• Sonuç bulunamadı

6. SONUÇLAR VE YORUMLAR

6.1. Sonuçların Yorumlanması

Zucker (1991), com base nos trabalhos de Berger e Luckmann, realizou um estudo com o propósito de investigar o efeito de diferentes níveis de institucionalização em realidades construídas sobre persistência cultural. A autora buscou, conforme Quinello (2007), identificar algumas interferências no modelo inicial de Berger e Luckmann e acrescentou novas propriedades, como: autoridade hierárquica, responsabilidades específicas, período de vida potencialmente ilimitado, entre outros, que alterariam o processo institucional nas organizações em diferentes níveis. Inicialmente, Zucker (1991) demonstrou níveis de institucionalização como processos e nas condições de variáveis. Numa abordagem etnometodológica, o processo de institucionalização ocorreria em três etapas: transmissão de cultura (socialmente construída), manutenção da cultura e resistência às mudanças.

Para Tolbert e Zucker (2006, p. 194-217), o estudo de Zucker (1991) “supera a limitação da abordagem de Berger e Luckmann ao se concentrar não apenas em atores individuais, mas também em atores organizacionais; no entanto, essa inclusão ocorre ainda em nível micro”.

Com isso, Tolbert e Zucker (2006), retomam o estudo de Zucker e fazem uma análise do processo de institucionalização e as forças causais que são críticas em seus diferentes pontos, conforme Figura 3, extensivo aos fluxos institucionais entre organizações formais.

Analisando o processo de institucionalização, as referidas autoras consideram a existência de três processos: habitualização, objetificação e sedimentação, os quais podem ter níveis variados de institucionalização, o que implica que alguns padrões de

e mesmo eliminação. A cada um desses processos está associado o estágio em que se encontra a norma, ação ou arranjo organizacional (Quadro 1), sendo o Estágio 1 a Pré- institucionalização, o Estágio 2, a Semi-institucionalização e o Estágio 3, a Total institucionalização.

Figura 3 – Processos inerentes à institucionalização.

Fonte: TOLBERT; ZUCKER, 2006, p. 205.

Estágio Processo

Pré-Institucionalização Habitualização

Semi-Institucionalização Objetificação

Total Institucionalização Sedimentação

Quadro 1 – Estágios e processos da institucionalização.

Fonte: TOLBERT; ZUCKER, 2006.

No processo de habitualização, de acordo com Tolbert e Zucker (2006), ocorre o desenvolvimento de novos arranjos estruturais em resposta a problemas ou conjunto de problemas organizacionais num determinado campo organizacional. Há também a formalização de tais arranjos em políticas e procedimentos.

Nesse processo as organizações adotam as mesmas práticas, pois estão vivenciando o mesmo tipo de problema; assim, é natural que elas levem em conta as soluções desenvolvidas por outras organizações. Com isso, as organizações podem adotar semelhantes inovações por estarem submetidas ao mesmo contexto organizacional, o que pode conduzir ao que Tolbert e Zucker (2006, p. 206) denominam de “invenção simultânea”, ou seja, diferentes empresas adotarem o mesmo processo de maneira simultânea.

O resultado do processo de habitualização é o desenvolvimento de estruturas “[...] que podem ser classificadas como um estágio de pré-institucionalização”.

No estágio de pré-institucionalização, então, muitas organizações podem adotar uma dada estrutura, mas essas serão provavelmente em pequeno número, limitado a um conjunto circunscrito de organizações similares, possivelmente organizações interconectadas, que enfrentam circunstâncias similares, e que variam consideravelmente em termos da forma de implementação.

Os decisores organizacionais, conforme Tolbert e Zucker (2006), podem compartilhar uma base comum de conhecimentos e ideias que tornem a inovação factível e atraente.

Os principais fatores que conduzem as organizações à inovação, ou à necessidade de inovar, são:

• mudanças tecnológicas, ou seja, reorientação técnica ou tecnológica; • legislação, representando novos arranjos jurídicos que podem provocar maior ou menor receptividade por parte das organizações; e

• forças do mercado, decorrentes de fatores econômicos.

