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6. SONUÇ VE ÖNERİLER

6.1. SONUÇLAR

Tendo a definição do local de pesquisa, aconteceu a apresentação do projeto aos(às) professores(as) pertencentes à Comunidade de Aprendizagem Adélia Prado, momento em que definimos, coletivamente, em qual das salas de aula a pesquisa seria realizada.

Uma professora em especial manifestou interesse pela temática de estudo; ela era professora, naquele ano, de uma turma de primeiro ano do ensino fundamental de nove anos. Importante destacar que, enquanto pesquisadora, eu desenvolvia atividades de voluntariado durante o semestre anterior, junto à turma da professora que ofereceu-se para participar da pesquisa.

Após a definição da sala de aula, apresentou-se a intenção de desenvolvimento da pesquisa aos familiares e estudantes da turma, durante uma das reuniões bimestrais que acontecem na escola. Nessa apresentação, todos os familiares permitiram que seus filhos ou suas filhas participassem da pesquisa e tais estudantes também aceitaram participar. Contudo, sobre o fato de pelo menos uma pessoa da família da criança também participar do processo de coleta de dados, duas pessoas disseram que, apesar do interesse, não poderiam participar em função de suas rotinas diárias de trabalho e de atividades pessoais.

O passo seguinte foi o de apresentar a proposta e convidar o voluntário e a voluntária que se relacionavam com a turma para também participarem da pesquisa, os quais também aceitaram.

Diante disto, definiu-se de modo mais concreto que a pesquisa seria desenvolvida junto a uma única sala de aula, englobando na análise a professora, os(as) estudantes que demonstraram interesse em participar e que foram autorizados por seus respectivos responsáveis, os familiares destes(as) que também demonstraram interesse e

o e a voluntário(a) que participam do Grupo Interativo21 nessa sala de aula. Diante disto participaram da pesquisa trinta e seis pessoas, sendo: dezessete alunos(as), quinze familiares, uma professora, um voluntário e uma voluntária, bem como a pesquisadora.

Sendo assim, podemos dizer, de maneira geral, que a caracterização dos(as) participantes da pesquisa é a seguinte: estudantes de uma turma do primeiro ano do Ensino Fundamental de nove anos, composta por dezessete crianças dentre a faixa dos seis aos sete anos de idade, sendo desses dez meninas e sete meninos, a grande maioria moradores do mesmo bairro em que se localiza a escola e de bairros vizinhos. E um familiar de cada estudante, na maioria mães e alguns pais.

A partir dos relatos comunicativos de vida com a professora e o voluntário e a voluntária de grupos interativos na sala pesquisada, foi possível traçar mais especificamente quem eram essas pessoas e suas motivações e análises com a temática da diversidade na escola.

A professora22, de trinta e dois anos, há doze exercia essa profissão, sendo onze na rede pública de ensino do município de São Carlos. Filha única, solteira, pertencente a uma família de classe popular, trabalhava desde 2006 na Comunidade de Aprendizagem Adélia Prado. Ao longo de sua vida, por conta das mudanças de trabalho do pai, morou em diferentes cidades, o que julga ser algo positivo pela oportunidade de conhecer muitas pessoas diferentes, em diferentes momentos de sua vida. Há onze anos estava em São Carlos, cidade escolhida por acreditar haver mais oportunidades de emprego que em cidades menores, pelas quais já passara com a família.

Sobre seu inicio de carreira, com formação no magistério, a professora afirma que a questão da diversidade sempre se fez presente, principalmente pelo fato de ser negra e pelas interações que outras pessoas tinham em relação a ela e a estudantes

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O Grupo Interativo acontece uma vez por semana na sala de aula e tem por objetivo reforçar a aprendizagem e potencializar o domínio do conteúdo escolar, bem como estimular o trabalho coletivo e a troca de saberes. Tal atividade se dá organizando os(as) estudantes em pequenos grupos heterogêneos, ou seja, são formados grupos que contemplem critérios como: rendimento escolar, gênero, etnia, etc., não separando-os, mas, ao contrário, colocando-os para conviver e compartilhar momentos de aprendizagem. A turma é dividida em 4 ou 5 grupos conforme o número de crianças e é dada a cada grupo uma atividade que devem resolver dentro de 15 a 20 minutos; desta forma, durante 1 hora e meia, aproximadamente, acontecem 4 ou 5 atividades diferentes concomitantemente e todas as crianças fazem estas atividades, as quais são formuladas pelo(a) professor(a) da turma como forma de treinar, para ter maior domínio, de um conteúdo trabalhado anteriormente em sala de aula. Para a realização do grupo interativo o(a) professor(a) conta com o apoio de uma pessoa adulta ou criança mais velha (familiar, colaborador(a) ou outro profissional) em cada grupo, que são os(as) voluntários(as) – o número de voluntários/as corresponde ao número de grupos formados na sala de aula. Cabe a esta pessoa coordenar a atividade no grupo, estimulando a interação entre as crianças e a ajuda mútua.

