A avaliação, quando baseada em custo, parte do princípio de que o valor de uma patente corresponde a todos os gastos necessários para desenvolver uma patente equivalente em termos de utilidade e desempenho (HONG et al, 2010). Collan e Heikkila (2001) indicam que a justificativa para a adoção dessa metodologia é que nenhum investidor estaria disposto a investir na compra de uma inovação mais do que o necessário para replicar essa tecnologia. Acrescenta que o importante é obter o mesmo efeito de sua utilização. Por isso, depois que os fundamentos de seu funcionamento são conhecidos, é possível ter os mesmos benefícios com desenvolvimento alternativo, sem ser necessário pagar royalties ou fees.
Esta abordagem está em consonância com o proposto por Wright (1999) a respeito da capacidade das empresas imitadoras. Caso a empresa desenvolvedora consiga proteger adequadamente sua tecnologia, seja pela forma legal da patente ou pela dificuldade técnica do desenvolvimento semelhante, os custos de replicação serão superiores ao do investimento inicial. De outro lado, uma inovação facilmente replicável, ou pouco protegida, teria um custo de imitação baixo, o que implicaria um valor baixo da patente.
5Ernst, Legler e Lichtenthaler (2010) citam o caso da Gillete, em que o produto gerado por um único processo de
pesquisa resultou em 35 patentes distintas que cumpriam uma função conjunta. Indicam que casos como esse são menos recorrentes e que resultados robustos podem ser obtidos considerando-se uma única patente gerada, seguindo sua finalidade de uso.
O procedimento básico que sustenta tais métodos envolve a estimação de todos os gastos passados envolvidos no processo de P&D diretamente ligados ao produto final gerado, ou ainda, de todos os gastos necessários para desenvolver um efeito final semelhante. Quando existe uma estrutura de custos maior que não só envolve a atividade núcleo da patente, como também compartilha outros fins, é possível se usar técnicas de apropriação ou rateio para encontrar o custo adequado (MARTINS, 1972).
Bandeira (2010) faz uma importante crítica a essa abordagem: se fosse possível replicar os efeitos de uma inovação patenteada sem ter que incorrer a, no mínimo, aos mesmos gastos do P&D original, não haveria sentido para nenhuma firma suportar os custos de seu desenvolvimento. Além disso, a patente garante de maneira legal proteção contra boa parte dos procedimentos que tentam replicar uma inovação, o que impossibilita sua reprodução em praticamente todas as formas no curto prazo. Mesmo ignorando essas condições e assumindo que qualquer equipe de pesquisadores tem capacidade para cumprir com essa tarefa, a diferença temporal da utilização da nova tecnologia entre a empresa lançadora e as empresas seguidoras já garantiria um tempo de benefício exclusivo, modificando o valor justo da patente em relação ao seu custo (BESSEN, 2008).
A abordagem baseada em custos é equivalente, em certo sentido, ao princípio contábil do custo como base de valor descrito por Martins (1972). Por isso compartilha seus problemas conceituais para definir o valor justo (RAPPAPORT, 2001). Outras críticas citam que esta metodologia não considera a possibilidade de uma patente gerar efeitos diferentes nas demandas das organizações e é incorreta porque pode considerar uma inovação que tem pouco impacto de mercado mais valiosa do que outra de caráter revolucionário (HONG et al, 2010).
Para Collan e Heikkila (2001), este método tem uma orientação exclusivamente no passado, desconsiderando qualquer tendência econômica do momento atual e do futuro do mercado. Para Wu (2011), captura-se apenas o valor corrente das operações, mas é incapaz de considerar corretamente as oportunidades futuras. Logo, esta abordagem tende a subestimar o valor de uma patente.
Outro erro substancial que se pode notar é a não contemplação do risco inerente ao desenvolvimento do projeto, que Damodaran (2007) define como uma das principais variáveis para qualquer processo de avaliação. Considerando o P&D como um processo cercado por incertezas, este erro pode gerar grandes distorções na avaliação. Dependendo do tempo de
desenvolvimento da patente, Hong et al (2010) indicam que é necessário corrigir as influências da obsolescência e da atualização inflacionária, processos que podem resultar em algumas complicações substanciais.
Nascimento (2005) destaca a questão do know how para o desenvolvimento. Algumas patentes não estão ligadas diretamente a produtos ou equipamentos, mas a processos de se realizar algo. Uma patente deste tipo pode ter um custo de desenvolvimento extremamente baixo, bastando, por exemplo, o trabalho de um grupo de pesquisadores durante alguns meses. No entanto, o tipo de conhecimento e as ideias desses indivíduos é que possibilitam gerar o resultado final do projeto. Uma abordagem baseada em custos para este tipo de caso não será apropriada para determinar o valor justo.
Conforme Bessen (2008), outra situação que mostra a não adequação da abordagem de custos pode ser observada em dois momentos: primeiro, quando ocorre a decisão de comercializar um produto gerado por P&D, pois ao incorrer em investimentos para transformar a pesquisa em negócio, a empresa já avalia aquela patente, implicitamente, em um valor superior ao que gastou para desenvolvê-la; e, segundo, quando ocorre a venda de uma patente, nesse caso em que a racionalidade econômica em condições de livre negociação indica que o valor de aquisição deve ser superior ao dos custos para que haja interesse da desenvolvedora em repassar a tecnologia.
Em suma, é uma das metodologias mais simples em termos de execução e premissas, mas que tem consequências negativas fortes para a dimensão do mercado. Se por um lado a observação do custo histórico é a base do valor para a contabilidade considerar a aquisição de uma patente (SCHMIDT; SANTOS, 2009), a maioria dos autores que adotam a perspectiva financeira condena sua utilização. Em alguns casos, cita Wanetic (2010), costuma-se dizer que a abordagem pelo custo é um bom indicativo do que seria o valor mínimo de um projeto de P&D, mas essa ponderação pode ser facilmente refutada com a existência de um grande número de patentes sem nenhum valor comercial relevante, conforme apresentado anteriormente.
Triest e Vis (2007) concluem que o valuation é um procedimento que objetiva mensurar o valor justo de algo e se basear apenas nos custos de seu desenvolvimento vai contra esse princípio fundamental.