• Sonuç bulunamadı

OS RECURSOS HÍDRICOS NO ESTADO DE SÃO PAULO, O

PROGRAMA ESTADUAL DE MICROBACIAS

HIDROGRÁFICAS E O AQÜÍFERO GUARANI

AQÜÍFERO GUARANI

A relação entre teoria e prática é fundamental num projeto de pesquisa cujo foco é a articulação entre a educação ambiental e o conhecimento científico disponível ao homem contemporâneo para a resolução de problemas ambientais relacionados à microbacia hidrográfica e à construção da consciência socioambiental necessária para a recuperação e preservação dos recursos hídricos para o homem do presente e gerações futuras.

É essencial, portanto, que os educandos e educandas estudem tanto no campo teórico quanto no prático a dinâmica das águas superficiais e subterrâneas, bem como as políticas públicas desenvolvidas na atualidade pelos governantes para recuperar e preservar as fontes de água.

Iremos refletir no presente capítulo sobre os recursos hídricos no Estado de São Paulo e o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas. O nosso ponto de partida vai ser o Aqüífero Guarani, reserva de água subterrânea que precisa ser pesquisada e estudada com mais profundidade justamente porque sua origem e estrutura geológica ainda é pouco conhecida.

As áreas de afloramentos (zonas de exposição livre), locais de exposição natural da rocha armazenadora das águas que dão origem às nascentes do Córrego São José do Corrente e afluentes, são oriundas do Aqüífero Bauru, zona de arenito que está sobre a formação basáltica Serra Geral, extensa camada de rocha que confina o Aqüífero Guarani, principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas de aqüíferos do mundo.

Para BORGUETTI et alii (2004), aqüífero é uma formação geológica do subsolo, constituída por rochas areníticas permeáveis, que armazena água em seus poros e fendas (fraturas). Outro conceito refere-se a aqüífero como sendo, somente, o material geológico capaz de servir de depositário e de transmissor da água aí armazenada. Assim, uma litologia só será aqüífera se, além de ter seus poros saturados (cheios) de água, permitir a fácil transmissão da água nela armazenada.

No caso do Aqüífero Guarani, a água está armazenada nos poros e nas fendas dos arenitos Botucatu/Pirambóia formados na era geológica do Mesozóico, com idades entre 200 e 130 milhões de anos, em geral cobertas por espessas camadas de basalto, formação da Serra Geral, que confinam as águas em profundidades que vão de 50 metros até 1800 metros e temperaturas entre 33ºC e 65ºC (OEA, 2003).

Segundo BORGUETTI et alii. (2004), o termo Guarani foi sugerido pela primeira vez em 1994 pelo geólogo uruguaio Danilo Antón com o objetivo de unificar a nomenclatura das formações geológicas que formam o aqüífero e que recebem nomes diferentes nos quatro países do Mercosul

(Pirambóia/Botucatu, no Brasil; Misiones, no Paraguai; Tacuarembó, na Argentina e Buena Vista/Tacuarembó, no Uruguai) e, simultaneamente, prestar homenagem à memória dos índios guaranis que habitavam grande parte da área de ocorrência deste aqüífero, quando os europeus iniciaram a ocupação do continente americano.

O Aqüífero Guarani ocupa uma área total de 1.195.500 Km², abrangendo a Bacia Hidrográfica do Paraná e parte das Bacias dos rios Paraguai e Uruguai. Sua distribuição é a seguinte: Brasil (839.800 Km², ou seja, 70,2%), Argentina, (225.500 Km², ou seja, 18,9%). Paraguai (71.700 Km², ou seja, 6,0%) e Uruguai (58.500 Km², ou seja, 4,9%).

Fonte: Revista Galileu, nº. 119, Rio de Janeiro, Editora Globo, junho de 2001. Figura 05: Área de abrangência do Aqüífero Guarani.

As zonas de afloramentos constituem 12,8% de sua superfície, ou seja, 153.000 Km², sendo que 67,8% (104.000 Km²) localizam-se no Brasil. A área de abrangência geográfica do Aqüífero Guarani é superior à soma dos

territórios da Inglaterra, França e Espanha e possui uma população estimada em quase 30 milhões de habitantes (BORGUETTI et alii, 2004).

