Tem-se por intrínseco à democracia a garantia a todos os homens de que suas vozes serão necessariamente ouvidas, ainda que não se apresentem em consonância com a voz da maioria. Dissertando acerca da experiência democrática ateniense, Fustel de Coulanges salienta, em obra clássica, que “a discussão era indispensável porque todas as questões
sendo mais ou menos obscuras, só a palavra podia iluminar a verdade. O povo ateniense queria que cada assunto lhe fosse apresentado sob todos os seus diferentes aspectos e que lhe mostrassem claramente os prós e os contras”.27
Uma sociedade somente pode ser considerada plural caso possibilite a todos a exposição de suas ideias de natureza política, cultural, artística e religiosa, o que ensejará, a partir do pluralismo, a formação de um consenso, que será tanto mais democrático quanto se conciliem, na medida do possível, os interesses da maioria com a preservação e o resguardo das minorias.28
A concepção liberal dos direitos políticos foi antecedida, na Idade Antiga, pela experiência democrática ateniense, sem que se pudesse falar ali em oposição do Estado ao cidadão, sendo possibilitado aos cidadãos que atendessem a determinados requisitos participar, em assembleia, acerca da condução dos interesses da polis. A liberdade não consistia em fazer o que se queria, mas sim poder participar como cidadão. Segundo Arnaldo Vasconcelos,
Heródoto, falando pela boca de Otanes, manifesta-se também com inteira 26PIEROTH, Bodo e SCHLINK, Bernard. Direitos Fundamentais. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 125/6.
27 COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga. Rio de Janeiro: EDIOURO, 2004, p. 419. 28 KELSEN, Hans. A Democracia. 2. ed. São Paulo, Martins Fontes, 2000, p. 182/183.
convicção pelo regime democrático, por ser o único a admitir que 'todos os cidadãos deliberem sobre os negócios públicos'. Finalmente, Eurípides, através de Teseu, define a liberdade pela isegoria, o igual direito de falar, por ele considerado 'a mais bela igualdade' de que pode usufruir o cidadão.29
Em regimes totalitários, a perda do direito de expressão pelos indivíduos e a perseguição aos veículos de comunicação será uma das primeiras medidas implementadas pelos novos titulares do poder, que se pretendem perpétuos, rechaçando com violência seus críticos, de forma a não permitir o surgimento de focos de contestação ao poder ilegítimo, combatendo os mesmos, com idênticas intensidades, tanto o poderio da oposição bélica quanto o poderio da oposição pela palavra.
A ignorância e o arbítrio ditatoriais não subsistem sem aniquilar por completo a livre circulação de ideias, o fazendo não apenas no campo político, mas também mediante a destruição de obras científicas, artísticas e produtos culturais em geral que, em sua exclusiva concepção, possam se revelar como questionadores aos padrões que a mesma pretende implantar. A respeito, Alberto Manguel, citando o auge do Estado Nazista Alemão, narra a seguinte cena:
em 10 de maio de 1933, em Berlim, diante das câmeras, o ministro da propaganda Paul Joseph Goebbels discursou durante a queima de mais de 20 mil livros para uma multidão entusiasmada de mais de 100 mil pessoas: 'Esta noite vocês fazem bem em jogar no fogo essas obscenidades do passado. Este é um ato poderoso, imenso e simbólico, que dirá ao mundo inteiro que o espírito velho está morto.30
De fato, como acima narrado, não obstante a experiência da democracia ateniense, a liberdade de expressão de ideias se associa às sociedades mais evoluídas sob os pontos de vista político, econômico, cultural e social. Fortes na crença de que a livre circulação de ideias representa elemento indispensável à construção de uma sociedade plural, podemos sustentar que nos períodos mais obscuros da história mundial, uma das primeiras e principais restrições impostas ao homem, ao lado das que incidiam sobre sua vida e liberdade, recaía sobre sua liberdade de expor suas ideias.
