A história é marcada por transições nem sempre antagônicas e, em seus desdobramentos seculares, a oralidade, a leitura e a escrita foram atravessadas por memórias expansivas em determinados contextos, sob formas tecnológicas próprias a cada época. Na contemporaneidade, Guglielmo Cavallo e Roger Chartier (1998) reportam-se à leitura realizada no computador como uma revolução que altera a fisiologia do ato de ler, as noções de contexto e a materialidade da obra. Os bancos de dados e os links que conduzem o leitor a outros textos, via associação temática, dependendo de um simples click, substituem a sua estrutura física concreta. O hipertexto, como modalidade que por associação temática traz ao leitor informações complementares acerca do que está sendo lido, passa a ser encarado como forma de aproximação do ser humano com seus esquemas mentais, posto que a mente
humana possibilita a navegação infinita através do fluxo natural do pensamento que ocorre por associações. Essas mudanças reforçam que, com o advento da escrita, a leitura também se consolida e vai se modificando com o tempo.
A respeito do posicionamento de Guglielmo Cavallo e Roger Chartier (1998), embora reconheçamos a significância da associação temática entre textos, essa ainda ocorre através da formação de círculos pequenos, produzidos conscientemente pelos indivíduos, ou seja, os equívocos, os lapsos próprios do inconsciente no exercício de associação temática são isentos desta relação. O hipertexto passa muito mais a ser visto como associado à lógica utilizada nas bibliotecas, centrada na noção de arquivos escritos, quando consideramos a internet como produto da cultura escrita.
Cavallo e Chartier (1998) assinalam ainda que a fisiologia da leitura propiciada pelo computador reúne duas lógicas: a do texto, ao ser desenrolado na tela, conforme também se desenrolavam os rolos lidos pelos leitores da Antiguidade, e a própria composição deste, que atende ao mesmo formato de um livro (tabela, paginação etc.). A postura do leitor na Antiguidade é associada à adotada pelo indivíduo que lê no computador.
O uso do computador e a inclusão de um número cada dia maior de indivíduos nas redes sociais fazem surgir o fenômeno da internetês15, o qual, por um lado, potencializa a escrita silábica antecessora da escrita alfabética. Nesse neologismo, palavras como CONTIGO, TAMBÉM e QUANDO são assim escritas: CTG, TB e QD. Por outro lado, essa escrita virtual retoma escritas pictográficas através dos conhecidos silabários que apresentam formas de expressões faciais diversas, que traduzem o estado de espírito dos que estão interagindo virtualmente acerca do texto escrito (satisfação, insatisfação etc.). Essa escrita pictográfica se remete aos símbolos utilizados na tragédia e na comédia grega.
A oralidade na era tecnológica é concebida por Havelock (1996) e Zumthor (2007) como aproximada da escrita, uma vez que o uso do corpo como extensão vocal é redimensionado, posto que a voz pode ser inferida, no entanto, exige habilidades complexas de leitura, tais como a fluência na captação dos sentidos e a imaginação da voz do narrador e dos personagens. Já os meios eletrônicos tornam possível “[...] a presença da oralidade como um fato contemporâneo entre nós [...]”
(HAVELOCK, 1996, p. 138). Na Antiguidade, os trovadores e os rapsodos eram representantes de uma sociedade eminentemente de características orais. Havelock estende sua reflexão a outras influências orais na história que atestavam o poder da voz, como é o caso de figuras históricas como Adolf Hitler, dentre outros, que utilizavam desse poder de forma muito eficiente. Conforme já enfatizamos neste capítulo, no estado do RN, esse poder da voz também é atestado pela forte influência radiofônica na educação popular na década de 1960. A Igreja Católica, por muito tempo, utilizou e ainda faz uso desse poder vocal, embora em menor escala, através de suas extensas homilias, mais conhecidas como sermões.
