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Entregue em setembro de 2012, o residencial Vida Nova localiza-se no bairro de Passagem de Areia (a aproximadamente 1,98 Km do centro), sendo constituído por 464 apartamentos, com 42,11m² construídos pela M e K Comércio e Construções LTDA, no valor de R$ 41.000, conforme informações da CEF (Figura 22). Nas suas proximidades, localiza-se o Condomínio Ilhas do Pacífico, entregue em abril de 2013, que, por ter sido entregue após a realização da pesquisa de campo, não foi contemplado pela pesquisa.

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Figura 23 – Residencial Vida Nova

Fonte: Pesquisa de campo (2012).

Do total de moradores pesquisados, 77,1% é do sexo feminino e 22,9% é do sexo masculino. A faixa etária de 29 a 39 anos foi que a obteve a maior incidência o que corresponde a 37,1% dos pesquisados. Apenas 8,6% dos moradores da amostra declararam-se desempregados, enquanto 35,7% declararam-se empregados com carteira assinada, e 7,1% sem carteira assinada. Os demais não declararam (20%), são aposentados (4,3%) ou disseram ter outra situação frente ao mercado de trabalho, não especificada (24,3%).

No tocante à faixa de renda, 18,6% dos moradores pesquisados disseram possuir renda menor que 1 salário, enquanto 55,7% disseram encontrar-se na faixa de renda de 1 a 3 salários mínimos, e ainda, 25,7% dos entrevistados não declararam sua renda. Em relação ao Programa Bolsa Família, a maioria dos pesquisados (56%) declarou receber o benefício, enquanto 43% não recebem, conforme demonstra o Gráfico 8.

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Gráfico 8 - Percentual de moradores pesquisados beneficiados pelo Programa Bolsa Família no Residencial Vida Nova

Fonte: A Autora (2013).

Dos moradores contemplados pelo PMCMV que recebem o benefício do Programa Bolsa Família neste condomínio, 55,7% não informaram o valor do mesmo, 4,3% disseram receber de R$50,00 a R$ 100,00. No entanto, na maioria dos casos, o benefício corresponde a R$ 150,00 a R$ 200,00.

Em relação à condição de moradia, constatou-se que 68,8% dos moradores da amostra moravam de aluguel antes de serem beneficiados pelo PMCMV, 21,4% disseram morar em casa cedida, normalmente por parentes e/ou amigos, e 5,7% disseram que moravam em casa própria. Este dado é bastante controverso, visto que uma das condições impostas pelo Programa é justamente que o candidato não possua casa própria. No entanto, alguns possuem imóvel em nome de terceiros, o que viabiliza a sua participação no Programa. Há ainda situações nas quais o beneficiado não mora efetivamente no apartamento adquirido por meio do programa, conforme nos relatou um dos moradores que participa ativamente das reuniões e decisões do condomínio.

O nível de satisfação dos moradores evidencia que 71,4% dos entrevistados estão satisfeitos com a nova moradia, apesar dos inúmeros problemas relatados durante a pesquisa. Outro item de grande satisfação é o que se refere à relação com os vizinhos (70%), seguido pelo item referente à localização do empreendimento (68,6%); acesso a lojas, supermercados, farmácias etc. (65,7%), privacidade (58,6%) e deslocamento (57,1%). 56% 43% 1% BOLSA FAMÍLIA (1) Sim (2) Não (3) Outro benefício

142 Os itens de maior insatisfação foram: lazer (54,3%), seguido por segurança dentro do condomínio (47,1%) e segurança do bairro (51,4%). Para estes itens, os moradores declararam-se nada satisfeitos.

O elevado percentual de insatisfação em relação ao lazer dentro do condomínio (68,8%) somado ao mau uso dos equipamentos destinados a esta finalidade têm suscitado o aumento dos desentendimentos entre os moradores do Residencial Vida Nova. Este descontentamento ocasionou, por exemplo, a destruição do parque infantil por um dos moradores, ao ficar irritado com o barulho constante das crianças em frente ao seu apartamento (Figura 24).

Figura 24 – Expressão da insatisfação de um dos moradores em relação ao barulho provocado pelo uso do parque infantil no Residencial Vida Nova

Fonte: Pesquisa de campo (2012).

Outros moradores ouvidos pela pesquisa relataram a insatisfação em relação à falta de infraestrutura adequada dos apartamentos para suprir algumas necessidades básicas, como, por exemplo, a ausência de local apropriado para a lavagem e secagem de roupas. Embora os apartamentos disponham de lavanderia, não existe um espaço adequado para a inserção de varal, obrigando os moradores a colocar varais dentro de seus próprios cômodos. Alguns retiram até mesmo a lavanderia, para permitir a melhor circulação no interior da cozinha, como pode ser observado na Figura 25.

