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SONUÇLAR VE TARTIŞMA

Belgede HABERLER / NEWS (sayfa 35-39)

Keywords: Phacelia, Plant Height, Lateral Shoot number, Bloom Number, Bee Number

SONUÇLAR VE TARTIŞMA

Na tentativa de interpretar o momento revolucionário de 1930, Nelson Werneck Sodré foi pioneiro ao afirmar que naquele movimento havia indícios de uma revolução democrático-burguesa.

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Sodré foi autor de inúmeras obras, dentre elas, a Formação da sociedade brasileira (1944), Formação histórica do Brasil (1962), Introdução à Revolução brasileira (1963),

História da burguesia brasileira (1964), Capitalismo e Revolução burguesa no Brasil (1990),

e outras. O marco fundamental nas obras de Sodré referia-se à interpretação dos fatos históricos vinculados a uma orientação marxista.

Militar de carreira, historiador, professor e jornalista, Sodré enfrentou a questão da Revolução brasileira com o objetivo de interpretar e intervir no processo histórico da formação social do Brasil. Para o autor, a Revolução de 30 foi apenas o primeiro desfecho de uma verdadeira revolução democrático-burguesa, cujo efeito, seria postergado para as décadas de 1950 e 1960. O processo desta revolução, segundo Sodré (1990), seria análogo a uma roda quadrada, que vai se arredondando enquanto gira, ou seja, um processo de várias etapas.

A concepção de uma revolução democrático-burguesa foi

Introduzida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) na década de 1920, como projeto político a ser perseguido e referenciado nas formulações de Lênin e da Internacional Comunista de uma revolução democrático-burguesa, antiimperialista e antilatifundiária [...]. A discussão envolveu diferentes compreensões sobre o tempo histórico, os rumos e as particularidades, os protagonistas ou as forças sociais dirigentes, o legado político-cultural, a preocupação com a resolução da questão nacional e fundiária, a via de desenvolvimento do capitalismo, a ampliação da democracia, a extensão dos direitos de cidadania, as relações entre Estado e sociedade civil e as possibilidades do socialismo (SEGATTO, 2006, p. 271).

Deste modo, deveria ocorrer na transição das décadas de 20 para 30, um processo de superação dos obstáculos promovidos pelo latifúndio que, ligado a relações de dependência imperialista, impedia o desenvolvimento nacionalista da nação. Logo, a revolução democrático-burguesa seria aquela idealizada pelo povo brasileiro, com uma ampla mobilização democrática e autonomista.

Sodré (1964) encontrava no grupo estabelecido pelo proletariado, campesinato, pequena-burguesia e alta e média burguesia os integrantes que compreenderia o movimento que, em sua fase histórica, poderia por em curso a revolução democrático-burguesa ligada à superação das estruturas latifundiárias, livrando-se da influência imperialista.

Por outro lado, há inúmeras contradições dentre esses grupos sociais e que, de certa maneira, também representariam interesses divergentes dentro da própria estrutura social ao qual se vinculavam. Isto não significava, para o entendimento do autor, que estas contradições não pudessem ser superadas por outros aspectos, e que, necessariamente, poderiam unificar o

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movimento nacionalista contra o imperialismo, modificando, estruturalmente, na composição do poder.

O que se pretendeu trazer a tona neste tópico foi a tentativa de correlacionar o significado político da Revolução de 30 como um dos primeiros passos de uma revolução democrático-burguesa, onde a manutenção da democracia seria feita de forma autônoma, ou seja, sem intervenção do poder representado pelo imperialismo e pelas relações latifundiárias (pelo menos, na primeira fase do Governo Vargas).

O auge desta revolução ocorreria com a mobilização do povo brasileiro que, mesmo operando contradições dentro da tessitura social, poderia convergir para interesses comuns, de sorte a promover a alteração no poder.

O pensamento político de Sodré, relacionado à formação intelectual pelas tendências comunistas, recebia críticas contumaz em suas interpretações, principalmente quando se aplicava, ao Brasil, práticas e modelos utilizados em outros lugares, sem uma semelhança compatível15.

