Conforme Runyon o argumento central que de cada discussão é o de que todas as coisas na natureza contribuem para o equilíbrio ecológico e a ordem criada, com um propósito, inclusive aquelas consideradas insignificantes. Wesley discerne no conhecimento oriundo da natureza as noções de desígnio e propósito da criação, chegando à conclusão de poder reconhecer a glória de Deus e, ter uma experiência com o Criador através da observação dinâmica presente no universo. (2002, p.250)
Para Robert W. Burtner, a natureza é um canal de conhecimento de Deus, ainda que, limitada, por não mostrar um Deus pessoal e por estar degenerada pela natureza e desobediência humana.
O mundo ao redor de nós é o poderoso volume em que Deus tem declarado a si mesmo. Linguagens humanas e caracteres são diferentes em diferentes nações. Os de uma nação não são entendidos pelas outras. Mas o livro da natureza está escrito em caracteres universais, os quais todos os homens podem ler em sua própria linguagem. Ele não consiste de palavras, mas coisas que retratam a perfeição divina. (BURTNER, 1960, p. 36-37)
A linguagem e a comunicação dos elementos ar, a água, a terra e o fogo foram rompidos no ser humano. O fato é que ―a sinfonia da criação passou a ser tocada com muitas desafinações e com modificações na composição original.‖ E estes desequilibrios encontram suas raízes no ser humano, um ser corrompido e corruptor, que ―cria um processo e uma rede que corrompe toda a criação‖. (cf. JOSGRILBERG, Apud. CASTRO, 2003, p. 94-95)
José Carlos de Souza ressalta que, para Wesley, as relações humanas junto ao mundo natural ―devem ser modeladas por uma atitude de cuidado e responsabilidade. Como parceiros e parceiras nas obras de Deus, nós devemos defender a vida em todas as suas manifestações e zelar pela integridade da criação‖. (SOUZA, 2003, p. 76)
Josgrilberg ressalta que o termo utilizado por Wesley, steward, é melhor traduzido por ―cuidador‖. As tradicionais traduções para ―mordomo‖ ou ―administrador‖, deveriam ser substituídas pelo termo ―cuidador‖, pois este carrega uma conotação moral mais forte do que mordomo ou administrador. (Apud. CASTRO, 2003, p. 99) Nesta forma, o proprio termo expressa mais o sentido de cuidar, cultivar e cultuar, demostrando uma relação dos elementos naturais com a liturgia.
O tema da nova criação é parte da teologia de Wesley, em seus últimos sermões, como sendo um lugar físico, totalmente aperfeiçoado de sua presente condição. A salvação corresponde a um estado futuro, mas também a uma qualidade da vida presente. (cf. MADDOX, 1994, 236-253)
A santificação como a renovação gradual da imagem de Deus no ser humano, manifesta na vida das pessoas, constituía um testemunho concreto do propósito de Deus na criação em sua promessa de renovar o céu e a terra. (cf. THEODORE, 2007, p. 84). A santificação não pode se divorciar do cuidado do meio ambiente, pois, envolve a renovação da imagem política, que representa o cuidado humano da criação, um reconhecimento de que o cuidado humano da natureza depende de uma mudança de atitude humana, mas muito mais de um novo relacionamento com Deus, a restauração completa por Deus. (cf. RUNYON, 2002, p.55)
Charles Wesley escreveu um texto que se tornou hino, que demonstra o relacionamento da teologia dos hinos cantados na vida cotidiana dos metodistas. Demostravam sempre uma relação entre: o conhecimento e a espiritualidade;
Une o par desde há muito separado: O conhecimento e a piedade vital; A aprendizagem e a santidade combinadas, E verdade e amor possam todos ver, naqueles que a ti entregamos Para que morram e vivam teus somente. Pai, aceita-nos, por meio do teu Filho, E sempre pelo teu Espírito guia! Que a tua sabedoria nas nossas vidas possa transparecer o teu nome confessado e glorificado. O teu poder e amor pelo mundo espalhados. Até que a terra toda seja plena de Deus. (IGREJA DO NAZARENO, 2002, p. 73)
A inter-relação do sentido integral da práxis litúrgica era visível nos Wesleys, da mesma forma que escreviam e entendiam os princípios teológicos, as colocavam em prática na vida da comunidade e do povo.
A fé, a ciência, a santificação, a confissão e a missão são expressas nas orações, nos hinos, por meio de varias áreas da práxis pastoral na vida da sociedade. Quatro regras básicas eram colocadas por Wesley no trabalho com os doentes que envolvia liturgia e ação social. Izilda Bella as traduziu:
(1) Sejam claros e abertos, no trato com as almas; (2) Sejam
moderados, ternos e pacientes; (3) Sejam limpos, em tudo que fizerem para o doente; (4) Não sejam inescrupulosos. Aqui estava a lei de ouro: "se você não pode trazer alívio, não traga aflição; dirija- se a ele com palavras leves, se, não puder dar alguma coisa a mais; abstenha-se, tanto dos olhares carrancudos ou palavras duras. Deixem com que eles se sintam felizes em vir, mesmo que eles tenham de ir embora, vazios. Coloque-se no lugar de cada pobre homem, e reparta com ele, como Deus poderia repartir com você‖. (Tradução dos textos de Wesley, por Izilda Bella, site, 14/06/2009)
Para Wesley a práxis pastoral litúrgica e a teologia andam juntas, a santificação social e a nova criação, a imagem restaurada, na imago Dei, é obra integral de Deus na humanidade. Esta transforma o homem e o mundo.
