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SONUÇLAR VE ÖNERİLER

A principal prerrogativa para que Tardif (2010) defenda a docência como um trabalho de interações humanas está no fato de que os professores não somente atuam em função de seus objetivos, mas principalmente em função de seus objetos de trabalho. E seus objetos de

trabalho são os seres humanos, sociais e individuais ao mesmo tempo. De modo que as

relações entre os professores e seus objetos de trabalho são, sobretudo, relações humanas (TARDIF, 2010).

Essa condição é vista pelo autor como algo que fundamenta o trabalho docente, já que emerge de seu próprio objeto de trabalho. Como fundamento, implica em diferentes aspectos que englobam o trabalho e delineia suas especificidades.

As principais implicações citadas pelo autor são: 1) O professor lida com um grupo de alunos heterogêneo; 2) as influências exercidas entre professor e alunos são bilaterais; 3) o objeto de trabalho do professor não pode ser controlado; 4) o objeto de trabalho se constitui por uma dimensão afetiva; 5) o objeto de trabalho do professor é dotado de liberdade e; 6) o objeto de trabalho é complexo.

Ou seja:

1) o fato de trabalharem com indivíduos, apesar de lidarem com uma coletividade, faz com que o seu trabalho se oponha às soluções universais, às receitas e às técnicas pré- definidas, pois emerge o caráter da unicidade, da particularidade, da instabilidade, na medida em que cada aluno é único pode suscitar diferentes situações, cada um possui suas potencialidades e seus limites, sua história de vida, sua cultura e suas marcas sociais (TARDIF, 2010). Assim, o grupo de alunos com o qual o professor lida é muito heterogêneo.

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2) Os alunos despertam julgamentos de valor no professor, que se relacionam às suas características físicas, sociais, culturais, religiosas... Do mesmo, professor pode influenciá-lo de diferentes maneiras, mesmo sem ter consciências disso. Essas trocas estão presentes no decorrer das aulas e são inerentes às relações bilaterais que ocorrem entre professores e alunos.

3) As influências existem, mas ao sair da sala de aula o objeto de trabalho do professor escapa ao seu controle, poderá fazer o que bem entendeu a partir do que ouviu e aprendeu em suas aulas.

4) O fator emocional é inevitável quando se lida com relações humanas, pois cada aluno suscitará diferentes emoções, ou reações no professor. Enquanto um parece ser mais amistoso, outro parece estar sempre de mau humor. Enquanto alguns grupos são tranquilos e interessados, outros parecem não se identificar com o modo de ser do professor. As diferentes reações que ocorrem em sala de aula suscitam emoções e afetos que trazem à tona uma

dimensão afetiva.

5) Outra característica é que o objeto de trabalho do professor é dotado de liberdade, de modo que um dos primeiros esforços do docente é fazer com que as atitudes dos alunos vão ao encontro das suas, que o grupo entre em sintonia com a sua proposta.

6) Por fim, o autor ressalta que o ser humano é um objeto complexo e que não é fácil lidar com ele. Para o autor, é o mais complexo do universo, pois não pode ser analisado segundo cada um de seus componentes, é preciso ser visto como um todo, de forma global. Essa forma global, por sua vez, é riquíssima por “possuir uma natureza física, biológica, individual, social e simbólica ao mesmo tempo” (TARDIF, 2010, p 131).

Para o autor essas implicações acompanham e delineiam o exercício da docência, são condições para o professor desempenhar o seu trabalho, mas também são aspectos nos quais o professor precisa se ater quando organiza sua aula, suas estratégias de ensino, sua maneira de se aproximar dos alunos.

Tadif (2010) considera ainda que o fato do ensino configurar-se como atividade humana, não apenas faz do trabalho docente um trabalho interativo, mas também traz marcas à própria compreensão que ele tem por pedagogia:

A pedagogia é o conjunto de meios empregados pelo professor para atingir seus objetivos no âmbito das interações educativas com os alunos. Noutras palavras, do ponto de vista da análise do trabalho, a pedagogia é a “tecnologia” utilizada pelos professores em relação ao seu objeto de trabalho (os alunos), no processo de trabalho cotidiano, para obter um resultado (a socialização e a instrução)

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Por um lado, a pedagogia se relaciona à dimensão instrumental do ensino, isto é, ela é a prática que se situa num ambiente de trabalho real, que tem a função de coordenar diferentes meios para atingir os resultados educativos, que consistem em socializar e instruir os alunos em interação com eles. Essa concepção também indica que “o campo próprio da pedagogia são as interações concretas entre os professores e alunos” (TARDIF, 2010, p. 118).

