• Sonuç bulunamadı

III. BÖLÜM

5.1. Sonuçlar

Como apontado acima, a questão central para o país naquele momento não era a radiodifusão, ainda que ocupasse uma posição importante no cenário das comunicações. Tanto é assim que as tentativas anteriores de aprovação de uma legislação específica para esta atividade haviam falhado. Somente com a introdução de disposições sobre os demais serviços de telecomunicações e com a força política obtida pela mobilização dos operadores do mercado é que foi possível a criação de uma regulação específica para a atividade de radiodifusão.

O regulamento do serviço veio no ano seguinte à aprovação do CBT através do Decreto 52.795 de 1963, que buscou sistematizar os critérios técnicos que seriam utilizados para a distribuição de frequências e a outorga de concessões.

A concentração de poderes em torno do Ministério das Comunicações tinha sempre em mente o corolário da integração nacional, da difusão da informação, educação e cultura, bem como a garantia da segurança nacional, objetivos que vinham sendo reiterados pela legislação desde os decretos regulamentares da Era Vargas.

O artigo 32 do CBT consolidou o entendimento de que a atividade de radiodifusão deveria ser prestada diretamente pela União, ou através de concessões, autorizações e permissões a particulares interessados. O artigo seguinte, em seu parágrafo 3º determinava os prazos de duração das concessões, sendo de 15 anos para a radiodifusão televisiva, assim como as hipóteses de renovação destas concessões45.

O Código também vedava o controle de empresas de radiodifusão por estrangeiros, além de determinar que os atos constitutivos destas, assim como posteriores alterações no quadro societário, só passariam a ter validade depois da aprovação pelos órgãos fiscalizadores do Poder Executivo (inicialmente foi o Contel e depois a competência passou a ser do Ministério das Comunicações).

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De acordo com o mencionado dispositivo, a renovação era cabível para as empresas que tivessem u p ido todas as o igaç es legais e mantido a mesma idoneidade técnica, financeira e moral, e atendido o interesse pú li o .

Apesar de ser clara a existência de uma preocupação com a criação de um ambiente de concorrência entre as empresas, buscou estabelecer um limite de propriedade nas redes de distribuição, bem como de participações cruzadas em emissoras. Por outro lado, o artigo 34 do CBT determinou que as novas concessões deveriam ser precedidas da publicação de um edital com as especificações a respeito da localidade de prestação dos serviços, bem como da verificação quanto às qualificações da empresa postulante à prestação do serviço.

Ademais, a legislação também continha especificações a respeito dos conteúdos a serem veiculados, estipulando que ao menos cinco por cento da programação fosse destinada a apresentação de programas noticiários, com um limite de vinte e cinco por cento do tempo a ser destinado à publicidade, que era a fonte de renda das emissoras, somados aos preceitos de atendimento das finalidades educativas e culturais.

O que pode se verificar, deste modo, é que a regulação das atividades de comunicação foi construída a partir de um modelo que teve por base o direito público, implicando, desta maneira, na imposição de uma série de condicionamentos para seu exercício, de tal modo que se formou uma concepção da radiodifusão como um serviço público. Quanto ao aspecto técnico da atividade, existe uma limitação natural em relação à disponibilidade do espectro de radiofreqüências.

Justamente por estas razões é que se justificaria a intervenção estatal para determinar as condições e os objetivos a serem alcançados através do exercício desta atividade46 e coordenar a distribuição destas freqüências aos agentes interessados em atuar neste setor. Vale dizer, diante da escassez natural do recurso básico do mercado e da impossibilidade de haver um número ilimitado de agentes no setor, há a necessidade de imposição de algum tipo de contrapartida a ser observada pelo agente privado.

Com base nestas premissas, a regulação estabelecida pelo CBT teve como principal função a criação de um mecanismo de controle à entrada no setor, limitando, assim, o número de agentes econômicos em operação47.

46 Sobre o conceito de serviços públicos e suas implicações, ver ARAGÃO, Alexandre Santos. O serviço

público e suas crises. In Direito Administrativo e seus novos paradigmas. Coordenadores: Alexandre Santos de Aragão e Floriano Marques Neto. Belo Horizonte: Editora Forum, 2008. P. 423 – 425.

47 A própria caracterização da atividade como um serviço público acaba por desempenhar esta função,

já que submete a prestação do serviço a uma lógica especial de funcionamento, em que a concorrência empresarial não é o principal valor a informar a aplicação da legislação. Como afirma WHISH: Legislatio a li it the u e of a ket pa ti ipa ts, fo e a ple limiting the number of firms that a e g a ted li e ses to a o a e tai a ti it , g a ti g spe ial o e lusi e ights […] that a

Dentre todos os dispositivos da legislação concernentes à atividade de radiodifusão, talvez os que estabeleceram a necessidade de uma outorga estatal para que uma empresa pudesse operar regularmente tenham sido os de maior importância. Isso porque submetiam novos postulantes ao mercado a um procedimento administrativo para a obtenção de uma concessão, cuja decisão seria tomada com base em critérios de oportunidade e conveniência, a partir de critérios legais pouco precisos.

Outro ponto de essencial importância para a compreensão desta dinâmica diz respeito à segmentação do setor de radiodifusão televisiva principalmente. Havia aqui um controle estrito de entrada para as emissoras de radiodifusão.

Levando-se em consideração as características desse mercado, as emissoras atuam dentro da cadeia de distribuição de conteúdos, competindo pela infraestrutura do mercado e pela atribuição de freqüências para que pudessem operar. Entretanto, tão essenciais quanto a disponibilidade das redes de transmissão são a produção dos conteúdos a serem transmitidos, assim como a programação para a criação dos canais de televisão.

Como podemos notar, o CBT não contém disposições muito precisas a respeito destes outros segmentos. Sua principal característica é estabelecer um mecanismo de controle de acesso às redes de distribuição, bem como às radiofreqüências essenciais para o desenvolvimento desta atividade.

Há uma ressalva a ser feita neste ponto. A maior especialização e, conseqüentemente, segmentação do mercado é um fato mais recente. Tendo em vista as características da radiodifusão televisiva à época da elaboração do CBT esta distinção entre as atividades necessárias para a operação do setor era menos evidente, de tal modo que as emissoras na maioria dos casos desempenhavam várias delas simultaneamente.

Benzer Belgeler