• Sonuç bulunamadı

Na compreensão de Silva (2010), o bullying ocorre em todas as escolas, independentemente de tradição, localização ou poder aquisitivo dos alunos. Pode-se afirmar que está presente, de forma democrática, em 100% das escolas de todo o mundo, públicas ou particulares. Podemos compreender como bullying escolar insultos, intimidações, apelidos constrangedores, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuações em grupo que hostilizam e ridicularizam a vida de outros alunos, levando-os à exclusão, além de danos físicos, psíquicos e de aprendizagem.

De acordo com Maldonado (2011), em inúmeros casos, o sofrimento provocado pelo bullying se prolonga por muitos anos após os ataques, atinge a autoestima e é a raiz de sintomas que influenciam decisões nem sempre saudáveis. Dito isso, o bullying nas escolas tem representado um sério problema, gerando um

aumento significativo de propagação da violência escolar16. Como afirma Maldonado (2011, p. 17):

O sofrimento provocado pela perseguição do bullying reflete-se também em dificuldade de concentração, queda de desempenho escolar e medo de ir à escola: a criança implora para faltar às aulas, mudar de turma ou ir para outro colégio, com a esperança de escapar dos que a atormentam. Com a persistência dos ataques, quase todas as vítimas se isolam ainda mais, tornando-se arredias, como se desejassem ser invisíveis; algumas se descontrolam, chorando com frequência, evidenciando claros sinais de angústia.

Todos os envolvidos no contexto escolar devem estar atentos a esses acontecimentos, para que uma simples brincadeira não cause confusão em meio aos educadores, levando à falsa impressão de bullying, propriamente dito. São coisas completamente diferentes. Como se nota em Fante e Pedra (2008), o bullying é uma forma de violência que resulta em sérios prejuízos, não apenas ao ambiente escolar, mas à sociedade como um todo.

O bullying possui características próprias que o distinguem das outras formas de violência, sendo considerado um “tipo” de comportamento agressivo humano que gera, muitas vezes, atos violentos contra o semelhante. Fante e Pedra (2008, p. 37) afirmam que:

As relações desestruturadas por meio de condutas abusivas e intimidatórias incidem na formação dos valores e do caráter, o que refletirá na vida do indivíduo, no campo pessoal, profissional, familiar e social. O bullying está diretamente ligado à formação de gangues, ao uso de drogas e armas, à violência doméstica e sexual, aos crimes contra o patrimônio e, consequentemente, à necessidade de altos investimentos governamentais para atender à demanda da Justiça, dos presídios, dos programas sociais e da saúde.

Consideremos a importância da escola, sob a ótica educativa, onde, além da aprendizagem, existem a de troca de experiências saudáveis e as relações interpessoais. Quando isso não acontece, ou caso as experiências sejam desagradáveis, o registro permanece na memória de forma latente. Quando abordamos a violência contra crianças e adolescentes e vinculamos onde ela ocorre, a escola surge como um ambiente que necessita ser explorado, principalmente em relação a condutas agressivas entre os próprios educandos. Como afirma Lima (2011, p. 63):

16 Segundo Fante (2012), desde o ano 2000, pesquisadores vêm desenvolvendo estudos pioneiros no

Brasil sobre o fenômeno Bullying, iniciados em escolas do interior paulista e, atualmente, em desenvolvimento no Distrito Federal.

Na escola, o bullying normalmente acontece em locais com pouca supervisão dos adultos, como é o caso do playground da escola, dos corredores, dos banheiros, das quadras de esportes e demais imediações (LIMA, 2011, p.63).

Silva (2010, p. 111) concorda com a afirmação de Lima (2011), pontuando que “não se pode esquecer que o bullying é um fenômeno de mão dupla”, ou seja, ocorre de dentro para fora da escola e vice-versa. A violência nas instituições educacionais é um problema social grave e complexo e, provavelmente, o tipo mais frequente e visível da violência juvenil. Esta deixa marcas ao longo da vida do indivíduo, muitas difíceis de esquecer. De acordo com Fante (2012, p. 20):

A violência escolar nas últimas décadas adquiriu crescente dimensão em todas as sociedades, o que torna a questão preocupante devido à grande incidência de sua manifestação em todos os níveis de escolaridade (FANTE, 2012, p. 20).

Maldonado (2011, p. 54) apóia o pensamento de Fante (2012), ao apontar que essa mesma violência ultrapassa as escolas regulares e já adentrou os ambientes acadêmicos:

A lenta mudança do olhar também está acontecendo na entrada na universidade: em muitas, o temido “trote dos calouros” é um ritual de agressões e humilhações que, em alguns casos, chegou a provocar ferimentos graves, deformações (por ácido jogado no rosto e no corpo dos calouros) e até mesmo a morte por espancamento. Como acontece no

bullying, as vítimas do primeiro ano de faculdade tornam-se os algozes do

novo grupo de calouros. Estes se submetem pelo medo de sofrer agressões ainda piores de faltarem aos primeiros dias de aula para fugir do trote, ou por temerem não ser aceitos pelo grupo (MALDONADO, 2011, p. 54).