Não obstante a referida experiência democrática ateniense, não se pode falar no nascimento de uma cultura de proteção da palavra até o advento dos Estados Modernos, tendo
29 VASCONCELOS, Arnaldo. Direito, humanismo e democracia. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 113. 30 MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 316.
sob os mesmos sido reconhecida a necessidade de limitação do poder estatal. A própria condenação do filósofo Sócrates em Atenas evidencia que naquela cidade-estado, a democracia era mera experiência em estágio inicial. Discorrendo acerca de hipotética defesa do filósofo em seu julgamento, colhe-se da obra de I. F. Stone:
Sua liberdade de expressão parte do pressuposto de que as opiniões de todos os homens têm valor e de que a maioria constitui guia melhor do que a minoria. Mas como podem jactar-se de sua liberdade de expressão quando desejam silenciar-me? Como podem ouvir as opiniões do sapateiro ou do curtidor quando discutem sobre a justiça na assembleia, porém fazer-me silenciar quando manifesto as minhas, embora toda a minha vida tenha sido dedicada à busca da verdade, enquanto os senhores cuidam de seus assuntos particulares? Orgulham-se de ser Atenas chamada de escola da Hélade. Suas portas estão abertas para filósofos de toda a Grécia, até mesmo do mundo bárbaro. E hão agora de executar um dos seus porque subitamente não suportam ouvir uma opinião destoante? Não sou eu, mas os senhores, que ficarão para sempre enxovalhados por me haverem condenado.31
As duas principais fontes de intolerância em face da liberdade, através de diversas manifestações, se associavam a movimentos de ordem política ou religiosa, os quais não possibilitavam a livre circulação de ideias e pensamentos, resultando em que viessem a ser tolhidas as iniciativas que contrariassem a orientação dominante, seja por meio de ações, seja por meio do discurso.
Os fundamentos até então impostos à censura religiosa encontravam amparo na necessidade até então reconhecida de preservação da doutrina católica, evitando que viesse a ser alvo de questionamentos que pudessem resultar em seu enfraquecimento ou no abalo da fé da imensa maioria que, à época, professava tal religião, sendo severamente punidas as opiniões em contrário.
Daí a edição, no ano de 1559, do chamado Index Librorum Prohibitoron, ou Índice de Livros Proibidos, autorizada pelo Papa Paulo IV, que contemplava uma série de livros e impressos julgados como atentatórios à doutrina da Igreja Católica, especialmente em razão do surgimento das religiões protestantes, para obstaculizar publicações ou impedir viessem a ser publicadas, tendo perdurado até o ano de 1966, quando foi revogado pelo Papa Paulo VI.
As obras de cunho religioso que se apresentassem em dissonância com a doutrina católica poderiam ser censuradas antes ou depois da publicação, sendo reputadas como
heréticas. Também consistiam em fundamentos à proibição questões de ordem políticas, conteúdos atentatórios à moral ou que envolvessem sexualidade explícita, contemplando autores os mais diversos, como os liberais Locke, Rousseau e Kant, bem assim os filósofos René Descartes e Jean Paul Sartre e os cientistas Galileu Galilei e Nicolau Copérnico, entre milhares outros, sendo constantemente atualizada para a inclusão ou supressão de novos livros, como manifestação do poder supremo da Igreja, inclusive em relação ao Estado.
A conhecida vedação à obra de Galileu, ante a vedação católica à defesa do heliocentrismo, se apresenta bastante curiosa, tendo inclusive ensejado sua parcial retratação a fim de evitar sua morte na fogueira. Conforme leciona John Keane, “a razão desta proibição
se devia ao fato de no Salmo 104:5 da Bíblia estar escrito que 'Deus colocou a Terra em suas fundações para que não se mova por todo o sempre'”.32
Nas palavras de Alberto Manguel, “a censura, portanto, de qualquer tipo, é
corolário de todo poder, e a história da leitura está iluminada por uma fileira interminável de fogueiras de censores, dos primeiros rolos de papiro aos livros de nossa época”33, podendo ser motivada assim por razões de fundo religioso ou político, restringido as
posições que lhes desafiem.
