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4. SONUÇLAR ve TARTIŞMA

4.1 Sonuçlar ve Tartışma

Para o Direito Tributário, um dos princípios mais importantes é o federativo30. Já no artigo 1º da Constituição demonstra-se a importância desse assunto, ao se afirmar que a República Federativa do Brasil é composta pela União indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. Ilustra-se o afirmado através do que ensina Roque Carrazza31, citando Geraldo Ataliba:

30

Paulo de Barros Carvalho conjuga o princípio federativo ao da autonomia municipal no que ele chama de “princípio da isonomia das pessoas constitucionais” (Curso de Direito Tributário. 24 ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 203/205).

31

CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 29º ed. São Paulo: Malheiros, 2013, p. 173.

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(...) o princípio federal, em suas mais essenciais exigências, só pode ser revogado por força de uma verdadeira revolução, que deite por terra o Texto Constitucional e ab-rogue categoricamente todo o sistema, a partir de suas bases. Só avassaladora revolução popular pode anular o princípio federal.

Dessa forma, enquanto vigorar a atual Carta Política, é terminantemente proibida proposta de emenda constitucional que vise a alterar a forma federativa.

A Federação é uma composição institucional de estados que dá lugar ao estado federado. A despeito da fórmula literal do artigo 1º da Lei Suprema, os Municípios não integram a Federação brasileira, porém não deixam de deter personalidade política, gozando de autonomia. Todavia, a Constituição lhes conferiu importância constitucional estampada nos artigos 18, 29 e 30. Assim, ficam em mesmo patamar de igualdade os Municípios e os outros entes políticos. Ensina Paulo de Barros Carvalho32:

A menção do constituinte eleva os Municípios parificando-os aos Estados-membros e à União. Não são eles entes menores ou meras comunas subordinadas ao controle e a supervisão das unidades federadas ou mesmo da União. São pessoas jurídicas de direito constitucional interno, dotadas de representação política própria, e que vão haurir competências privativas na mesma forma que os fazem as outras, isto é, na Lei Fundamental.

Percebe-se que na federação existe uma descentralização da capacidade legislativa, repartindo entre as unidades federais a competência tributária para criar leis.

A importância desse princípio para o estudo tributário reside na análise segura sobre até onde vai a competência tributária de cada ente político, já que não há hierarquia entre as pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados-membros, Municípios e o Distrito Federal). Dessa forma, para que haja harmonia na produção legiferante tributária de cada uma dessas pessoas políticas, é

32

CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 24 ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 205.

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fundamental que estejam arraigadas no âmbito constitucional os limites de

competência de cada um.

Não se permite, na federação brasileira, a intromissão de um ente político na área competência tributária de outro, sob o risco de violação ao princípio federativo e a um de seus desdobramentos, que é o pacto federativo. Cada uma das unidades federais deve ter capacidade para impor, arrecadar, gerir e despender tributos, nos limites outorgados pelo texto constitucional.

Percebe-se que o princípio em comento possui desdobramentos claros diante da divisão de competências tributárias entre os componentes da federação, o que será mais bem explicado a seguir.

2.4.1.1 Competência tributária

A Lei Maior traçou em seu texto as normas de competência de cada ente político, delimitando o poder de tributar de cada um dele e, como visto, essa delimitação decorre de princípios consagrados pelo modelo de organização de Estado escolhido pela República do Brasil: o federalismo.

Cada uma das pessoas políticas de direito interno possui na Constituição a demarcação dos tipos de exações tributárias que poderão instituir e as diretrizes de como fazê-lo. A título ilustrativo, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação (ICMS) é um imposto de competência estadual, enquanto o imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS) pertence a área de competência municipal, enquanto o imposto de renda (IR) compete à União.

Assim, o texto constitucional não poupou esforços em distribuir cuidadosamente as várias competências de cada pessoa política. Do ponto de vista técnico-jurídico, as pessoas políticas que compõem o Estado Brasileiro são

isônomas, não se podendo admitir que nenhuma delas subjugue a autonomia das

demais, sendo esta – a isonomia entre entes federados – outro desdobramento desse princípio.

