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O gerenciamento dos resíduos sólidos envolve uma série de etapas: acondicionamento, coleta, transporte, transbordo, tratamento e disposição final; além de exigir espaços, equipamentos e estruturas específicos para o seu funcionamento. Quanto maior a dimensão da cidade, maiores serão os volumes de resíduos gerados e a estrutura necessária para a sua gestão. Várias são as instalações para a disposição final dos resíduos urbanos: lixão, aterro controlado, aterro sanitário, aterros de inertes e depósitos clandestinos. Tais instalações localizam-se no interior da área urbana ou nas áreas periféricas (Ruberg, 2005).

O presente trabalho tratará especialmente dos lixões e aterros controlados definindo-se, para melhor entendimento, as várias tipologias a seguir:

a) Lixões – são locais onde houve o lançamento de resíduos diversos sobre o solo, sem quaisquer critérios técnicos, medida de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública (IPT/CEMPRE, 2000). São também conhecidos como vazadouros à céu aberto.

b) Aterros controlados – diferenciam-se dos lixões por contarem com uma cobertura de camada de terra após o descarregamento do caminhão de lixo. Esta medida evita a proliferação de vetores de doenças e a atividade de catação.

c) Aterros sanitários – “forma de disposição final de resíduos urbanos no solo, através de confinamento em camadas cobertas com material inerte, geralmente solo, segundo normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança” segundo a NBR 13.896 (ABNT, 1997).

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) define os resíduos sólidos como:

[...] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido e semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível(Art.3º, inciso XVI).

A Norma Brasileira 10.004 (ABNT, 2004) estabelece como definição:

[...] Resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível.

Tal como Merbach (1998 apud Leite, 2005) apontava para a definição de aterros sanitários, contida na NBR 8.419 (ABNT, 1984), as NBR’s 13.896 e 10.004, também não incluíram a questão do uso futuro da área do aterro.

Para o Manual de Saneamento (MS/FNS, 1999, p. 203) os resíduos sólidos são constituídos de substâncias degradáveis e não degradáveis de composição bastante variada, que depende de diversos fatores: hábitos, costumes, renda e nível educacional da população, número de habitantes, clima, nível de desenvolvimento e variações sazonais e, definidos como:

[...] materiais heterogêneos (inertes, minerais e orgânicos), resultante das atividades humanas e da natureza, que podem ser parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde pública e economia de recursos naturais. Os resíduos sólidos constituem problemas sanitário, econômico e principalmente estético.

Lopes (1998), citando Ogata (1978, p.51), destacou que o termo “resíduo” está associado a um contexto tecnológico, de aprimoramento da produção, ou seja, cultural e histórico, de acordo com Ariane Kuhnen. A autora também informa que a expressão: “resíduos sólidos e salubridade” já aparecia no Código de Posturas de 1886, artigo VI, sem, entretanto, ser utilizada nem pelas autoridades sanitárias, àquela época. Rocha (1992) apud Lopes (1998, p.163) observa que a expressão “resíduos sólidos” passa a ser utilizada pelos sanitaristas a partir de meados da década de 1960 e, segundo Lopes, esta expressão está associada à transformação da intolerância social em relação ao lixo.

Ogata (1978) afirma que o espaço da cidade registra traços das suas dinâmicas, resultantes da confrontação de energias políticas, sociais e econômicas, traduzindo-se num sistema de acumulação e fixação de atividades da sociedade ao longo dos tempos. Cita Medam2 (1971) que relaciona a estrutura acumulada de uma memória à estrutura acumulada de uma materialidade física.

A referida autora relata que os aterros de lixo são sinais ocultos da materialidade urbana e que os resíduos sólidos urbanos depositados em aterros (“lixões” ou aterros sanitários) se destacam na materialidade física. Esses aterros são registros no espaço a serem desvendados. Outras formas de disposição dos resíduos (incineração, industrialização) não se caracterizam

como marcas na materialidade física. Ressalta, também, que os aterros de resíduos (1978, p.24), no sentido semiológico, representam um significante, uma linguagem, uma forma de comunicação da materialidade física. Aponta que essa materialidade física pode apresentar, entre outros, valor arqueológico, no caso dos depósitos de sambaquis (depósitos antigos de tribos que habitavam o litoral americano, constituídos de conchas, restos de cozinha e esqueletos).

