3.1.1 Caracterização da escola
O estudo foi realizado na Escola Municipal Isabel Ferreira, situada na Rua Dona Isabel Ferreira, no Bairro Curió, na Cidade de Fortaleza. A Foto 1 (abaixo) apresenta a entrada da escola.
A escolha dessa escola baseou-se nos seguintes critérios: • Ser pública;
• Aceitar a inserção da pesquisadora;
• Ter professoras do primeiro ano (alfabetização);
• Incluir alunos com deficiência nas salas comuns de ensino.
Foto 1 – Entrada da Escola Municipal Isabel Ferreira.
Nessa escola já estava sendo desenvolvido o projeto Gestão da Aprendizagem na Diversidade, coordenado pela professora Rita Vieira de Figueiredo, da Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Esse projeto tem como objetivo desenvolver uma experiência de inclusão com a finalidade de identificar, desenvolver e ampliar práticas
pedagógicas que favoreceram a inclusão escolar.
No ano de 2007, a instituição atendeu um total de 1204 alunos, distribuídos em 34 salas de aula. As salas eram assim organizadas:
Turno manhã: educação infantil – duas salas de Jardim I e duas de Jardim II. Turno tarde: uma sala de Jardim I e duas de Jardim II, totalizando sete professoras; No ensino fundamental:
Turno da tarde: quatro salas de 1° ano, quatro de 2º, quatro de 3° e duas de 4° ano. Na época (em 2007), a escola contava com 26 alunos com necessidades educativas
especiais, incluídos nas salas de aula regulares; eles eram distribuídos do primeiro ao quarto ano do ensino fundamental. Duas crianças freqüentavam o primeiro ano no turno da manhã e outra, o da tarde.
Ingressei como colaboradora no grupo de pesquisa Gestão da Aprendizagem na Diversidade no segundo semestre de 2006. A integração nesse grupo motivou o desejo de desenvolver o presente estudo nessa escola. O fato de já estar participando da referida pesquisa contribuiu para a construção do meu vínculo afetivo com as crianças, bem como para conquistar a confiança de algumas professoras, dentre elas a professora Paula, que manifestou interesse em participar desse estudo. A referida professora apresentava os critérios considerados fundamentais para a escolha da professora participante desta pesquisa. Estes critérios eram:
I. Desejo manifestado por ela de colaborar em todos os momentos da pesquisa;
II. Ser alfabetizadora e estar atuando em sala de aula; III. Ter mais de dois anos de experiência com alfabetização; IV. Ser professora efetiva da rede pública de ensino;
V. Ter alunos com deficiência na sala de aula.
3.1.2 Caracterização da professora
A professora participante da pesquisa é uma pessoa curiosa, atenciosa, prestativa, firme com suas idéias, carinhosa com as crianças e dedicada ao seu trabalho, conforme a foto ilustra. Observando o desempenho da professora Paula5 durante o projeto Gestão da Aprendizagem na Diversidade no ano de 2006, como colaboradora do mesmo, percebi que além de ela atender aos meus critérios de escolha para participar desse estudo,
ela demonstrou interesse em ser co-participante desta pesquisa.
Foto 2 – Professora participante da pesquisa.
A professora Paula, participante da pesquisa, fez o antigo Normal aqui em Fortaleza e posteriormente o curso de pedagogia pela Universidade do Vale do Acaraú – UVA. Ela tem quinze anos de magistério, dos quais seis trabalhou na escola do SESI, seis em outras escolas da rede municipal de Fortaleza, e de 2005 a 2008 encontra-se na Escola Isabel Ferreira.
Em 2005, Paula foi transferida para a Escola Isabel Ferreira e no ano seguinte recebeu duas crianças com deficiência mental em sua sala de aula. A professora considerava o trabalho com esses alunos como um momento de desafios e angústias, pois se tratava de uma nova experiência devido ao fato de ela nunca ter trabalhado anteriormente com alunos com deficiência. Nesse mesmo ano a professora teve oportunidade de participar de reuniões e formações oferecidas pelo Projeto Gestão da Aprendizagem na Diversidade, na própria escola.
Além da professora Paula, diversas professoras também eram acompanhadas por pesquisadoras que contribuíam com intervenções e reflexões sobre suas práticas. Em uma reunião de formação, a professora Paula solicitou a orientação de um pesquisador alegando que necessitava de apoio para o atendimento e o acolhimento das crianças com deficiência incluídas na sua sala.
Na ocasião (2006), a sua sala de aula tinha dois alunos que apresentavam deficiência mental e um aluno com problema importante de comportamento, agressividade e dificuldade de interação com os colegas da sala. Nessa ocasião a professora manifestava diversas queixas, e fazia um apelo por acompanhamento, suporte e por orientações no seu fazer pedagógico frente a essa realidade. Em sua fala, a professora demonstrava insegurança quando dizia: Gente, eu não sei o que fazer com esses alunos, eu preciso de
ajuda, pelo amor de Deus. Nesse momento tive uma conversa informal com a professora para sondar suas concepções a respeito da inclusão e suas possibilidades em participar de uma pesquisa colaborativa. A professora, em suas respostas, demonstrava insegurança em trabalhar com esses alunos incluídos, todavia se mostrava disposta a enfrentar o novo desafio. Prontamente, ela aceitou o convite para ser co-participante desse estudo.
Em 2007 a professora Paula recebeu um aluno com importante atraso no desenvolvimento. Ele não apresentava linguagem verbal e necessitava de atenção constante para realizar todas as atividades, inclusive aquelas da vida diária.
Em sua sala estavam também incluídos dois alunos com característica de hiperatividade e agressividade, bem como uma menina com características de imaturidade emocional (se recusava a participar das atividades que exigiam exposição física e verbal, chorando em diversos momentos). Outro aluno, inúmeras vezes, conturbava os momentos de realização das tarefas com comportamentos inadequados, como desobediência e agressividade.
Conversando com a professora sobre as possibilidades de seu engajamento nesta pesquisa, esclarecemos que este estudo contava com seções de acompanhamento em sala de aula. Esse acompanhamento teria a intenção de estabelecer com ela uma parceria envolvendo os planejamentos e o desenvolvimento de atividades com permanentes trocas de experiências, saberes e práticas que poderiam favorecer a participação, a interação e a aprendizagem de todas as crianças através de práticas inclusivas. A professora acatou as
propostas sugeridas. Abordaremos no próximo tópico os procedimentos utilizados no desenvolvimento desta pesquisa.