6.DENEYSEL ÇALIŞMA 6.1 Giriş
7. SONUÇLAR VE İRDELEME
“As emissoras públicas programam para a sociedade e as emissoras comerciais programam para o mercado” (CONSELHO CURADOR DA FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA, 2007, p. 29)
Com base na formação jurídico-administrativo-financeiro, o primeiro esboço de definição de uma TV Pública foi construído no o I Fórum Nacional de TV Pública:
TV Pública como entidade jurídica prestadora de serviço público de radiodifusão e cabodifusão de sons e imagens, sem fins lucrativos, prestado num regime jurídico caracterizado pelo controle e participação da sociedade civil, permitindo cooperação entre si, e com financiamento de recursos públicos e privados. (MINISTÉRIO DA CULTURA, 2007, p. 36)
Apesar de amplo, o conceito ainda precisa ser atualizado de modo que ele não exista apenas na definição em si, mas também que ele seja aplicado em cada uma das emissoras que estão sob o guarda-chuva do nome ‘TV Pública’ e definir se as estatais são, de fato, também públicas.
A própria esfera pública estatal, para tornar-se realmente pública, requer o fortalecimento da crítica e do controle da sociedade sobre o Estado. A importância crescente que adquire a noção do público está diretamente vinculada à consciência de que o Estado tem sido exposto, sobretudo no século XX, a um processo de privatização, dominado e capturado por interesses particulares, tanto de corporações privadas como das próprias burocracias. (BRESSER-PEREIRA, 1999, p. 22)
Pensando em uma terceira esfera, ligada à sociedade civil, não seria saudável tratá-las de modo semelhantes se, na verdade, possuem objetivos distintos. Porém, deixando as diferenças entre as “públicas” e as “quase-públicas” de lado, o Fórum foi uma iniciativa para se opor às emissoras comerciais. Até porque há uma dicotomia muito clara entre estes dois
tipos de emissora: o lucro versus a defesa dos interesses setoriais ou grupais (BRESSER- PEREIRA, 1999, p. 21).
“A televisão comercial baseia-se nas regras do mercado, seu produto não é o conteúdo televisivo, mas o próprio público telespectador, a audiência, enfim, cujo valor é medido sistematicamente pelos institutos de pesquisa” (ABEPEC, 2006, p. 41).
Isso ocorre na maioria dos veículos de comunicação, mas principalmente na televisão comercial, onde o que interessa é o IBOPE, ou seja, sua audiência.
O coração do negócio do entretenimento no campo dos meios de comunicação social e, em particular, no campo da televisão, que é o que nos interessa dramaticamente, se resume a vender... o seu próprio público. Basta ver a televisão comercial aberta. Sua mercadoria não são as atrações que ela faz crer que são suas mercadorias, mas os olhos para os quais essas supostas mercadorias se anunciam atraentes. Ela comercializa o olhar de quem a vê, o que, em boa parte, é verdadeiro também para os canais pagos. De vender o seu público para o anunciante vivem as televisões comerciais, ou, pelo menos, vivem as melhores, as que não usam dinheiro sujo na operação. A sua estruturação estratégica se dirige à captação de público, à manutenção da atenção do público e à venda do público. É isso o que tem valor em seu modelo de negócio. (BUCCI, 2006, p. 15)
Essa é uma diferença fundamental entre a televisão comercial e pública. Se, por um lado, a tevê comercial está preocupada simplesmente com a quantidade de telespectadores, por outro, a tevê pública deveria estar atenta para o seu conteúdo e não para a audiência. Isso porque, justamente por ter caráter público, ela deveria dar espaço para as faixas da população que ficam excluídas das televisões comerciais.
A televisão pública é também aberta, gratuita, mas sem finalidades lucrativas. Não se pauta pelas regras do mercado. Para ela, o público não é produto, mas destinatário dos conteúdos televisivos. O produto da televisão pública é a programação. E essa programação não deve ser avaliada pela quantidade de audiência, mas por sua qualidade ou necessidade (...). Na televisão pública o alvo é o cidadão, não o consumidor. (ABEPEC, 2006, p. 42-43)
Sendo assim, no campo do jornalismo televisual, as notícias também deveriam ter um caráter distinto. Enquanto na televisão comercial busca-se a satisfação do telespectador- consumidor que assiste um telejornal para apenas sentir-se informado e ter um tempo agradável ao mesmo tempo, o telejornalismo público teria como função educá-lo e promover um espaço de discussão mais profunda dos assuntos, mesmo que essa escolha não seja a mais desejada e, até mesmo, abordar assuntos que ficam excluídos da pauta do jornalismo comercial.
Qualidade e reflexão constituem o fundamento do que chamamos recentemente de jornalismo público. A necessidade de um jornalismo público deriva primeiramente da questão da pauta. No mundo moderno há uma pauta compulsória que freqüenta as redações dos noticiários, propondo assuntos gerados por interesses políticos, financeiros, ideológicos e, até, religiosos. A pauta do jornalismo público deve ser ditada pelos interesses da sociedade, e não pelos assuntos em voga. Outra questão fundamental é a seguinte: o jornalismo público privilegia a compreensão do acontecimento e não o espetáculo da notícia. E essa talvez seja a distinção mais categórica dos dois tipos de jornalismo. O jornalismo público deve se ocupar mais da contextualização do que das conseqüências primárias dos acontecimentos. O ritmo e o formato de um telejornal, na televisão pública, implicam, portanto, a produção de matérias de interesse da sociedade que estimulem a compreensão do telespectador e agucem sua capacidade de questionar. Para tanto, há que se dispor de repórteres empenhados, editores criativos e locutores e âncoras humanizados. O fundamental, contudo, é a independência, pluralismo, ausência de preconceitos, presença exaustiva do contraditório e uma ética de transparência. (ABEPEC, 2006, p. 43-44, grifos no original)
Tendo compreendido um pouco mais sobre o que é público e o que é privado e suas relações. É possível compreender qual é o papel da TV Cultura no cenário televisivo brasileiro. A TV Cultura é uma emissora público-educativa controlada por uma Fundação que tem autonomia para atuar em todas as áreas, ou seja, ela é uma administrada por uma instituição privada não-estatal, apesar de receber boa parte de seus recursos do Estado de São Paulo. A própria TV Cultura definiu o que ela compreende por jornalismo público:
Jornalismo Público (...) pretende produzir informações de interesse da sociedade, a partir da verificação permanente das suas demandas. Adotar formatos capazes de propiciar ao telespectador uma avaliação crítica da realidade transmitida pela informação. Um tempo e um formato capazes de propiciar reflexão por parte do telespectador é o objetivo principal do jornalismo público. A absorção emocional do espetáculo da notícia, produzida pela televisão de mercado, é insuficiente e acaba por deformar a avaliação crítica do grande público. O jornalismo público pretende auxiliar esse processo de formação do telespectador para o exercício da cidadania. (CONSELHO CURADOR DA FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA, 2007, p. 28)
Falar do jornalismo público no Brasil parece até uma utopia. O jornalismo comercial, por outro lado, é visto como perverso e de baixa qualidade. Mas será que o jornalismo público também não está presente nas regras do mercado, até por querer gozar de certo prestígio? E, por outro lado, será que o jornalismo comercial também não tem sua importância na configuração da indústria midiática brasileira atual? Será que podemos considerar que há dois tipos de jornalismo no Brasil: um público e um comercial? Será que eles são semelhantes em sua essência? Não deveria ambos contribuir para a formação do cidadão?