Nessa perspectiva, constatamos que entre a oralidade, a leitura e o surgimento da escrita na história da humanidade são identificadas semelhanças em períodos históricos diferentes que atingem as formas de relacionamento entre os indivíduos e seus registros, possibilitadas por meios tecnológicos também distintos. Identificamos, nesse sentido, formas escritas da Antiguidade próximas às propiciadas pelas tecnologias atuais. Ressaltamos, ainda, que, para além das aproximações entre períodos históricos diferentes, na história anacrônica da escrita são identificáveis fortes semelhanças entre a aquisição desta por parte da criança e o surgimento da escrita alfabética. Com o passar do tempo, verificamos que a figuração identificada nos desenhos infantis vai sendo substituída pelo teor simbólico, justificando o processo fonético da escrita, de acordo com o já apontado por Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1999) na teoria construtivista.
Para Gelb (1976), o pensamento primitivo e o infantil convergem no sentido de manterem traços comuns, principalmente pelo fato de os desenhos e as escritas de ambos os pensamentos estarem associados a situações concretas do ambiente em que vivem. Ao reportar-se à afasia mnésica em que termos do cotidiano são usados pelos pacientes, contextualizados, adjetivados, Gelb estabelece relações com a afasia de similaridade explorada por Jakobson (1995). As análises de Freud apontam que as relações entre escrita antiga e infantil e entre língua primitiva e pacientes com afasia podem gerar metáforas importantes para a decifração da escrita interior, associando estudos psicanalíticos a estudos linguísticos.
Essa associação entre estudos linguísticos e psicanalíticos e as relações históricas entre escrita antiga e alfabetização infantil impulsionam-nos a apostar em um Ensino Fundamental que valorize as matizes orais, no sentido de convocar as crianças a uma subjetividade de permeio (BELINTANE, 2013), separada entre a fala
cotidiana e uma outra, a poética, que as conduza à entrada na escrita. Somos convocados a retomar a figura do narrador e a arte de narrar que estão em extinção, segundo Benjamin (1993, p. 201), consequência do progresso das forças produtivas que “[...] expulsa gradativamente a narrativa do discurso vivo e ao mesmo tempo dá uma nova beleza ao que está desaparecendo”.
Temos identificado não a extinção do narrador e da arte de narrar, mas a reconfiguração desse sujeito ao longo da história. As transformações socioculturais e as novas formas de comunicação, principalmente advindas do acesso e disseminação da tecnologia, modificam nossas relações com a literatura. Essas novas relações impactam tanto nas condições de produção quanto na recepção das narrativas, em que conceitos como tempo e espaço se reconfiguram fazendo emergir reposicionamentos acerca de questões como sermos e estarmos no mundo. Nesse contexto, novas linguagens são agregadas, nem sempre seguindo o caminho percorrido pelas narrativas tradicionais, compreendidas por Benjamin (1993) como troca de experiência e prática social coletiva, que envolve a interlocução, uma prática social em extinção impactada pelos avanços dos meios de comunicação.
A sociedade da informação, caracterizada pela disseminação em massa de informações em curto espaço de tempo, permite aos indivíduos participarem de situações, emitindo juízos de valor, mesmo não estando presentes em eventos e lugares variados, ao mesmo tempo. Nesse contexto, as mais diversificadas linguagens, através de imagens, teatro, desenhos, possibilitam acesso em massa ao receptor. Esse indivíduo pós-moderno se desfaz dos laços sociais com o Outro através do processo de dessimbolização, apontado por Dufour (2005), perdendo sua referência herdada da modernidade às grandes narrativas, em que a interação face a face é minimizada. Nesse sentido, o conhecimento passa a ser transmitido através de outras linguagens, disseminadas principalmente mediante suportes eletrônicos. Esses suportes associados a redes sociais e aos cinemas podem ser encarados como potencializadores na recuperação parcial de técnicas orais. Nesse contexto, temos identificado que o uso de narrativas e alegorias por parte de líderes religiosos conquistam multidões através de suportes como a televisão.
