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Atenção, como explicada anteriormente, é a função mental que seleciona de forma consciente os estímulos para mantê-la em foco. Pode ser desenvolvida através do processo crítico reflexivo, pois a atenção não é uma função psíquica autônoma, ela está vinculada aos estados de consciência. O seu desenvolvimento é um processo afetivo e volitivo mediado pela consciência, para que ela permaneça em foco. Para que esse desenvolvimento acontecesse, precisávamos saber em que estágio de atenção o nosso aluno se encontrava.

Com este objetivo, planejamos um processo que se iniciou com o diagnóstico do desenvolvimento da atenção dos 25 alunos que participaram do jogo (15 alunos em um primeiro momento e 10 posteriormente).

Conforme descrição anterior, este diagnóstico foi realizado em parceria com a partícipe e ficou decidido que seria eu a apresentar os resultados por me competir coordená-lo e analisá-lo.

Assim, obtivemos o resultado seguinte: nenhum aluno completou o jogo adequadamente. Três executaram o jogo com nove respostas adequadas em cinco minutos. Quatro alunos fizerem oito respostas em seis minutos. Três crianças fizeram seis respostas adequadas em sete minutos. Três crianças fizeram sete respostas adequadas em cinco minutos. Sete alunos fizeram cinco respostas em cinco minutos. Três fizeram seis respostas em sete minutos. Cinco crianças fizeram quatro respostas adequadas em sete minutos. Estes alunos demoram muito a entender o teor do jogo e mesmo dando mais tempo para eles completarem o jogo, eles demonstram impaciência e nos entregaram o jogo dizendo ter terminado.

Figura 8 - Resultado do diagnóstico da atenção

Fonte: Cunha (2012b).

Durante a aplicação dessa tarefa observamos que os alunos estavam bastante motivados e animados para executá-la. Isso influenciou bastante na qualidade dos resultados obtidos, uma vez que há uma inter-relação entre a motivação e a capacidade de fixar a

25 alunos 7 alunos 5 respostas 5 minutos. 3 aluno 6 respostas 7 minutos. 5 alunos 4 respostas 7 minutos 4 alunos Fizeram 8 respostas 6 minutos. 3 alunos 9 respostas 5 minutos . 3 alunos 7 respostas 5 minutos.

atenção, considerando que o objetivo era verificar como os alunos se encontravam em termos de capacidade para concentrar a atenção em determinada tarefa.

Como podemos observar a duração atencional no foco proposto foi, predominantemente, 5 minutos quando dispunham de 7 minutos para a sua efetivação.

No entanto, o estímulo do jogo não foi suficiente para que todos dirigissem voluntariamente a atenção no tempo prefixado.

As diferenças individuais constatadas estão associadas às vivências e experiências dos alunos. Aquela que apresenta o desenvolvimento da atenção mais avançado é a criança que se situa no grupo social em que a mãe tem o nível de escolaridade superior e melhores condições financeiras, ao ponto de poder manter uma professora para orientar as tarefas escolares, como também acesso a outras fontes de informação (internet, revistas, jogos, entre outros), além da escola.

Os resultados do diagnóstico constituem o ponto de partida para as proposições de situações de aprendizagem que propiciassem as condições para os alunos atingirem o desenvolvimento da atenção voluntária.

Para a efetivação desse processo no dia 19 de abril de 2012, iniciamos na turma do 4º ano do Ensino Fundamental turno vespertino da Escola Municipal Prof. Arnaldo Monteiro, as Sessões Reflexivas. Estavam presentes 19 alunos: sendo 11 meninos e 08 meninas. Esta Sessão Reflexiva teve como intuito a reflexão sobre o resultado do diagnóstico da atenção. Entregamos o diagnóstico de cada um com o resultado e indagamos:

Lu - O que aconteceu que ninguém completou o jogo? MV – Ah professora! Era muito parecido.

J – Eu acho que completei!

L– Deixa de ser burro, ela já disse que ninguém completou. J – Burro é você que nem sabe ler.

LF – Burro é tu, bicho feio.

Observamos que a pergunta que fizemos perde a importância e eles começam a xingar uns aos outros, desvirtuando o foco da discussão do resultado do diagnóstico. Esse desentendimento entre os alunos é caracterizado pela atenção difusa ou involuntária, ou seja, a criança perde rapidamente o foco e se envolve com qualquer outro estímulo que acaba de surgir, pois conforme Luria (1991), o volume da atenção desses alunos é relativamente pequeno.

