BULGULAR VE TARTIŞMA
SONUÇLAR VE ÖNERİLER
caso, o convívio com o uso da droga pelo familiar. Nesse pólo, devem surgir comportamentos agressivos em relação à situação vivenciada, demonstrando raiva, hostilidade e de correr certo risco. As categorias abaixo demonstram as características específicas desse pólo.
6.4.1.1 Extravasando sentimentos
Das falas registradas nas entrevistas houve referência a essa estratégia de coping. Verifique abaixo a presença de sentimentos que representam hostilidade nas ações e atitudes.
Já. Já sabia. Ele usava antes de casar. Bebia por esporte. Era. Só final de semana. Foram quatro anos antes. Né? Quatro anos. Porque o casamento tava assim. Aí eu ameacei ele de... De ir “simbora”.[...] (M1).
O Mais difícil foi manter ele dentro de casa. Né? Eu tive que tomar assim umas “rédeas”. Perder assim o medo de... Sei lá, chegar ao pé deu “botar” ele pra fora de casa. Porque eu não confiava mais. .[...] (M2).
Peguei a não olhar mais para cara dele de jeito nenhum. De jeito nenhum mesmo. Hoje eu tenho relação com ele à força. Você acredita? A força. Com medo de ter briga dele com meu filho. Eu digo para ele: - Olha, tu vai fazer isso comigo né?. Mais olha. Eu tenho tanto abuso de tu. Tanto ódio da tua cara. [...] (M24).
“Os modos de enfrentamento de confronto correspondem às estratégias ofensivas para o enfrentamento da situação, nas quais as pessoas apresentam uma situação ativa em relação ao estressor” (BERTOLIN et al., p. 1075, 2010).
Gianini (2004), estudando sobre gênero, doença e o enfrentamento da doença construíram um questionário que foi baseado no inventário de estratégia de enfrentamento de Folkman e Lazurus, e considerou o confronto como uma categoria de análise, descrevendo esses como esforços agressivos para alterar a situação. Este tipo de enfrentamento também, segundo o autor, sugere certo de grau e hostilidade. O autor ainda cita o seguinte exemplo para fundamentar a categoria: e.g, “Eu fiz algo que sabia que não ia dar certo, mas pelo menos estava fazendo alguma coisa” (p. 45).
É possível notar que as mulheres que vivenciam com o familiar usuário de droga, de alguma forma confrontaram a situação. Tais condutas, dependendo do contexto, podem representar um fator positivo às mulheres cuidadoras e/ou aos familiares usuários. Folkman e
Lazarus (1991) consideram que as estratégias de coping centradas no problema incluem o coping confrontativo (esforços para alterar a situação), isso pode favorecer a saúde mental das mulheres, assim como o tratamento dos familiares usuários de droga.
Lazarus e Folkman (1994) destacaram que o foco no problema geralmente ocorre quando é vista a possibilidade de mudança na relação da pessoa com o estressor, sendo direcionadas ações visando a definir o problema, gerar alternativas e soluções, pesar custos e benefícios, agindo sobre a origem do estresse. As mulheres, nesse sentido, reagem construtivamente, aumentando os recursos para lidar com a situação percebida.
5.4.1.2 Comportamentos arriscados
Ressaltamos que nem sempre as estratégias de enfrentamento envolvidas no confronto que as mulheres vivenciam podem resultar em algo positivo, quem define é o contexto.
Starub (2005) afirma que esse modelo tem como ideia principal que não se pode compreender completamente e estresse examinando eventos ambientais (estímulos) e pessoas (respostas) como entidades separadas; em vez disso, deve-se considerá-los em conjunto, como numa transação, na qual cada indivíduo deve ajustar-se de forma contínua aos desafios cotidianos.
Algumas vezes as mulheres podem fazer algo que está fora das recomendações da equipe de saúde. Essa tentativa arriscada que foge do tratamento convencional é a forma que elas encontram para resolver o problema, fato registrado por uma das onze mulheres que optou por tal ação.
