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4.2.1 Formulação geral do problema

O problema se apresenta como um desafio, pois objetiva participar de um processo de inovação e de revisão da fabricação de produtos nacionais complexos. Além disso, a grande diversidade de modelos de cadeira de rodas, associada a uma frágil normatização implicam numa necessidade constante de adaptação do produto.

A figura 4-1 mostra uma criança com paralisia cerebral, sentada em uma cadeira de rodas sem nenhuma adequação postural, ou dispositivo que auxilie o conforto da criança.

Figura 4-1.: Paciente sem adequação postura.

4.2.2 Finalidade particular do problema

4.2.2.1 Cadeiras não adaptadas

Durante o processo de investigação, no levantamento de dados, baseado nos resultados encontrados, em estudos anteriores, os entrevistados responderam ao questionário, relatando (GALVÃO, 2006):

Em relação ao tempo de uso dos equipamentos, os entrevistados relataram que (27,3%) utilizaram o equipamento por 2(dois) anos e (18,2%) utilizaram por anos. A tabela 4- 1 mostra os tipos de produtos adquiridos antes de uma cadeira adaptada:

Tabela 4-1: Produtos adquiridos antes da aquisição de uma cadeira de rodas adaptada Os tipos de produtos adquiridos antes de um modelo adaptado

33,3%: carrinhos de modelos para crianças excepcionais; 30,3%: carrinho de bebê (normal);

18,2%: cadeira de rodas adaptadas; 3%: cadeira de rodas comum (adulto); 15,2%: outros.

Fonte: Adaptado de (GALVÃO, 2006).

A tabela 4-2 mostra problemas encontrados nas cadeiras de rodas sem adaptação, tais informações foram relatadas pelos cuidadores em questionário anteriormente analisado:

Tabela 4-2: Problemas encontrados nas cadeiras sem adaptação.

Fonte: Adaptado de (GALVÃO, 2006).

Para (30,3%) dos pesquisados relataram que adquiriram a primeira cadeira de rodas com menos de um ano de idade e para (18,2%) relataram que a primeira aquisição de cadeiras

(58%): má condição postural;

(39%): ausência de conforto; (33%): conservação precária;

(39%): tamanho pequeno; (6%): muito profundo;

de rodas foi aos 5(cinco) anos de idade, esta idade apresentada corresponde aos cadeirantes pesquisados.

As cadeiras de rodas são utilizadas para as seguintes atividades/tarefas nas AVD’s de acordo com os relatos dos cuidadores, os resultados mostram o uso de uma cadeira de rodas sem adaptação: postura (64%); locomoção (64%); atividades sociais (42%); alimentação (39%); lazer (33%); mais atenção (24%); mais conforto (21%); comunicação (12%); controle motor (12%); escola (9%); brincar (3%).

As cadeiras de rodas sem adaptação foram adquiridas: por (51,5%) dos entrevistados adquiriram por doação; por recursos próprios (45,5%) dos entrevistados; (3%), adquiriram por concessões do governo. Destas cadeiras (66,7%) não tiveram orientação de especialistas quanto ao uso, apenas (18,2%) dos entrevistados tiveram algum tipo de instrução.

4.2.2.2 Cadeiras adaptadas

A figura 4-2 mostra uma criança com paralisia cerebral, sentada em uma cadeira de rodas com adequação postural, através do cinto peitoral e apoio para os pés ajustado de acordo com as dimensões da criança, possibilitando o conforto para o cadeirante.

Figura 4-2.: Paciente com adequação postural.

Fonte: Catálogo de Ortopedia da AACD. Adaptado pela pesquisadora, protegendo a identidade da criança.

Origem do encaminhamento das cadeiras de rodas adaptadas (84,8%) através de oficinas ortopédicas e (15,2%) por meio de centros de reabilitação. Destes equipamentos (57,6%), foram adquiridas por programas de concessão de órteses SUS (programa e governo federal) ou SETHAS (Programa para pessoas com deficiência) do estado.

A média de tempo de uso das cadeiras de rodas é em média por 8 horas ou mais, para os (39,4%) dos entrevistados. As cadeiras adaptadas alcançaram alguns objetivos, como o aumento de várias atividades, tais como: locomoção (97%); mais conforto (82%); boa postura (82%); mais atenção (73%); atividades sociais (70%); facilidade para alimentação (67%); comunicação (61%); controle motor (55%) e o brincar (39%).

O nível de satisfação com o novo produto foi de (96,9%), para os pesquisados.

4.2.2.3 Necessidade de intervenção

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC), Henrique G. Maia, em outra pesquisa brasileira, foi constatada que cerca de 60% dos pacientes que recebem uma prótese ou órtese acabam abdicando dos equipamentos, o problema pode não estar ligado à qualidade do material, mas sim, com o encaixe da peça ao corpo do paciente. “Quando a peça não é desenvolvida por um técnico especializado ou não é bem fabricada não encaixa no corpo do paciente”. Neste desenvolvimento, as especificidades do paciente devem ser ressaltadas. Entre elas: o peso, que vai influenciar na escolha do material, como também a idade do usuário (VIEIRA, 2007).

Muitas vezes em programas de concessão do governo o tempo de aquisição, atrapalha o tratamento, “um colete para um adolescente não pode demorar três meses porque depois não cabem mais”, os centros de reabilitação ainda retiram as medidas dos pacientes com fitas métricas, método ultrapassado. Ademais, é preciso transformar a forma de aquisição dos aparelhos pelas secretarias de saúde e o sistema de licitações deve levar em conta o melhor produto e não o menor preço (VIEIRA, 2007).

4.2.3 Finalidade geral do problema

A criança e o adolescente com paralisia cerebral, tetraparética espástica, necessitam de recursos da Tecnologia Assistiva apropriados para conservar a postura sentada estável e alinhada, usualmente, profissionais que atendem estas crianças em clínicas indicam aos familiares ou cuidadores a obtenção de mobiliários adaptados. A obtenção de um equilíbrio

postural eficiente, na posição sentada, é um dos maiores problemas enfrentados pela criança e o adolescente com paralisia cerebral.

Chang et al (2005) relataram que as crianças com paralisia cerebral espástica, quando realizaram um movimento de alcance de precisão tinham um tempo de movimento prolongado.

Com isso, pesquisas apresentam que um posicionamento sentado adequado melhora a estabilidade e o alinhamento postural, além de favorecer o desempenho com os membros superiores (NWAOBI, 1987; GREEN; REID 1996; BRACCIALLI, 2000; SHEN; KANG; WU, 2003). O equilíbrio postural sentado pode ser determinado como a capacidade de um indivíduo na posição sentada em conservar o deslocamento do centro de massa sobre uma base de sustentação durante o desempenho de diversas atividades iniciadas pelo próprio individuo.

Para estes autores, conseguir alvos em diversas influências do corpo é uma ação comum que perturba o equilíbrio, uma vez que abrange influências complexas entre o braço, o tronco superior e a base da sustentação que é fornecida por meio da pelve e pernas no assento e pelos pés no assoalho.

Assim, a instabilidade pélvica gerada pelo uso de um assento de lona pode estabelecer um maior número de deslocamento do centro de gravidade o que determina um déficit de equilíbrio e conseqüentemente resultará em execução de tarefas em um período de tempo maior. Para Aissaoui et al, (2001) o déficit do controle do equilíbrio sentado pode restringir a performance da tarefa.

Benzer Belgeler