A expressão capital social é muito mencionada nos artigos de Nahapiest e Ghoshal (1998), Kay e Pearce (2003), Marteleto (2004) e Régis (2005) sobre redes sociais, por isso é necessário esclarecer os diversos entendimentos. Alguns teóricos das redes sociais enfatizam os benefícios pessoais, tais como: progressão na carreira,
privilégios no acesso a conhecimento e informação, oportunidades preferenciais para novos negócios, reputação, influência e uma melhor compreensão das normas sociais do grupo como um bem do qual os indivíduos se apropriam. É quase impossível detalhar os diversos entendimentos sobre capital social, mas vale salientar alguns autores. Putnam (1995) reconhece que o capital social está relacionado com o engajamento cívico. A união das comunidades depende do relacionamento social, reconhecimento das normas de comportamento e confiança. Ele afirma que esses componentes constroem o capital social em comunidades e que é necessário para melhorar a qualidade de vida, o engajamento cívico e o desenvolvimento da comunidade. Kay e Pearce (2003), citando Bourdieu (1986), mostrou que o capital social caminha lado a lado com o capital econômico e cultural e pode fazer parte das estratégias dos indivíduos e grupos para produzir mais capital social e/ou converter isso em outras formas de capital social. Hirschman citado por Kay e Pearce (2003), usa o termo “energia social” e sugere que o termo seja composto de três componentes – “amizade”, enfatizando o impacto pessoal do capital social; “ideais”, os quais podem levar a compartilhar idéias baseadas em valores; e “idéias”, as quais levam grupos e indivíduos a apresentarem novas soluções para os problemas.
O capital social pode ser desdobrado em cinco elementos que facilitam o entendimento e se tornam aplicáveis no dia a dia das pessoas: redes sociais e reciprocidade (Dimensão estrutural), normas compartilhadas (Dimensão cognitiva) e confiança e comprometimento (Dimensão relacional) (KAY; PEARCE, 2003). O conteúdo transacionado na dimensão relacional do capital social e as normas compartilhadas são o foco deste estudo.
Algumas implicações são necessárias para a construção do capital social, tais como: a construção de uma consciência sobre o capital humano no sentido de reforçar os valores desenvolvidos na comunidade, incentivar as redes sociais, formar grupos de apoio comunitário para ajudar na tomada de decisão, encorajar as interações sociais, especialmente em áreas desprivilegiadas onde o capital social pode ser pouco observado; construir infra-estrutura comunitária que suporte e promova o desenvolvimento do capital social local, compensando os baixos níveis de capital humano. O baixo nível de capital humano entende-se como o capital intelectual, em que haja pouca escolaridade entre o grupo(KAY; PEARCE, 2003).
Não se deve confundir o capital social com capital humano. Capital humano abrange as habilidades e conhecimentos dos indivíduos que, em conjunto com outras
características pessoais e esforços despendidos, aumentam as possibilidades de produção e de bem-estar pessoal, social e econômico. Já o capital social, é definido como as normas, valores, instituições e relacionamentos compartilhados, que permitem a cooperação dentro dos diferentes grupos sociais ou entre eles. É gerado a partir desses relacionamentos e depende da interação de pelo menos dois indivíduos (Régis, 2005).
O capital social é um recurso neutro e suas conseqüências podem ser negativas ou positivas, dependendo de como é utilizado, com a possibilidade de excluir ou incluir indivíduos ou grupos, dentro de uma rede. Um esforço para garantir o equilíbrio entre os laços que unem e os que separam o capital social gera um maior equilíbrio, considerando que muita união pode levar à exclusão e muitas pontes podem levar a uma diminuição da coesão do grupo (KAY; PEARCE, 2003).
Esses conceitos de capital social auxiliam na busca da eficiência no trabalho, numa sociedade econômica. É importante reconhecer o que se propõe do capital social, pois esse reconhecimento pode levar a um uso ativo como recursos para dentro da comunidade.
A confiança entre os indivíduos é um elemento chave do capital social, pois quanto mais se desenvolvem mais dão resultados, possibilitando maior entendimento de como as pessoas estão interagindo. A identificação do comprometimento dos indivíduos possibilita a geração dos benefícios do capital social. Essa idéia certamente não é nova, mas faz as pessoas pensarem sobre isso e entenderem a importância e a utilidade do capital social; sem dúvida é uma nova forma de disseminar esse conceito.