Lopes (1998, p.33) destaca a expressão “aterro de lixo”, utilizada por Ogata (1978), comentando que o termo “aterro” não era comum no século XIX, apesar do lixo servir, àquela época, para aterramento das áreas alagadiças da cidade.

Depósitos irregulares de resíduos, locais (terrenos baldios, praças, parques, ruas, etc.) onde a população ou as empresas habitualmente lançam os resíduos, preferencialmente de construção e demolição (entulho), mas podendo ser encontrados resíduos industriais e de saúde, são comuns. Sua localização muitas vezes é desconhecida ou conhecida como “ponto viciado”, pois persiste mesmo com a sua retirada rotineira.

A classificação dos resíduos sólidos depende do seu local de produção, da sua origem, do teor de umidade, da sua capacidade de biodegradação (Quadro 1.1) bem como da periculosidade (Quadro 1.2). Segundo Moreira (2009, p. 3) as classes de periculosidade II e III foram agrupadas, mais recentemente, sendo renomeadas para Classe IIa (não- inertes) e IIb (inertes). Outra classificação importante foi estabelecida pela Resolução Conama nº 5, de 05 de agosto de 1993, que se baseia no potencial de contaminação dos resíduos ao meio ambiente (Tabela 1.1). A nova ”Lei do Lixo” (Lei 12.305/10) reclassificou os resíduos sólidos segundo a origem e a periculosidade (Tabela 1.2).

Quadro 1.1: Classificação dos resíduos sólidos quanto à biodegradação

Classificação De acordo com Caracterização

Resíduos sólidos em geral Local de produção Urbanos Rurais

Resíduos sólidos urbanos (RSU)

Umidade Seco Molhado

Origem Domiciliar Comercial Público Hospitalar Terminais de transporte Industrial Entulho Capacidade biodegradação Facilmente degradáveis Degradação moderada Degradação lenta Não degradáveis Fonte: Rafael (2006, p.57).

Quadro 1.2: Classificação dos resíduos quanto à periculosidade (ABNT, 2004)

Classe Características

I - Perigosos Apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente, caracterizando-se por ter uma ou mais das seguintes propriedades: inflamabilidde, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade

II - Não-inertes Podem ter propriedades, como inflamabilidde, biodegrabilidade ou solubilidade; porém, não se enquadram como resíduo I ou III

III - Inertes Não têm constituinte algum solubilizado, em concentração superior ao padrão de potabilidade de águas

Fonte: Tressoldi e Consoni (1998, p.344).

Tabela 1.1: Classificação dos resíduos sólidos segundo a Resolução Conama nº 5/1993.

Classe Características

A

Resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente devido à presença de agentes biológicos. São resíduos dos hospitais, das clínicas médicas e veterinárias, e dos bancos de sangue.

B

Resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente devido às suas características químicas. São os resíduos farmacêuticos, drogas quimioterápicas e demais resíduos perigosos.

C

Rejeitos radioativos: enquadram-se neste grupo os materiais radioativos ou contaminados com radionuclídeos, provenientes de laboratórios de análises clínicas, serviços de medicina nuclear e radioterapia, segundo Resolução CNEN 6.05.

D

Resíduos comuns são todos os demais que não se enquadram nos grupos descritos anteriormente. Os resíduos urbanos, em geral, se enquadram nesta classe.

Tabela 1.2: Classificação dos resíduos sólidos segundo a Lei 12.305/10

De acordo com Classificação Características

Origem

Domiciliar Limpeza urbana RSU

Serviços públicos e saneamento básico Industriais Serviços de saúde Construção civil Agrossilvopastoris Serviços de transportes Mineração

Atividades domésticas em residência urbanas

Varrição e vias públicas Engloba os anteriores Exceto os RSU

Processos produtivos e instalações industriais

Equipamentos de saúde, etc.

Construções, reformas, reparos e demolições

Atividades agropecuárias e silviculturais

Portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários, ferroviários, passagens de fronteira Atividades de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios

Periculosidade

Perigosos

Não-perigosos

Possuam inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade com risco significativo à saúde pública ou à qualidade ambiental. Exceto os anteriores

Organização: Luzia Helena dos S. Barros (2011).

1.1.2SITUAÇÃO DA DISPOSIÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS

Benzer Belgeler