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Após a utilização do chuveiro, a água escoa para o ralo sifonado. No encaixe do ralo sifonado com a tubulação que levará a água para ser utilizada nos vasos sanitários dos andares inferiores haverá uma malha de ferro do tipo tela mosqueteira em aço inox com espaçamentos mínimos para a filtragem dos sólidos maiores. Essa filtragem irá reter grande parte dos resíduos sólidos que vem do banho. Estes resíduos, uma espécie de lodo, deverão ser removidos do

41 ralo sifonado pelo próprio usuário do sistema, e depositados no sistema de lixo orgânico do edifício. Com isso o volume de compostos sólidos destinados à rede de esgotamento sanitário a serem eliminados em uma estação de tratamento de esgoto irá diminuir.

A água utilizada no chuveiro seguirá para o reservatório de água destinado para a descarga do banheiro do andar debaixo. Este reservatório destinado ao recebimento da água do chuveiro do andar superior para utilização no vaso sanitário do andar debaixo ficará instalado por dentro da alvenaria do banheiro, ficando visível apenas a válvula de descarga.

A água do banho apresenta aspectos químicos e biológicos especiais e por isso necessita de um tratamento para que possa ocorrer seu reuso. Reforçando o aspecto da esterilidade, seu tratamento é necessário para evitar uma eventual multiplicação de germes e bactérias nas partes mais sensíveis do corpo humano, como os órgãos genitais, que usualmente estão expostos a respingos provenientes dos vasos sanitários (FIORI et al., 2006).

Por isso, para que a água do chuveiro do andar superior possa ser utilizada na descarga sanitária do andar inferior, esta deverá passar por um tratamento.

Os caminhos de tratamento dessa água envolvem, entre outros, um sistema de filtro simples que reterá grande parte da sujeira vinda do banho e de um sistema de desinfecção e conservação que utiliza "cloro orgânico" para garantir a desinfecção e conservação, deixando a água segura para o reuso no vaso sanitário (MOTA et. al.; 2006).

Tal composto será suficiente para combater as bactérias patogênicas, vírus e parasitas causadores de moléstia como as enterites, diarreias infecciosas, doenças epidêmicas como a cólera e a febre tifóide, entre outras. Após o tratamento, a água escoa para o reservatório de água que será utilizado nas descargas sanitárias.

Tanto o reservatório de água para utilização nos vasos sanitários e o local de tratamento da água utilizada no chuveiro do andar superior terão um sistema de boias para evitar que haja um excesso de água no dispositivo. Quando a água utilizada nos chuveiros for para os reservatórios de água para utilização nos vasos sanitários, as boias tanto do sistema de tratamento de água quanto do reservatório de água para utilização nos vasos sanitários

42 estarão abertas. Quando o reservatório de água utilizado para os vasos sanitários encherem, a boia do seu sistema fechará a saída de água do local de tratamento da água vindo do chuveiro. Com isso o sistema de tratamento também encherá e terá sua boia travando o sistema de entrada da água do chuveiro do andar superior.

Caso o reservatório de água para utilização no vaso sanitário e o local de tratamento da água do chuveiro superior estiverem cheios, a água do chuveiro escoará diretamente para a rede de esgoto local conforme figura 5.

Com o acionamento da descarga do vaso sanitário, o esgoto gerado adicionado à água da descarga não passará por tratamento para reuso, e sim irá para o sistema de esgotamento do local.

Sendo a vazão média de um chuveiro elétrico de 3,5 litros por minuto e considerando que cada banho demora 15 minutos, pode-se inferir que cada pessoa gasta 52,5 litros de água por dia com banho. Logo em um mês cada pessoa gasta 1.575 litros de água com banho. Segundo Mota et al. (2006) o gasto mensal de água por pessoa é de 4.500 litros, com isso, o gasto somente com banho é de 35% do total gasto em um mês.

Cada apartamento tem uma média de 3 habitantes e com isso o gasto com banho é de 157,5 litros por dia e 4.725 litros por mês. Sabe-se que o gasto com descargas será de 1.620 litros por mês. Sendo assim, em um mês, a água utilizada no banho encheria o reservatório a ser utilizado nas descargas por 12 vezes. E no mês os vasos sanitários precisariam de pouco mais que 4 reservatórios cheios.

No modelo apresentado sabe-se que há a probabilidade dos moradores do andar de cima não utilizarem o chuveiro, por exemplo, por conta de uma viagem. Sabendo que a capacidade do reservatório de água a ser utilizado em descargas sanitárias é de 393,96 litros, logo se pode dizer que este suportará pouco mais de 7 dias sendo utilizado sem que haja a necessidade de ter água do chuveiro do andar de cima.

Pode-se concluir então que, exceto por uma falta de uso do chuveiro do andar superior por um período maior do que 7 dias, toda água utilizada pelos vasos sanitários no mês, serão água de reuso do chuveiro do andar de cima, o que geraria uma economia de até 1.620 litros de água por mês por apartamento.

43 Em último caso, se faltar água de reuso será utilizada a água da rede de abastecimento de água local, sem assim prejudicar o uso dos vasos sanitários.

Assim como nos banheiros do último andar do edifício, os forros dos banheiros serão revestidos de gesso com uma parte de encaixe para que se possa ter acesso ao sistema de tratamento da água, vinda dos chuveiros dos andares superiores, instalado por dentro da alvenaria. Os moradores dos apartamentos do edifício receberão treinamento adequado para que de semana em semana se faça a adição do cloro orgânico no sistema de tratamento da água dos chuveiros para a descontaminação desta, para que possa ser utilizada nos vasos sanitários.

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Benzer Belgeler