A sociologia norte-americana tem utilizado o conceito de capital social para demonstrar a importância das redes sociais informais na construção de relações sociais nas quais interesses pessoais e coletivos se imbricam. O conceito de capital social surgiu no âmbito dos estudos das redes sociais. Granovetter (1973) foi um dos autores que mostrou os recursos disponíveis, através dos contatos ou conexões de uma rede de relacionamentos na sua obra “The Strength of Weak Ties”.
Entender como se constitui o capital social leva à otimização dos recursos disponíveis
facilitando o desenvolvimento, visto que pelas redes sociais passam informações e conhecimentos. As relações entre os membros podem ser facilitadas pela ligação entre eles. A cooperação entre seus membros é afetada pelo baixo custo na obtenção e processamento da
informação, gerando redes entre indivíduos similares do ponto de vista de suas características demográficas, neste caso, capital social de ligação (MARTELETO, 2004).
Outras formas são capital social de ponte que amplia a rede com outras comunidades e capital social de conexão que identifica os laços com indivíduos que estejam em posição de autoridade, isto é, podem intermediar recursos adicionais para o desenvolvimento da comunidade. (MARTELETO, 2004). No conceito de capital social de ligação e de ponte está inserido o entendimento de laços fortes e laços fracos, conforme Granovetter (1973) conceituou. Segundo Nahapiet e Ghoshal (1998), o capital social tem mostrado ser um importante fator que explica o desempenho por toda a área do fenômeno. Fatores esses incluem a carreira de sucesso, a inovação e o empreendedorismo. Assim, o capital social, quando bem conectado entre si, traduz um valor social e é um componente bastante significativo como fonte de vantagem.
Régis (2005) usou a abordagem teórica do capital social para investigar como empresários buscam apoio nas suas redes de relacionamentos, a partir da ótica de cada uma das três dimensões do Capital social apresentada por Nahapiet e Ghoshal (1998). Para o autoros relacionamentos são um recurso disponibilizado pelas redes para a ação social e o capital social é o resultado dos benefícios causados pelas relações entre os indivíduos (REGIS, 2005). Lima (2001) entende capital social como o conjunto de normas de reciprocidade, informação e confiança presentes nas redes sociais informais desenvolvidas pelos indivíduos em sua vida cotidiana, que resulta em benefícios diretos ou indiretos, sendo determinantes na compreensão da ação social.
A tipologia das três dimensões do capital social oferece um ponto de partida para a compreensão de diferentes tipos de redes de desenvolvimento que os indivíduos tecem à medida que navegam em suas carreiras.
A representação gráfica das dimensões do capital social, idealizada por Régis (2005), mostra a sua natureza multidimensional. O referido estudo considera que essas dimensões operam de forma concomitante para formar a complexidade das relações em rede.
A dimensão cognitiva, mostrada na parte superior direita da FIGURA 4, aborda os significados que são introjetados pelos atores da rede. São idéias comuns, com relação a assuntos diversos, que fazem parte do contexto específico da rede e que orientam as decisões e os comportamentos. Nesta pesquisa, a dimensão cognitiva refere-
se ao entendimento do mapa cognitivo do empreendedor pesquisado, com relação a sua carreira e ao papel da rede de relacionamentos para o seu desenvolvimento.
A dimensão estrutural, mostrada na parte inferior, traz tanto aspectos de nível micro, como a força das relações, quanto aspectos de nível macro, como a configuração da network. A maioria dos estudos sobre redes sociais limita-se a esta dimensão do capital social, incluindo aqui os estudos sobre centralidade nas redes (MARINHO-DA- SILVA, 2003).
A dimensão relacional, mostrada na parte superior esquerda, aborda o conteúdo transacionado e a diversidade das ligações entre os atores da network. Considera os papéis que os atores assumem como: amigos, informantes, confidentes ou mentores.
Figura 3: Dimensões do capital social
Fonte: Régis (2005)
A seguir, o referencial teórico passa a detalhar os aspectos relacionados a cada dimensão do capital social. A dimensão cognitiva, de natureza mais qualitativa, inicia a apresentação dos temas.
