• Sonuç bulunamadı

Situação Percentual de cooperados

Casados 28%

Solteiros (sem companheiro) 24% Solteiros (com companheiro) 36%

Amasiados 8% Separados (sem companheiro) 4%

Fonte: Secretaria de Ação Social (PMRC, 2004). A situação conjugal demonstra que 44% dos chefes de família possuem uma união informal que pode ser explicada pela falta de recursos para oficializarem a união.

Retomando a premissa de que o espaço é produto e condição das relações sociais que se estabelecem entre os homens, através do trabalho, para se apropriar da natureza e que, portanto, as cidades onde vivemos é o produto de uma sociedade onde rege a forma capitalista de produção, visando sempre o acúmulo de riqueza, nos perguntamos como fica este mesmo espaço produto das relações solidárias estabelecidas por empreendimentos de Economia Solidária.

Consideramos que a dialética deste trabalho está na inserção de uma empresa solidária local em um mercado dominado pelo capital global. Até que ponto pode ser emancipatório este tipo de empreendimento? Devemos considerar que no atual momento é apenas em seu funcionamento interno que as cooperativas apresentam características distintas do modo de produção capitalista. Suas relações exteriores são baseadas nos princípios capitalistas, onde de compra e se vende com a perspectiva de obter o maior lucro possível.

Os debates ambientais que se iniciam com maior visibilidade no mundo a partir da década de 1970 trazem suas conseqüências para todos os lugares e Rio Claro não fica a margem disto. Com as diretrizes ambientais postas na década de 1990, mais precisamente a partir de 1997 no município, aliadas as novas diretrizes econômicas, há um rearranjo na estrutura já existente na cidade acompanhado de um novo discurso e de novas denominações. O que antes era ferro-velho hoje é material reciclável.

Um dos aspectos desta mudança foi a preocupação da administração local em congregar os catadores que “garimpavam” o aterro da cidade em uma cooperativa que recolhesse os materiais recicláveis antes mesmo que eles chegassem ao aterro ou a locais de depósito de lixo irregulares. Especialmente em Rio Claro a iniciativa de formar uma cooperativa foi do poder público local através de uma política de geração trabalho e renda para os catadores que viviam em condições desumanas.

O empreendimento da cooperativa teve como objetivo também, além do resgate das famílias que viviam da coleta realizada no aterro da cidade, mudar o comportamento da comunidade diante dos resíduos sólidos urbanos através da educação ambiental e, por fim, reduzir a demanda de lixo depositado no aterro sanitário.

Todos estes dados nos mostram um pouco da realidade de cooperados e dependentes. No próximo capítulo são mostrados dados gerais do perfil do catador brasileiro. Veremos semelhanças e diferenças no cotidiano de ambos.

Fonte: http://blogs.law.harvard.edu/lixo/stories/storyReaders$66

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Este segundo capítulo visa apontar o momento das transformações nas relações de trabalho e no processo de massificação do consumo que originaram diferentes formas de reprodução, seja ela das relações sociais, seja ainda dos mais diversos materiais transformados em mercadoria. Pretendemos assim, retomar algumas questões da realidade escrita por meio de uma análise regressiva que contribua para o entendimento da produção do espaço pelos catadores de lixo.

A primeira parte deste capítulo aborda as mudanças nas relações de trabalho que originaram as mais variadas formas de reprodução, dentre as quais o trabalho informal e a atividade de coleta de materiais recicláveis como meio de sobrevivência.

Num segundo momento trataremos dos agentes que são responsáveis pela grande quantidade de materiais reciclados e que, no entanto, não têm a mesma participação nos ganhos provenientes deste processo. Analisaremos o papel dos catadores das ruas, suas condições de trabalho e a possibilidade da profissionalização como reconhecimento da importância de tal atividade.

A terceira parte dedica-se a análise do lixo como uma nova mercadoria, partindo da discussão da sociedade de consumo, do desperdício de materiais e das artimanhas da produção capitalista em garantir a sua reprodutibilidade.

Por fim, entendemos ser necessária uma discussão sobre a cidade já que ela é produto e condição de reprodução das relações sociais e, portanto, base de reprodução da vida.