Lu – Gente, por favor! Eu estou aqui pra apresentar o resultado do jogo. E quero saber de vocês, o que aconteceu que vocês não completaram o jogo.

AD – Eu achei difícil, foi pouco tempo.

Lu – Mais como foi pouco tempo? Você me entregou antes de terminar seu tempo. AD – E foi,.. Não sei não. Me dê que eu termino.

ND – Não foi não, era só sete erros. Lu – Não eram sete erros, eram 11 erros. ND – Ah!! Então eu errei.

L – Não entendi. Deu logo agonia. Ah! Pegue logo. Não gosto de quebra-cabeça.

Na fala de L “[...] Não entendi. Deu logo agonia. Ah! Pegue logo. Não gosto de

quebra-cabeça [...]”. Fica claro que prestar atenção a uma tarefa o deixa impaciente sem entender o que está sendo solicitado. Percebemos que de uma forma geral, a turma procede dessa forma, fazendo questão de devolver à professora a tarefa não concluída. Essa impaciência é gerada pela falta de concentração, causada pela presença da atenção involuntária, que caracteriza o caráter cíclico e oscilante dessa função psíquica o que implica na incompreensão das consignas para executar a tarefa proposta. Nesse sentido, precisamos recorrer à reflexão para tornar os alunos conscientes do seu processo. Quando Lu pergunta:

“[...] Mais como foi pouco tempo? Você me entregou antes de terminar seu tempo [...]”. AD demonstra desconhecer que ela entregou antes do tempo e pede para fazer novamente a tarefa. Entendemos que é preciso a todo o momento despertar um dos componentes da consciência que é a vontade de mobilizar forças para se concentrar e aprender.

A reflexão continua com a intervenção de J: J – Eu não fiz porque não vi. Me mostre agora qual era os erros. LA – Ele quer colar, mas não vale não.

AD – Deixe eu levar pra casa pra pintar. É bem bonitinho.

Lu – Tá. Você me entrega este e eu lhe dou um novo daqui a pouco. Classe – É. Eu também quero.

Lu – M Porque você não completou seu jogo? M – Não consegui achar nada. É difícil. LF – É bem facinho.

M – E porque você não fez?

Novamente eles saem do foco da questão e começam um novo conflito, demonstrando que as dificuldades de compreensão são muitas e que manter a atenção em foco é a maior delas.

Lu – Entrego um novo a cada um, peço que pinte e procure as diferenças. Em seguida mostro as diferenças e me despeço.

No momento em que peço para colorir o desenho, alguns alunos conseguiram encontrar várias diferenças mais mesmo assim ninguém conseguiu encontrar todas as respostas da tarefa proposta. O que denota a falta de concentração em uma tarefa do cotidiano escolar. A atenção desses alunos se apresenta de forma difusa e oscilante, precisando a todo o momento da intervenção do par mais experiente para retorná-la a seu foco. Os alunos não compreendem o seu papel na escola e não têm consciência da importância da atividade a qual está realizando e por isso eles não voltam à concentração para realizar as tarefas escolares.

Com isto, detectamos como os alunos se situavam em termos de desenvolvimento de atenção, e constatamos alguns fatores que interferem na sua concentração (motivação, interesse, e tempo de duração da tarefa). Para que haja uma mudança nesse comportamento precisamos encontrar estratégias que interessem ao aluno, pois isso diz respeito ao que ele necessita, as suas prioridades, a sua percepção, assim sendo, não vai haver distração, o processo de concentração se efetiva, e, consequentemente, haverá efetividade no processo de aprendizagem.

Desenvolver a atenção e a consciência é o nosso desafio de sala de aula, pois nem sempre os conteúdos são suficientemente significativos para os alunos manterem a atenção em foco. A construção e realização desse processo de compreensão em que a atenção é quase sempre oscilante, mas que podemos dirigi-la e retorná-la ao foco desejado através do nosso estado de consciência, levou-nos a perceber que é preciso também que o aluno tenha maturidade para entender a própria conduta de sala de aula e que consiga olhar para dentro de si e assumir a responsabilidade pela sua aprendizagem e seu desenvolvimento.

Para dar prosseguimento a esse desafio de desenvolver um processo reflexivo que leve o aluno a se conscientizar do seu papel enveredamos em busca de caminhos.

Benzer Belgeler