Uma lista dessa espécie, contudo, não poderia subsistir numa sociedade caracterizada por intenso secularismo e face à inexistência de previsão, na maioria dos Estados Democráticos, de uma religião oficial, prevalecendo a crença na necessidade de um estado laico, que não se confunde com um Estado ateu, mas sim com ordem jurídica em que se assegure um indispensável espaço de convivência aos praticantes das mais diversas religiões ou que não professem qualquer crença.
Embora tenham subsistido por longo período temporal as restrições religiosas à leitura de obras as mais variadas, pelas razões acima expostas, a progressiva separação entre Igreja e Estado e a superveniência do Estado Moderno fizeram com que começasse a se deslocar o eixo das restrições à liberdade de expressão para razões que também se associavam à proteção estatal. Veja-se a seguir relato acerca dos procedimentos que levaram à censura de obras literárias na Inglaterra:
O compromisso americano com a liberdade de expressão e de imprensa é ainda 32 KEANE, John. Vida e Morte da Democracia. São Paulo: Edições 70, 2010, p. 71.
mais notável porque teve origens legais e políticas extremamente repressoras. Os colonos que cruzaram o Atlântico no século 17 vieram de uma Inglaterra onde era muito perigoso expressar um pensamento que diferisse da verdade oficial. O Estado definia o que era admissível em política e, talvez com ainda mais rigos, em religião.
A repressão era feita por dois mecanismos diferentes. O primeiro era preventivo: um sistema de licenciamento para todas as publicações. Na Inglaterra, em 1538, o rei Henrique VIII promulgou um edito exigindo que qualquer pessoa que quisesse imprimir algo obtivesse antes uma licença. A exigência se aplicava a tudo: livros (os mais vendidos eram as Bíblias), panfletos, horários de navios. O sistema criava valiosos monopólios de impressão e impedia a publicação de opiniões não ortodoxas.
Os licenciadores eram burocratas que agiam com extrema arbitrariedade. Demoravam o tempo que desejassem para decidir se algo podia ser impresso e não justificavam suas decisões. Quando diziam não, não bacia recurso. Esse sistema de restrição prévia às publicações, como era chamado, provocou o clássico protesto contra a censura do poeta e ensaísta John Milton: 'Aeropagítica – Discurso pela liberdade de imprensa'.
Quando o Parlamento depôs o rei Carlos I, na guerra civil da década de 1640, aboliu o sistema real de licenciamento prévio. Mas, como acontece com tanta frequência, ao exercer o poder os rebeldes tornaram-se menos tolerantes à divergência. Em 1643 o Parlamento promulgou seu próprio regulamento de licenciamento. Ele durou até 1694, quando o Parlamento o deixou morrer ao não renovar sua vigência.
O segundo mecanismo de repressão talvez tenha sido ainda mais intimidador. Era a lei de difamação sediciosa, que tornava crime publicar qualquer coisa que desrespeitasse o Estado, a Igreja ou seus representantes. A premissa da difamação sediciosa era que essas instituições deveriam ser respeitadas para que o país evitasse o terrível perigo do caos social. Se alguém publicasse algo crítico – acusando, digamos, um funcionário do governo de ter aceitado propina -, de nada adiantava provar que a acusação era verdadeira. A verdade não servia como defesa contra uma acusação de difamação sediciosa. O crime estava em diminuir o respeito público por uma figura do governo, portanto uma crítica verdadeira poderia ser até pior do que uma falsa. O réu tinha direito de ser julgado por um júri, mas somente o juiz (nomeado pelo Estado) decidia se a publicação era ou não sediciosa; o júri apenas discutia se o réu de fato a tinha publicado. Se houvesse condenação, a punição incluía a pena de morte, executada com o horror prolongado de enforcamento, arrastamento e esquartejamento do condenado.34
Por outro lado, em um regime livre, poderão os homens se expressar de forma artística, intelectual, política ou científica, sem que possa o Estado tolhê-los previamente, inclusive através dos meios de comunicação social, se associando a expansão do direito em tela ao surgimento da imprensa, com a extraordinária consequência de difusão do conhecimento, democratizando-se o acesso à cultura.