• As mudanças nas relações de trabalho e as novas formas de reprodução

da vida.

O trabalho tem importância fundamental na nossa sociedade. Ele é uma forma de inserção do Homem na vida social. À medida que as estatísticas de desemprego sobem nota-se um aumento do trabalho informal.

A crise de emprego pela qual passa o mundo atualmente, e isto é claro na América Latina, leva à precarização do trabalho, à instabilidade gerada pela

flexibilização dos contratos e ao aparecimento de situações intermediárias entre o trabalho reconhecido e a desocupação.

Ao produzir sua vida a sociedade produz, concomitantemente, o espaço geográfico. Tais condições são produzidas pelo trabalho enquanto atividade humana. Assim, nosso ponto de partida é a produção socialmente determinada logo, a produção num determinado grau de desenvolvimento social que engloba também, a produção de indivíduos, em que ambos aparecem como resultado histórico.

Vivemos hoje uma crise da cidade, decorrente do aprofundamento das contradições do processo de realização da acumulação em escala ampliada que se materializa no aprofundamento dos processos de segregação e mais especificamente, no caso deste trabalho, na deterioração da reprodução das relações sociais. Tal crise da cidade contém, como um dos problemas mais debatidos nos últimos tempos, a falta dos meios de reprodução da vida para um grande número de pessoas, ou seja, a falta de emprego.

Para que a acumulação se realize, cada vez mais os processos produtivos “descartam” a mão de obra humana, substituindo-a pelo uso da máquina. Destaco o termo descartar por que é justamente neste ponto que surgem muitas contradições. Perguntamos-nos até que ponto o homem é descartado dos meios de reprodução do capital. Veremos no decorrer deste trabalho que o capitalismo se utiliza, de uma forma bastante degradada, do trabalho de milhares de pessoas que retiram do lixo o seu meio de sobrevivência.

Este trabalho parte da análise da cidade através da reprodução das relações sociais, que se realizam na forma de relações espaciais. Dessa forma a reflexão sobre a cidade é uma reflexão sobre a prática sócio-espacial.

Como bem a analisa Carlos (2004), se vivemos uma crise da cidade também vivemos uma crise teórica, indicando assim que a análise do mundo deve considerar uma articulação necessária entre teoria e prática. Para a referida autora há a necessidade de construção de um “modo possível de pensar a cidade”, que se realiza a partir da análise de reprodução das relações sociais, que se realizam concretamente, na forma de relações espaciais – constituindo-se ao mesmo tempo em prática.

Nesta direção, a reflexão sobre a cidade é, fundamentalmente, uma reflexão sobre a prática sócio-espacial que diz respeito ao modo pelo qual se realiza a vida na cidade, enquanto formas e momentos de apropriação (CARLOS, 2004 p. 07).

Portanto, a partir da análise da reprodução da vida de milhares de pessoas que tiram do lixo suas condições de sobrevivência, estaremos também realizando a construção de um dos modos possíveis de pensar a cidade, através da prática sócio- espacial dos catadores.

Para isso é necessária, a discussão do trabalho e seu conceito, e do que ele significa atualmente; isto implica também analisar a deterioração das relações de trabalho e acima de tudo a deterioração da reprodução das relações sociais.

O conceito de trabalho

A palavra “trabalho” deriva do latim tripalium cujo significado é: instrumento de tortura composto de três paus. Ao longo do tempo essa idéia de sofrer passou-se à de esforçar-se, à de lutar e, enfim, à de trabalhar.

Na história da humanidade o trabalho sempre existiu. Ele é uma condição imanente à existência da espécie humana e, desde suas formas mais rudimentares, está relacionado com o desenvolvimento de técnicas e caracterizado pela divisão do trabalho. Mas o pensamento intelectual do que vem a ser trabalho só ganhou expressão com a era industrial através da racionalidade moderna (HOPENHAYN, 2001 p. 15). Até este momento o trabalho era considerado um mal necessário, sendo por esta razão que a reflexão intelectual o dava a categoria de um fenômeno secundário.

