçário natural no estuário do Rio Cocó, obtiveram 67% de positividade para Aeromonas. A presença desse patógeno em moluscos pode representar um indicador de contaminação fecal, tendo em vistas que esses animais são filtradores (ARAÚJO et al., 1991). Ormem e Ostenovik (2001) fazem referência ao aumento do risco de infecção humana através da exposição direta de feridas ao ambiente contaminado, ou ao consumo de alimentos, principalmente aqueles que são consumidos in natura.

Rocha (2004) ao estudar a ocorrência do gênero Aeromonas em sistemas de tratamento de esgotos por lagoas de estabilização no município de Lins, SP, também conseguiu isolar uma grande variedade de espécies, entre as quais estão A. caviae, A. allossacharophyla e A. trota, espécies também relatadas no presente estudo.

Estudos realizados por Brandi et al. (1996) constataram que o solo pode representar uma importante reserva de Aeromonas hydrophila, A. caviae e A. sobria, assim como foi confirmada nesta pesquisa.

Muito embora a espécie Aeromonas hydrophila seja a mais preocupante em termos de patogenicidade, não se deve esquecer que Aeromonas caviae, isolada de todas as amostras estudadas, também produz fatores de virulência, sendo tidas como as principais patogênicas ao homem (BUCHANAN; PALUMBO, 1985). Gautam et al. (1992) afirmam que a A. caviae tem menor patogenicidade, mas em algumas áreas geográficas tem grande importância por estar associada a casos de diarréia.

Rossi Júnior et al. (1996) ressaltam a grande preocupação que passou a ser dispensada às bactérias do gênero Aeromonas spp, por serem capazes de estabelecer diferentes tipos de patogenias que acometem tanto animais quanto homens.

Os resultados referentes à susceptibilidade a antimicrobianos comerciais, das cepas de Aeromonas isoladas de água e sedimento do Rio Cocó, são apresentados na Tabela 7, constatando-se que as cepas de Aeromonas testadas mostraram-se resistentes a ampicilina. Geralmente, essa resistência pode estar relacionada à produção natural pelas Aeromonas de β - lactamases, as quais hidrolisam o anel β-lactâmico do antibiótico, tornando-o inativo (FOSSE et al., 2003).

Segundo Santos et al. (2003), o aumento da resistência bacteriana aos antibióticos β – lactâmicos tem sido associado, em grande parte, à disseminação das (Beta – lactamases de Espectro Estendido) ESBL. A resistência bacteriana decorrente da produção de ESBL pode também ser induzida durante a terapêutica, criando–se um problema independente do procedimento laboratorial.

Resistência bacteriana é um conjunto de mecanismos pelos quais microrganismos adquirem imunidade a um ou a mais antimicrobianos (CHIQUITO; MONTIANI, 1997) em virtude da seleção genética, induzindo a uma rápida propagação de genes com resistência a múltiplas drogas, atingido outras bactérias que não foram expostas ainda aos antimicrobianos (MORIARTY,1999).

O índice de cepas bacterianas resistentes a antimicrobianos no ambiente aquático tem aumentado desde a década de 70, no século passado. Este é resultante do seu uso indiscriminado na profilaxia ou terapêutica humana e animal

ou ainda na implementação da produção de alimento. Esse aumento é conseqüência também da disseminação de plasmídios, que possuem genes de resistência, proporcionando uma maior flexibilidade genética em populações microbianas para adaptações e sobrevivência em ambientes hostis (CARDONHA et al., 2005).

Grande parte dos isolados obtidos foi resistente a eritromicina e todos os isolados foram resistentes à penicilina, 33 cepas foram resistentes a ampicilina, 28 a cefalotina, 26 a vancomicina, 11 ao ácido nalidíxico e três à tetraciclina. Nenhum dos isolados testados apresentou resistência ao cloranfenicol e a ceftriaxona (Figura 27).

Tabela 7: Perfil da susceptibilidade aos antimicrobianos das 41 cepas de Aeromonas

isoladas da água e do sedimento de três pontos distintos do Rio Cocó, CE.

ampicilina (AMP) ; tetraciclina (TET) ; ácido nalidíxico (NAL); vancomicina (VAN) ; ceftriaxona (CRO); eritromicina (ERI) ; cloranfenicol (CLO) ; cefalotina (CFL) ; penicilina ( PEN) .