Com a superveniência do Estado Liberal, não se poderia deixar de reconhecer as liberdades de imprensa, de expressão, de manifestação de pensamento, entre outras integrantes de um mesmo conjunto de direitos, como elemento essencial e inerente à
34 LEWIS, Anthony. Liberdade para as ideias que odiamos: uma biografia da 1a. Emenda à Constituição
democracia. De fato, vê-se que se pode falar na existência de um regime de governo democrático onde os homens são livres para a exposição de suas ideias, através de quaisquer instrumentos, ainda que se apresentem contrárias ao que sustenta a autoridade estatal. Onde houver democracia haverá, pois, a liberdade para a manifestação sob qualquer forma.
Da mesma forma, e mostrando a natureza simbiótica da relação entre as liberdades de manifestação de ideias e opiniões e a democracia, vê-se que nos estados em que as liberdades acima referidas forem plenamente asseguradas o regime democrático estará, ao menos do ponto de vista formal, assegurado. De fato, não é por coincidência que todas as ditaduras, ainda que sejam aquelas implantadas a pretexto de proteção de determinadas classes sociais, são caracterizadas pela perseguição aos opositores do regime, seja tal oposição manifestada por meio de armas, seja por meio de palavras.
Se todos os homens podem contribuir para a formação de um Estado Democrático através do voto, instrumento de transformação, por qual razão não poderiam fazê-lo através da palavra? Foi basicamente para responder a essa indagação que veio a lume o discurso “Areopagítica”, do escritor protestante inglês John Milton, em defesa do poder de impressão de livros independentemente de autorização estatal, publicado em 23 de novembro de 1644, como um autêntico libelo à censura até então dominante, com forte inspiração na experiência democrática ateniense.
Acreditava-se, muitas vezes com certa ingenuidade, como se verá oportunamente, que a livre circulação de ideias contribuiria para o aconselhamento público. O homem instruído pelos livros melhor poderia fomentar o debate, discorrendo sobre coisas nunca antes escritas ou discorridas. Nascendo o homem livre, como se lhe poderia ser impedido o falar e o se manifestar publicamente, pelos mais variados meios disponíveis, chegando assim à obtenção de verdade e conhecimento.
O próprio Milton, na condição de escritor protestante, se viu impedido de ter obras publicadas já que, por força da assim chamada “The Licensig Order”, estava obstaculizada a impressão de obras que se apresentassem contrárias ao regime dominante, podendo os respectivos escritores ser levados à prisão em caso de desobediência, subsistindo o referido ato até o advento da chamada Revolução Gloriosa de 1688, pela qual se assentou a supremacia do parlamento em detrimento da monarquia, resultando em sua derrubada no ano de 1695.
O sistema de licenciamento até então adotado se equipara ao que o texto constitucional brasileiro de 1988 chama de censura prévia. A partir de sua obra se assentou a ideia pelo mesmo arduamente defendida de impossibilidade de obstaculizar previamente a impressão de livros. Destacava Milton a possibilidade de punição aos autores de escritos reputados ofensivos, desde que posterior à livre publicação, e não a partir de um juízo prévio estabelecido a critério de um censor estatal.
O homem, segundo sua concepção, poderia se beneficiar mesmo a partir de escritos que se apresentassem equivocados, já que os mesmos abririam espaço à troca de ideias que, caso obstaculizadas por meios impressos, poderiam circular livremente através da palavra falada, evidenciando também a ineficácia do sistema vigente, que poderia dar margem ao arbítrio e a erros de julgamento dos censores. Um livro, em suas palavras, seria como o sangue de um espírito superior, preservado com o propósito de garantia de uma “vida além da vida”.
