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4.4.1 O Sujeito

A organização

Micro-ambiente – objetivos – macro-ambiente

As organizações podem ser definidas como coletividades especializadas na produção de um determinado bem ou serviço. Elas combinam agentes sociais e recursos e se convertem em instrumentos da economia de esforço. Potenciam a força numérica e tornam-se terreno preferencial em que ações cooperativas se dão de forma coordenada. (SROUR. 1998 p107)

Toda ação de Relações Públicas está pautada no discurso da organização; ele é o desencadeador do intrincado processo de relações que se estabelece entre a organização e seus públicos. As Relações Públicas, em sua atuação mais primária, deverá zelar pela manutenção de um diálogo constante e amplo não só no que diz respeito à organização internamente – micro ambiente, mas na interface com a sociedade – macro ambiente.

17 V i d e M a r g a r i d a K u n s c h , e m p l a n e j a m e n t o d e r e l a ç õ e s p ú b l i c a s n a c o m u n i c a ç ã o

O que se observa é que as organizações são modelos complexos, cuja gestão ora baseou-se na troca de fluxos administrativos hierárquicos e burocráticos, ora na liderança e submissão dos seus agentes à produção desenfreada e o desejo incessante pelo lucro. Essas relações de poder e dominação perduram até as últimas décadas do século 20, provocando um esfacelamento do equilíbrio entre as forças sociais e o capital. Isto posto, levou à organização a busca de uma nova forma de lidar com as exigências de comportamento vigentes na sociedade cada vez mais tecnológica. Não era mais uma questão apenas de compra e consumo; era, acima de tudo, uma questão de imagem qualificada, reputação e respeito ao trabalhador.

As organizações, durante muito tempo, não entenderam seu verdadeiro papel, principalmente por não saberem ao certo que elas eram produtoras não só de bens e serviços, mas também deflagradoras da vida social.

as organizações são grupos de pessoas que trabalham em conjunto para utilizar e aplicar recursos organizacionais – como capital financeiro, tecnologia, máquinas e equipamentos,matérias primas, conhecimento - e alcançar propósitos comuns – como cumprir a missão, atingir uma visão, servir ao mercado, satisfazer seus parceiros – acionistas, fornecedores, empregados e clientes(CHIAVENATO. 2005 p.60)

O universo organizacional é complexo e intrincado. Nele, está contida uma série de elementos – divisão do trabalho, alocação de recursos, planejamento, produção, rede de logística e comercialização que permeia todo processo produtivo. Esses elementos necessitam de um liame, uma ligação, e é nesse momento que verificamos a importância da comunicação, em especial das Relações Públicas, como agente aglutinador dentro das organizações, cujo objetivo é estabelecer uma identidade forte e perceber, entender e efetivar o discurso organizacional para poder divulgá-lo junto aos diversos públicos.

é impossível imaginar uma empresa, de qualquer tipo ou porte, em que não haja nenhum tipo de relação entre as pessoas situadas nos ambientes interno e externo. Ao contrário, as interações humanas são cada vez mais intensas e velozes. Isto significa dizer que é impossível imaginar uma empresa que não dependa de processos de comunicação eficazes que auxiliem o esforço de criar e manter essas relações.¨ (ARANTES. p.259 1998)

O micro ambiente ou ambiente interno é o primeiro a ser entendido, por ser ele o que dá sustentabilidade às ações da organização. Nele se desenvolve um emaranhado de relações estabelecidas por meio de sistemas, são eles:

sistema hierárquico – no que se refere a liderança, ascensão,

nomeações, subordinações; sistema legal – plano de carreira, contratos, regime de trabalho;

sistema financeiro – no ambiente interno está ligado exclusivamente à

remuneração e às formas de pagamento;

sistema produtivo – a importância do que se faz para a existência do

produto, ou seja o indivíduo no contexto do processo produtivo.

O indivíduo é a mola propulsora das organizações e levou-semuito tempo para compreender essa importância na atuação de Relações Públicas, ao longo das últimas décadas. Esse tem sido o mote principal: fazer com que o público interno seja valorizado especificamente não só como mão de obra substituível, mas como capital intelectual, necessário ao crescimento e perenidade da organização.

O que se observa é que as organizações invadem a vida social e particular dos indivíduos, geram, no cotidiano das pessoas, mudanças

significativas de comportamento que por sua vez, vêm, em um futuro, muitas vezes próximo, alterar a própria organização.

A exemplo, podemos citar funcionários que iniciam sua carreira profissional em determinada organização e que, em processo de ascensão profissional, ascendem também socialmente, estudam, mudam de país, aprendem a falar outros idiomas fazem cursos e, por fim, podem retornar à mesma organização em postos hierárquicos mais elevados e mudar, a partir de uma visão já diferenciada do mundo, os próprios processos internos da organização.

Os objetivos de uma organização devem ser traçados a partir de um entendimento de como se deve obter o lucro – proposição maior - , estabelecendo procedimentos que a tornem mais competitiva, mais influente no mercado em que atua.

A tomada de decisão quanto aos objetivos a serem seguidos é fundamental para a elaboração do planejamento estratégico e pautados na clareza e sinergia dos mesmos. É também com base nos objetivos que se torna possível o estabelecimento de ações de relacionamento com os diversos públicos que compõem o universo organizacional. A sociedade, de maneira geral, estabelece grupos que estão ora diretamente ligados por vínculo legal ou de parceria, ora por interesse estratégico, à organização.

Na última década, o macro ambiente – entendendo macro ambiente como a representação de todas as forças que influenciam a organização - ganhou espaço e voz. E, mais que isso, descobriu-se organizado suficientemente para agir, para estabelecer um diálogo mais efetivo e profícuo com as organizações.

Essa nova forma de agir dos agentes sociais fez com que a organização mudasse sua maneira de pensar e agir, principalmente, pela troca que seu público interno faz com o mesmo e por começar a entender que é o macro ambiente o legitimador das ações da organização.

Mas o que se percebe também é que as organizações não estão preparadas para o diálogo e necessitam, com urgência, de intermediadores desse processo, para dar maior credibilidade e qualidade à informação compartilhada; assim, mais uma vez, reforçamos a idéia das Relações Públicas como singular agente desse sistema de troca sociedade e organização.

os profissionais de relações públicas têm um papel intermediário... devem estar sintonizados no pensamento e nas necessidades das organizações as quais servem... devem estar sintonizados com a dinâmica e necessidades dos públicos, de modo a poder interpretar esses públicos para a organização, assim como interpretar a organização para seus público (LESLY.. 1995 p .42)

Cabe às Relações Públicas, de modo geral, perceber e entender as diversas variáveis que compõem o macro-ambiente; segundo Chiavenato (2005), são elas: variáveis econômicas; variáveis tecnológicas; variáveis culturais; variáveis legais; variáveis políticas; variáveis demográficas e, por conseguinte, estabelecer uma leitura de que públicos estão diretamente ligados a elas.

Toda a organização traz, do ambiente externo, símbolos e outras manifestações culturais que auxiliam na realização de suas tarefas e atividades além, é claro, de objetos significativos. Para Srour, qualquer organização expressa e pratica representações mentais, o que gera mensagens cognitivas, sem o que ela não manteria a coesão necessária para funcionar.,

Pode-se ter certeza de que as organizações não estão soltas, avulsas, no vácuo; elas têm um sentido para existir, para estar presente na sociedade, e assim, Relações Públicas irá, então, por meio da comunicação, dar a corporificação necessária, utilizando-se da linguagem escrita e falada e compartilhar uma identidade e uma imagem da organização com seus públicos.

Benzer Belgeler