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5. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

5.1. Sonuçlar

à medida que se avança pelo caminho que conduz do portão até a casa, a data inscrita na fachada reaparece por trás das barbas de velho que pendem do velho pinheiro. Foi a partir daquele marco, 1821, que procurei conhecer a história da região e reconstituir trajetórias familiares que são únicas, mas ao mesmo tempo tão características da sociedade brasileira. Resta agora voltar o olhar para a velha sede.

Pode-se imaginar que a casa primitiva, provavelmente tosca, tenha sido erguida pelos colonos suíços na Chácara dos Inhames no ano de 1821. Ao adquirir a propriedade na década de 1850, o casal José Antônio Marques Braga e Josephina Salusse, habituado à vida urbana, não teve interesse em morar no lugar. Nada indica que a chácara tenha recebido melhorias, e pode-se supor que a compra da terra tenha sido apenas um De volta à Chácara do Paraíso,

investimento imobiliário. A situação não deve ter se alterado quando a viúva Josephina se casou pela segunda vez com Galiano das Neves, ainda mais tendo ficado definido que a chácara caberia por herança a Augusto, filho dela e de José Antônio. Mas a partir do momento em que Augusto se casou com Zinha, em 1870, a situação começou a mudar. Foi provavelmente então que a casa foi reformada ou refeita e assumiu seu aspecto atual, embora ostentando a data antiga.

O estilo de vida de Augusto e Zinha Braga denotava uma visão do campo como espaço de lazer. A dedicação de Augusto à criação de ca - valos de corrida, que o levou a participar da organização do Jóquei Clube de Nova Friburgo, é também indicadora do seu perfil. Foi jus- tamente na segunda metade do século XIX que os esportes passaram a fazer parte do cotidiano da elite brasileira. Até então, a sociabilidade tendia a se restringir ao espaço privado e aos rituais do calendário religioso. Mesmo no Rio de Janeiro, eram escassos os espaços ao ar livre capazes de proporcionar uma convivência pública. Só a partir dessa época, com a difusão dos esportes ingleses como práticas de civilidade, começou um processo de valorização das atividades físicas que produziria, já no início do século XX, a figura tão prezada do

sportsman. No Rio de Janeiro, o turfe passou a fazer parte do cotidiano

da elite a partir de 1850, em pistas localizadas na Quinta da Boa Vista onde os ricos comerciantes promoviam corridas. Em 1886 já havia quatro hipódromos na cidade, com grande movimento de apostas, e circulava uma revista especializada chamada O Jóquei. O turfe, mais que um entretenimento, era um emblema da posição social de seus pra - ticantes. Assim como os demais esportes, era visto como uma “novidade civilizadora”.1

Um documento conservado por Valter Neves revela muito da memória familiar sobre o casal Augusto e Zinha. Embora não seja assinado, tudo leva a crer que o autor do texto, intitulado “Nossas raízes”, seja um dos filhos de Juquinha, por sua vez filho de Augusto. Segundo esse neto, Augusto, que “cavalgava como mocinho de cine- ma”, faleceu aos 46 anos vítima de impaludismo, contraído na Baixada Fluminense, por onde passava com freqüência em viagens ao Rio de Janeiro. A partir de sua morte, o Tio Juca, irmão de Augusto,

1 Sobre o processo de adoção das práticas esportivas na sociedade brasileira, e mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro, ver Gilmar Mascarenhas de Jesus, Da cidade colonial ao espaço da modernidade: a intro- dução dos esportes na vida urbana do Rio de Janeiro, Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 13, n. 23, 1999.

que nunca se casou, “assumiu a responsabilidade de orientar a edu- cação dos cinco sobrinhos”, aos quais sempre deu assistência. Ainda segundo sua lembrança, “Vovó Zinha, que deu vida à Chácara do Paraíso, então chamada Chácara da Dona Zinha, era um doce de coco, adorada por todo mundo”. Essa avó sociável tinha hábitos curiosos: “Sempre que ela ia ao Rio, levava um cartão postal já escrito com as boas notícias da viagem; era só jogar na caixa do correio.” Ou ainda: “Ao chegar à estação, ia procurar o maquinista para recomen- dar que fosse bem devagar!”