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Nas palavras de Roque Carrazza33 “a competência tributária é a habilitação ou, se preferirmos, a faculdade potencial que a Constituição confere a determinadas pessoas (as pessoas jurídicas de direito público interno) para que, por meio de lei, tributem” e ao tributarem, as unidades da federação garantem para si autonomia financeira, imprescindível no modelo federativo.

Os entes federados, portanto, são aptos a expedirem enunciados prescritivos que regulem condutas em matéria tributária, inovando a ordem jurídica, mediante a edição de um veículo legislativo adequado, exercida pelos órgãos credenciados a emanarem normas jurídicas, cujo exercício se dá através do processo de enunciação criador do direito positivo.

Percebe-se que o estudo da competência tributária é a análise de típica norma de estrutura, pois trata de produção normativa, que limita a permissão das pessoas políticas de Direito Constitucional interno para instituir tributos, obedecidas circunstâncias materiais e formais. Nesse sentido, o dever de respeitar e se sujeitar a um dado tributo tem como condição necessária a sua produção lícita: deve haver o enquadramento dessa atividade legislativa (criação do tributo) aos limites materiais constitucionalmente impostos, ao mesmo tempo em que deve existir uma observância aos limites da norma de competência.

Em última análise, pode-se afirmar que o estudo das competências permite verificar a validade de um tributo, bem como dos enunciados que o compõem, incluindo-se aí o critério pessoal passivo, que tem implicâncias quanto à responsabilidade tributária. Isso ocorre, pois a leitura isolada da norma que institui o tributo é incapaz de denunciar a existência de vícios. Nas palavras de Andréa Darzé34:

Não há como a norma instituidora do tributo, ela mesma, isoladamente considerada, denunciar vícios da sua própria enunciação. Daí a necessidade de regressarmos mais uma etapa do processo de positivação, alcançando a norma de competência tributária. Esta, sim, é índice seguro para, diante dos limites estabelecidos pelo Sistema Constitucional Tributário Nacional,

33

CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 29º ed. São Paulo: Malheiros, 2013, p. 577.

34

DARZÉ, Andréa Medrado. Responsabilidade tributária: solidariedade e subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010, p. 37.

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delinear o conjunto das alternativas postas ao legislador para a definição do critério pessoal passivo do tributo.

Dessa forma, não se pode negar a importância das normas de competência para o Direito Tributário, particularmente se levar-se em conta o modelo federativo do Estado brasileiro, em que os entes políticos estão rigidamente subordinados à Constituição da República, o que implica o princípio que se analisará em seguida.

2.4.2 Princípio da legalidade

Os Estados Democráticos de Direito contemporâneos baseiam-se fundamentalmente no princípio da legalidade. Isso porque, depois da revolução francesa e da revolução que culminou com a independência dos Estados Unidos, os cidadãos passaram a pressionar os governantes por uma legislação sólida, que demarcasse de forma clara os direitos e garantias individuais.

Vale dizer ainda que o estopim de ambas as revoluções acima citadas foram pressões estatais para ampliar a arrecadação, ou seja, tiveram motivos de cunho tributário. Na França, a Corte falida de Luís XVI resolveu criar um novo imposto, pressionando mais ainda o Terceiro Estado (a população em geral, que não era do Clero ou da Nobreza) e, nas Treze Colônias, que dariam origem aos Estados Unidos, a metrópole, a Inglaterra, resolveu criar impostos sobre selos e chá, levando os colonos a se revoltarem.

Dessa forma, nos novos regimes sociais que surgiram com essas revoluções, e cujos ecos reverberaram em muitos outros cantos do mundo, fazia-se necessário conferir maior segurança à sociedade, com constituições e leis que não pudessem ser alteradas ao bel prazer da política, e esse sentimento se expressa no princípio da legalidade.

Esse princípio, que se projeta sobre todos os domínios jurídicos, no Brasil, pode ser encontrado em todas as suas constituições pretéritas. No atual sistema constitucional brasileiro, encontra-se positivado de forma genérica no art. 5°,

Benzer Belgeler