Portanto, são esses três fatores que conduzem a empresa à inovação e consequente processo de habitualização.

No estágio da pré-institucionalização, um número limitado de organizações adota certa estrutura e, quando o faz ainda é com variações consideráveis em relação às formas de implementação, impossibilitando a teorização. Neste estágio, as estruturas tendem a ser relativamente menos permanentes, por vezes durando apenas o período de uma gestão na organização.

No processo de objetificação há um certo grau de consenso social entre os decisores organizacionais em relação ao valor dos arranjos, procedimentos e modelos de estrutura, já disseminados e de caráter mais permanente (TOLBERT; ZUCKER, 2006). Corresponde ao momento em que o arranjo organizacional, a ação ou norma passa a ser generalizada pelo seu significado intrínseco à estrutura normativa, difundindo-a entre todos os membros que fazem parte da organização.

O consenso observado neste estágio é decorrente das práticas já testadas no estágio anterior e sua adoção representa menor custo econômico e social para a organização do que seria se buscasse desenvolver uma nova prática. O consenso se intensifica quando a prática é adotada por organizações tidas como referência no setor ou quando existem consultores ou outras fontes que favoreçam o acesso à prática.

O desenvolvimento do consenso social entre os decisores da organização em relação ao valor do arranjo emerge de dois mecanismos diferentes, porém relacionados, a saber:

• Pelo monitoramento interorganizacional, a partir da obtenção e análise de informações sobre sua disseminação em outras organizações do mesmo campo, implicando a difusão da estrutura; nesse mecanismo, “[...] as organizações podem utilizar evidências colhidas diretamente de uma variedade de fontes [...] para avaliar os riscos de adoção da nova estrutura”. Nesse sentido, a objetificação da estrutura é “[...] em parte, consequência do monitoramento que a organização faz dos competidores, e de esforços para aumentar sua competitividade relativa”.

• Pela teorização, em que ocorre a definição clara dos problemas genéricos a serem corrigidos e a justificação de um novo arranjo estrutural formal, pela exposição de solução para o problema, com bases lógicas e testadas; esse mecanismo ocorre por meio do que é denominado ‘champions’ (líderes), ou seja, conjunto de indivíduos com interesse material na estrutura (p. ex., consultores, defensores de regras de funcionamento do serviço público, difusão de procedimentos formalizados de seleção e de avaliação de desempenho no setor privado), os quais devem realizar duas grandes tarefas de teorização:

1) a definição de um problema organizacional genérico, o que inclui a especificação de um conjunto ou categoria de atores organizacionais caracterizados pelo problema; e 2) a justificação de um arranjo estrutural formal particular como a solução para o problema com bases lógicas ou empíricas (TOLBERT; ZUCKER, 2006, p. 206).

Cabe ressaltar o papel dos champions neste estágio, pois representam os atores sociais que são referências em segmentos ou favorecem a disseminação das práticas e, geralmente, empreendem esforços de teorização que legitimam a adoção da prática, uma vez que têm interesse material na sua definição. Basicamente, esse esforço consiste na identificação do conjunto de organizações que enfrentam problemas comuns e no provimento e disseminação de soluções apropriadas para solucioná-los. De acordo com Lourau (1975), o processo de institucionalização envolve a participação dos agentes institucionalizadores do ambiente externo e do ambiente interno. Os champions são agentes estimuladores, geralmente externos ou, quando dotados de poder, internos à organização; os mantenedores e os guardiões são os agentes internos, que desempenham o papel de retornar aos costumes tradicionais e continuar com o que já existe (mantenedor) e armazenar crenças e conceitos de mudança para colocá-los em prática oportunamente (guardião).

Ao final desse processo, a estrutura adquire legitimidade cognitiva e normativa. Esse estágio é denominado por Tolbert e Zucker (2006, p. 207) de semi-

institucionalização, havendo entre as organizações adotantes de uma solução ou estrutura específica uma heterogeneidade marcante, sendo que, “[...] à medida que a teorização se desenvolve e se explicita, deve diminuir a variação na forma que as estruturas tomam em diferentes organizações”.

