Alguns autores apontam que o EBITDA pode ser utilizado com um complemento de análise às demonstrações financeiras ou a outros indicadores, uma vez que elas próprias não concedem ao usuário a completa visão de um negócio, tal como afirmam Vasconcelos (2001) e Santana e Lima (2004) quando apontam o que o valor informativo do EBITDA é acrescido e é mais significativo quando usado de forma associada com outras técnicas de análise ou outros indicadores.
De acordo com Frezatti e Braga (2007), quando não for possível trocar o EBITDA, por motivos corporativos ou de outra ordem, dispor de outros indicadores que permitam entender tanto o retorno quanto a liquidez gerada.
Vasconcelos (2001a) reafirma a utilização conjunta do indicador ao dizer que o seu valor informativo é maior quando usado de forma combinada com outras técnicas de análise ou outros indicadores. Embora uma empresa apresente em determinado exercício um EBITDA positivo, parte desse resultado pode estar comprometido com um passivo oneroso ou ainda, grande parte pode ser composta de receitas a prazo. Em outro extremo, uma empresa pode apresentar um EBITDA negativo e, no entanto, quando analisados os números em uma linha temporal, pode ser constatada uma tendência de recuperação.
Veríssimo (2006) comenta que dizer que o EBITDA não considera os gastos com investimentos, variações do capital de giro ou que pode ser diferente em função dos padrões contábeis de cada local é apenas reiterar a definição da conta. Em defesa do EBITDA, vale dizer que a demonstração do resultado completa também não considera nenhuma dessas coisas e nem por isso a demonstração de resultado é considerada inútil.
Conforme já mencionado, não é adequado tirar conclusões de amplo espectro sobre a situação de uma empresa apenas com base no EBITDA. Também não é adequado dizer que o EBITDA complementa ou é complementado pelas demonstrações financeiras, pois sua formulação é apenas uma adaptação da própria demonstração de resultados. Logo, trata-se de outro prisma de observação para números já revelados pela própria contabilidade.
2.2.5 – O USO DO EBITDA COMO UMA ESTIMATIVA DO FLUXO DE CAIXA
Em relação ao conceito do EBITDA em ser uma estimativa do fluxo de caixa operacional, há muitas constatações que não apóiam esta afirmação, mas há também os defensores dela. Para Coelho (2004), um dos autores que não aceitam esta comparação, não se pode confundir EBITDA com geração de caixa, pois não corresponde ao efetivo fluxo de caixa físico já ocorrido no período porque parte das vendas pode não estar recebida e parte das despesas pode não estar paga, dessa forma, mesmo que muitas variáveis da geração operacional de caixa sejam comuns ao EBITDA, despesas com investimento e variação da necessidade de capital de giro não estão incluídas no cálculo do indicador, além disso, empresas, naturalmente, podem ter dívidas para alavancar sua operação, fato que muitas vezes coloca as despesas financeiras em um patamar de valor superior às receitas financeiras. Frezatti e Braga (2007) confirmam as palavras acima dizendo que o indicador pode não ser uma proxy aceitável de geração de caixa operacional da empresa, como já verificado por outros pesquisadores, em função da diferenças existentes encontradas na comparação do indicador com o fluxo de caixa operacional.
Dentre os defensores da idéia de proximidade entre EBITDA e fluxo de caixa, Smith (2002) aponta que o indicador pode ser utilizado com um atalho para a estimativa do fluxo de caixa disponível para pagar dívidas de ativos de longo prazo, tais como equipamentos e outros itens com comprimento medido em décadas e não em anos.
Seguindo esta visão, Santana e Lima (2004) enxergam no EBITDA a possibilidade de conciliar as estimativas futuras de fluxo de caixa com o resultado obtido em exercícios passados e o auxílio na análise do grau de cobertura das despesas financeiras, evidenciando o potencial operacional de caixa para remunerar os credores. Da mesma forma, Vasconcelos (2001a) observa o grau de cobertura das despesas financeiras: Os resultados operacionais cobrem as despesas financeiras? Qual o percentual de segurança, ou seja, qual a parcela mínima de receitas à vista para cobertura destas despesas?
2.2.6 – O EBITDA E A SUA FÓRMULA DE CÁLCULO
Segundo alguns autores, tal como Veríssimo (2006), algumas das críticas apresentadas com relação ao EBITDA são críticas ao próprio formato de demonstração de resultado. Segundo Eastman (1997); Greenberg (1998) e Malvessi (2006), o método é simples e rápido de se calcular. No entanto, Coelho (2004) questiona se o índice formatado está suportado pelo arcabouço teórico.
Segundo Mc Clure (2006), o EBITDA não é contemplado pelos princípios contábeis geralmente aceitos. Para Iço e Braga (2001), a omissão na escrituração contábil do valor do potencial (EBITDA) impossibilita que o indicador expresse o valor da entidade, como um todo, e em conseqüência os resultados, no ponto de vista técnico-contábil, aparecem distorcidos.
Para Santana e Lima (2004), o EBITDA pela sua própria composição e natureza, é sensível e avaliação de estoques, especialmente quando sua análise objetiva determinar o valor de mercado de empresas, em contrapartida a esta fragilidade, os autores dizem que por desconsiderar receitas e despesas financeiras, o EBITDA elimina qualquer dificuldade para fins de análise de uma eventual desvalorização da moeda.
Para Smith (2002) a exclusão dos juros, impostos, depreciação e amortização do EBITDA foram desenhadas para que se contabilizasse o custo dos ativos de longo prazo e para que olhasse para os lucros que restariam depois que o custo desses itens fosse levado em consideração.