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Figura 25 – Estratégias de enfrentamento da falta de infraestrutura adequada para a realização da prática doméstica.

Fonte: Pesquisa de campo (2012).

Vale salientar que muitos moradores não possuem máquina de lavar, o que dificulta ainda mais o processo de secagem das roupas no interior do apartamento. Essa dificuldade também foi constatada nos outros condomínios do PMCMV, no entanto, os administradores alegam que não é possível conceder que os moradores coloquem varais nas áreas externas, visto que incorreria numa quebra de privacidade e desconforto para os demais vizinhos.

Outras questões importantes foram levantadas pelos entrevistados, como, por exemplo, a baixa qualidade do material utilizado para a construção dos apartamentos. Segundo as informações, com pouquíssimo tempo de ocupação os problemas relacionados a entupimento de canos e vazamentos são constantes. Além disso, os moradores pesquisados reclamam de negligência dos administradores com relação à manutenção. Para se ter uma ideia, a entrega dos apartamentos aconteceu em setembro de 2012 e até dezembro deste mesmo ano ainda estavam sem iluminação dentro do condomínio.

De acordo com a Secretaria de Habitação, o Residencial Vida Nova apresenta inúmeros conflitos. Estes são oriundos dos próprios atrasos na entrega da obra e persistem no processo de pós-ocupação, que, por enquanto, segue sem assistência efetiva na área de manutenção e assistência social.

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CARACTERÍSTICAS DO ENTORNO

Apesar dos problemas relacionados à manutenção interna, o Residencial Vida Nova é o que apresenta melhor inserção espacial, no sentido do acesso a serviços e infraestrutura dentro do bairro onde se localiza. Em suas mediações, encontram-se supermercados, farmácias, padarias, lanchonetes, praças, lojas de material de construção, posto de saúde, hospital e escolas, além de um acesso facilitado a transportes urbanos, como ônibus e moto-táxi. A linha J da empresa Trampolim da Vitória passa em frente ao condomínio e tem um itinerário mais amplo, contemplando as áreas de maior centralidade de serviços em Natal, como o bairro Alecrim, por exemplo.

Nas imediações do Residencial Ilhas do Pacífico (construído em área contígua ao Residencial Vida Nova e entregue somente após a finalização da nossa pesquisa de campo), observa-se a presença de casas com baixo padrão de habitabilidade, expostas a esgoto a céu aberto e uma grande cratera que se forma em dias de chuva, tendo em vista o escoamento dessas águas para o rio Pitimbu que tem nascente em Macaíba, município fronteiriço, do qual o bairro de Passagem de Areia se aproxima (Figura 26).

Figura 26 – Condições precárias de moradia nas proximidades do Residencial Vida Nova e Ilhas do Pacífico

Fonte: Pesquisa de campo (2012).

Esta realidade reflete as lacunas referentes à ausência de serviços como o saneamento básico. Aliás, este problema não se restringe apenas ao entorno dos condomínios citados na Figura 26, uma vez que é observado em outros bairros da cidade, estando presente de forma constante nas reclamações dos moradores, de modo geral.

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SÍNTESE DOS RESULTADOS DA PESQUISA

Os resultados da pesquisa realizada nos empreendimentos do PMCMV faixa 1 no município de Parnamirim/RN permitem apontar alguns elementos de suma importância para o estudo das políticas públicas de habitação, voltadas de forma específica para a população de baixa renda. Entre esses elementos, destaca-se o forte poder da ideologia da casa própria presente no discurso dos governantes e dos beneficiados pelo Programa.

Os dados obtidos no recorte espacial desta pesquisa demonstram o elevado nível de satisfação dos moradores beneficiados, apesar das significativas dificuldades impostas pela nova moradia, a saber: o afastamento dos condomínios do centro; a falta de acesso a serviços urbanos de qualidade e a uma boa infraestrutura que garanta a inserção urbana de milhares de famílias nas cidades que sediam estes empreendimentos, incluindo os gastos dispendiosos com transporte e o alto grau de insegurança aos quais os mesmos estão expostos.

Os valores que correspondem às distâncias aproximadas dos empreendimentos do PMCMV faixa 1 até o Centro de Parnamirim evidenciam o padrão de periferização espacial seguido pelo programa (Figura 27). Os condomínios Terras de Engenho 1 e 2 (em construção), por exemplo, ficam a aproximadamente 6,58 Km do centro da cidade, apresentando condições dificílimas de acesso por pedestres.

Benzer Belgeler