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Percentual

AMP TET NAL VAN CRO ERI CLO CFL PEN

Antimicrobianos

% R

A. caviae A.sobria A.salmonicida A.trota

Figura 27: Percentual de resistência a antimicrobianos das cepas de Aeromonas

isoladas de água e sedimento em três pontos distintos do Rio Cocó, CE.

A elevada freqüência de resistência a eritromicina está de acordo com estudos de Radu et al. (2003). Quanto à resistência à tetraciclina outros trabalhos (GHENGHESH et al., 2001; VIVEKANANDHAN et al., 2002) relatam freqüências superiores às descritas para os isolados analisados. A eritromicina é um antibiótico que pertence à família dos macrolídios, sendo, portanto um bacteriostático eficiente que trabalha inibindo a síntese protéica dos microrganismos. É muito eficaz contra os cocos gram-positivos e é utilizado freqüentemente como um substituto para a penicilina (TAVARES, 2001).

Os resultados obtidos nessa pesquisa concordam com os resultados encontrados por Goñi-Urriza et al. (2000). Esses autores relataram que a maioria das cepas de Aeromonas sp. recuperadas de amostras de águas coletadas em pontos próximos a descargas de esgotos em dois rios europeus (Arga, na

Espanha e Garonne, na França), eram resistentes a ampicilina (99%), cefalotina (93%) e cefatoxima (56%).

Vila et al. (2003) encontraram resistências de cepas de Aeromonas variáveis ao cloranfenicol e a tetraciclina, atribuindo esse fato ao uso extensivo desses agentes antimicrobianos em países industrializados. O cloranfenicol impede a união dos aminoácidos pela inibição da peptidiltransferase; já a tetraciclina atua inibindo a síntese protéica (TRABULSI; ALTERTHUM, 2005).

As espécies de Aeromonas sp. testadas mostraram-se bastante sensíveis ao cloranfenicol e a ceftriaxona. Esses resultados concordam com os encontrados por Koehler e Ashdown (1993), que após testarem cerca de 22 antibióticos em espécies de Aeromonas isoladas de humanos (feridas, fezes e sangue) em Queensland, Austrália, detectaram a sensibilidade de todas a esses antibióticos.

Evangelista – Barreto (2006) estudando Aeromonas em ostras coletadas no Rio Cocó, encontrou todas as cepas sensíveis ao ciprofloxacin e ao cloranfenicol; e a maioria delas sensíveis ao ácido nalidixico, a ceftriaxona e a cefalotina, semelhantes aos dados encontrados nessa pesquisa.

No entanto, nossos resultados discordam dos encontrados por Miranda; e Castillo (1998) que, ao testarem resistência de Aeromonas móveis isoladas de amostras de água doce no Chile frente a antibióticos e metais pesados observaram que, mesmo em menor número, as cepas demonstraram resistência à tetraciclina.

No que diz respeito a vancomicina, antibiótico pertencente à família dos glicopeptídios, os resultados encontrados discordam dos apresentados por Martins (2005), que, ao analisar os efeitos da emissão dos efluentes domésticos na

proliferação de Aeromonas sp. em águas de superfície e pescado do estuário do rio Bacanga, São Luís/Ma, detectou cepas de Aeromonas hidrophyla e Aeromonas caviae sensíveis a esse antibiótico, enquanto que nesse trabalho mais da metade dos isolados de A. cavie se mostraram resistentes.

Chaudhury et al. (1996) relataram um aumento na incidência de cepas de Aeromonas sp. multi-resistentes isoladas tanto de fontes clínicas quanto ambientais, também observado nesse estudo, visto que das 41 cepas testadas 33 (80,5%) foram resistentes a pelo menos dois dos antibióticos utilizados, sendo todos de famílias diferentes (Tabela 8).

Das 33 cepas analisadas, apenas duas apresentaram resistência plasmidial a eritromicina, sendo assim essa resistência pode ser transmitida verticalmente de uma espécie de Aeromonas para outra, sugerindo que pode haver um aumento no grau de infecções por Aeromonas nos usuários dos rios.

Hirsch et al. (2006) estudando a resistência a antimicrobianos de espécies de Aeromonas isoladas de peixes e ambientes aquáticos, puderam verificar que a resistência as quinolonas era cromossômica, concordando com os resultados desse trabalho, quando apenas 26% dos isolados apresentaram resistência plasmidial.

A presença de tais Aeromonas potencializa o risco de difusão de genes de resistência entre as populações bacterianas de ambientes aquáticos, quer seja sob forma de plasmídios, quanto por transposons (SCHMIDT et al., 2001).

Palu et al. (2006) analisando a resistência antimicrobiana de cepas de Aeromonas isoladas de alimento, encontraram resistência plasmidial a tetracilina, coincidindo com os resultados do presente trabalho. Somente uma cepa de A.

salmonicida, isolada do ponto B perdeu a resistência à tetraciclina após o processo da cura plasmidial. Das cinco cepas dessa mesma espécie quatro apresentaram resistência cromossomial à tetraciclina e a todos os outros antimicrobianos.

Um estudo comparando a presença de plasmídios em Aeromonas provenientes de amostras ambientais e clínicas revelou que esses elementos são mais comuns em cepas de A. sobria ambientais do que em clínicas (BROWN et al., 1997).

A presença desses elementos extracromossômicos nas cepas de Aeromonas sugere que, independente do local de coleta o rio Cocó pode representar não só uma fonte de organismos patogênicos, (como é o caso de Aeromonas), mas também uma fonte de organismos aptos a transferir fatores de resistência e capacidade adaptativas aos demais microrganismos presentes no ambiente.

Tabela 8: Perfil de multi-resistência antes e depois da cura, a antimicrobianos

isolados de água e sedimento em três pontos distintos do Rio Cocó, CE.

Espécie Perfil de resistência

Antes da cura Depois da cura

A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN. A. trota AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN. A. caviae AMP; NAL; VAN; ERI; CFL; PEN. NAL; VAN; CFL; PEN.

A. caviae AMP; ERI; CFL; PEN. CFL; PEN.

A. caviae AMP; ERI; CFL; PEN. CFL; PEN.

A. caviae AMP; ERI; CFL; PEN. CFL; PEN.

A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN.

A. caviae ERI; CFL; PEN. CFL; PEN.

A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN.

A.salmonicida AMP; TET; VAN; ERI; CFL; PEN. TET; CFL; PEN. A. sobria AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. CFL; PEN.

A.salmonicida AMP; VAN; ERI; PEN. VAN; PEN.

A.salmonicida AMP;TET; ERI; CFL; PEN. TET.

A. caviae AMP; NAL; ERI; CFL; PEN. -

A. caviae AMP; NAL; ERI; CFL; PEN. -

A. caviae AMP; TET; NAL; VAN; ERI; CFL; PEN. AMP; TET; NAL; VAN; CFL; PEN. A. caviae AMP; TET; NAL; VAN; ERI; CFL; PEN. AMP; TET; NAL; VAN; CFL; PEN. A.salmonicida AMP; TET; NAL; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN.

A. sobria AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN.

A. caviae ERI; CFL; PEN. CFL; PEN.

A. sobria AMP; NAL; ERI; CFL; PEN. NAL; CFL; PEN. A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; ERI; CFL; PEN.

A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. ERI; CFL; PEN. A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. ERI; CFL; PEN.

A. sobria AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; PEN.

A. caviae AMP; VAN; ERI; PEN. PEN.

A. caviae AMP; TET; VAN; ERI; PEN. VAN; PEN.

A. caviae AMP; TET; VAN; ERI; CFL; PEN. TET; CFL; PEN A. caviae AMP; NAL; VAN; ERI; CFL; PEN. NAL; VAN; CFL; PEN.

A. caviae AMP; VAN; ERI; CFL; PEN. VAN; CFL; PEN. A.salmonicida AMP; TET; NAL; VAN; ERI; CFL; PEN. TET

A.salmonicida AMP; TET; VAN; ERI; PEN. TET; VAN; PEN.

A. caviae AMP; ERI; PEN. -

P O N T O A P O N T O B

6. CONCLUSÕES

Conclui-se que o estuário do Rio Cocó está contaminado por Aeromonas e que muitas delas apresentam resistências a antibióticos denotando um ambiente poluído e de risco para a população que usa suas águas para lazer, pesca ou outra atividade qualquer.

7.0 - Referências Bibliográficas

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Benzer Belgeler