2.3 Dimensão Cognitiva
A dimensão cognitiva aborda os significados que são compartilhados pelos atores da rede. São idéias comuns, com relação a assuntos diversos, que fazem parte do contexto da rede e orientam as decisões e comportamentos (RÉGIS, 2005). Autores como Nahapieth e Ghoshal (1998) destacam a importância dessa dimensão por
idéia idéia idéia idéia idéia idéia Significados Introjetados Dimensão Cognitiva Dimensão Relacional Informação Amizade Confiança
Força dos laços
Configuração da network
centralidade
densidade Dimensão
acreditarem que ela representa uma série de avaliações pouco estudadas na literatura sobre o capital social no que se refere à teoria das organizações. Esses autores entendem que o capital social, através da sua dimensão cognitiva, facilita o desenvolvimento do capital intelectual, criando as condições necessárias para que a troca e o compartilhamento entre os atores aconteçam.
O capital intelectual pode ser definido como o conhecimento único de cada indivíduo e a sua compreensão da capacidade da coletividade social. Isso reflete a crença de que o capital intelectual é um fator social e que o conhecimento e os significados estão inseridos no contexto social, ambos criados e sustentados através das relações entre os atores da rede social. Pesquisadores reconhecem que a inovação geralmente acontece através da combinação de diferentes conhecimentos e experiências e que a diversidade de opiniões é uma maneira de expandir esse conhecimento. Uma parte essencial dessa troca social é realizada através do compartilhamento da linguagem, dos vocabulários e das narrativas coletivas. Esses elementos constituem facetas compartilhadas pela cognição que facilitam a criação do capital intelectual, especialmente através da capacidade de comunicação, agindo tanto como mediadores como produto na interação social (NAHAPIETH; GHOSHAL, 1998).
Mapas Cognitivos
Lord e Maher (1991) consideram que o processamento da informação social é uma questão desafiadora de se explicar, a partir de uma perspectiva da ciência cognitiva. Percepções sociais são baseadas tanto sobre fatores implícitos quanto explícitos e os indivíduos podem ter pouco insight com relação aos processos implícitos, afetando as cognições sociais.
A dimensão social dos processos cognitivos humanos resultou em uma área específica de pesquisa, na Psicologia Social, com interesses nos processos usados pelas pessoas, para gerarem o conhecimento e a compreensão dos aspectos da vida cotidiana. Neste sentido, a “cognição social” resgata, cientificamente, tópicos como: os processos de atribuição, formação de impressões, estereótipos, atitudes, protótipos, schemas e
scripts. (BASTOS, 2001).
Weick e Bougon (1986) apresentam a noção de “mapas cognitivos” como uma metáfora para analisar a natureza do fenômeno “organização”. Os autores afirmam: “As
organizações existem largamente na mente, e sua existência toma a forma de mapas cognitivos. Então, o que une uma organização é o mesmo que vincula, ou coloca junto, pensamentos” (WEICK; BOUGON, 1986).
Além da dicotomia entre indivíduo e organizações (BASTOS, 2000a; 2001) cabe afirmar que “organizações” podem ser, para diferentes indivíduos, realidades distintas. Tichy Hornstein e Nisberg (1977) consideram que aquilo que se vê de uma organização depende daquilo que se procura. Juntos, o que se procura e o que se vê determinam as ações dos indivíduos. Há quase meio século, Zajonc e Wolf (1966) demonstraram que os membros de uma organização buscam diferentes coisas. Os mapas ou estruturas cognitivas representam os modelos ou teorias de organização que são interiorizadas pelas pessoas. Esses modelos guiam a análise das situações organizacionais e ações subseqüentes.
Os mapas cognitivos são ferramentas para representar dados verbais (informações orais ou escritas que expressam afirmações, predições, explanações, argumentos, regras) através dos quais se pode ter acesso a representações internas e a elementos cognitivos (imagens, conceitos, crenças causais, teorias, heurísticas, regras,
scripts etc.) (LAUKKANEN, 1992). Neste sentido, Bastos (2002) esclarece que os
mapas podem dar acesso a pressupostos do respondente, mesmo quando estes não são visíveis para o próprio participante.
Nicolini (1999) apresenta o mapa cognitivo como uma das estratégias possíveis para representar cognições sociais: “mapas poderiam ser considerados apenas instrumentos de descrição e representação, que ajudam na discussão e análise de alguns modos de pensamento e explicações dos eventos” (p.836). Dessa forma, o trabalho de mapear estruturas cognitivas envolveria “explorar as maneiras pelas quais essas entidades representacionais são unidas, transformadas ou contrastadas” (p. 836).