A relação deste fato, direta com a teoria marxista de revolução, acabava por inspirar todo o pensamento brasileiro de esquerda (PRADO Jr., 1977), elaborado em constantes abstrações, ou seja, em conceitos formulados a priori e sem consideração adequada dos fatos; procurando-se posteriormente, e somente assim – ―o que é mais grave‖, nas palavras de Prado Jr., – encaixar nesses conceitos aprioristicamente estabelecidos e de maneira mais ou menos forçada, os fatos reais (PRADO Jr., 1977).

Nesses termos, não se observava, necessariamente, que o significado político da Revolução de 30 tenha sido de corte democrático-burguês. Isto porque, ao analisar as obras de Sodré, havia uma tendência unificadora que, preliminarmente, demonstrava uma incongruência na estrutura social do país. Esta crítica referia-se à concepção da utilização de uma pequena burguesia que se assemelhasse às camadas médias urbanas.

Estas camadas médias urbanas seriam representadas por intelectuais, estudantes e militares. Embora os militares tivessem desempenhado um papel importante no processo da Revolução, posto que estruturavam as próprias camadas de poder, algumas indagações surgiram se era o tenentismo da década de vinte um movimento portador de uma ideologia de classe média.

Havia, por exemplo,

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A título de exemplificação esta é uma das principais críticas levantadas por Caio Prado Júnior sobre a teoria da Revolução aplicada pelos marxistas.

39 [...] uma diferença substancial entre o desajuste de uma camada social e a condução dos negócios políticos, com a busca de predomínio. A classe média não seria capaz de organizar-se politicamente. [...]. Aqui, porém, a engenhosa combinação aponta para rumos diversos, mais tarde confirmados: as reivindicações da classe média reclamariam proteção e amparo, não atendimento ou representação, numa realidade que autonomiza o Estado, condutor e agente econômico da sociedade (FAORO, 2001, p. 758).

Esta questão também foi enfrentada por Fausto (1987, p. 68), que concluiu, de certa maneira, que ―o caráter ‗elitista‘ da ideologia dos ‗tenentes‘ transcende os limites da crítica antiliberal e se insere na linha geral de pensamento das classes dominantes na época‖. Se a intenção dessas classes/setores eram, de fato, promover uma revolução democrático-burguesa, tal qual apresentada por Sodré, restaria a observação da incongruência analítica, quando o resultado do processo foi respaldado no elitismo e centralização de poder como traço essencial no pós-revolução.

Uma concepção que também decorria dessa relação aparecia nos trabalhos em que, tanto marxistas quanto não-marxistas faziam, ao utilizarem metáforas de uma dualidade na sociedade, de modo a demonstrar uma oposição fundamental entre o velho (arcaico, atrasado, semi-feudal ou tradicional) versus novo (moderno, adiantado, capitalista), esclarecendo Borges que ―a República e a revolução de 1930 são examinadas à luz dessas oposições. A maior discussão entre os intelectuais marxistas era sobre a efetivação de uma revolução burguesa no Brasil, ou seja, pretendia-se determinar quando e como o país se tornou capitalista‖ (BORGES, 2001, p. 173).

Pensar a formação do Brasil contemporâneo na década de 1930 (ou seja, levando em consideração sua história política, econômica e social passada) envolvia a análise de múltiplos fatores. Dentre eles destacavam-se os efeitos do legado da escravidão, a questão cafeeira, o impedimento de se avançar em direção à modernização das instituições políticas, a questão cultural e a miscigenação do povo propriamente dito; tais fatores se transformavam em tópicos correntes da agenda interpretativa dos dilemas brasileiros.

Um destes tópicos tenderia a analisar o ponto de tensão na formação social brasileira que corresponderia ao dualismo das sociedades coloniais. Para Boris Fausto, representante de uma concepção de dualismo, os elementos centrais deste modelo podiam ser resumidos da seguinte forma: ―na formação social do país, existiria uma contradição básica entre o setor agrário exportador, representado pelo latifúndio semifeudal, associado ao imperialismo, e os interesses voltados para o mercado interno, representados pela burguesia‖ (FAUSTO, 1987, p.09).

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Para a tese dualista16 o significado político da Revolução de 30 seria a eclosão de forças sociais e econômicas que, ao entrar em convergência, se polarizariam entre as perspectivas de um passado agrário (com características semifeudais ou com as limitações do subdesenvolvimento) versus um modelo moderno, urbano-industrial. Desta forma, a concertação e a arquitetura política precisavam contemplar novos arranjos, configurar nova hegemonia, o que deflagrava na disputa pelo controle do Estado, uma ―crise entre as oligarquias‖.