O entendimento do que o trabalho significa atualmente na sociedade passa pela discussão de seu conceito. Hopenhayn (2001) considera que só com a sua negação que o conceito de trabalho adquire relevância, isto significa que a idéia de alienação do trabalho ou trabalho alienado é que o coloca nos âmbitos da especulação. Ao dizer que o conceito de trabalho começa com sua negação, o Autor refere-se ao fato de que o trabalho pode não ocorrer da maneira como se desejaria ou deveria ocorrer, ou ainda que não se tem entendido por trabalho o que se deveria entender. Daí a motivação de pensá-lo criticamente.

O trabalho e seu conceito se tornam críticos quando assumem sentidos e conotações contrapostos, ou dito de outro modo, quando se tornam ambíguos.22

22 HOPENHAYN, M. Repensar el Trabajo. Historia, profusión y perspectivas de un concepto. Buenos Aires: Grupo editorial Norma S. A., 2001. p. 16.

Esta pluralidade de sentidos vem desde o fim do século XVIII, quando se passa a pensar criticamente o trabalho e seu conceito, elaborado inicialmente por Adam Smith e desenvolvido por Hegel e Marx. O trabalho assume configurações sociológicas diferentes conforme as relações e os modos de produção. Ele era exercido de forma coletivista e solidária nas sociedades tribais. Depois, com as peculiaridades próprias às diversas sociedades e épocas históricas, assumiu as formas de escravidão, servidão e trabalho assalariado. Enquanto nos escravismo e no feudalismo o trabalho sofria uma coerção extra-econômica, sancionada pela lei, no capitalismo o trabalhador sofre uma coerção puramente econômica, pois é juridicamente livre para contratar com um empresário a venda de sua força de trabalho por um prazo determinado.

Somados aos diversos conceitos, cristão, calvinista, à visão antropocêntrica e à visão economicista da economia política clássica, a modalidade de trabalho também muda substancialmente com o advento da Revolução Industrial e sua nova divisão do trabalho, regime assalariado e insegurança no emprego. O desajuste entre o conceito de trabalho e o trabalho propriamente dito contribuiu para fazer deste conceito um problema, e com isto, constituí-lo em um objeto de estudo. (HOPENHAYN, 2001, p. 17).

A Revolução Industrial imprimiu ainda um paradoxo entre a máxima socialização do trabalho, ao reunir tantos trabalhadores em um mesmo espaço físico e de maneira organizada para confeccionar um produto, e a máxima atomização do trabalho ao reduzir, parcelar e especializar cada indivíduo na configuração total de um produto. Outra ambigüidade emerge da economia política quando Adam Smith (apud HOPENHAYN, 2001, p. 18) destaca o trabalho como principal fator de produção e como motor do crescimento econômico, vendo apenas seu aspecto puramente econômico e desenvolvendo uma concepção da produção de riqueza onde o trabalho perde toda a sua conotação antropológica.

A conotação de trabalho alienado ou alienação do trabalho é dada por Hegel e Marx. A Revolução Industrial traz diversos elementos que tornam mais complexo o contexto histórico e filosófico em que surge o conceito crítico de trabalho, como já dissemos anteriormente. Um destes elementos é a tradição filosófica de exaltação da atividade humana e de sua capacidade de domínio e de transformação do ser humano com relação ao mundo, herdada pelo humanismo filosófico do século XVI e pelo

idealismo filosófico dos séculos seguintes que cultivaram uma antropologia onde o ser humano era tido como um fundador da realidade. Tal tradição filosófica se contrapunha ao trabalho imposto pelo regime industrial, no qual as novas formas de produção deslocavam o trabalhador para um universo anônimo do capital. O homem que faz e que conhece não era uma característica do operário industrial.

A contradição entre o pensamento vigente, de um homem conhecedor do seu meio, e a realidade, de um operário que realizava tarefas segmentadas e por isso desconhecia o processo todo, foi o ponto de partida para que Hegel abordasse o conceito de trabalho.

