O fenômeno de crescimento mundial da população idosa significou uma conquista para a sociedade e para este segmento etário, pois o aumento quantitativo levantou questões sobre a qualidade do envelhecer. O aumento da expectativa de vida é um fato, as pessoas estão vivendo mais, o que se pergunta é em que circunstâncias.
Existem muitas variáveis a serem observadas quando se considera o envelhecimento devido à heterogeneidade deste processo, que não se iniciou a partir de 60 anos, pois o indivíduo envelhece desde o momento que nasce. Cada pessoa carrega uma história vivida dentro de situações tão particulares que mesmo agrupando-se indivíduos de mesma faixa etária, as diferenças vão marcar este encontro.
Observando apenas pela ótica biológica, a velhice constitui-se como a última etapa do ciclo de vida, quando ocorrem modificações orgânicas, psicológicas e fisiológicas que implicam na redução de capacidades protetoras, e que naturalmente levariam o indivíduo a uma condição de maior vulnerabilidade orgânica e maior incidência de doenças.
Faz-se necessário, portanto ampliar a visão sobre o envelhecimento e a pessoa que envelhece, de forma que sejam contempladas as diferenças individuais que constituem as múltiplas velhices.
Apesar das evidentes mudanças, as pessoas estão continuamente se adequando às alterações advindas com o passar dos anos desde sua primeira infância, e esta capacidade só se extingue com a morte.
O declínio e a decrepitude não fazem parte do ideal de vida dos seres humanos, o desejo de manter-se vivo, conquistar, ser dono de sua própria história é a mola propulsora daqueles que esperam continuar vivendo bem e com saúde, ao ultrapassar a linha dos 60 anos.
O desafio dos profissionais que se dedicam ao atendimento do idoso é encontrar as alternativas para este viver bem. Na área da saúde, medidas preventivas são preferíveis à medidas curativas e de reabilitação; evitar o estabelecimento de doenças e incapacidades é muito mais eficaz do que tentar extingüí-las após sua instalação. Isto não significa deixar de considerar a atenção terciária, mas investir esforços na atenção primária de forma que o envelhecimento saudável seja uma realidade, com algumas exceções e não uma exceção a regra.
A capacidade funcional, constitui-se atualmente como o indicador da condição saúde do idoso, tendo em vista, que a grande maioria dos velhos convivem com doenças crônicas. A terapia ocupacional, como profissão da saúde, tem na capacidade funcional de desempenho das atividades cotidianas, seu instrumento de análise e tratamento da saúde dos indivíduos que atende em sua prática.
Estudos comparativos de grupos de terapia ocupacional com grupos de atividades sociais, demonstram a eficácia da intervenção terapêutica ocupacional no desenvolvimento de ações de atenção primária. Os resultados encontrados mostram o aumento da capacidade funcional de desempenho das atividades cotidianas.
Ao investigar-se os efeitos do Programa de Terapia Ocupacional Preventiva desenvolvido no Centro nº 6 de Taguatinga, considerando a percepção dos idosos participantes, pode-se observar ganhos funcionais no desempenho das atividades de vida diária.
Os percentuais de ganhos foram evidenciados em nove atividades: higiene pessoal, banho, marcha, uso de escadas, compreensão, expressão escrita e verbal, interação social, resolução de problemas e memória. A média percentual das aquisições foi de 27%, com menor índice para atividade de banho 7% e maior índice 67% na memória.
Os relatos nas entrevistas demonstraram uma visão de saúde que engloba questões como amizade, companheirismo, estreitamento dos laços familiares, manutenção da identidade e importância pessoal como membro da família e da sociedade, possibilidade de divertir-se e rir com os outros e de si mesmo, ter espaço para continuar sendo quem é, e sentir-se aceito como tal, manter condições de saúde para continuar ativo e atuante com independência de escolhas e ações.
Os discursos após a intervenção da terapia ocupacional possibilitaram a observação do fato de que é impossível dividir um indivíduo em partes, separar a memória do corpo, ou o psíquico do social. As mudanças percebidas falam de um sujeito, não respeitam a didática de separação de domínios ou níveis funcionais.
Acredita-se que, este estudo demonstrou o potencial da intervenção terapêutica ocupacional, na atenção primária com grupos de idosos, para manutenção e aprimoramento da capacidade funcional de realização das atividades cotidianas dos idosos atendidos pelo programa de terapia ocupacional realizado no Centro nº 6 de Taguatinga.