Estudos realizados pelo Projeto Sistema Aqüífero Guarani (OEA, 2003) demonstram que podemos ter acesso ao aqüífero por meio de perfurações realizadas por máquinas perfuratrizes. Em geral, à medida que o terreno é escavado, colocam-se tubos verticais até penetrar nas camadas que contêm a água a ser extraída e que constituem o aqüífero. Atingido esse nível, é colocado na perfuração um filtro permitindo o ingresso de água e sua extração.

As características das perfurações variam segundo a profundidade da água. O diâmetro final das perfurações é, geralmente, de 15 ou 20 cm e sua profundidade pode ser de 50 metros até 1800 metros em alguns casos. O Aqüífero Guarani é recarregado com parte da água de chuva que cai na região e infiltra diretamente no terreno ou através de rios, arroios, lagos, que por seus leitos permitem a passagem de água para camadas de terreno mais profundas. Essa água que infiltra é quantificada por meio de um volume anual (OEA, 2003).

O Aqüífero Guarani pode ser dividido em três zonas principais no que se refere à proteção de sua imensa reserva de águas. Primeiramente as ZONAS DE EXPOSIÇÃO LIVRE do aqüífero, onde o risco de contaminação é grande e a exploração é maior, mais barata, porém de menor intensidade pontual. Posteriormente tem-se as ZONAS PRODUTORAS DE CONFINAMENTO, onde o grau de proteção do aqüífero é bem maior, pois os outros aqüíferos sobrepostos a ele "filtram" a recarga. Por fim a terceira é a ZONA DE

DESCARGA DO AQÜÍFERO, área próxima ao centro da bacia que usa o Rio Paraná como descarga. Este é o esboço de um macrozoneamento do Aqüífero Guarani. Cada uma dessas zonas deve ter preocupações e diferentes medidas de proteção e de controle da exploração.

Foto: Lourenço Magnoni Júnior, agosto de 2006

Figura 06: Área de recarga e descarga do Aqüífero Guarani degrada por erosões entre os municípios de Botucatu e Pardinho.

Foto: Lourenço Magnoni Júnior, agosto de 2006

Figura 07: Grupo de participantes da I Jornada Estadual do Aqüífero Guarani visitando área de recarga e descarga durante atividade de campo. Botucatu, agosto de 2006.

Conforme BORGUETTI et alii (2004), na região do Guarani, em virtude da ocorrência de terras férteis e de solos com altos índices de produtividade, associados principalmente à decomposição das rochas basálticas sobrepostas da Formação Serra Geral, existem importantes áreas de produção agropecuárias tanto no Brasil quanto na Argentina, Paraguai e Uruguai.

Aqüífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, para o desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer. Como já frisamos anteriormente, sua recarga natural anual é de 160 Km³/ano (promovida principalmente pelas chuvas), constituindo-se 40 Km³/ano o potencial explotável sem riscos para o sistema aqüífero. As águas em geral são de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos. Em sua porção confinada, a maioria dos poços perfurados tem em média cerca de 1.500 metros de profundidade e podem produzir vazões superiores a 700 m³/hora (OEA, 2003).

Entretanto, o abastecimento público é um uso que pode ser priorizado quando os aqüíferos sobrepostos estejam esgotados ou inviabilizados. Isso não significa que não devemos utilizá-lo para o abastecimento público, mas que as políticas hídricas devem privilegiar os aqüíferos mais superficiais para esse fim.

O geotermalismo, presente na zona de descarga do aqüífero, pode ser um problema, mas seu uso por outra atividade, como a secagem de grãos, o lazer, e a agroindústria pode ter como subproduto água fria de boa qualidade. Os recursos do Guarani na parte confinada podem receber, pois, uma destinação

preferencial para essas atividades, além de ser guardada como reserva estratégica para situações de emergências.