A essência do conceito de trabalho em Hegel estava baseada no paradoxo herdado da filosofia de Fichte e das contradições da nova ordem mundial: “o trabalho atualiza e por sua vez aliena o ser; sem trabalho o sujeito não é nada, mas mediante o trabalho deixa de ser o que era”. (HOPENHAYN, 2002, p. 124). Outra contribuição de Hegel está no entendimento de que os objetos de trabalho não são coisas mortas, mas encarnações vivas da essência do sujeito, de maneira que ao tratar com estes objetos o homem está tratando, de fato, com outros homens. Isto implica num sentido positivo e negativo do trabalho. Positivo porque através do trabalho o sujeito toma consciência de si mesmo enquanto sujeito social, vinculado a outros sujeitos. Negativo porque o trabalho também é dependência de uns em relação aos outros e, por isso, fica apegado ao ‘reino das necessidades’.

Hopenhayn (2002, p. 126) escreve que Hegel acreditava superar a dimensão negativa do trabalho e de sua alienação nas relações geradas pelo trabalho, subordinando-o ao puro pensamento que se reconhece livre. “A alienação é, na dialética hegeliana, um momento necessário, produtivo e dinâmico na marcha do espírito”. Desta forma, o idealismo de Hegel trata das contradições específicas do trabalho nas origens do capitalismo industrial, deixando pendente a análise histórica de alienação do trabalho retomada mais tarde por Marx.

E enquanto em Hegel as ambivalências que o trabalho (e seu conceito) enfrentavam no capitalismo industrial seriam, em último caso, absorvidas em seu idealismo absoluto, em Marx, ao contrário, foram levadas a ponto de impugnar radicalmente as condições sociais e a ordem política em que tais ambivalências se desenvolviam. (HOPENHAYN, 2002, p. 123).

Destaca-se ainda em Hegel o caráter universal que ele dá ao trabalho quando salienta que os objetos frutos do trabalho transcendem as fronteiras do indivíduo isolado e faz deste um ser genérico e social. O objeto do trabalho convertido em mercadoria se torna universal e escapa do âmbito individual de onde havia sido produzido. Esta universalidade também transforma o sujeito do trabalho, o trabalhador e sua atividade individual. Como a produção de mercadorias faz com que os frutos do trabalho não sejam frutos para ser consumidos imediatamente por quem os produz, mas são bens de troca, fazem com que o trabalho tenha valor como atividade universal. Este valor está determinado pelo que o trabalho é para todos, e não pelo que é para o indivíduo. Tal observação de Hegel antecipa o conceito marxista de valor e seus efeitos na distribuição, e a função do trabalho na integração das distintas atividades individuais dentro do conjunto social de onde operam as relações de troca. Ele iria além ao dizer que o trabalho mecanizado possui menor valor à medida que se torna mais produtivo, fazendo com que o indivíduo precisasse trabalhar cada vez mais. Isto resultaria na restrição das faculdades do operário, cuja consciência se degrada ao mais baixo nível.

Deste modo fica negada a auto-realização que deveria fazer possível o trabalho. Reduzido a seu caráter abstrato, despojado de suas peculiaridades individuais e destinado a uma troca cega de produtos, o trabalho subordina o trabalhador a um mundo que ele não controla e não consegue identificar sua atividade com o produto dela. Em uma economia onde a produção se destina a troca e onde o trabalho, por causa da mecanização e da produção massiva, perde sua especificidade criativa, o sujeito experimenta sua negação na atividade que exerce. (HOPENHAYN, 2002, p. 129).

Hegel assegura que o trabalho é por sua própria natureza a forma em que o indivíduo sai de si mesmo e se projeta em um mundo que deve transformar e fazer seu. Tal situação é distinta, porém, numa sociedade de produção mecanizada e destinada à troca mercantil, pois nestas condições nem a atividade nem os frutos do trabalho representam o reencontro do trabalhador consigo mesmo.