Neste grupo de interpretações, entretanto, aparecia uma contradição explicativa, evidenciado primeiro pela inconsistência da alegação de que no Brasil havia estruturas semifeudais (ponto dilemático e divergente entre os autores), segundo, por não representar a Revolução de 30, necessariamente, uma forte polarização que resultaria em um conflito de classes. Logo, autores como Fausto (1987) e Martins (1982), por exemplo, compreendiam que não seria possível afirmar que o episódio político de 1930 fosse produto de uma oposição de classes (ponto este essencial para a tese do dualismo).

Em relação à primeira inconsistência neste modelo, decorrente da ideia de que o setor agrário, representado pelo latifúndio, teria características semifeudais, a literatura apresentou inúmeras críticas (MARTINS, 1982; FAUSTO, 1987; GOMES, 1979, etc.)17. Um dos principais expoentes e críticos deste tipo de interpretação fora Caio Prado Júnior18, que se reportava à prática de se aplicar ao Brasil modelos utilizados em outros lugares como se aqui houvesse, no mínimo, uma semelhança compatível. O resultado desta ação defendia a construção da teoria da Revolução Brasileira em modos de elaboração teórica às avessas. A desconfiança no método e as dificuldades encontradas no cotidiano brasileiro refletiam a prática imediatista de militantes políticos que ―se inclinam de preferência, em geral, para a ação mais que para o pensamento e reflexão acerca dessa ação e sua crítica teórica‖ (PRADO Jr., 1977, p. 30).

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É importante realçar as interpretações de Celso Furtado (Formação Econômica do Brasil) com a interpretação do dualismo estrutural existente na sociedade brasileira. Para o autor, o argumento teórico do dualismo é encontrado com a oposição entre as estruturas econômicas e sociais observadas no campo e nas cidades, tal qual observado na década de 1930, onde há um processo de industrialização ao mesmo tempo em que há estruturas agrárias representadas pelo latifúndio. Ao analisar o período da Revolução de 1930, a análise de Furtado leva em consideração a questão econômica da desagregação da vocação agrária brasileira. Por fim, impende salientar que a teoria econômica começa a categorizar, a partir de 1930, o termo subdesenvolvimento, como base para a

questão da modernização no Brasil. 17

Essas análises sobre a questão feudal só é compreensível quando referido ao sistema capitalista mundial, posto que a realidade da economia brasileira no período se distancia completamente da experiência européia e asiática. 18

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Para o autor, completando, desta feita, sua perplexidade em relação a como o tema da revolução tinha sido tratado no Brasil, a ineficiência deste modelo seria tributária de uma tendência de aceitação compassiva, sem maiores indagações, demonstrando apenas uma defeituosa e deficiente aprendizagem inicial. De fato, um dos principais exemplos oferecidos por Prado tratava-se da possível experiência da chamada revolução agrária, na tentativa de neles superar a etapa ―feudal‖ que, em maior ou menor grau, ainda se encontrava no país (PRADO Jr., 1977). Para o autor, um dos problemas apresentados por essa interpretação era que se presumia:

[...] desde logo, e sem maior indagação, que no Brasil o capitalismo foi precedido de uma fase feudal, e que os restos dessa fase ainda se encontravam presentes na época atual. E partiu-se dessa presunção para ir à procura, nas instituições vigentes, de alguma coincidência entre os fatos observados e o esquema presumido (PRADO Jr., 1977, p. 37).

Esse exemplo demonstraria a prática usual dos teóricos da revolução brasileira que, inspirados em bases socialistas – marxistas,

Apanham-se coincidências, despreza-se o resto, e recompõe-se com isso uma descrição das condições econômicas, sociais e políticas que apresenta alguma correspondência aparente com os padrões escolhidos. As dificuldades começam quando se procura levar à prática esse esquema artificial e do fato puramente imaginário (PRADO Jr., 1977, p. 31).

Na obra A Revolução de 1930: historiografia e história de Boris Fausto (1987), o autor também apresentava sua crítica sobre o modelo explicativo que considerava que a Revolução de 30 seria fenômeno do dualismo da sociedade.