O papel do narrador na contemporaneidade é reconfigurado, não se apresentando como interlocutor entre as musas e os receptores, que desenvolve seu papel sob inspiração divina. Diante dos desafios da contemporaneidade e dos atrativos tecnológicos no tratamento com as narrativas, a educação clama por um
professor que reforce a corporalidade, os olhares e as escutas atentos às situações cotidianas, encontrando formas de associar a tecnologia à narrativa tradicional – o corpo – às tecnologias contemporâneas. É necessário que essa tecnologia usada contra o esquecimento faça parte das preocupações docentes em sala de aula, desde que estejamos atentos às formas elaboradas pelas crianças para memorizarem informações para que as horas diante de aparelhos como a televisão ou o computador não impliquem apenas gozo imediato, por parte delas. A Educação Infantil não deve ficar resguardada aos meios eletrônicos. Desse modo, as narrativas contadas necessitam ser experienciadas por meio do livro, de imagens, da utilização das diversas linguagens apresentadas pelos meios de comunicação.
Não somente a recepção das narrativas foi modificada com o passar dos tempos, mas as formas de memorização também sofreram impactos. Em cidades do interior do RN, com forte tradição oral, como é o caso de Pau dos Ferros, onde se encontra situada a escola municipal, campo desta pesquisa, as memórias eletrônicas, aos poucos, ocupam lugar antes reservado à cultura oral. Se na década de 1960 esse estado foi lócus da presença histórica do rádio, que teve grande impacto sobre a educação popular e a alfabetização de adultos através das escolas radiofônicas, com o passar do tempo, esse veículo cedeu lugar a outros meios de comunicação como a TV, o computador, até se estender aos ipads e à tecnologia 3D. Assim, passamos das fitas cassetes aos pen drives, cada vez menores e com maior capacidade de armazenamento, dentre outros dispositivos que chegam às residências e ganham espaço no mercado.
As transformações históricas e, principalmente, o avanço tecnológico causam impacto no modo de transmissão de memórias coletivas. Dessa maneira, formas históricas de transmissão cultural, como a literatura de cordel, passaram a ser secundarizadas. O cordel, que, no sertão nordestino, substituiu os menestréis na idade média, surgiu com o propósito de manter viva a memória de fatos e causos, consequência de motes desdobrados pelos violeiros em suas canções. Sob forma de jornal itinerante, o cordel era de fácil acesso financeiro e de linguagem popular, abordando os mais variados temas que realçavam, principalmente, a pecuária e seus heróis vaqueiros e o cangaço, também como luta heroica, em que seus responsáveis eram conhecidos como desbravadores do sertão. Reforçando a opção dos cordelistas e o estudo de temas dessa natureza, Cascudo (2005, p. 15) explica: “A poesia tradicional sertaneja tem mesmo seus melhores e maiores motivos no ciclo
do gado e no ciclo heroico dos cangaceiros”. No oeste potiguar do estado do RN, vários folhetos foram postos em circulação socializando a passagem de Lampião por Mossoró, cidade situada na região oeste do estado, em 13 de junho de 1927. No cordel O ataque de Mossoró ao bando de Lampião16, o poeta Antonio Francisco reconfigura a passagem do cangaceiro pela cidade, em outro lugar – no inferno –, em que o personagem participa de um festival de talentos. Como premiação, ganha um passe, escolhendo Mossoró como destino, onde a invasão se efetiva na contemporaneidade, envolvendo músicas populares, conforme apresentado a seguir:
E entraram na cidade A uma da madrugada Na hora que o carnailha Dava a primeira pancada Botando todo o cangaço No ritmo da batucada. Jararaca quis comer Mas quando viu Lampião Agarrado com Maria Marcando passo no chão Entrou no meio da dança Cantando carrinho de mão.
Ainda hoje, embora em menor escala, remanescem formas de transmissão de memórias coletivas acerca da passagem de Lampião em Mossoró. A cidade em sua constituição geográfica guarda marcas das lutas travadas com os cangaceiros. O Memorial da Resistência registra imagens e escritos da época. A igreja de São Vivente ainda possui marcas das balas emitidas pelo bando de Lampião, sediando, em forma de memória coletiva, todos os meses de junho de cada ano, o espetáculo “Chuva de bala”. Esse espetáculo, apresentado por artistas locais, retrata a passagem de Lampião em Mossoró e, embora revestido de sensacionalismo próprio da arte teatral, culmina com a morte de um dos cangaceiros – Jararaca. A cidade continua preservando parte de sua memória coletiva recebendo, a cada 2 de novembro, no dia de finados, o maior número de visitantes no estado ao túmulo de Jararaca, ali falecido. Pela cidade, encontram-se outras formas de memórias
16 Vídeo em que o poeta Antonio Francisco recita a referida narrativa. Disponível em:
coletivas do cangaço, principalmente através de fotos e registros escritos, no Memorial da Resistência.
Reafirmamos que todas essas mudanças na transmissão de memórias coletivas também têm se efetivado em função das formas contemporâneas de socialização de informações. No oeste do estado do RN, sentimos esse impacto nos relatos sobre as vivências com os heróis imortais que parecem ceder lugar ao silêncio provocado entre as pessoas quando se sentam às calçadas à noite esperando o “vento do nordeste”17. Os membros das famílias já não mais falam de seus heróis, que as deixam para encontrar meios de sobrevivência em outras regiões do país. Os heróis que antes sobreviviam à seca são substituídos por referências mais jovens de filhos que cedo ingressam na carreira universitária e socializam, com as gerações mais antigas e com tantos internautas desconhecidos, seu estado de espírito através de redes sociais como o Whatsapp ou Facebook, as quais facilitam a comunicação a distância e dificultam o diálogo entre os indivíduos geograficamente próximos. Isso não quer dizer que as mudanças climáticas tenham melhorado para os nordestinos, mas, com os avanços tecnológicos e com políticas públicas de acesso à educação, os centros universitários se aproximaram das residências das camadas desfavorecidas, interferindo nas representações sociais acerca das suas referências.
Retomemos a figura do narrador explorada por Benjamin (1993), pois, quando transportada para o contexto escolar, sentimos que ao professor, diretamente imbricado na relação em sala de aula, falta a experiência do narrador que encanta e que, com suas experiências, enlaça o outro a partir de narrativas passadas, em estreita conexão com os contextos atuais em que estas são desencadeadas. O pragmatismo expresso através dos gêneros literários prosaicos em excesso em sala de aula e a ausência da performática experiência dos contadores roubam da infância o que é próprio de sua vivência: os encantamentos, as aventuras, os jogos de palavras que oportunizam uma engrenagem entre universo infantil, cultura e história, sob forma de acontecimento único na vida estudantil dos pequenos.
O escritor Graciliano Ramos, embora entontecido pela pressão paterna nas primeiras lições, expressou um momento inédito de gozo com a leitura, em que
17 Expressão popular que explica a chegada do vento, que, segundo a tradição oral dos norte-rio-
experienciou esse encantamento e a ele se reportava em sua escrita como algo surpreendente, que fez diferença em sua vida de fraseador. Tal fato se consolidou quando, ao ler, em uma noite qualquer, em vez de ressoarem-se gritos por parte da figura paterna, como de costume, ouvia explicações sobre a história. Naquele instante, Ramos (1945, p. 207, grifo do autor)
“Animou-se a parolar”: Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo [...] Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-me, às vezes, a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.