Do ponto de vista dos países que abrigam em seus territórios o aqüífero, assim como as águas de superfície, o Brasil tem a maior extensão à "montante", ou seja, nas áreas de recarga direta e recarga sob confinamento. Já a Argentina predomina na área de descarga. Estamos desta forma diante do mesmo quadro das águas superficiais.

Na parte sul do aqüífero, há uma assimetria, com a metade leste bem mais extensa que a metade oeste. Esse é o motivo da distribuição desigual do Aqüífero Guarani entre Brasil, Argentina e Paraguai. Na porção norte, onde quase todo o aqüífero está em território brasileiro, encontramos importantes áreas de recarga em São Paulo (Região de Ribeirão Preto e Botucatu), Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que fazem do Brasil o país mais importante no que se refere à recarga do Guarani. Assim, será no território brasileiro que as medidas protetoras, ou seja, restritivas, podem atingir maior extensão territorial.

Sabe-se que as restrições de uso trazem consigo possibilidades de perdas, conflitos e também a necessidade de compensações. No momento em que re-investimentos em escala global estão em curso, a concorrência por capitais entre os diferentes territórios é uma realidade.

No Brasil, por exemplo, a “guerra fiscal" praticada entre os Estados para atrair investimentos internacionais pode prejudicar a preservação do Aqüífero Guarani. Essa "guerra" também existe entre as Nações, levando-se em

consideração outros fatores, entre eles a oferta hídrica e a ausência de restrições ambientais.

Em hipótese alguma estamos afirmando que os países do Mercosul irão promover no futuro guerra pela água; estamos apenas lembrando que já ocorreram diversas guerras pelo domínio de fontes de águas em outras regiões do mundo.

Historicamente, no que se refere aos recursos hídricos, os países a jusante dos rios procuram com ações diplomáticas ou militares compensar sua condição de certa "inferioridade estratégica" no que se refere aos países a montante. É o caso do Egito, que pressiona constantemente o Sudão acerca da vazão do rio Nilo, vital para os egípcios. No Oriente Médio, países a montante com a Turquia exercem pressões e até chantagem sobre os países a jusante, como a Síria e o Iraque (SIRONNEAU, 1996).

No caso do Aqüífero Guarani, apesar do atual equilíbrio entre Brasil e Argentina tivemos no passado muitos conflitos. De fato, hoje é inviável qualquer ação - que não seja diplomática - da Argentina, país a jusante do Rio Paraná, sobre o Brasil, posicionado a montante do Rio Paraná. Como o Mercosul depende basicamente desses dois países, é no campo de negociação que se pode construir um acordo visando o uso compartilhado e democrático do Aqüífero.

O Aqüífero Guarani abrange oito Estados brasileiros (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), sete Províncias argentinas (Buenos Aires, Chaco, Corrientes, Entre Rios, Formosa Missiones e Santa Fé), assim como Paraguai e

Uruguai formam um complexo mosaico legal no tema da água, pleno de diferenças entre esses diversos territórios.

Enquanto alguns estados ou províncias contam com complexos sistemas de gestão, com comitês de bacias hidrográficas (águas superficiais), com sua competência ampliada para as águas subterrâneas, leis e regulamentos sobre cadastro de poços, em outros não existe qualquer menção à gestão de águas de qualquer espécie, superficial ou subterrânea.

No caso brasileiro, as águas subterrâneas ficaram sob domínio dos Estados, enquanto na Argentina são de domínio das Províncias, o que torna mais complexa a articulação de um possível quadro legal.

Como nos anos 90 do século XX esses países assistiram ao mesmo tempo ao desmonte das máquinas estatais e à introdução dos sistemas de regulagem e gestão de águas neoliberais, suas entidades ainda estão frágeis para enfrentar as tarefas mais rotineiras, quem dirá as mais complexas. Isso torna ainda maior o desafio de construir uma política de gestão comunitária e democrática para a enorme gama de recursos que disponibiliza o Aqüífero Guarani.

Para se ter uma idéia, no Estado de São Paulo o Aqüífero Guarani é explorado por mais de 1000 poços numa faixa situada no sentido sudoeste-nordeste, isto é, principalmente nos cerca de 17.000 Km² de sua área de recarga.