Também Beatriz Getulio Veiga guarda a memória de “uma mulher interessantíssima” e relembra a seguinte história: “A casa dela na cidade era animadíssima, sempre cheia, todo mundo comia, todo mundo dançava, todo mundo animava. Um dia chegou um turista em Friburgo e foi para um hotel. Via o movimento naquela casa, entra gente, sai gente, e disse assim: ‘Da próxima vez que eu vier não vou mais ficar neste hotel, não. Vou para uma pensãozinha ali na praça que é muito animada’...”

O inventário de Augusto, feito em 1895,2 permite entrever as

melhorias introduzidas naquela que era a casa de campo da família, já que a seu lado figurava também uma casa de moradia na cidade de Nova Friburgo. Pelo documento, ficamos sabendo que, nas salas de jantar e de visitas da Chácara de D. Zinha, havia quatro bancos de madeira; um aparador com pedra mármore; uma mesa elástica para jantar; 12 cadeiras austríacas; um guarda-louça; um guarda-comida; uma mobília composta de sofá, duas cadeiras de braço, seis cadeiras pequenas e suas costas, tudo de vime; uma mesa de centro redonda de madeira; dois consoles com pedra mármore; um espelho grande; um armário; quatro jarros de porcelana; dois lampiões; um lustre na sala de visitas; um dito na sala de jantar; um relógio de parede; sete quadros; diversas louças e cristais; um armário de vidro. No primeiro quarto, havia uma cama de madeira, um lavatório com pedra már- more e outra cama de madeira; no segundo, uma cama de madeira, uma cômoda, um lavatório com pedra mármore, um cabide, dois quadros, uma mesa pequena de madeira; no terceiro, uma cama de madeira, uma marquesa de madeira, um lavatório com espelho.

Quem, hoje, percorrer a casa com essa lista em punho certamente reconhecerá os itens arrolados. Para a época, porém, o cômodo que mais chama a atenção é a sala de visitas, cujo mobiliário denota o hábito de receber convivas. Mas o inventário de Augusto traz ainda outras informações importantes. Os bens listados, situados em Nova Friburgo e no Rio de Janeiro, mostram que, a despeito da formação recebida na Escola de Comércio em Paris, Augusto não se dedicou a atividades comerciais ou industriais e limitou-se a investir em peque- nas propriedades próximas do centro de Nova Friburgo. Na verdade, Augusto e seu irmão Juca sempre viveram de rendas.

Tudo indica que após a morte de Zinha Braga, em 1914, a chácara foi conservada sem alterações, mas também sem viço, por seu filho Gugusto, que assumiu sua administração. Foi a partir de 1936, com os novos donos Pequenina e Vicente de Moraes, que a propriedade se tornou a Chácara do Paraíso, da qual usufruíram seus filhos, Augusto, Vicentinho, Elsa e Cláudio, e de que hoje se ocupam seus netos – entre os quais me incluo – e bisnetos. Lá está conservada a biblioteca de Vicente, onde, além de livros, há caixas contendo cartas antigas que permitem reconstituir velhas histórias. Lá viveu seus últi- mos anos Pequenina, a Memé de seus netos, que gostava de contar as “histórias do tempo antigo”.

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Nascimento de Manoel de Moraes Coutinho em Vila do Touro, na Beira Alta, Portugal.

(década de) Vinda de Manoel de Moraes Coutinho para o Brasil, onde se torna propri- etário da fazenda Cataguases, na freguesia de Prados, termo da vila de São João del Rei. Início da exploração do ouro

nas Minas Gerais.

Criação da Intendência das Minas.

Benzer Belgeler