SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
4.1 SONUÇLAR VE TARTIŞMA
O primeiro procedimento foi buscar a autorização para a realização da atividade e da pesquisa no abrigo. Entramos em contato com a pessoa responsável pelo abrigo por telefone e ela pediu que levássemos até o abrigo uma explicação por escrito do
que seria a atividade e a pesquisa. Depois disso, recebemos um telefonema da pessoa responsável permitindo a realização da atividade e da pesquisa no abrigo.
Como segundo passo, fui até o abrigo propor a atividade às pessoas participantes. Ao chegar no local, no primeiro dia, pedi ajuda da coordenadora para chamar as mulheres para a atividade, ela propôs que as chamaria para o café e eu falaria o que pretendia fazer. Durante o café interagi com algumas delas, depois pedi que elas ficassem e disse o que pretendia fazer, ouvimos algumas músicas, conversamos, e saí dali com muitas inquietações, pensando que talvez não encontrasse as respostas como imaginava que poderia ser:
Fui caminhando ate o meu local de trabalho, que fica no mesmo bairro, numa caminhada de meia hora, aproximadamente, para pensar nas questões que estavam me afligindo. Como dizer a elas o que e a atividade? Como dizer sobre a pesquisa? Como perguntar se elas permitem que eu faca a pesquisa? Muitas delas não conseguem nem assinar a autorização. Como fazer a tertúlia? Como dialogar com essas pessoas? Será que vai dar para fazer pesquisa comunicativa? São muitas minhas inquietações, mas acho que não posso desistir de fazer a tertúlia e a pesquisa com essas pessoas afinal estou defendendo que todas as pessoas podem aprender e ensinar independente da idade e a tertúlia tem como principio a inteligência cultural que diz que todas as pessoas são capazes de aprender reportadas ao contexto em que estão inseridas. Desistir da tertúlia e da pesquisa neste espaço seria negar um dos princípios da aprendizagem dialógica, e dizer que essas pessoas não podem aprender nem ensinar. Porem sei que terei um grande trabalho para fazer, um desafio a vencer!( Diário de campo do dia 13 de abril)
Depois dessas inquietações, meu primeiro desafio era vencer meu próprio preconceito de que elas não seriam capazes de me entender, então, na semana seguinte, expliquei o que anotava e perguntei se poderia utilizar como uma pesquisa, elas concordaram:
Expliquei a elas que eu anotava as coisas que conversávamos nos encontros para depois fazer um trabalho resultante em uma pesquisa, que eu anotava as memórias que a música despertava. Perguntei se eu poderia continuar anotando e se poderia escrever depois um trabalho com as anotações dos nossos encontros, perguntei isso uma a uma, ao que responderam que sim (Diário de campo do dia 20 de abril)
A partir deste dia fazia as anotações sem medo já que a autorização formal tinha sido dada pela coordenação do abrigo, mas agora contava também com a concordância em participar da atividade e da pesquisa das mulheres moradoras do abrigo.