Fiol e Huff (1992) destacam três tipos de mapas cognitivos. Esses mapas já têm sido explorados por autores nacionais da área das organizações (BASTOS, 2000c/2002; MACHADO-DA-SILVA et al. 2000). Esses mapas são descritos a seguir:
Mapas de identidade: apóiam-se numa análise de conteúdo para identificar
conceitos e temas centrais nos discursos enunciados pelos indivíduos, apontam as principais características do terreno cognitivo e as atividades envolvidas na sua construção são básicas para todos os demais tipos de mapas;
Mapas de categorização: buscam descrever os schemas utilizados por gestores
acesso ao sistema de categorias de pensamento utilizado e a dimensão de hierarquia que existe entre esses conceitos;
Mapas causais: são os mais difundidos nos estudos gerenciais e fornecem uma
compreensão dos vínculos que indivíduos estabelecem entre ações e resultados ao longo do tempo.
Os mapas de identidade serão adotados neste estudo para capturar o significado que o empresário tem com relação à sua carreira empreendedora de sucesso e sobre o papel da rede de relacionamentos para o desenvolvimento da sua carreira. No capítulo da metodologia, serão descritas as técnicas utilizadas para a elaboração desses mapas.
Como visto, a dimensão cognitiva do capital social destaca os aspectos da rede de relações que dizem respeito aos significados introjetados, que permitem a existência de uma rede de relacionamentos, institucionalizada em campos sociais. Quando se trata de grupos, o compartilhamento de significados ocorre como resultado da interação dos indivíduos, em uma estrutura social, com características próprias (RÉGIS, 2005). Nesta perspectiva, a seção seguinte discorre sobre a dimensão estrutural.
2.4 Dimensão Estrutural
A dimensão estrutural do capital social envolve os aspectos estruturais dos relacionamentos entre os atores da network e pode ser analisada a partir de duas perspectivas: a perspectiva dos laços da network e a perspectiva da configuração da
network (NAHAPIEST e GHOSHAL, 1998). A maioria dos estudos sobre redes sociais
limita-se a essa dimensão do capital social, incluindo aqui os estudos sobre a força dos laços.
Laços da Network
Em 1973, Mark Granovetter propôs que os laços fracos podem ser muitas vezes mais importantes que os laços fortes, para entender certos fenômenos baseados na rede de relacionamento. Seu argumento apóia-se na suposição de que os laços fortes tendem a vincular pessoas parecidas e essa semelhança entre as pessoas tende a formar um
“cluster”, como se as pessoas estivessem conectadas mutuamente. As informações obtidas através dos laços da rede são mais redundantes e a rede, portanto, não é um canal de inovação. Em contraste, laços fracos, muitas vezes, constituem uma “ponte local” para partes do sistema social que são de outras maneiras desconectadas e, portanto, laços fracos proporcionam informações novas de partes do sistema. Essa teoria argumenta que a força dos laços impactam as variáveis dependentes enquanto que a ausência de laços (ou laços extremamente fracos) traz poucas conseqüências. Para Granovetter, os laços fracos proporcionam o máximo de impacto e os laços fortes proporcionam pouco impacto.
Pesquisas têm confirmado a teoria de Granovetter (1973), porém duas questões têm sido negadas nessa linha de pesquisa. Primeiro, existe uma considerável ambigüidade no que constitui laços fortes e o que constitui laços fracos. Granovetter identificou quatro propriedades dos laços fortes: a quantidade de tempo, a intensidade emocional, a intimidade e serviços recíprocos. Na prática, laços fortes têm sido medidos de diferentes formas. Alguns medem a força dos laços como nominações recíprocas, a fraqueza dos laços como nominações não recíprocas e a ausência de laços como sem nominação (FRIEDKIN, 1980). Outras medidas incluem contato recente (LIN, DAYTON e GRENWALD, 1978). Algumas vezes rótulos, tais como: “amigo”, “parente” ou “vizinho” são usados para identificar laços fortes (LIN, ENSEL e VAUGHN, 1981). A interação como um substituto para definir laços fortes também é utilizado. Intuitivamente, concorda-se que a medida dos laços fortes é mais definida do que o conjunto dos laços fracos. Todas essas medidas capturam a essência do que Granovetter (1973) entende como “laços fortes”.
