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Logo depois que eu concluí meu Bacharelado em Cinema de Animação na Escola de Belas-Artes da UFMG, no segundo semestre de 2006, pensei em fazer um Mestrado que abordasse algum aspecto das histórias em quadrinhos, arte com a qual me familiarizara como leitor e como autor desde cedo. Entre os anos de 2002 e 2004, tive experiência como fanzineiro (editor de revistas alternativas), lançando, em parceria com outros integrantes do Grupo Amicorum, o Zine Amicorum, cujas histórias se inspiravam na narratividade do mangá. O Zine Amicorum teve dois números, vendidos em eventos culturais nas cidades de Belo Horizonte e São Paulo. Apesar da vida curta, alcançou razoável sucesso no meio underground dos fanzines, sendo inclusive citado no livro Cultura Pop Japonesa, num artigo do pesquisador Gazy Andraus, intitulado O fanzine de HQ, importante veículo de comunicação

alternativa imagético-funcional: suas gêneses e seus gêneros (e a influência do mangá)

(LUYTEN, 2005, p. 65). Enquanto atuava como colaborador de outros fanzines de quadrinhos, como Blaue Blow e Zinarte (criados pelos então alunos da EBA-UFMG Rafael Ventura, Enoc Jr., Anderson Brito e Jackson “Abacatu” Teixeira), fui o responsável, de 2006 a 2008, pelo lay out e pelo desenho de personagens da série de quadrinhos digitais Herdeiros

The Legend of the Chaos Box115, roteirizada por Henrique Duarte, desenhada por Fabiana

Signorini e arte-finalizada por Kátia Schittine.

Ao mesmo tempo em que pensava como poderia ser meu projeto de dissertação sobre quadrinhos, imaginei que seria interessante se eu incorporasse a ele o arcabouço de conhecimentos que eu já havia adquirido, antes e ao longo da minha Graduação, como programador/designer de sítios para a Internet e como animador: fui integrante, entre 2004 e 2006, como bolsista de Iniciação Científica, da equipe técnica do Projeto Museumuseu, coordenado pela Prof.ª Mabe Bethônico, construindo o sítio principal116, bem como outros sítios relacionados, como o Paisana117, o Museu do Sabão118 e o Museu dos Azulejos119. Além

115 Disponível em http://www.webcomix.com.br/chaosbox. Acesso em 2 ago. 2009. 116 Disponível em http://www.museumuseu.art.br/. Acesso em 2 ago. 2009.

117

Disponível em http://www.ufmg.br/museumuseu/paisana/. Acesso em 2 ago. 2009. 118 Disponível em http://www.ufmg.br/museumuseu/museudosabao/. Acesso em 2 ago. 2009. 119 Disponível em http://www.ufmg.br/museumuseu/museudosazulejos/. Acesso em 2 ago. 2009.

137 desses, elaborei, em 2007, o sítio Mais Quadrinhos120, em parceria com o quadrinista e pesquisador Wellington SRBEK. No campo da animação, no ano de 2005, dirigi, em conjunto com toda a turma de Processos Alternativos de Animação (matéria ministrada, na oportunidade, pelo Prof. Francisco Marinho), um curta-metragem em pixilation, A Última

Gota, que foi selecionado para o 14.º Festival Anima Mundi de 2006, na cidade do Rio de

Janeiro. Em 2007, outra animação de minha autoria, O Caminho, feita em Flash, foi selecionada para o Anima Mundi Web, podendo ser vista no próprio sítio virtual do evento121.

Precisei de relativamente pouco tempo para encontrar, enfim, um objeto que exigisse de um pesquisador, simultaneamente, conhecimentos simultâneos em quadrinhos, em sítios virtuais e em animações: os quadrinhos digitais Híbridos presentes na rede mundial de computadores. Senti-me incentivado não somente pelo desafio de pesquisar algo pouco explorado por estudos acadêmicos, como pela possibilidade de expor, na mesma pesquisa, uma análise teórica associada a uma demonstração prática.

A proposta prática se reforça ao se considerar que esta dissertação vem a ser defendida em uma escola de Artes Visuais que, desde sua fundação, adota métodos e fornece espaços para estimular seus alunos ao exercício da habilidade do artista em criar. Acredito que boa parte da minha contribuição para o estudo dos quadrinhos Híbridos virá da execução prática, pois os conhecimentos que tenho da linguagem da Nona Arte e de algumas das técnicas de construção de sítios existentes na Internet me fornecem os substratos necessários para que eu me sinta na segurança (ou na ousadia?) de experimentar, tomando como exemplo os Híbridos que arrolei ao longo deste trabalho textual.

Sustento o ponto de vista de que os quadrinhos Híbridos enriquecem, formal e conceitualmente, a própria linguagem dos quadrinhos, sendo capazes de oferecer, enquanto narrativas e objetos de arte reprodutíveis, novas e interessantes experiências dentro da world

wide web para os leitores-internautas; um trabalho prático fortalece essas premissas de forma

mais consistente que apenas uma exposição escrita. Ainda mais considerando que desejo, no final, expor o experimento tanto para a apreciação da comunidade acadêmica em geral quanto para meu público-alvo, situado dentro e fora das universidades: pessoas de ambos os sexos, a partir de 15 anos, minimamente conhecedoras e apreciadoras da linguagem dos quadrinhos, que têm o hábito de lê-los dentro ou fora da Internet, ou que se interessem pela leitura de histórias de ficção que abordem cotidianos urbanos.

120 Disponível em http://www.maisquadrinhos.com.br. Acesso em 2 ago. 2009.

138 Para execução da prática, optei pelo programa Adobe Flash, versão CS4. Vários fatores motivaram minha escolha: em primeiro lugar, o Flash permite, num mesmo projeto, a convergência de arquivos multimídia de naturezas diferentes, suportando vídeos, imagens estáticas (em vetor ou em bitmap) e sons de diversos formatos; dispõe de um conjunto próprio de instruções em código, o ActionScript, que permite a inserção e o controle de elementos interativos em seus projetos; tem um ambiente característico e amigável (fig. 80), de interface composta por painéis que permitem acesso rápido aos seus recursos; e é otimizado para publicação na Internet, oferecendo cálculo de tempo de download (para dar uma noção da velocidade de descarga de seus projetos em conexões de diferentes velocidades) e inserindo automaticamente seus arquivos compactados de exportação (em formato .swf) em documentos HTML que, depois de pequenos ajustes no Dreamweaver (outro programa da Adobe, dedicado à construção de sítios virtuais), estão prontos para entrar na rede.

Benzer Belgeler