Embora este dualismo fosse tributário de correntes analíticas importantes, rearticuladas com o paradigma de países centrais versus países periféricos (na qual o Brasil se inseria) e da questão da dependência propriamente dita, o modelo não explicava, necessariamente, os fatores reais do episódio político. Isto porque, como destacava Fausto, havia,

[...] no plano interno, inúmeros problemas estavam em aberto – fricções entre grupos cafeeiros, opções da política financeira, papel de certos setores pouco estudados, como o grande comércio importador etc. – cuja elucidação é necessária para se romper o círculo de constatações verdadeiras, mas insuficientes pela sua generalidade, do tipo ‗Estado representante da burguesia do café‘, ‗país dominado pelas oligarquias‘ (FAUSTO, 1987, p. 10).

Os problemas internos, como foram apresentados por Fausto, por exemplo, não traziam a tona elementos que pudessem identificar algo semelhante com o sistema feudal

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(sistema este inexistente no Brasil). A realidade brasileira se apresentava mais como um processo de conflito político-ideológico do que necessariamente de uma crise decorrente da estrutura semifeudal.

Ultrapassada a primeira crítica ao modelo de dualismo, surgia um segundo desdobramento com base na tese do conflito de classes19. Embora não se possa negar a existência de disputas entre o setor agrário e o industrial das classes dominantes, como apontava Fausto (1987) e Weffort (1968), entre outros, não seria plausível a afirmação de que a Revolução de 1930 fosse um conflito entre esses dois setores pelas dominações hegemônicas do poder.

Para uma melhor compreensão do movimento revolucionário convém destacar alguns traços da formação social brasileira para observar a inconsistência relativa deste modelo (FAUSTO, 1987).

Nesta formação, onde o Estado se alinha às dinâmicas do sistema liberal (econômico e político), houve espaços para um dirigismo, um intervencionismo estatal nas relações sociais. Na década de 1920, esta intervenção tornava-se evidente, principalmente, quando se observava que, ―no momento de expansão inflacionária e das dificuldades do incremento industrial, a classe média, volta-se para o governo, pedindo providências contra a carestia e para obter favores à expansão da indústria‖ (FAORO, 2001, p. 757).

As diferenciações entre os dois setores, o agrário e o industrial, tidos pela tese dualista como conflitantes, não se aplicaria à realidade nacional da época. A camada média da sociedade, sem ter condições objetivas de aspirar ao comando político do país,

Reclama não um papel próprio, mas o abandono de um Estado não intervencionista, preocupado apenas em atender as reivindicações do café – talvez menos dos produtores do que dos financiadores e exportadores. O empresário agrícola, dedicado ao café, o criador de gado, ao se emanciparem do credor urbano e do financiador de safras, exportações e custeio da fazenda,

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Preliminarmente, impende salientar a dificuldade em conceituar e estabelecer limites para o que veio a ser denominado ―classes sociais‖, em especial, nas décadas de 1920 para 1930. Para longe de um levantamento exaustivo na literatura sobre essa dificuldade, pretende-se apenas abrir um ponto de ressalva neste capítulo com o objetivo de atentar o leitor que o presente trabalho não ignora as dimensões metodológicas que a expressão tem assumido tanto nas ciências sociais quanto na economia. Reconhecendo a dificuldade, Fausto (1987, p. 53) afirma que o conceito ‗classes médias‘ ―é empregado como sinônimo de ‗classes médias urbanas‘, pois é inviável falar de um comportamento político significativo dos setores intermediários do campo, na crise da Primeira República e mesmo em anos posteriores, dada a indiferenciação de tais setores, como classe, no Brasil‖. (Virginio Santa Rosa). Em que se pese a grande referência ao termo classe social, muitas interpretações se davam na origem marxista do termo, representativa do conflito entre capital e trabalho. Entretanto, o termo classe social também aparecia como setores sociais que vão ganhando identidade, demandas de interesses e se formando enquanto grupo político de pressão e que, não necessariamente, estavam ancorados na tese do conflito capital versus trabalho.

43 conseguiram articular pretensões e reivindicações próprias, sem o fomento estatal, embora provocando, em seu favor, medidas governamentais. Tinham, desta sorte, reservas capazes de resistir ao comando de cima, sem se amesquinharem à dependência, submissão ou à tutela (FAORO, 2001, p. 757).