Assim, começamos a estruturar a proposta da Tertúlia Musical Dialógica de acordo com o contexto apresentado. Nós nos sentávamos em torno da mesa, o aparelho de som ficava bem no meio, com os discos compactos espalhados em cima da mesa. Como também era moderadora da atividade, ia lendo os títulos das músicas que tinha em mãos e as mulheres escolhiam o que queriam ouvir, não houve a possibilidade de escolher diversas obras previamente, gravar em um disco compacto para que todas pudessem levar para casa e escutar, as participantes não tinham aparelhos de tocar esses discos em seus quartos. Assim, foram feitas algumas modificações na proposta de funcionamento da tertúlia, esta foi uma delas. O quadro abaixo mostra como a dinâmica foi se estabelecendo:
Quadro 1: Estabelecimento da dinâmica da atividade
Saímos novamente pelo corredor chamando quem gostaria de participar da atividade, perguntando quem gostaria de ir ao refeitório escutar músicas. Elas foram chegando e se acomodando nas cadeiras em torno da mesa (20 de abril)
Fui para o refeitório e comecei a arrumar as coisas, retirei o aparelho de som da mochila, e comecei ligá-lo, retirei os CDs e os pus sobre a mesa (23 de maio)
Comecei conversando sobre o horário. Decidimos durante a conversa que seria melhor uma hora de atividade, elas disseram que se cansam de ficar ali muito sentadas, então propus que fosse das 15:30 às 16:30 que não atrapalha o horário do jantar delas nem meu horário no trabalho. Elas concordaram e fechamos nesta combinação. (25 de maio)
Comecei a dizer os estilos que tinha comigo, valsas, chorinhos, hinos, enfim, elas escolheram ouvir Valsa. Dentre as valsas fui lendo os títulos e a escolhida foi uma valsa de Strauss intitulada “Valsa de Aniversário”. Nós a ouvimos.( 13 de junho)
Coloquei o cd para tocar e enquanto ouvíamos chegaram D. Rosa e D. Estelinha. Quando acabou eu disse “Olá D. Rosa, escutou a valsa e veio pra cá hein” Ela respondeu, “Ah, foi a Sueli que falou para eu vir aqui”(Sueli é outra cuidadora) (20 de junho).
A partir do quadro, podemos observar como foi se estabelecendo a dinâmica da atividade que deveria ser semanal, com até duas horas de duração, de acordo com o combinado entre as pessoas participantes. No abrigo começamos com duas horas de atividade, mas depois acabamos combinando que seria de apenas uma hora de atividade das 15h30min às 16h30min na sexta feira. Podemos observar ainda que as mulheres escolhiam participar ou não da atividade, quando passava no corredor elas eram convidadas, e quando queriam iam para o refeitório participar, não eram todas que estavam sentadas no corredor
que participavam. As cuidadoras incentivavam as mulheres a participar, algumas delas chegavam ao meio da atividade dizendo que as cuidadoras tinham sugerido que elas fossem para a atividade.
O aparelho de som e os discos compactos eram trazidos pela pesquisadora- participante, os cds em sua maioria pertenciam a ela mesma, eram emprestados por amigos ou montados com musicas baixadas da internet. Na dinâmica estabelecida as mulheres sempre tinham a oportunidade de dizer, ao final dos encontros, que músicas gostariam que ouvíssemos nos encontros subseqüentes, ou ainda estilos e/ou autores que ainda não tivéssemos no repertório para que eu pudesse buscá-las durante a semana e trazer para os próximos encontros. Durante os encontros, eu ia sempre dizendo todos os estilos, cantores, compositores e músicas para que a escolha pudesse ser feita a partir do material que tínhamos em mãos.
Assim, o diálogo ia acontecendo e a atividade se configurando de acordo com o contexto do abrigo, possibilitando a interação, as memórias, os processos educativos e um clima de muita alegria e emoção entre participantes e pesquisadora-participante.
Esses encontros foram registrados em diário de campo para que, posteriormente pudessem ser analisados. De acordo com Sidnei Costa Alves, em “A memória do pesquisador”, a prática sistemática desses registros é um importante recurso
metodológico para uma maior compreensão e explicação dos dados coletados por outras técnicas, como questionário, entrevistas gravadas ou histórias de vida, o diário de campo é
um importante instrumento de memória para o pesquisador.
Assim, os fatos que aconteciam, as memórias relatadas, as músicas escutadas, sugeridas, pedidas, os comentários, enfim tudo o que era possível observar ia sendo anotado no diário de campo para que na etapa posterior pudessem ser retomados e analisados.
O diário de campo, advindo da participação da pesquisadora na atividade com as mulheres do abrigo, foi um importante instrumento para a análise das interações das quais decorreram as expressões não-verbais, visto que estas puderam ser observadas durante os encontros e registradas nos diários. Há também, nos diários, o registro de algumas interações que resultaram em expressões verbais.