Por isso se concorda com o autor quando ele salienta que sendo a pedagogia uma teoria do ensino e da aprendizagem, essa jamais pode colocar em segundo plano as limitações que são pertinentes à interação humana, sejam elas normativas, afetivas, simbólicas ou de poder: “As interações com os alunos não representam, portanto, um aspecto secundário ou periférico do trabalho dos professores: elas constituem o núcleo e, por essa razão, determinam, a nosso ver, a própria natureza dos procedimentos e, portanto, da pedagogia” (TARDIF, 2010, p. 118).

Assim, as seis implicações anteriormente ressaltadas, por si só, demonstram que a tarefa do professor em lidar com seu objeto de trabalho é complexa e dificilmente poderá ser repetida de forma igual com grupos distintos. Essas implicações também possuem relações com a própria natureza do trabalho docente, sendo que esse aspecto chamou a atenção de Tardif (2010), que estudou outras profissões, conhecendo algumas categorias em que elas são enquadradas por determinados autores.

Ele fez associações entre as características do trabalho docente e as categorias que encontrou nos diferentes estudos, pontuando que a profissão docente possui aspectos que a caracterizam como um trabalho mental, emocional e moral.

Trabalho mental porque o trabalhador mental carrega seu trabalho em seu interior, ele o leva para onde vai e a qualquer momento e em qualquer lugar pode estar refletindo e buscando soluções para lidar com seus afazeres e suas dificuldades. Assim, esse tipo de trabalho torna-se envolvente e, ao mesmo tempo, difícil de ser separado da vida pessoal.

Trabalho emocional porque requer capacidades que vão além das habilidades físicas e mentais, exige-se um envolvimento afetivo do trabalhador. Isso faz com que a personalidade, as emoções e a afetividade do trabalhador venham à tona durante o trabalho, ou seja, a pessoa do trabalhador emerge no processo: com suas qualidades, defeitos e características: a pessoa é “um componente tecnológico das profissões de interação” (TARDIF, 2010, p 142).

E é um trabalho moral porque envolve pessoas em relação de dependência, de modo que os professores acabam sendo sobrecarregados com um fardo ético, que influi nas decisões

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que precisam ser feitas diariamente, as quais influenciam a vida e a formação de outras pessoas, do próximo.

São diferentes questionamentos que levam o professor a investir a desenvolver um conhecimento de suas características, seus valores, seus princípios, seus sentimentos... Os alunos, por sua vez, precisam aceitar entrar em um processo de aprendizagem, o que leva os professores a terem o papel de motivar os alunos, por meio de relações humanas complexas que exigem que o professor seduza, persuada, tenha autoridade, dê recompensas e punições.

Esses aspectos fazem com que existam problemas éticos envolvendo a docência, a começar pelo grave problema de abuso de autoridade, como “também problemas de negligência ou de indiferença em relação a certos alunos” (TARDIF, 2000, p. 17).

Assim, ele define a profissão docente como um trabalho de interações humanas e mostra que por isso os professores não conseguem se basear somente em conhecimentos objetivos e tecnologias operatórias para realizar seu trabalho, de modo que “Até agora, as ciências sociais e humanas e as ciências da educação não conseguiram construir, como as ciências naturais e aplicadas, tecnologias eficazes e operatórias de controle das situações humanas e dos seres humanos” (TARDIF, 2000, p. 16).

Nessa perspectiva, nosso olhar caminha do trabalho docente, suas interações humanas

e os desafios emergentes dessa condição, para a formação do professor que exerce a profissão, para as marcas deixadas sobre ele em função das características que envolvem seu

trabalho. Se as ciências não foram capazes de construir tecnologias eficazes para controlar todas as situações que abrangem a docência, os professores, enquanto seres humanos, empregam seus saberes oriundos da dimensão pessoal para tentar dar conta dessa complexa tarefa.

Benzer Belgeler