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Para compreender as ações dos sujeitos participantes dos jogos cooperativos frente às teorias da construção do juízo moral, no contexto de uma reflexão sobre o seu desenvolvimento, observei a intenção e modo de ação dos sujeitos, identificando os valores

empregados na ação e logo após categorizando as respostas, tendo como referencial os aportes de Kohlberg.

O procedimento da pesquisa consistiu em identificar as intenções dentro do jogo cooperativo, observando os participantes atuarem nos seus níveis e estágios de desenvolvimento moral de Kohlberg. Dos elementos para análise, que servem apenas como reflexão, não como classificação de pessoas, tem-se, precipuamente: que os sujeitos que se apresentam no nível um, pré-convencional, da teoria de Kohlberg, quando dentro da atividade se comportam de maneira egocêntrica, localizando-se de modo a acessar um lugar nos acontecimentos externos; nesse movimento, ao sujeito costuma faltar questionamentos e o igualitarismo é ingênuo, quanto à sua orientação para trocas e reciprocidade.

Com referência ao nível dois, convencional, se costuma dizer que aqui os sujeitos se localizam no desempenho correto de seus papéis; estão desejosos da manutenção da ordem e na expectativa de atender à necessidade dos outros, até mesmo quando esta necessidade visa a manutenção do autoritarismo e de aspectos que seriam moralmente inaceitáveis, mas que são comuns a um tempo-espaço social.

Nos jogos cooperativos tem-se que a forma de trabalhar com outras pessoas é no sentido de ampliar a participação e integração dos sujeitos em situações de necessidade, visando um objetivo comum. A inclusão trabalhada aqui [no outro estágio], pauta-se no trabalho compartilhado coletivamente e solidário; pode neste momento o sujeito está acessando o nível de moralidade Pós-convencional da teoria de Kohlberg, que refere-se ao nível três, quando os indivíduos reconhecem seus direitos e deveres consigo mesmo ou outros, compartilhando-os, guiando-se por sua moral interna, mesmo que as circunstâncias não lhe sejam propícias.

No quesito igualdade de direitos e deveres dentro dos jogos cooperativo, podemos observar a responsabilidade de todos na partilha das decisões como também nos benefícios gerados pela atividade. Aqui o enquadramento no nível pós-convencional do estágio cinco, conceitua esta fase por uma orientação legalista em forma de contratos estabelecidos coletivamente, mas observa que isso pode deva ser acordado para o interesse mútuo. Aqui também será enquadrada a reflexão dos erros na atividade e suas alternativas para superação, criadas a parti do equívoco.

O desenvolvimento do humano, com o aprimoramento do sujeito social dentro da atividade, será atribuído ao nível pós-convencional, pois nesta etapa a orientação da consciência ou dos princípios não segue apenas as regras sociais prescritas, mas sim a universalidade lógica de respeito, confiança, totalidade, visando o bem-estar mútuo.

Assim como no questionário de Heinz, analisei esta etapa utilizando a orientação de Bardin (2006) no tratamento dos dados, onde ele sugere a análise em três grupos lógicos: pré-análise, exploração do material de descrição e tratamento dos resultados com interpretações.

O jogo “Energia para a Cidade” foi dividido em três grupos: o primeiro grupo,

composto por dez alunos do primeiro ano; o segundo, composto por dez alunos do segundo ano e o terceiro composto por dez alunos do terceiro ano do ensino médio do LCC. Os jogos foram aplicados em dias diferentes com cada grupo, para não atrapalhar o cotidiano escolar da educação física. O jogo de tabuleiro foi aplicado na sala de aula da escola, para melhor captura das imagens. O tempo variou de grupo para grupo, tendo uma média de dezesseis minutos de duração cada partida.

O jogo “Sardinhas e Golfinhos” foi realizado na sua totalidade de participantes

desta parte da pesquisa, contendo trinta sujeitos; este jogo foi realizo na quadra esportiva da Vila Olímpica do Conjunto Ceará, no horário da educação física prática do professor Alexandre Viana. No horário em que as condições climáticas davam condições do registro de imagens, por volta de 12:30 começamos a atividade, ela foi explicada como se desenvolveria e durou cerca de vinte minutos.

Ao final de cada atividade foi proposto um diálogo para avaliar nossa prática,

tanto no jogo de “Energia para a Cidade” quanto no jogo “Sardinhas e Golfinhos”, que tinha

três perguntas iniciais para nortear nosso diálogo. Freire (1989) informa que devemos compreender o diálogo não como um modo de obter alguns resultados, mas de entender nossa própria natureza histórica humana e a lógica do pensamento do outro. Faz parte de nosso processo histórico o compartilhamento de experiências para a reflexão e superação das conflitualidades nas realidades vividas.

Também foi realizado uma prática coletiva do Futebol Callejero (Tradução para o português é Futebol de Rua) com os alunos do Liceu. Este futebol idealizado na Argentina tem como objetivo central trabalhar valores humanos. Ele é praticado em três tempo de jogo: no primeiro os alunos constroem as regras do jogo e o professor anota todas as regras acordadas; no segundo os alunos desenvolvem a prática do futebol segundo as regras acordadas; no terceiro os alunos debatem qual equipe utilizou mais os valores norteadores (respeito, solidariedade, cooperação e tolerância).

Participaram deste jogo vinte e sete alunos do primeiro, segundo e terceiro ano da escola. Esta atividade descrita de forma detalhada no capítulo cindo deste trabalho veio a contribuir proporcionando situações de comunidades justas dentro deste trabalho.

Então, diante desta visão de Freire e dos aportes de Kohlberg (onde ele analisa não a resposta dos sujeitos mais a sua intenção, as suas justificativas, os seus valores) para tal fato é que foi usado as seguintes perguntas para a avaliação de nossas atividades cooperativas:

1ª) Vocês gostaram do jogo?

1.1ª) Por que vocês gostaram do jogo?

2ª) Este é um jogo cooperativo. Vocês acham que este jogo estimula algum valor humano?

2.1ª) Qual valor humano e por que você acha isso?

3ª) Você acha que esse tipo de jogo deve ser usado em espaços educativos, como na escola?

3.1ª) Por que você acha isso?

Diante desde cenário, o próximo item irá dialogar com os resultados dos jogos cooperativos frente à teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg.

5.2 Jogos Cooperativos: uma possibilidade de desenvolvimento moral - diálogos com

Benzer Belgeler