Nas palavras de John Keane, Milton estava confiante de que a imprensa podia ser usada para garantir que os representantes não saíssem da linha ou que se eles caíssem “junto
com os demônios da falsidade seus enganos e falso orgulho podiam ser expostos por impresso, para um público leitor que tinha opiniões sobre como desejava ser governado”.35
Assinalo contudo que o termo “imprensa”, tal como utilizado por Milton, não se confunde com aquele que é atualmente utilizado, e que se confunde com as atividades de grupos empresariais que desenvolvem atividade econômica de geração de notícias e informações. Como será adiante exposto, muito embora a liberdade da imprensa seja sempre defendida, entre outros argumentos, com o recurso à obra do referido autor, o que defendia o mesmo era o direito de cada homem ter suas ideias expostas em livros, e portanto impressas, independentemente de prévia autorização estatal, não devendo portanto se confundir a atividade empresarial, de cunho econômico, com atividade de imprensa em sentido estrito.
Foi a partir do advento da imprensa, de fato, que se criou um instrumento voltado a possibilitar a difusão de ideias, viabilizando que as mesmas viessem a alcançar um número indeterminado de pessoas, e não apenas interlocutores ou ouvintes das mensagens transmitidas. Os movimentos liberais não fecharam os olhos a essa realidade, e todas as normas que os espelham, imbuídas de conteúdo democrático e por vezes revolucionário, não
deixaram de atentar a essa íntima relação.
Também de forma a reconhecer a supremacia do homem em relação ao Estado, definindo como um de seus pilares a liberdade de expressão, o filósofo inglês John Stuart Mill publicou em 1859 o ensaio “On Liberty”, em que sustenta contribuir tal liberdade ao progresso intelectual e científico, evitando a formação de tiranias estatais que a sufoquem, em obra inspirada no ideal norte-americano, contribuindo o debate à obtenção da verdade, a qual poderia não ser alcançada em ambiente fechado à discussão coletiva.
Sustentava Mill que ainda que se apresentasse a crença exposta manifestamente inverídica contribuiria à formação de um debate plural, ensejando fossem progressivamente abandonadas, daí a impossibilidade de se admitir o estabelecimento de verdades com características de autênticos dogmas, nada impedindo a crítica aos fundamentos tomados como verdades, que poderiam ser superados.36 A expressão buscava, pois, promover a
discussão.
A perspectiva acima exposta demonstra, ademais, que desde os seus primórdios a liberdade de expressão não era vista apenas como um fim em si mesma, voltado à delimitação de um espaço para manifestação do homem em face do Estado, mas sim como um elemento de promoção do pluralismo e da democracia, a partir da construção de um debate fincado na verdade.
O Bill of Rigths, aprovado pelo parlamento britânico em 1689, se limitou a assegurar a liberdade de expressão no que tange aos discursos proferidos por seus integrantes, além de várias outras garantias de cunho tipicamente burguês, que evidenciavam a busca de proteção ao patrimônio em face da tributação estatal, entre outras, com o escopo principal de contenção do arbítrio.
Embora seus principais direitos e garantias tenham se revestido de perspectiva burguesa, sem haver consagrado expressamente a liberdade de expressão, o Bill of Rights fez surgir uma nova realidade político-social de supremacia parlamentar (e, portanto, da classe ascendente) em detrimento da monarquia, que resultou na formação de um amplo mercado de ideias posto à salvo da intervenção estatal prévia, resultando na supressão do “The Licensing
Order” em 1695.
Também em idêntico sentido eminentemente liberal, a Declaração de Direitos da
Virgínia, de 1776, surgida no contexto da independência dos Estados Unidos da América, assentou entre os direitos inalienáveis do homem a liberdade de imprensa, estabelecendo ser o referido direito “um dos mais fortes baluartes da liberdade do Estado, e que só pode ser
restringido por governos despóticos”.
A 1ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos da América consagra igualmente uma série de direitos de liberdade, pondo-os a salvo de qualquer legislação que os iniba. Prescreve a norma em tela, em tradução livre, que “o congresso não deve editar leis
concernentes ao estabelecimento de uma religião, ou proibir o seu livre exercício; ou diminuir a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou sobre o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas