Num primeiro momento, por óbvio, era necessário formar uma equipe de trabalho, o que foi feito com ingresso de novos atores. Esta iniciativa preliminar corrobora o foco da pesquisa que se aplicou à equipe operacional da CMPR, e não aos assistidos, por que se entendeu que o desenvolvimento de qualquer programa implica na gestão de pessoas e na capacitação delas para o efetivo alcance dos alvos estabelecidos.
A narrativa histórica também expõe dois aspectos destacáveis. O primeiro diz respeito ao atendimento, que se iniciou dentro de um regime de horário comercial, de segunda a sexta- feira, o que já era um enorme avanço em relação à dinâmica anterior, que era semanal. Mas no decurso desta prática, o projeto se ampliou e passou a atender sete dias por semana incluindo já a possibilidade de albergue. O segundo destaque que se faz diz respeito à iniciativa de
integração da população de rua aos atos litúrgicos da Catedral Metodista, que se mostrou paulatinamente inadequado tendo em vista a dificuldade de integração entre os frequentadores da igreja e a inserção das pessoas em situação de rua, o que indicou a necessidade de que os atos litúrgicos da Comunidade Metodista do Povo de Rua ficassem restritos ao seu espaço físico.
Encaminhada a questão histórica e como se entendeu que o ambiente político e social eram propícios a alavancagem do incipiente programa de assistência oferecido pela Igreja Metodista Coreana dominicalmente, passa-se agora a articular as expressões dos três coordenadores da Comunidade Metodista do Povo de Rua que foram colhidas na pesquisa de campo proposta na elaboração da tese.
(a) Pastor Alcides de Lima Barros (1991 a 1998)
A primeira e mais extensiva contribuição vem da parte do primeiro coordenador, que oferece riqueza de detalhes sobre os acontecimentos passo a passo da Comunidade Metodista do Povo de Rua. Assim se expressa o Pastor Alcides:
No 3º. ano do curso teológico fiz um estágio com crianças no Projeto Meninos e Meninas de Rua em S. B. Campo. Ao iniciar o 4º. Ano (1991) fui convidado e nomeado pelo Bispo Nelson Luiz Campos Leite para acompanhar o “Café dos Coreanos”. No período de 1987 a 1992, a Igreja Metodista Coreana Ebenezer recebeu o apoio da Igreja Metodista do Brasil no Bairro da Luz. Como prática, servem café com leite ou achocolatado e pão com manteiga para a população moradora de rua, aos domingos no período da manhã, na Praça Fernando Costa, Parque D. Pedro II, região central da cidade. Em 1991 foi nomeado um pastor-seminarista, Alcides Alexandre de Lima Barros, para a Igreja Metodista da Luz, com a incumbência de acompanhar o “Café do Coreano”, assim apelidado pela população moradora de rua que participava daquele trabalho. No segundo semestre de 1991, a Supervisora Técnica da Surbs- Sé/Lapa, da Prefeitura do Município de São Paulo, Cleisa Moreno Maffei Rosa visitou o “Café do Coreano” e propôs um trabalho em parceria com o poder público municipal, ou seja, um convênio da Prefeitura com a Igreja Metodista, para que fosse possível melhorar a estrutura de atendimento àquela população que vive e mora pelas ruas da cidade. Foi uma proposta de trabalho pioneiro em que a Igreja Metodista passou a assumir uma parceria com o poder público através de uma casa de convivência conhecida hoje como Comunidade Metodista do Povo de Rua (tendo sido elaborado um projeto que se encontra na Faculdade de Teologia como “Projeto de Ação Pastoral - Trabalho de Conclusão de Curso”). Seguindo a sugestão e a orientação da Supervisora Técnica, o pastor-seminarista Alcides Alexandre de Lima Barros elaborou um “pré-projeto” que servirá de Trabalho de Conclusão de Curso no bacharelado de teologia, que também foi enviado a P.M.S.P., Surbs-Sé/Lapa, para que fosse possível formalizar o convênio entre a Associação Metodista de Ação Social - AMAS., da Igreja Metodista Central, e a Secretaria Municipal da Família e Bem-Estar Social - Fabes. Considerando-se que a AMAS – Central, entidade jurídica ligada a Igreja Metodista Central, era a mais indicada para assumir o convênio, especialmente por ser reconhecida como de
Utilidade Pública em nível federal, estadual e municipal, e por estar localizada na região da Sé, parte central da cidade, foi solicitada sua participação pela Secretaria de Ação Social da Igreja Metodista da Terceira Região Eclesiástica, para que assinasse o convênio com a Prefeitura, o qual permanece até hoje. A Casa de Convivência da Comunidade Metodista do Povo de Rua fica na área central da cidade, estabelecida no Viaduto Pedroso, pertencendo à Surbs-Sé/Lapa, pois, assim como a AMAS., tem de pertencer a essa região central. Se, por exemplo, o espaço geográfico da comunidade ficasse na região sul da cidade, como Santo Amaro, teria que fazer convênio com a Surbs-Santo Amaro, isso em razão da Prefeitura dividir-se em várias Surbs, distribuindo-as nas regiões sul, norte, leste, oeste e central da cidade. Todo o processo que originou a elaboração do “pré-projeto” transcorreu até o final de 1991, recebendo todo apoio institucional através dos bispos Nelson Luiz Campos Leite e Geoval Jacinto da Silva. Através de reuniões realizadas, ficou decido que o projeto teria apoio não somente de uma igreja local, como a Metodista central, mas também de outras da Região. Teria apoio também da Divisão de Mulheres da Junta de Ministérios Globais e de Pessoas em Missão (ambos da Igreja Metodista Unida dos EUA); ficou também decidido que seria conveniado com a Prefeitura do Município de São Paulo. A tramitação do projeto levou cerca de 8 meses para ser efetivado. Um vez pronto o “pré- projeto” da Casa de Convivência, foi este apresentado em reunião da Secretaria de Ação Social da Igreja Metodista, em 28 de setembro de 1991. Foi enviada posteriormente à Secretaria Municipal da Família e do Bem- Estar Social – Fabes, da P.M.P.S., uma carta por meio da qual consultamos da possibilidade de se assinar um Protocolo de Intenções, enquanto se decidia, no âmbito eclesiástico, sob qual de nossas entidades de Ação Social (AMAS) o convênio seria celebrado. Como a AMAS Central era a única na região do circuito pertencente à Surbs-Sé/Lapa com a possibilidade de fazer a parceria com a Prefeitura, ela dispôs-se a assinar o convênio como pessoa jurídica e a registrar os funcionários, como empregadora, pois a importância das Ongs está no aspecto de se colocar a disposição como entidade civil para o trabalho com parceria. A administração da casa de convivência seria feita por sua diretoria própria, sob supervisão da Prefeitura e da Igreja Metodista da Terceira Região Eclesiástica. A Secretaria Municipal da Família Bem- Estar Social - Fabes aguardou todas essas decisões da Igreja Metodista e, em dezembro de 1991, iniciou o processo de efetivação do convênio. Formou-se uma equipe regional provisória para estruturar o corpo de funcionários da casa de convivência. Participaram desta equipe Sarah Frances Bowden, Thomas Kemper. Neste momento a Igreja Metodista estava passando por uma fase de transição, e o bispo Geoval Jacinto da Silva estava assumindo o episcopado no lugar do bispo Nelson Luiz de Campos Leite, e juntamente com ela a então Secretária de Ação Social da Igreja Metodista na Terceira Região Eclesiástica. No dia 9 de janeiro de 1992, a Secretaria de Ação Social Regional reuniu-se para apreciar currículos enviados por diversos candidatos para compor a equipe de trabalho da casa de convivência. Após inúmeras reuniões com a Secretaria de Ação Social da Igreja Metodista, a AMAS., e a P.M.S.P., no dia 12 de março de 1992, foi assinado o convênio para que fossem iniciados os trabalhos junto à população moradora de rua, pela casa de convivência Metodista. Numa reunião realizada em 30 de março de 1992, algumas sugestões foram dadas para que fosse definido o nome da comunidade que estaria ocupando o espaço do Viaduto Pedroso, 111, local onde se instalaria o projeto casa de convivência. As sugestões foram as seguintes: Comunidade Metodista de Convivência; Casa Metodista de Convivência; Comunidade Metodista do Povo de Rua; Casa Metodista do Povo de Rua. Foi decidido numa reunião posterior, em 9 de abril de 1992, que o símbolo da comunidade seria uma cruz com uma chama, tendo próximo a elas duas mãos dadas, significando a cruz a presença do Cristo vivo junto ao povo e a constante luta pela vida; o fogo significando também a vida, porque cozinha a comida, esquenta no frio, dá calor e força para caminhar, aquece o coração e também traz luz e brilho para iluminar o caminho; as mãos juntas, uma segurando a outra significando união, solidariedade. Assim, aquecidos pelo mesmo calor, seguindo a mesma luz, com fé e esperança, um segurando bem firme a mão do outro, caminhamos lutando pela vida. Numa reunião que aconteceu no dia 14 de abril de 1992, ficou então decido que o nome do projeto casa de convivência seria Comunidade Metodista do Povo de Rua. A Comunidade Metodista do Povo de Rua estruturou-se acolhendo a população moradora de rua em três projetos: unidade casa de convivência; Operação Inverno (abrigo emergencial), que atende a população
no período de junho a setembro; e a unidade abrigo, que foi instalada a partir do ano de 1995. A partir desse projeto, a Igreja Metodista, em parceria com o poder público municipal, assumiu o compromisso de ser um referencial de atendimento à população moradora de rua na cidade de São Paulo, trabalho esse inédito em todo o Brasil em termos de Igreja Metodista. A Comunidade Metodista do Povo de Rua iniciou seu atendimento oficial junto a população no dia 26 de junho de 1992. Após dois meses, ou seja, mais precisamente no mês de agosto desse ano, o “café do coreano” deixou de existir, em razão de faltar verba para sustentá-lo (como era costume, esse grupo servia aos domingos no Parque D. Pedro). Nesse mesmo período, os coreanos deixaram a Igreja Metodista da Luz e passaram a ocupar um espaço alugado até que tomaram destino desconhecido. (Fonte: pesquisa de campo)
A relevante contribuição do Pastor Alcides a esta pesquisa oferece, com precisão e detalhes, as etapas iniciais da Comunidade Metodista do Povo de Rua, tais como:
Convênio: Formalização do convênio entre a Associação Metodista de Ação Social - A.M.A.S., da Igreja Metodista Central a Secretaria Municipal da Família e Bem- Estar Social - Fabes. Considerando-se que a AMAS – Central, entidade jurídica ligada a Igreja Metodista Central, foi encaminhado o TCC feito pelo então acadêmico Alcides sendo instrumentalizado como documento de intenções dos metodistas à PMSP.
Mobilização da liderança da Igreja Metodista, bem como do povo metodista de outras igrejas, o que fez da CMPR uma referência para os metodistas do Brasil conforme testemunha o Pastor Alcides: “Todo o processo que originou a elaboração do “pré-projeto” transcorreu até o final de 1991, recebendo todo apoio institucional através dos bispos Nelson Luiz Campos Leite e Geoval Jacinto da Silva. Através de reuniões realizadas, ficou decidido que o projeto teria apoio não somente de uma igreja local, como a Metodista central, mas também de outras da Região. Teria apoio também da Divisão de Mulheres da Junta de Ministérios Globais e de Pessoas em Missão (ambos da Igreja Metodista Unida dos EUA)”.
O símbolo da Comunidade. Não poderia deixar de faltar a linguagem simbólica para consolidar a justificativa daquela ação nos elementos sagrados da Igreja, o que de certa forma também reflete a tensão interna da própria igreja que têm seu símbolo da cruz e da chama, agora acrescido de um novo elemento que traz consigo a ideia de avanço, mas também de crítica, pois a cruz e a chama são ressignificadas, quem
sabe até apontando um sinal de uma nova igreja, uma dissidência daquela que fez por onde perpetuar a chama e a cruz, conforme aponta o pastor Alcides: “Foi decidido numa reunião posterior, em 9 de abril de 1992, que o símbolo da comunidade seria uma cruz com uma chama, tendo próximo a elas duas mãos dadas, significando a cruz a presença do Cristo vivo junto ao povo e a constante luta pela vida; o fogo significando também a vida, porque cozinha a comida, esquenta no frio, dá calor e força para caminhar, aquece o coração e também traz luz e brilho para iluminar o caminho; as mãos juntas, uma segurando a outra significando união, solidariedade. Assim, aquecidos pelo mesmo calor, seguindo a mesma luz, com fé e esperança, um segurando bem firme a mão do outro, caminhamos lutando pela vida”.