Observa-se que estudos posteriores, que tenham a capacidade funcional como sua variável de escolha, na avaliação e desenvolvimento de intervenção em saúde, podem corroborar para evidência de aquisições e manutenções funcionais no desempenho das atividades de vida diária de idosos independentes vivendo na comunidade.
Destaca-se que o cotidiano de uma pessoa é sua vida, e que as atividades desempenhadas partem de uma vontade e de uma escolha pessoal, tem objetivos particulares e significados específicos atribuídos por quem as executa. Manter a capacidade funcional é um dos caminhos seguros para chegar-se ao envelhecimento saudável.
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APÊNDICE A: Ficha de identificação FICHA DE IDENTIFICAÇÃO NOME: ENDEREÇO: DATA DE NASCIMENTO: FAIXA ETÁRIA: 60-64 ( ) 65-70 ( ) 71-75 ( ) 76-80 ( ) 81-85 ( ) SEXO: FEMININO ( ) MASCULINO ( )
ESTADO CIVIL: SOLTEIRO(A)
( ) DIVORCIADO(A) ( ) CASADO(A) ( ) VIÚVO(A) ( ) ESCOLARIDADE: FUNDAMENTAL COMPLETO ( ) INCOMPLETO ( ) ENSINO MÉDIO COMPLETO ( ) INCOMPLETO ( ) SUPERIOR ( ) ANALFABETO ( ) ALFABETIZADO ( ) PROFISSÃO:
RENDA: SEM RENDA
APÊNDICE B: Atividades terapêuticas ocupacionais
Foto 1: Atividade Física - flexão de membro superior
Figura
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Foto 3: Atividade Física - flexão de tronco
Figura
fi
Foto 5: Atividade Física – extensão de membro inferior
Foto 7: Atividade lúdica – Toca do coelho
Foto 9: Atividade cognitiva – Girafa e elefante
Foto 11: Atividade cognitiva – Imitando animais
APÊNDICE C: Termo de consentimento livre e esclarecido
Você está sendo convidado a participar, como voluntário em uma pesquisa. Após ser esclarecido(a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine no final deste documento.
Esta pesquisa, intitulada IDOSOS E A TERAPIA OCUPACIONAL PREVENTIVA: UMA BUSCA PELO ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL, que tem por objetivo investigar junto ao grupo de idosos participantes, os efeitos do programa de terapia ocupacional preventiva, desenvolvido no Centro de Saúde nº 6 de Taguatinga na sua capacidade funcional de desempenho de suas atividades cotidianas. Para isto, gostaríamos de contar com seu consentimento para responder ao questionário Medida de Independência funcional (MFI) que possibilita a avaliação de sua capacidade funcional de desempenho nas atividades de vida diária: alimentação, higiene e cuidado pessoal, vestuário, transferência e locomoção, bem como de sua capacidade de memória, solução de problemas e interação social a ser realizada antes do estudo e na data de sua conclusão. Solicitamos também sua colaboração para a realização de uma entrevista que abordará os temas: envelhecimento e sua influência nas atividades cotidianas, motivação e expectativa de inscrição no grupo e as mudanças percebidas após o atendimento.
Gostaríamos de pedir sua autorização para registros em imagem de sua participação no grupo preventivo de terapia ocupacional através de fotografias e para gravação em áudio de seu discurso durante a execução da entrevista a ser utilizada neste estudo.
Asseguramos que todas as informações prestadas pelo senhor (a) são sigilosas e serão utilizadas somente para esta pesquisa. A divulgação das informações será anônima e em conjunto com as respostas de um grupo de pessoas. Se você tiver alguma pergunta a fazer antes de decidir, sinta-se a vontade para fazê-la.
Pesquisadores:
Mestranda: Alessandra de Souza Macêdo, terapeuta ocupacional, matrícula UC05036194, CREFFITO 9487 - T0, RG: 81461897-9, CPF: 871629383-53. Telefone: 39674482; e-mail: [email protected]
Pesquisadora responsável: Drª. Carmen Jansen de Cárdenas, psicóloga, RG 5066750, CPF 48353604787, professora orientadora.Telefone: 34487147; e-mail: [email protected]
Assinatura: ________________________________________________ Eu________________________________________________________, RG______________________, CPF____________________, abaixo