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Embora ainda não tenhamos descrito os caminhos da coleta de dados e de análise dos mesmos, adiantamos alguns deles aqui, para que se possa conhecer um pouco mais sobre os(as) participantes da pesquisa, com quem fomos consensuando, dialogicamente, o percurso da pesquisa.

negros com quem convivia na escola. Por diversas vezes, presenciou momentos de interações preconceituosas e racistas, como de não ser reconhecida como professora pelo fato de ser negra, sendo vista como uma funcionária da limpeza do estabelecimento. Situações como esta a indignavam e a incomodavam, ao mesmo tempo em que a paralisavam, por não saber como (re)agir.

Quando em 2000, assumiu classe na rede pública de São Carlos, ao mesmo tempo, a professora também iniciou seu curso de pedagogia, na Universidade Federal de São Carlos. Fato que ela indicou como importante, pois pôde relacionar o que vivia e exercia na prática docente, com o que estudava na graduação, segundo seu depoimento.

De acordo com a professora, foi por volta de 2003 que começou a compreender alguns aspectos sobre a diversidade nas relações interpessoais, decorrente de uma disciplina de Currículos e Programas que cursou na universidade, refletindo como o currículo influencia na formação dos(as) estudantes – suas visões de mundo; como ser menino e menina; questões raciais, etc. Desde então, a professora diz que passou a intensificar suas reflexões sobre o currículo e a diversidade, chegando a desenvolver, de 2007 a 2008, uma pesquisa de mestrado, aprofundando os estudos relacionados às questões raciais diante do currículo escolar.

Assim, a participante professora carregava consigo características e histórias que, a nosso ver, colocavam-na como pessoa especialmente envolvida e compromissada com o trabalho com a diversidade na escola, tendo, para tanto, não apenas uma experiência de vida refletida, mas também articulada com conhecimento teórico sobre a temática.

Sobre os dois voluntários que participaram da pesquisa, ambos eram universitários da UFSCar, mas de cursos distintos: um era estudante de Pedagogia e a outra era estudante de Engenharia de Materiais.

O primeiro ingressou na Pedagogia aos trinta e cinco anos e vivenciou, além do papel de voluntário, a experiência de estagiar nessa mesma turma. Era pertencente a uma família moradora de zona rural num pequeno município próximo de São Carlos. Sobre seu ingresso “tardio” na universidade, diz:

(...) fiquei afastado da escola, na verdade eu tive duas interrupções. A primeira se deu quando eu terminei a oitava série em 85, depois 86 eu fui fazer o primeiro colegial ai eu tive uns problemas, assim, problemas de saúde, de visão. Eu tive miopia, eu não queria usar óculos de jeito nenhum e ai com isso eu reprovei este ano e tal e depois eu só retomei em 92 aí em 94 eu terminei o ensino médio, depois eu fiz o técnico, dois (2)

anos de técnico em contabilidade, 96. Depois de 96 eu só fui retomar em 2003 aqui quando eu vim fazer o cursinho aqui na Federal, mas neste tempo todo eu sempre estava lendo e acho que assim a leitura foi fundamental para eu ter entrado, ter passado no vestibular e estar sempre bem informado, não pelo fato de estar fora da escola.

Ao falar da diversidade na escola, tal estudante recorre muito às lembranças de sua infância, de seu período de alfabetização e diz que nessa época não via a presença da diversidade e se esta existia, passava como despercebia aos seus olhos. Atualmente, diz ver a presença da diversidade na escola, mas seu olhar se restringe ao âmbito da inclusão de estudantes com deficiências físicas.

A outra voluntária, de vinte e um anos, estudante de Engenharia de Materiais, era de família originariamente japonesa, sendo a segunda filha de um grupo de três irmãs. Dizia que sua família prezava muito a educação, por acreditar que é por meio dela que se consegue um bom emprego e melhores condições de vida. Relaciona esse peso dado por sua família à educação, pelo fato de seus avôs serem imigrantes e terem sofrido muito com a estabilização no Brasil. Pelo fato de pertencer a uma família que mantém costumes e pensamentos muito ligados à origem nipônica, a voluntária diz vivenciar muitas situações em que é vista e tratada de maneira diferente, ao ponto de ser estigmatizada e sofrer desigualdades. Também disse sofrer muito com alguns ideais de sua família, como a não aceitação de relacionamentos amorosos com pessoas que não são de origem nipônica.

A estudante dizia acreditar que é na diversidade que nos fortalecemos enquanto seres humanos, fato que a faz acreditar no papel de voluntariado, vislumbrando que sua inserção na sala de aula trazia um elemento a mais para a aprendizagem das crianças, assim como elas a faziam aprender muitas coisas.

Quanto às crianças participantes e aos seus familiares, houve variação de grau de envolvimento segundo a técnica de coleta utilizada. Pelos próprios objetivos e limitações operacionais que fomos encontrando, sua definição foi sendo realizada ao longo do processo de coleta. Por isso, sua participação será indicada mais detalhadamente no próximo item.

3.2.4. O desenvolvimento da pesquisa e as decorrentes definições

Benzer Belgeler