(b) Pastor Samuel Duarte (1992 a 2008)
O Pastor Samuel Duarte, seguidor do Pastor Alcides na coordenação da ação pastoral da CMPR, aponta que sua participação assume efetivamente a pastoralidade da Comunidade Metodista do Povo de Rua, já numa dimensão eclesial.
O movimento metodista em suas origens desenvolveu-se com uma presença significativa na rua. A Comunidade Metodista de Povo de Rua – CMPR, neste contexto urbano, vem reativando este trabalho que tem tido proporções não apenas assistencialistas, mas de conscientização social, política e forte dimensão evangelística. Poucos são os que se preocupam em mudar a situação deste segmento marginalizado. O poder público, a sociedade e até a igreja, muitas vezes, tem se omitido por não apresentarem soluções e ações ou simplesmente por não se preocuparem com esta população. A luta contra a exclusão social tem sido uma realidade na CMPR em suas ações cotidianas. O trabalho realizado é uma busca constante de ir além do assistencialismo, envolvendo a população em situação de rua na medida do possível, na luta pela sociedade nova. Sonho? Talvez. Sonhar com as mãos não faz mal. É pedagogia de Jesus. Ela deve continuar a sua missão acolhendo, amando, ajudando na organização e luta pela mudança das estruturas sociais. Ela precisa contribuir na discussão de políticas públicas que sejam capazes de resgatar a cidadania desta população. Ela precisa acreditar na convivência pacífica de uma sociedade pluralista, no trabalho sério de igrejas e entidades em defesa da vida e na segurança pública alicerçada em princípios éticos e humanitários. Envio as informações para a sua pesquisa de campo, mas percebo uma certa limitação em seu projeto de tese. Você não deveria analisar apenas as práticas pastorais da Comunidade Metodista do Povo de Rua – CMPR, pois neste contexto urbano, existem também outras práticas pastorais na cidade. Há muitas outras comunidades e instituições comprometidas com o anúncio do Reino e que contribuem para fazê-lo mais perceptível aos que vivem na cidade. Todo trabalho realizado com a população da rua acontece em conjunto e
com diversas áreas do conhecimento: social, política, econômica, religiosa, psicológica. Certamente olhando para estas outras áreas, você enriqueceria significativamente a sua pesquisa de campo. A pastoral de rua é um ministério específico da Igreja Metodista. Ela tem como objetivo principal a promoção da vida com a população de rua na cidade de São Paulo. A ação pastoral procura ser uma das expressões do testemunho vivo de Jesus Cristo, que caminha em solidariedade e apoio com o povo de rua, descobrindo a esperança do Evangelho do Reino de Deus. Necessariamente é um trabalho de pastoreio. A misericórdia e o amor de Deus se fazem presentes em todos os momentos. Pessoas desenraizadas, perdidas como ovelhas sem pastor, necessitadas de alguém que caminhe com elas ajudando-as a redescobrir sua dignidade. Este compromisso exige que nos envolvamos com este segmento excluído. O poder passa necessariamente pelo serviço, ou então não é poder. Ser religioso no meio do povo da rua não inclui necessariamente uma presença sacramental, mas um apontar para o grande sacramento de Deus no mundo: a vida. “Temos que chegar no povo, pois o povo está morrendo de frio, de fome e de pinga”. “Nós estamos na rua e somos desprezados, vocês estão na rua e são contemplados, mas o que nos une é a alegria de estarmos juntos”. Isso é o que dizia o Sr. Clovis Parrili, um ex-usuário da CMPR que me despertava para o desafio constante do nosso compromisso solidário. Das coisas miúdas, dos pequenos gestos, é que vai se forjando o homem novo e envolvendo-o no processo de transformação. Como toda Igreja, a CMPR, tenta fazer um trabalho de evangelização, no caso, do e pelo povo que por um motivo ou outro vive em situação de rua. Em que consiste este trabalho de evangelização? O principal é a própria convivência, o respeito, a consideração, o acolhimento, a amizade, os laços que vão se