A área de recarga do Aqüífero Guarani é muito vulnerável devido sua aproximação com a superfície terrestre, devendo ser objeto de programas de planejamento e gestão ambiental permanentes para se evitar a

contaminação da água subterrânea e a super exploração do aqüífero, que provoca o rebaixamento do lençol freático e o impacto nos corpos d'água superficiais, caso já detectado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica da Secretaria de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento do Estado de São Paulo na região de Ribeirão Preto.

Quanto à preservação da qualidade da água do Aqüífero Guarani, devem ser tomadas providências de proteção necessárias para controlar os efeitos das atividades potencialmente poluentes (espalhamento de resíduos sólidos, excesso de agroquímicos na agricultura, construção de poços negros, entre outras).

O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani em vias de desenvolvimento pela Subsecretaria de Recursos Hídricos do Ministério de Planificação Federal, Investimento Público e Serviços da Argentina, Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, Direção-Geral de Proteção e Conservação de Recursos Hídricos da Secretaria do Ambiente do Paraguai e Direção Nacional de Hidrologia do Ministério de Transporte e Obras Públicas do Uruguai, com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), Banco Mundial (BM) e Organização dos Estados Americanos (OEA), visa aumentar o conhecimento sobre o recurso e propor um marco técnico, legal e institucional para sua gestão coordenada entre a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, garantindo a sua preservação.

Segundo HIRATA et alii (2006), o período de execução do Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani é de cinco anos (2003-2008) e tem três diretrizes básicas:

a) Consolidar o conhecimento sobre a estrutura, o funcionamento e as potencialidades hidráulicas, bem como das características geoquímicas do Aqüífero.

b) Desenvolver um marco para a gestão coordenada do Aqüífero Guarani;

c) Fomentar a participação pública, a educação ambiental e a comunicação social, de modo a garantir as reservas de água subterrânea para as atuais e futuras gerações.

Para Hirata et alii (2006), a maior ameaça do Aqüífero Guarani é o desconhecimento, principalmente o técnico-científico, em relação às suas características hidráulicas e hidrogeoquímicas do corpo aqüífero. É preciso usar o conhecimento técnico-científico para identificar as zonas críticas quanto à degradação da qualidade e superexploração.

A identificação dessas zonas permitirá estabelecer as áreas onde a atuação de gerenciamento do recurso hídrico subterrâneo seja prioritário. É preciso realizar pesquisas específicas, dirigidas aos problemas, aos temas críticos ou às lacunas de conhecimento que o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani, por sua escala, dificilmente dará conta em responder; subsidiar os técnicos para a elaboração de lei específica de proteção do manancial nas áreas de recarga mais vulneráveis à

contaminação e capacitar profissionais no campo da hidrologia e da gestão integrada dos recursos hídricos.

Pelo lado institucional, HIRATA et alii (2006) diz que devemos analisar com cautela a capacidade da sociedade e dos Estados de se organizarem para promover o gerenciamento sustentável do valioso recurso hídrico. Segundo ele, os maiores desafios são:

a) construir um esquema de gestão participativa do Aqüífero Guarani;

b) criar um plano de utilização e proteção do Aqüífero Guarani que esteja presente no detalhamento do Plano Nacional de Recursos Hídricos, a partir de 2007;

c) implantar e operar um sistema descentralizado de informações;

d) criar, instituir e tornar padrão um protocolo mínimo de normas técnicas de projeto, construção e outorga de poços entre todos os países e estados que exploram o Aqüífero Guarani;

e) ampliar os colegiados de gestão, tanto em nível nacional, como estadual, em sintonia com os comitês de bacia;

f) fortalecer os investimentos em informação pública e participação do recurso hídrico, incluindo a efetivação de programas de comunicação social e educação ambiental;

g) fortalecer os órgãos gestores, capacitando-os e aparelhando-os para a função da gestão efetiva do Aqüífero Guarani, incluindo a possibilidade de uma atuação articulada com outros órgãos estaduais e nacionais.

Inúmeros são os desafios para que no futuro possamos gerir e preservar adequadamente o Aqüífero Guarani. No caso específico do Brasil, é preciso mais envolvimento e comprometimento da União, dos estados e dos municípios no desenvolvimento de políticas públicas para gerir e preservar nossos recursos hídricos e das universidades e demais instituições de pesquisas. É preciso estimular o desenvolvimento de novos estudos, pesquisas e de ações de educação ambiental articuladas com as escolas públicas de educação básica, visando à construção da consciência socioambiental necessária para a sociedade brasileira valorizar e preservar nossos recursos hídricos, entre eles o Aqüífero Guarani.

Como podemos observar nos nossos estudos geográficos e científicos, por ser o Guarani um aqüífero de extensão continental com característica confinada, muitas vezes jorrante, sua dinâmica ainda é pouco conhecida, necessitando maiores estudos futuros para seu entendimento, de forma a possibilitar uma utilização mais racional e o estabelecimento de estratégias de preservação mais eficientes. Por que, então, não podemos começar pelo trabalho que estamos desenvolvendo na Microbacia do Córrego São José do Corrente? Grandes projetos às vezes surgem com pequenas e simples ações.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A POLÍTICA

ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS

Podemos definir bacia hidrográfica como o conjunto de terras drenadas por um rio principal, seus afluentes ou tributários. As bacias

hidrográficas são separadas entre si por morros, montanhas ou colinas. A parte mais alta desses morros, montanhas ou colinas é conhecida como espigão ou divisor de águas e a mais baixa de talvegue.

A definição de microbacia hidrográfica é semelhante à de bacia, mudando apenas a escala e o tamanho da área geográfica de abrangência. Por manancial chamamos qualquer corpo de água superficial ou subterrânea utilizado para o abastecimento humano e para os setores produtivos.

É dos mananciais que provém a água que, dentre outras utilidades, serve para o abastecimento humano, animal, industrial, comercial, assim como para irrigação na agricultura. Essas fontes de abastecimento de água são encontradas em nosso país principalmente nos rios, córregos, lençóis de água subterrâneos, reservatórios, cabeceiras de nascentes, olhos d’água, fontes, poços etc., sendo urgente a necessidade de implementação de políticas públicas para preservar essas importantes fontes de água.

Foto: Lourenço Magnoni Júnior, abril de 2005

Figura 08: Córrego São José do Corrente, município de Cabrália Paulista – SP. Alunos conhecem a realidade física e social através da “aula-passeio”.

A Constituição Federal de 1988 estabeleceu no Artigo 21, Inciso XIX, a instituição do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e a definição de critérios de outorga de direitos de uso. Porém, vai ser a Lei Nº. 9.433 de 08/01/1997, conhecida como Lei das Águas, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o Inciso XIX da Constituição Federal e define um conjunto de instrumentos institucionais voltados para o gerenciamento dos recursos hídricos no Brasil.

Para MACHADO (2003),

“a Lei Nº. 9.433/97 almeja disciplinar o uso das águas, incorporando em seu texto algumas importantes inovações conceituais, jurídicas e institucionais que vinham sendo propostas e debatidas nacional e internacionalmente pelos diversos setores envolvidos com a administração e o uso dos recursos hídricos, assim como com a questão ambiental, particularmente desde a década de 1980 no país e no exterior. Nesse sentido, com o início do gerenciamento por meio de Comitês e Agências de bacias, a atualização e/ou aprovação e regulamentação das legislações estaduais de recursos hídricos, a privatização de alguns serviços públicos de água potável e saneamento de águas servidas e a criação da Agência Nacional de Águas (Lei Nº. 9.984/2000) o quadro sociopolítico dessa transição tende a transformar-se de modo decisivo” (2003, p. 23).

A Política Nacional de Recursos Hídricos, estabelecida pelo Artigo 1º da Lei Nº. 9.433/1997, baseia-se nos seguintes fundamentos:

a) a água é um bem de domínio público;

b) a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

c) em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais;

d) a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas;

e) a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

f) a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

Os objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos previstos no Artigo 2º da Lei nº. 9.433/1997 são os seguintes:

1) assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em

Benzer Belgeler