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A análise dos APLs no cenário internacional, claramente, passa pela notação dos casos italianos, com os APLs localizados na região conhecida como Terceira Itália, e norte- americano, com os APLs localizados no Vale do Silício. Sabe-se que a idéia de Arranjos Produtivos Locais teve grande acréscimo de importância nas últimas décadas. Como explanado anteriormente, as discussões acerca desses arranjos foram re-introduzida na década de 1970 com o emergente conceito Marshaliano dos distritos industriais, que consistiam basicamente nas externalidades, assim denominadas por Marshal e explicadas por Becattini (1987).

Juntamente com estes estudos de arranjos e concentrações de empresas empreendia- se, simultaneamente, estudos sobre governança. Esses estudos tinham por objeto as relações de ‘poder’ dentro de um arranjo produtivo. Ou seja, como se desenvolve a relação entre os

diversos atores de um determinado arranjo, no que toca à tomada de decisões para a coletividade. Destacam-se os estudos de Storper e Harrison (1991) que se aproximaram do tema via análise das hierarquias que são formadas dentro das cadeias de produção e distribuição de mercadorias.

O desenvolvimento desses fatos tomou repercussão mundial, influenciando outros lugares do mundo a empreender esforços, no sentido de tornar-se, igualmente, um caso de sucesso. No Brasil, as discussões sobre o tema têm tomado significativa notoriedade, segundo Albino (2009). Desse modo, o arcabouço teórico, emanado das discussões acerca do tema, tem colaborado para a consolidação de um quadro teórico mais consistente, bem como a consolidação da experiência de diversos APLs. Sobretudo, tem-se demonstrado que os APLs são compostos de forma espontânea, calcados nos conhecimentos, habilidades e cultura dos agentes locais, via processo de endogeneização no território.

Ainda segundo Albino (2009), no Brasil o incentivo à industrialização, via construção de parques industriais com empresas de grande porte, foi imperativo até as décadas de 1970 e 1980. Nesse contexto, as políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento de Micro e Pequenas Empresas (MPEs) deu-se como alternativa de promoção da sustentabilidade social, dotadas de caráter paternalista. Somente após o referido período, com a observação dos casos de sucesso ocorridos na Itália, passou-se a considerar a viabilidade, também, econômica do desenvolvimento de MPEs.

Como resultado da crescente atenção dada às empresas de menor porte, tornou-se necessária a revisão da postura dos empreendedores, no que tange às relações interempresariais. A proximidade entre as firmas propôs uma postura mais colaborativa que competitiva entre elas. Estudos nesse sentido corroboraram para a visão de viabilidade não excludente entre concorrência e cooperação. É possível manter uma postura competitiva e cooperar entre si para a consecução de benefícios comuns (CROCCO; HORÁCIO, 2001).

À coexistência da cooperação e competição, entre empresas que normalmente haveria uma relação de ganho unilateral, a literatura dispõe de um conceito específico, que é a coopetição. Esse neologismo emana da fusão dos termos cooperação e competição, segundo Oliveira, Martins e Rocha (2006). Os autores elucidam que, mais que um neologismo, o termo coopetição denota uma nova concepção, onde se tem em foco a busca por ganhos coletivos para os participantes de uma aliança. Segundo Rodrigues, Maccari e Riscarolli (2007), naturalmente a coopetição ocorre em redes, e é pautada na complementaridade de competências. A propósito de compreensão desse conceito, os autores buscam diversas evidências na literatura que validam a existência de ações cooperativas entre concorrentes.

Com o aumento da atenção dada às empresas de menor porte, alguns casos notáveis passaram a ser observados no Brasil, como o caso do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, que é hoje o maior arranjo produtor de calçados no Brasil e também do mundo. Considerado um APL bem estruturado, ele conta com algumas das principais empresas fabricantes de calçados do Brasil, retendo cerca de 80% dos produtores de máquinas especializadas na fabricação de calçados, 60% dos fornecedores de insumos e outros segmentos de empresas adjacentes à cadeia produtiva coureiro-calçadista. Esse arranjo vem sendo estudado desde a década de 1990, gerando, inclusive, contribuições para a formulação de políticas de promoção dos APLs no Brasil (VECCHIA, 2006).

Ademais, informações mais genéricas sobre os APLs no Brasil podem ser observadas na figura 3 e tabela 1, a seguir. Em seção específica serão apresentados dados sobre os APLs na Paraíba, que é o foco deste estudo.

Figura 3 - APLs por Estado no Brasil

Tabela 1 - APLs brasileiros por setor econômico

Setor % Setor % Setor %

Agricultura 30,9 Extrativismo Vegetal 2,4 Construção civil 1,1

Ovinocaprinocultura 7,8 Psicultura 2.3 Couro e Calçados 1,1

Confecções 7,4 Bebidas 2,2 Agropecuária 0,7

Apicultura 5,9 Artesanato 1,6 Energia 0,7

Madeira e Móveis 5,3 Floricultura 1,6 Material de Construção 0,6

Turismo 4,9 Gemas e Artefatos 1,6 Laticínios 0,5

Pecuária 4,8 Rochas ornamentais 1,6 Produtos Químicos 0,3

Metal-mecânico 3,6 Polímeros 1,5 Alimentos 0,2

Cerâmica 3,5 Tecnologia da Informação 1,4 Eletroeletrônica 0,2

Aquicultura 3,1 Farmacologia 1,2 Mineração 0,1

Fonte: Pinto e Souto (2007), p. 6.

Pode-se perceber, na tabela 1, que parte considerável dos APLs brasileiros concentra- se em atividades primárias e de extrativismo, bem como atividades artesanais. O reflexo disso é uma produção de menor valor agregado. Em estudo sobre as ferramentas de desenvolvimento dos APLs, Pinto e Souto (2007), baseados em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, através do Grupo de Trabalho Permanente em Arranjos Produtivos Locais (GTP - APL), concluíram que há uma necessidade de direcionamento do desenvolvimento dos APLs para setores de maior geração de riqueza, procurando homogeneizar a distribuição dos APLs no Brasil. Os autores observaram, ainda, que se faz necessário um aporte de inovações mesmo nos setores mais tradicionais da economia, a fim de dotá-los de maior valor agregado e maior competitividade.

Na próxima seção são discutidas algumas políticas de promoção dos APLs no Brasil.

Benzer Belgeler