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Como integrante de um projeto maior intitulado “Estratégias de formação e intervenção em saúde mental junto a equipes do Programa Saúde da Família”, o presente projeto parte de entrevistas iniciais semi-estruturadas realizadas com membros de duas equipes de Saúde da Família, em que uma das principais questões levantadas foi a

dificuldade em se estabelecer um adequado fluxo de encaminhamentos dos casos para outros níveis de atenção.

Além disso, por atuar diretamente com problemáticas relacionadas à Saúde Mental em um dispositivo substitutivo no município, no qual tenho tido a oportunidade de participar como representante no Colegiado de Saúde Mental e por estar inserido em um grupo que discute a saúde mental na ESF, fomos definindo o objeto, bem como a população a ser investigada para o fornecimento das informações que foram julgadas necessárias para compreensão do fenômeno visado.

Dessa forma, foram selecionados para a realização das entrevistas todos os coordenadores das equipes da ESF existentes até o momento da coleta dos dados (enfermeiros), num total de oito profissionais de equipes diferentes. Também foram entrevistados todos os coordenadores dos serviços e dispositivos substitutivos em saúde mental do município, são eles: Ambulatório Regional de Especialidades – ARE; Ambulatório de Psiquiatria da UNESP- Bloco 1; Associação de usuários, familiares e trabalhadores dos serviços de saúde mental de Botucatu – “Associação Arte e Convívio”; Centro de Atenção Psicossocial – CAPS II “Espaço Vivo”; Centro de Saúde Escola; Hospital-Dia de Psiquiatria da FMB - e Oficina Terapêutica– “Estação Girassol”. Posteriormente, quando já havia iniciado o trabalho de coleta dos dados, sentimos a necessidade de incluir também a figura dos médicos das equipes no universo pesquisado, do coordenador do Setor de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da UNESP-Botucatu, bem como de um membro da equipe mínima de referência em saúde mental do município. Portanto, totalizaram 25 profissionais entrevistados.

Escolhemos entrevistar médicos e enfermeiras da ESF em virtude do desempenho de seus papéis dentro das equipes estar mais diretamente ligado com o que nos propusemos averiguar no presente estudo. Além disso, avaliamos que seria mais condizente com os fins da pesquisa obter informações junto a todos coordenadores dos equipamentos diretamente envolvidos no sistema de referência e contra-referência em saúde mental. Entretanto, sabemos da importância de outros atores envolvidos nesse processo que não foram alvo de nossa investigação, mas que de uma forma ou de outra são citados nos relatos e na análise dos resultados.

Após reunião com a coordenadora da ESF, na qual obtivemos a autorização para realização da pesquisa a ser desenvolvida nas Unidades de Saúde da Família no município de Botucatu, comparecemos a uma reunião geral entre as equipes a convite da coordenadora do programa, onde pudemos expor o objetivo do trabalho e de suas responsabilidades éticas, assim como a necessidade da colaboração dos mesmos para o agendamento das entrevistas. Da mesma forma, compareci a todos os serviços e dispositivos substitutivos para explicitarmos o caráter da pesquisa e para obter o consentimento necessário para incluí-los enquanto integrantes do projeto.

Com isso, o projeto foi encaminhado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina, UNESP/Botucatu, adotando os procedimentos pertinentes previstos na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. No contexto da presente pesquisa, foi destacado junto à população investigada os seguintes princípios éticos: 1) o esclarecimento sobre a metodologia no início e durante o processo de coleta dos dados; 2) a liberdade do sujeito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento a qualquer momento (por intermédio da formalização do Termo de Consentimento) e 3) garantia de sigilo e confidencialidade dos dados obtidos nas entrevistas (BRASIL, 1996).

Conforme a disponibilidade do pesquisador e dos participantes foram agendadas as entrevistas individualmente nas próprias Unidades de Saúde da Família e nos serviços e dispositivos substitutivos. A coleta dos dados ocorreu no período de agosto de 2005 e agosto de 2006, em diferentes dias e horários. Considerando a característica dos serviços, muitas entrevistas foram canceladas e remarcadas após alguma situação imprevista.

Inicialmente, o pesquisador entregava o Termo de Consentimento (anexos 1e 2) para que o coordenador pudesse ler e preencher os dados assim que desse o seu consentimento. Foi enfatizada a necessidade de gravação da entrevista em fita k7 para posterior organização e análise dos dados, como também foi estabelecido o compromisso com os participantes do acesso ao trabalho final, caso tivessem interesse.

Foram elaborados roteiros de entrevista semi-estruturada, entendendo-se que dessa forma é possível compreender melhor o ponto de vista do entrevistado e de apenas nortear a conversa sem restringir a comunicação. Conforme a característica distinta dos serviços pesquisados, foram criados três roteiros balizadores contendo questões que buscavam

coletar dados referentes à organização da rede em saúde mental do município, sendo que um para os coordenadores das equipes de Saúde da Família (anexo 3), um para os coordenadores dos serviços e dispositivos substitutivos (anexo 4) e um para o membro da Equipe de Saúde Mental (anexo 5).

Nessas entrevistas, os coordenadores também eram indagados a responder sobre a estrutura de atenção existente em seu local de trabalho, como: profissionais que atuam no serviço; atividades desenvolvidas; população atendida, que deram subsídios para a caracterização da rede de serviços e dispositivos substitutivos em saúde mental do município. A transcrição das informações de um cartaz descritivo da rede de saúde mental do município, distribuído em 2004 pela Prefeitura Municipal de Botucatu à rede de saúde da cidade, também forneceram dados mais gerais, que contribuíram para a caracterização desta rede de uma forma mais completa e atual (anexo 6).

Benzer Belgeler