O argumento privilegiado e que, de certa forma, pode ser aplicado à burguesia industrial na década de 1920, correspondia à inviabilidade deste segmento produzir uma defesa de seus interesses, bem como, formular um projeto de desenvolvimento. Isto porque, em que pese a necessidade de industrialização, a realidade do país demonstrava uma grande superioridade da produção agrícola com destaque na economia brasileira.

Por outro lado, isto não significava necessariamente, que a burguesia industrial não possuía condições efetivas de formular uma plataforma de desenvolvimento que atendesse suas demandas e configurasse seus interesses.

Inúmeros são os trabalhos que enfrentaram o problema do setor industrial entre as décadas de 1920-1930. Trabalhos clássicos como os de Celso Furtado (Formação Econômica

do Brasil, de 1959), Francisco Weffort (Classes populares e política, de 1968), Boris Fausto

(A Revolução de 1930: historiografia e história, de 1987), Ângela Maria de Castro Gomes (Burguesia e Trabalho, de 1979; Regionalismo e centralização política, partidos e

constituinte nos anos 30, de 1980) e teses de doutorado, como a de Vera Alves Cepêda

(Roberto Simonsen e a formação da ideologia industrial no Brasil – Limites e impasses, de 2004), apontam para o imbróglio enfrentado pelo processo de industrialização no período.

Nesse mesmo sentido, Faoro afirmava que o empresário industrial não gozara do mesmo status do empresário agrícola:

[..] para sobreviver, meramente para sobreviver [...] precisou, dramaticamente muitas vezes, de estímulo oficial, em regra concedido com relutância. A cúpula industrial só no final da década de 20 consegue criar grupos de pressão, embora se deva recordar que, no mundo paulista, agora líder do movimento industrial, maior fosse sua expressão autonômica. Ainda depois de cinquenta anos, esse setor, que se tornará o setor dinâmico e condutor da economia, será um prolongamento do oficialismo, pregando a iniciativa privada protegida, modalidade brasileira do liberalismo econômico (FAORO, 2001, p. 757).

Devido à natureza deste tópico, que se rearticula frente ao campo político da ação das elites, tanto agrárias quanto industrial, o resultado das principais pesquisas levantadas apontam que a Revolução de 1930 ―não foi um movimento que tenha conduzido a burguesia industrial à dominação política‖ (FAUSTO, 1987, p. 50).

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Nesse sentido, Fausto (1987, p. 102) vislumbrava ainda que o impulso do movimento revolucionário que estavam à frente do desmoronamento do governo Washington Luís ―compõem-se com a classe dominante de uma região cada vez menos vinculada aos interesses cafeeiros (Minas Gerais) e de áreas deles inteiramente desvinculadas (Rio Grande do Sul e Paraíba), contando com a adesão de uma parcela ponderável do aparelho militar do Estado‖.

Assim, o que se podia observar nesse processo foi que o ponto alto da Revolução de 30 não representou, via de regra, uma crise instaurada pelo conflito de classes (agrário versus industrial), posto que, no final, nem um nem o outro obtiveram êxito imediato (dominação e representatividade no poder) e, por decorrência, o elemento semifeudal em nada colaboraria para a compreensão do fato histórico (FAUSTO, 1987).

Em que pese essa reflexão, foi plausível reconhecer que o setor cafeeiro durante toda a Primeira República construiu uma hegemonia no poder. No pós-1930, o café ainda exercia grande importância no setor agrícola brasileiro, sendo responsável por significativas exportações (limitados, necessariamente, pelas condições econômicas experimentadas tanto em 1929, quanto pelo aumento da concorrência no mercado externo).

Se Boris Fausto compreendia que com a Revolução de 30 as classes de dominação não correspondiam ao setor cafeeiro e se aproximavam do aparelho do Estado com a colaboração dos militares (o que para alguns autores, corresponderia a uma revolução das classes médias), o próprio autor reconhecia que ―o momento em que se dá a representação política específica das classes médias, pela ‗potência governamental vinda do alto‘, é muito posterior a 1930; o momento de sua ascensão ao poder não é 1930, nem qualquer outro episódio da História brasileira‖ (FAUSTO, 1987, p. 85), ou seja, a força hegemônica do país continuava a ser exercida por uma velha classe dominante que, entretanto, encontraria novos desafios20.

1.2.2 Rupturas e/ou re-acomodações entre elites: descontinuidades e continuidades pós-

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Benzer Belgeler