criando. Todas as atividades são desenvolvidas em função disso. A partir daí, tudo é possível: recobrar sua dignidade, o respeito, a confiança em si mesmo, nos outros, em Deus, parar de beber, começar a trabalhar, sair da rua. Eles/as conversam, discutem, partilham e participam das atividades. No contato e no diálogo com as pessoas, muitas experiências são relatadas. É um verdadeiro aprendizado. É impressionante como o povo de rua nos adverte, eles/as descobrem que Deus está ao lado deles/as, que Deus quer a vida, pois como eles/as costumam dizer: “entre a vida e a morte, a vida é mais forte”. Em princípio, toda a atividade da CMPR, pode comportar um momento de oração ou celebração. Afinal esta se define como sendo a igreja do povo da rua. Raramente o povo da rua encontra seu espaço nas igrejas estabelecidas, sejam elas católicas ou protestantes. O povo que vive na rua é marginalizado não só em relação à sociedade, mas também em relação às igrejas. Assim, o povo de rua geralmente não se define por uma determinada igreja ou religião; quando podem, aproveitam um pouco de tudo o que é oferecido. O que dá sustentação e garante o caminhar com eles/as são os laços de amizades que se constroem no dia a dia pela atenção, amor e respeito. Sem estes laços fraternos é impossível a realização de qualquer trabalho. A missão se manifesta na promoção da vida e do trabalho devendo haver comunhão e reconciliação com Deus e com o próximo. (Fonte – Relatório obtido através da Pesquisa de Campo)
A contribuição do Pastor Samuel Duarte a este projeto de pesquisa oferece indicações bem específicas de que houve de fato uma mudança na lógica da presença e da atuação da Comunidade Metodista do Povo de Rua, que concerne em ir deixando a sua dimensão social para consolidação de se tornar uma comunidade alternativa, focada na população de rua. Ou seja, a valorização do homem como indivíduo que sob condições especiais de abandono, o estar na rua, carece de assistência como tal, mas sobre tudo como um pecador perdido.
Destaca-se a questão evangelística como sendo um aspecto forte da CMPR: “vem reativando este trabalho que tem tido proporções não apenas assistencialistas, mas
de conscientização social, política e forte dimensão evangelística”. Noutro segmento de sua exposição, o Pastor Samuel deixa claro que a vinculação da CMPR é com a Igreja, como declara:
A pastoral de rua é um ministério específico da Igreja Metodista. Ela tem como objetivo principal a promoção da vida com a população de rua na cidade de São Paulo. A ação pastoral procura ser uma das expressões do testemunho vivo de Jesus Cristo, que caminha em solidariedade e apoio com o povo de rua, descobrindo a esperança do Evangelho do Reino de Deus. Necessariamente é um trabalho de pastoreio.
Estas exposições deixam claras as tensões existentes dentro do foco de serviço ou de razão de ser da Comunidade, uma vez que se tenta preservar a face eclesiástica desta atuação. Propugna-se uma perspectiva cidadã e uma negação ao assistencialismo, entretanto, se consolida o imaginário de que aquele é um braço estendido da Igreja Metodista. Por outro lado, o interlocutor ainda sugere que se amplie esta pesquisa para outras expressões de ação pastoral urbana, o que de fato não é a dimensão deste trabalho. Noutra parte da exposição fica bem claro que o ardor evangelístico é um elemento bem consolidado na proposta da Igreja Metodista via Comunidade Metodista do Povo de Rua, em que pese todo o esforço discursivo em apontar-se que a promoção humana é a chave deste programa da Igreja na CMPR. O que sustenta de fato é a indicação de uma evangelização diferenciada que cria uma igreja diferenciada onde só população de rua participa, uma vez que esses não são aceitos ou acolhidos em outras comunidades católicas ou protestantes, sendo assim um movimento específico junto a um segmento específico, como bem expressa o pastor Samuel:
Como toda Igreja, a CMPR, tenta fazer um trabalho de evangelização, no caso, do e pelo povo