A alienação da atividade e do produto do trabalho é o centro da análise da problemática do trabalho em Marx. Já no que considera as regulações básicas de relação entre capitalistas e trabalhadores o Autor determina uma relação de exploração, concebendo o capital como trabalho acumulado arrancado das mãos do operário. Em um círculo vicioso a acumulação do capital aumenta a divisão do trabalho, a divisão do trabalho aumenta o número de operários que, por sua vez,

aumenta a divisão do trabalho, enquanto esta aumenta a acumulação do capital. O crescimento combinado do capital e da divisão do trabalho torna o operário cada vez mais dependente do trabalho mecanizado, fragmentado e atomizado. Por sua vez ao aumentar o número de indivíduos que dependem deste trabalho, aumenta a competição entre eles e diminui o preço de sua mão-de-obra. “O trabalhador deixa de ser homem e se converte em atividade abstrata”.

Segundo Hopenhayn (2002, p. 130), Marx não assume as ambivalências como parte da natureza do trabalho, mas como expressão das contradições históricas que este mantém com o capital e as quais é preciso abolir na prática (e não só na especulação) para permitir o desenvolvimento das potencialidades humanas através do processo social do trabalho.

Marx também assinala a contradição da economia política clássica ao considerar por um lado que tudo se compra com o trabalho, mas o capital não é senão outra coisa que trabalho acumulado, por outro lado, o operário, longe de poder comprar tudo, deve vender-se a si mesmo e vender sua identidade humana. Ao considerar este fato como natural, a economia política clássica coisifica o trabalhador ao conceber o trabalho como força e o trabalhador como coisa depositária desta força. Tudo isto era evidentemente verificado nas condições deploráveis de trabalho nas fábricas.

A força de trabalho considerada como coisa, como mercadoria, não poderia, no entanto, ser acumulada como dinheiro ou qualquer outra mercadoria, por que o trabalho é vida e exige consumo permanente de alimentos. Marx teve sua crítica à economia política clássica formulada a partir de uma literatura social já existente, que ele citava e reconhecia. Dessa forma Marx cita Buret em De la misère, afirmando que conceber o trabalho como mercadoria é admitir a escravidão. (HOPENHAYN, 2002, p. 132).

A divisão do trabalho alcança dimensões inusitadas na Revolução Industrial e que, somado a divisão trabalho-capital tem especial efeito sobre o trabalho. A produção de mercadorias, subordinada a lei do mercado capitalista, nega tanto os talentos individuais como o interesse geral. O ser humano mais se aliena quanto mais se reduz sua atividade a uma função atomizada nesta divisão social do trabalho e quanto mais despojado se encontra dos meios e frutos de seu trabalho. Marx via a

alienação como condição na qual o sujeito não se reconhece em seu meio e se vê privado do desdobramento de suas potencialidades (ou de realização de sua liberdade). Dessa forma o trabalho no capitalismo industrial assumia a forma de trabalho alienado. (HOPENHAYN, 2002, p. 133).

O desenvolvimento do conceito de alienação levou Marx a considerar que sendo o trabalho o fundamento e a especificidade da espécie humana, falar de trabalho alienado é referir-se a alienação do ser humano como tal. Somente mediante a abolição do capitalismo se superaria a alienação do trabalho e devolveria à existência humana o seu sentido original.

O sentido do trabalho hoje

Vimos que o trabalho só adquire reflexão crítica, no ocidente, com o advento da Revolução Industrial. O pensamento do sentido que o trabalho adquire nas diferentes sociedades e épocas históricas baseia-se no que efetivamente ele representa para a manutenção destas sociedades. Assim, se na Grécia clássica o trabalho era considerado somente como aquela atividade manual exercida pelos escravos, não havia razões naquele momento para torná-lo um objeto de reflexão.

Tal transformação em objeto de reflexão crítica é fruto das mudanças que a forma de produção capitalista engendram nas relações de trabalho.

A produção da vida, como sabemos, implica trabalho, e não um trabalho abstrato, mas concreto, o que significa a existência de condições de um lugar específico (não o espaço em abstrato). É através do trabalho que qualquer sociedade se reproduz. Mas é preciso destacar que, sob a égide do capital (por tanto, historicamente datado), o trabalho deixou de ser uma coisa natural, uma necessidade natural da sociedade para torna-se uma relação mediadora do

Benzer Belgeler