Um sistema social, político e econômico explorador, de dominação e opressão desequilibram o ser humano e a natureza. Assim, Wesley se preocupava com a situação dos pobres, dos penitenciários, do escravismo, da educação e alfabetização. Para os doentes, fundou um ambulatório e compilou um livro de remédios caseiros naturais. Podemos ver como os elementos da natureza no contexto social, são compartilhados por Wesley numa práxis pastoral litúrgica:
O Orfanato de Newcastle começou em 1742, e, construído pela fé e oração, tornou-se a casa de pregação, a casa das crianças, um lugar de descanso para os trabalhadores, uma escola, onde Wesley ensinava Retórica, Filosofia Moral, e Lógica para seus pregadores jovens, e um centro de evangelismo, para o norte da Inglaterra. A Capela da West Street, em Londres era outro centro de proeza filantrópica. A "União da Sociedade Beneficente de Mútuo Socorro" foi formada. A frente da sala de visitas da casa era usada como cozinha pública para os pobres [onde se distribuía sopas]. Havia também uma escola de auxilio, similar àquela em que Silas Told foi professor, na Fundição. As mulheres Metodistas preparavam as roupas de linho para as crianças usarem, e formavam o que poderia ser chamado hoje de "corporação de salvamento dos negócios domésticos", coletando refugo de roupas e alimento para os pobres. Existem histórias tocantes das mulheres rejeitadas resgatadas pelos primeiros Metodistas. Mas o passo mais audacioso foi a criação dos dispensários médicos de Wesley, na Fundição, West Street, e Bristol. O sofrimento do doente pobre perturbava o coração dele: "Eu pensei", diz Wesley, "em um tipo de atendimento de desespero; onde eu mesmo irei preparar, e dar a eles os medicamentos" receitas caseiras. Por vinte e seis ou vinte e sete anos, ele havia feito da anatomia, e ciência natural, a diversão de suas horas de lazer. (Tradução dos textos de Wesley, por Izilda Bella, site, 14/06/2009)
Wesley estudou as obras de Boyle sobre medicina e colecionou uma série de receitas medicinais caseiras em um livro, ―Primitive Physick, or an Essay on Natural Method of Curing Most Diseases‖, (Medicina Primitiva), que teve mais de vinte edições durante toda sua vida.
Ao compilar métodos naturais para o tratamento da saúde, a práxis da pastoral estava ligada à importância que ele dava ao meio ambiente, à natureza e à questão da salvação. Rápido para perceber a utilidade prática da eletricidade, como um agente terapêutico, ele prescreveu tratamentos para muitos, já em 1756.
Nós podemos dificilmente reivindicar para ele a honra de criar a prática asséptica, mas, certamente o homem que disse "a limpeza está próxima à santidade", não estava longe disso. (cf. COGEIME, 2003, no 22)
Wesley expressa sua teologia prática num contexto social-espiritual com uma práxis litúrgica relacionada ao cuidado e a responsabilidade litúrgica que é expressa no metodismo pelos hinos.
Em 1780 foi publicado na Revista Arminiana, A Coleção de Hinos, para o uso do povo chamado Metodista, e continha quinhentos e vinte e cinco hinos:
John Wesley chama os hinos de "um corpo da divindade experimental e prática". Bella cita Thomas sobre os referenciais dos hinos:
Eles não eram pretendidos apenas para o uso da congregação, eles eram um compêndio da teologia e um manual da devoção pessoal; e, quando as vozes dos pregadores eram silenciadas, os hinos permaneciam para a profundidade da vida espiritual das pessoas; a elevação de seus trabalhos de adoração; e o desenvolvimento do caráter delas. "É uma grande recomendação para os hinos de ambos os Wesleys", diz um historiador anglicano, "que, embora eles sejam frequentemente espiritualizados no tom, e apelem persistentemente para os sentimentos, eles são completamente práticos, nunca perdendo o sinal da moralidade cristã ativa". (THOMAS, apud. Bella, 2009)
Wesley e seus seguidores buscaram fazer o bem aos corpos das pessoas, às suas almas e à natureza:
As obras de devoção (a prática das disciplinas espirituais) nunca estiveram separadas das obras de misericórdia (alimentar o faminto, vestir o nu, e prisioneiros). A teologia da missão Metodista estava apoiada nos hinos e poemas de Charles Wesley. Ela estava também incorporada nas pequenas e grandes estruturas do movimento. Omitir um desses três elementos essenciais da teologia, das disciplinas espirituais e hinologia, seria diminuir a realidade do movimento, e distorcer o entendimento do observador. A teologia Wesleyana da graça era apoiada pela hinologia Metodista. (THOMAS, apud. Bella, 2009)
Na intersecção desses três mundos, está o centro formativo para a espiritualidade Metodista, que eu caracterizo como: ―trinitária, encarnada, teológica e sacramental e ―cheia de vida‖.
Esse caráter de um compêndio da teoogia wesleyana está, ligada a experiência da vida, não isenta o cotidiano com os seres da criação e com a natureza, e, a forma como estes contribuem para a glorificação e o louvor ao Criador.
Todas as observações de Wesley incluem a Criação, a começar do seu cavalo, seus remédios caseiros, seus estudos da filosofia Natural e na medicina. (cf. Tradução dos textos de Wesley, por Izilda Bella, site, 14/06/2009)