No caso de Ramos (1945), a referência paterna possibilitou esse encantamento. Embora tenha sido barrado no dia seguinte pelo costumeiro perfil sisudo do seu pai, seu encantamento foi retomado e referenciado posteriormente por sua prima Emília, que, ao falar dos astrônomos e de um céu que extrapolava a morada divina apresentada pelo cristianismo, instigava-o a penetrar no mundo das letras. Quantos professores poderiam exercer papéis de Emília na vida estudantil das crianças, ajudando-as a entrar na realidade escrita, conduzindo-as a encantamentos, falando das vidas que existem nos livros, identificando a sua necessidade de aventura. Para além das dificuldades enfrentadas por Graciliano, somos impulsionados a refletir sobre a ideia de que o universo do letramento é constituído de tudo o que compõe o entorno da criança, uma vez que o céu e os astrônomos dificilmente vão ser analisados como parte do seu cotidiano. Os gêneros trabalhados nos anos iniciais, através de receitas, bilhetes, dentre outros, que exploram apenas a função comunicativa da linguagem, dificilmente acoplarão tais temáticas em seus desdobramentos didáticos. A forma como a criança expressa seus sentimentos, suas relações diárias e até mesmo seu silêncio revela muito mais da sua subjetividade do que assoberbá-la de textos pragmáticos que não contemplam os desejos da infância nem revelam traços de sua subjetividade. É defendendo a necessidade de a criança se deparar com textos que propiciem encantamentos, aventuras próprias da infância como caminho possível para a alfabetização, que nossa teoria se sustenta. Definir o que se concretiza como parte do cotidiano infantil em tempos de avanços tecnológicos torna-se tarefa complexa, posto que as relações entre tempo e espaço foram reconfiguradas.
Belintane (2013), ao defender o uso de textos literários nos anos iniciais do Ensino Fundamental, rejeita a língua como código convencional que serve, exclusivamente, para a comunicação. O funcionamento desta não deve prender-se somente às ações construtivas de um sujeito centralizado, uma vez que a rede de possibilidades textuais e discursivas que envolvem a infância extrapola a função comunicativa. Ao tratar da relação intertextual ou interdiscursiva entre expressões originadas da fala cotidiana e narrativas memorizadas pela criança, Belintane (2013) abre possibilidades de uma subjetividade de “entre-textos”, ou seja, um sujeito que surge como consequência da relação entre dois textos ou mais. Conceituada na literatura como intertextualidade, essa associação, imprevisível, é essencial à concretização de um bom leitor.
Na infância, essa linguagem intercalada entre expressões cotidianas que revelam a função comunicativa da linguagem e textos da cultura oral como parte da função poética permite a vivência de experiências estéticas e literárias, com encaixe métrico e com ritmos e melodias próprias de canções/cantigas de roda conhecidas de memória pelas crianças. Retomando a psicanálise, Belintane (2013, p. 19-20) compara essa associação a um chiste, que provoca ligações: “A pessoa engata à conversa uma associação sem tê-la planejado”. Esse engate sem planejamento possibilita reflexões acerca da consciência fonológica, defendida por adeptos do método fônico, ou de um sujeito ativo e consciente de suas operações mentais, conforme sustentam os construtivistas. Para Belintane (2013, p. 20), em operações dessa natureza, identificamos “[...] uma dimensão inconsciente, de um sujeito intervalar e de um movimento próprio da língua, com seus efeitos metafóricos e metonímicos”. Para tanto, utiliza a faixa de Moebius18 como modelo que, pela complexidade que comporta, pode representar a ideia de intertextualidade e entrada da criança na escrita. Essa faixa representa a junção de duas extremidades, em que uma delas está semitorcida, conforme Figura 2, apresentada por Escher (1994):
Figura 2 – Faixa de Moebius Fonte: Escher (1994, p. 40)19.
Para Belintane (2013), essa figura bidimensional, enquanto parada, pode tornar-se unidimensional, à proporção que está em movimento. Se, de um lado, teríamos a função comunicativa desdobrada em diálogos cotidianos, nas conversas que surgem durante a relação entre as pessoas, com forte semelhante ao que denominamos de função pragmática, do outro lado, estaria a função poética, caracterizada pelos textos da tradição oral que perpassam as gerações. Geralmente, mais completos que os da função comunicativa, esses textos surgem ligados à afetividade, às brincadeiras que embalam a infância, mobilizando uma rede de memórias nem sempre acionadas pela utilidade comunicativa. Para Belintane (2013), da função comunicativa pode-se chegar à poética, apesar de caracteristicamente divergentes, dependendo da que seja mais mobilizada pelas crianças, ou seja, algumas podem possuir um repertório mais ampliado da função