Todavia, Tolbert e Zucker (2006) salientam que, nessa fase, as organizações que adotam as práticas tendem a ser mais heterogêneas; paradoxalmente, as práticas originam-se de populações organizacionais mais homogêneas. Em outras palavras, passam a existir soluções genéricas para realidades específicas, o que prenuncia a disseminação de mitos racionalizados (MEYER; ROWAN, 1977), pois as práticas são adotadas por um número cada vez maior de organizações como uma “escolha ótima”, sem necessariamente terem sua eficiência técnica comprovada ou sua aplicação garantida a todos os contextos organizacionais.

As autoras alegam também que no estágio da semi-institucionalização as estruturas, geralmente, têm taxa de sobrevivência mais longa comparada àquelas do estágio pré-institucional; no entanto, nem todas perduram indefinidamente, pois, via de regra, têm história relativamente curta. Assim, as organizações continuarão o monitoramento da acumulação de evidência, de sua própria organização e de outras, a respeito da eficácia das estruturas (TOLBERT; ZUCKER, 2006).

Já no processo de sedimentação ocorre a representação da continuidade da estrutura por um período de tempo relativamente longo, caracterizado por um momento em que a norma está totalmente sedimentada e, portanto, institucionalizada na organização.

A institucionalização total, de acordo com Tolbert e Zucker (2006, p. 209), ocorre com a etapa de sedimentação, a qual representa “[...] um processo que fundamentalmente se apoia na continuidade histórica da estrutura e, especialmente, em sua sobrevivência pelas várias gerações de membros da organização”.

O processo de sedimentação envolve duas dimensões: 1) a propagação, virtualmente completa, de suas estruturas por todo o grupo de atores teorizados como adotantes adequados, e 2) a perpetuação de estruturas por um período consideravelmente longo de tempo. Nesse processo, que leva ao estágio da institucionalização total, atuam três variáveis principais: 1) impactos positivos de resultados demonstráveis associados à estrutura, embora as autoras alertem para a dificuldade em associar uso de determinada estrutura à obtenção de resultados; 2) baixa resistência de grupos de oposição, demonstrada por pessoas que são afetadas

adversamente pela estrutura; e 3) promoção e apoio continuado de grupos de defensores, formados por pessoas que são favoráveis às mudanças na estrutura.

Segundo essas autoras, se houver resistência à adoção ou perpetuação de determinado arranjo ou prática organizacional, sua disseminação, pela teorização, será limitada entre organizações identificadas, como adotantes significativos. A promoção continuada e, ou, os benefícios demonstráveis são necessários para contrabalançar tendências filantrópicas e, assim, assegurar a perpetuação da estrutura no tempo.

Nesse processo, as práticas, já aceitas amplamente, são vivenciadas como possuindo uma realidade própria e transmitidas como “dados sociais” para aqueles que não têm conhecimento de suas origens.

Assim, quando a institucionalização é alta, a transmissão da ação, sua manutenção ao longo do tempo e sua resistência à mudanças também são altas (ZUCKER, 1977 apud TOLBERT; ZUCKER, 2006).

Os processos de Habitualização, Objetificação e Sedimentação podem ser assim sintetizados conforme Figura 4:

Figura 4 – Variáveis características dos processos de institucionalização.

Fonte: TOLBERT; ZUCKER, 2006.

Portanto, o processo de institucionalização proposto por Tolbert e Zucker (2006) apresenta um conjunto de fatores que podem determinar se uma mudança organizacional, uma ação, um arranjo organizacional ou uma norma será ou não bem- sucedida e, à medida que avançam pelos estágios, apresentam taxa de sobrevivência crescente e mais longa.

No entanto, as autoras ponderam que nem todas as práticas e estruturas perduram indefinidamente, caracterizando um processo reverso: a desinstitucionalização. Essa situação pode ocorrer em virtude de uma grande mudança no ambiente, que faz com que um grupo de atores sociais, cujos interesses estejam em oposição à estrutura, a ela se oponha conscientemente ou explore suas fraquezas.

Benzer Belgeler