Outra questão é com relação ao caráter afetivo dos laços fortes. Das suas quatro características, duas delas – intensidade emocional e intimidade – são inerentemente subjetivas interpretativas. A categoria “Serviços recíprocos” é talvez comportamental, mas alguém poderá argumentar que a troca eqüitativa implica em algo também subjetivo. Somente o critério “tempo” usado no relacionamento é claramente objetivo.
Laços fortes não é uma questão tão simples de medir. A teoria de Granovetter retira da psicologia a teoria do balanço (HEIDER, 1958; NEWCOMB, 1961) que estuda uma tríade de atores, A, B e C. Se A é fortemente ligado a B e C, é como se a tríade estivesse balanceada, isto é, B e C estarão fortemente ligados entre si também. A pesquisa foca apenas o lado racional, deixando de lado o forte componente psicológico existente na tríade. Heider (1958) usa palavras como “estresse”, “tensão” e
“desarmonia” para descrever o que acontece a uma pessoa que se depara com uma situação de desequilíbrio. Esse estado de intranqüilidade, presumivelmente, motiva o indivíduo a resolver o desequilíbrio. Além do mais, a tendência a resolver o desequilíbrio do trio é mais forte, quando a força “afeição” é forte. Uma vez as tríades balanceadas, não podem existir pontes locais. A seção seguinte discorre sobre a dimensão relacional.
2.5 Dimensão Relacional
A dimensão relacional aborda o conteúdo transacionado entre os atores da
network. Considera os papéis que os atores assumem como amigo, informante e
confidente (RÉGIS, 2005). A análise da dimensão relacional das redes pode ocorrer através da diversidade de papéis e do conteúdo transacionado (INKPEN; TSANG, 2005), possibilitando mapear as redes de amizade, informação e confiança, entre outras, tais como, afiliação partidária e mentoria. Os elementos transacionados dependem, em parte, do papel e, em parte, da maneira como o papel é desempenhado pelos atores (RÉGIS, 2005). Porém, para este estudo, aborda-se apenas o conteúdo transacionado nas redes de amizade, informação e confiança.
Conteúdo Transacionado
Define-se conteúdo transacionado como sendo os elementos materiais e não- materiais trocados entre dois atores, em uma situação ou relação particular (BOISSEVAIN, 1974). Kuipers (1999) cita Tichy, Tushman e Fombrum (1974) que identificam as redes baseadas na troca entre os laços: a troca de informação, a troca de bens e recursos e a troca de afeto. Os três elementos transacionados dependem, em parte, do papel e, em parte, da maneira como o papel é desempenhado pelos atores. O conteúdo transacionado indica os benefícios que os atores esperam obter do relacionamento. A importância da relação se dá pelo que se espera alcançar. Kuipers (1999) mostra que alguns pesquisadores fazem distinção entre tipos de laços qualitativamente diferentes, baseados no tipo de recurso que flui na rede. A autora considera que a interação entre os indivíduos de uma rede é específica ao contexto no
qual é formada e os laços não podem ser usados para transferência indiscriminada de qualquer tipo de recurso. É uma das precursoras na abordagem das redes de amizade, de informação e de confiança. Para ela, o conteúdo transacionado em cada um desses tipos de rede é específico. As definições de Kuipers (1999) para essas três redes são as redes: de amizade, que é uma rede informal baseada na troca de amizade e socialização que fornece apoio e melhora a auto-estima, além de encorajar certos comportamentos que aumentam a aceitação junto a grupos, dentro das organizações; a de informação, que é uma rede informal em que o conteúdo transacionado diz respeito ao que está acontecendo na organização como um todo, em relação a oportunidades de ascensão, processo decisório em outras divisões e/ou sucesso organizacional e afeta todos os seus membros; e por último a de confiança, que é uma rede de laços informais em que um ator corre riscos ao abrir mão do controle dos resultados, por aceitar a dependência em relação a outro ator, sem força ou coação da relação contratual, estrutural ou legal.
Santos (2004) sugere que os laços de confiança são mais centrados na pessoa do que na posição ou no cargo que esta ocupa. Relações de amizade e suporte social, por outro lado, desenvolvem-se rapidamente, exigindo um período de tempo mais curto para ocorrerem, enquanto que o desenvolvimento de laços de confiança (correr riscos) requer