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4. DÖRDÜNCÜ BÖLÜM: VERİ ANALİZİ VE TARTIŞMA

4.5. Sonuçlar

Cada pessoa presente no Centro Cultural UFMG nas noites do “Barômetro — Ciência, café e debate” ficou sujeita a vários tipos de estímulos e formas diversas de

participação. Isso significou que debatedores, público participante, equipe da rádio, equipe do DDC e demais pessoas que transitaram na Sala do Piano visualizaram a projeção da esfera, escutaram a transmissão do programa, escutaram as apresentações musicais, visualizaram ou apreciaram o ambiente, visualizaram ou apreciaram o acervo da memória visual do projeto através das fotografias dispostas na parede e puderam, mesmo que não estivessem ali para participar do programa, enviar perguntas pelo tablet ou se servir no buffet. Os poucos mais desinibidos, atreveram-se a fazer perguntas pelo microfone.

Cada programa e seu respectivo tema tiveram suas particularidades. O debate escolhido para análise de suas interações, Ciência e Dengue, foi selecionado devido a isso.

8.5.1 A relação entre campos do conhecimento

Para o ano de 2011, foi realizado um planejamento dos temas que seriam debatidos no “Barômetro”. O critério inicial seguiu o calendário das manifestações culturais, religiosas, dentre outros, e foi se modificando na medida em que surgiram outras ideias e necessidades. Seguindo esse critério, o primeiro evento foi em março, logo após o carnaval e, por isso, o tema escolhido foi Ciência e Samba. No mês de abril, viriam as comemorações da Semana Santa e o debate teria como tema ciência e religião. Mas, devido a necessidades de projetos de pesquisa da equipe do DDC/UFMG, o tema passou a ser Ciência e Dengue.

Essas mudanças demonstram a abertura da equipe de concepção e produção do projeto de forma a buscar debates interessantes sob diversos pontos de vista.

O que chamou a atenção para o debate Ciência e Dengue foi o fato de que o tema selecionado pertence ao campo da Ciência, ao contrário do Samba e de outros que se sucederam.

A relação entre os dois campos acabou por potencializar não apenas os problemas da sociedade em lidar com a epidemia de Dengue, por exemplo, ou do governo e suas campanhas de prevenção, mas questões e conflitos dentro da própria esfera da Ciência.

8.5.2 Perguntas tablet — entre a escrita e a oralidade e o “delay”

perguntas enviadas pelo público participante através dos tablets. Embora os debates tenham começado a partir dos questionamentos colocados no texto, estudados e preparados previamente pela equipe da rádio, foram as perguntas elaboradas pelo público participante que direcionaram os assuntos colocados em discussão.

As perguntas tablets seguiam sempre o mesmo caminho — das palavras do campo semântico na esfera, ao teclado virtual, até a projeção pública das perguntas. Esse era, pode-se dizer, o percurso estético disponível para todos os presentes. Mas houve outro percurso, que pode ser chamado de percurso técnico, que correspondeu à formatação do banco de dados da pesquisa.

Cada vez que uma pergunta era enviada para a projeção, dava-se início à formação do banco de dados do software. O banco era alimentado pelas perguntas que se organizavam apenas pela ordem de envio. O tempo do envio não foi registrado, apenas a numeração da ordem com que chegavam ao software. Essa foi uma das adaptações que foram realizadas posteriormente para melhorar o processo de captação e tratamento de dados para futuras pesquisas.

A numeração do banco de dados não significou que as perguntas vindas a público foram feitas de acordo com essa ordem. Dessa forma, é necessário considerar o tempo, durante a transmissão, entre o envio da pergunta na projeção, a possibilidade dessa pergunta ser escolhida pelos assistentes da repórter tablet e ser transmitida à mesma para, finalmente, vir a público no debate. Para esse tempo, ou seja, o conjunto desses atos, pôde-se considerar que houve um “delay”.

O “delay” foi aqui caracterizado por duas referências: o tempo da interação no qual o assunto proposto pela pergunta surgiu no debate e seu número correspondente no banco de dados. Apenas para relembrar, os tablets ficaram disponíveis para o público participante durante toda a transmissão do evento.

8.5.3 Palavras da noite — campos semânticos Ciência e Dengue

Palavras disponíveis nos tablets para o debate Ciência e Dengue:

CIÊNCIA: inovação, tecnologia, pesquisa, progresso, especialistas, cientistas, desenvolvimento, avanço, futuro, desconhecido, descoberta, domínio, laboratório, universidade, academia, estudo, método, conhecimento, informação, racional, empírico, verdade, natureza, realidade, cura, prática, saber, sabedoria, filosofia, experiência, cobaia, vida, hipótese, tese, inteligência, artificial, simulação, simulador, cérebro, ética, cientificamente testado, cientificamente aprovado, ficção científica

DENGUE: SUS, dengue, casos, hemorrágica, óbitos, doença, epidemia, início, cama, molho, mito, caseiro, sorotipos, sudeste, sul, Brasil, década, enfermidade, febre, homem, infecção, milhões, pacientes, países, período, primatas, sorotipo, vírus, amarela, arbovírus, repelente, crianças, dengue-1, dengue-2, dengue-3, dengue-4, distribuição, endemia, gênero, humanos, imunidade, mortalidade, posto de saúde, ocasião, pessoas, população, relatado, rico, pobre, saúde, sintomas, temporária, tipos, tropical, vertebrado,

9 TEMAS E SUBTEMAS

Nesse cenário acima descrito, as interações aconteceram. Em meio à organização, produção, negociação, movimentação, particularidades e nuances de um Café Científico com formato de um programa de rádio, comunidade científica, sociedade civil e suas respectivas representatividades se encontraram para debater sobre um tema polêmico e atual. O processo de estabelecimento de temas e subtemas extraído das transcrições das interações discursivas dos debatedores do “Barômetro” Ciência e Dengue não poderia prosseguir dissociado desse cenário.

Os temas e subtemas propostos e a categorização das “imagens da ciência” no discurso dos falantes se constituíram por meio de um processo interpretativo desenvolvido com objetivo de testar a hipótese da pesquisa. A riqueza do material transcrito permite outras possibilidades interpretativas que não se restringem às aqui relacionadas.

Os temas foram apresentados de acordo com os seguintes demarcadores:  Tempo da interação;

 Momento do script;

 Caracterização da resposta;

 Categorização das “imagens da ciência” no discurso dos falantes;  Caracterização do ambiente multimodal;

 Pergunta tablet relacionada.

A seleção dos trechos da interação seguiu o critério de “desempacotamento” (BOSSLER, 2004). A partir daí, deu-se início a um processo de seleção de trechos considerados mais interessantes e pertinentes, caracterizados como desmembramentos temáticos, para a análise que se pretendeu construir.

Benzer Belgeler