Teve uma vez que ele bebeu muito e passou muito mal. Caiu nos meus braços. Eu pensei que ele ia morrer. Aí pedi a Nossa Senhora para iluminar meu coração. E saí andando sem rumo. Entrei na farmácia. Aí tinha um rapaz que me atendeu, e eu contei pra ele o que tava acontecendo. Aí ele me disse que ia aplicar umas agulhas no rosto dele. Era 15 dias. Aí ele passou três anos sem beber. Mas voltou de novo. (M10).
Damião et al.(2009, p. 1201), estudando as estratégias de enfrentamento de adolescentes com diabetes 2, corrobora com a afirmação acima ao referir que os adolescentes, por vezes, buscam práticas, crendices, uso de chá, rezas, deixando de lado o tratamento em instituições de saúde.
“Não esquecer que o coping é concetualizado por Folkman e Lazarus como um processo: o coping não é um traço do indivíduo, não é um padrão estável de resposta” (RIBEIRO, SANTOS, p. 495, 2001).
5.4.2 Pólo teórico Afastamento: Negando o problema e Vendo o lado bom da situação
Esse coping é focado na emoção, que, segundo (OLIVEIRA, p. 18, 2009), em geral, as formas de coping centradas na emoção são mais passíveis de ocorrer quando já tenha havido uma avaliação de que nada pode ser feito para modificar as condições de dano, ameaça ou desafio ambientais.
5.4.2.1 Negando o problema
Aqui as mulheres que vivenciam com familiares usuários de drogas apresentam estratégias defensivas, não havendo confronto com a situação; logo essa não se modifica. Passam a negar fatos e não absorvem o que as outras pessoas falam. Geralmente há uma omissão da situação vivenciada.
“O afastamento cognitivo, as estratégias refletem tentativas de minimização do evento estressante” (BARBOSA, 2006, p. 26).
Não reagir normal. Por que essas coisas hoje sempre acontecem né? ( M23).
Pois é. O que mais preocupa. É assim. Que ele caia no meio da rua. Ele agora é mais cachaça do que a pedra porque não tem mais dinheiro. Já acabou com tudo. Não sobrou nada na minha casa. Você vê que eu mal tenho banco pra se sentar. O meu fogo é no chão. De lenha. Quando ele começa a usar. Começa me pedir dinheiro. Eu saio de casa. Para não dar por que eu não tenho. Não tenho mais nada. Nada. Nada. (M7).
Ter ele dentro de casa. Porque quando ele tá internado aqui, é um alívio. Pelo menos pelos uns dias. Aí começa tudo de novo. (M17).
Para Li et al. (2010) essa estratégia também pode ser identificada pela recusa em pensar sobre a situação ou pela tentativa do paciente de tentar esquecer o problema.
A mulher que vivencia essa situação pode agir como se nada tivesse acontecido em sua vida. “Porém, os comportamentos gerados em decorrência dessa estratégia podem vir a prejudicar o curso do tratamento, dependendo da intensidade com que for utilizada” (MACHADO, OLIVEIRA, 2011, p.12).
Folkman e Lazarus (1991) consideram que uma das estratégias de coping centrada nas emoções é o afastamento, esse que apresenta ações e pensamentos para esforços no sentido de afastamento da situação ou de uma visão desta mais positiva.
5.4.2.2 Vendo o lado bom da situação
Uma das situações que podem surgir nesse pólo de coping são situações em que a mulher familiar do usuário de droga pode apresentar uma visão da situação de forma positiva.
Ela irá procurar o lado bom da situação. No presente estudo não foi identificada tal situação entre as mulheres que participaram do estudo.
Deimling (2010) afirma que essa estratégia pode ser positiva, quando de curta duração, em situações onde há uma limitação de possibilidades de ações diretas dos pacientes, para resolução do problema, como no caso do câncer, onde há uma perda do controle de sua vida e, consequentemente, passa-se a ter a vida sob o manejo médico. Essa estratégia pode vir a ser desadaptativa se tiver maior duração, pois implica na não adaptação do paciente a situação estressora. Tais condições tendem a gerar processos de adoecimentos.