Como já dissemos, o bullying sempre aconteceu em todas as escolas e por muito tempo foi considerado brincadeira. Segundo Maldonado (2011, p. 55), “o reconhecimento do bullying como um padrão de relacionamento violento que precisa receber tratamento adequado deu margem a projetos de lei que foram sancionados em alguns estados e municípios brasileiros”. Esses projetos visam fomentar, por meio de políticas públicas, a prevenção ao bullying nas escolas públicas e privadas.

Trazendo essa realidade para nosso contexto geográfico, no campo da historiografia, em 16 de janeiro de 2008, na Paraíba, foi sancionada a Lei nº 11.381, com o objetivo de instituir o programa de combate ao bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitárias nas escolas públicas do município de João Pessoa. A referida lei contempla dez artigos, que, em linhas gerais, delineiam desde o conceito do bullying até os objetivos do programa, bem como, em seu artigo

décimo, a vigência da lei, assinada, naquela época, pelo então prefeito, Ricardo Vieira Coutinho. Segundo o artigo 5º, os objetivos do programa são:

I - prevenir e combatera prática de bullying nas escolas;

II- capacitar docentes e equipe pedagógica para a implementação das ações de discussão, prevenção e solução do problema;

II- incluir no regimento Escolar, após ampola discussão no Conselho da Escola, regras normativas contra o bullying;

IV- esclarecer sobre os aspectos éticos e legais que envolvem o bullying; V - observar, analisar e identificar eventuais praticantes e vítimas de bullying nas escolas;

VI- discernir de forma clara e objetiva, o que é brincadeira e o que é

bullying;

VII- desenvolver campanhas educativas, informativas e de conscientização com a utilização de cartazes e de recurso de áudio e áudio-visual;

VIII- valorizar as individualidades, canalizando as diferenças para a melhoria da autoestima dos estudantes;

IX- integrar a comunidade, as organizações da sociedade e os meios de comunicação nas ações multidisciplinares de combate ao bullying;

X- coibir atos de agressão, discriminação, humilhação e qualquer outro comportamento de intimidação, constrangimento ou violência;

XI- realizar debates e reflexões a respeito do assunto, com ensinamentos que visem a convivência harmônica na escola;

XII- promover um ambiente escolar seguro e sadio, incentivando a tolerância e o respeito mútuo;

XIII- propor dinâmicas de integração entre alunos e professores;

XIV- estimular a amizade, a solidariedade, a cooperação e o companheirismo no ambiente escolar;

XV- orientar pais e familiares sobre como proceder diante da prática do

bullying;

XVI- auxiliar vítimas e agressores.

Fante e Pedra (2008), em seu livro Bullying Escolar: perguntas

&respostas, também corroboram o exposto, apontando caminhos para o “combate” ao bullying. Uma vez que esse fenômeno tenha adentrado a escola:

Em primeiro lugar, há que se reconhecer que a violência é um problema social grave. Nesse sentido a escola tem papel fundamental na sua redução, por meio de ações e programas preventivos, em parceria com as famílias dos alunos, e os diversos atores sociais, para garantir a sua eficácia. É fundamental que em cada escola se constitua uma comissão ou equipe que possa articular políticas preventivas e capacitar seus profissionais para atuar de forma segura, sem correr riscos desnecessários (FANTE E PEDRA, 2008, p. 105).

Ainda há um longo caminho a ser percorrido, nessa mudança de perspectiva (MALDONADO, 2011), por pais, educadores, gestores escolares e membros da sociedade, de forma holística, os quais ainda estão de olhos vendados, encarando o bullying escolar como um “tipo” de brincadeira mais acentuada. Percebemos o bullying escolar como um fenômeno complexo, que necessita ser estudado com maior profundidade. Acreditamos que a prevenção começa pelo

conhecimento (FANTE; PEDRA, 2008). Destarte, pais, professores e demais seguimentos educacionais e sociais devem aprimorar os conhecimentos acerca dessa problemática, para melhor atuarem diante do contexto atual.

Muitos fatores podem transformar o relacionamento do jovem com os demais em um problema, excepcionalmente no ambiente escolar, como personalidade, classe social, gosto musical, aparência, raça e religião diferentes do grupo do agressor, entre outros. Estes poderão ser critérios decisivos para a inclusão ou não no grupo. A não aceitação da diversidade é o que caracteriza a maior parte das agressões de bullying no ambiente escolar:

Segundo Fante (2005), em seu livro: Bullying – A Violência Tolerada na Escola:

[...]Bullying começa frequentemente pela recusa de aceitação de uma diferença, seja ela qual for, mas sempre notória e abrangente, envolvendo religião, raça,estatura física, peso, cor dos cabelos, deficiências visuais, auditivas e vocais; ou é uma diferença de ordem psicológica, social, sexual ou física; ou está relacionada a aspectos como força, coragem e habilidades desportivas e intelectuais (FANTE, 2005, p.62-63).

Nesse sentido, o bullying surge segundo critérios de inclusão, baseados em vários fatores, como aparência, traquejo, habilidade desportiva, classe social e afinidades variadas, e em situações nas quais as diferenças entre esses critérios se tornam manifestas. Como vivemos em uma sociedade que diferencia ricos e pobres e separa as classes existenciais entre os seres humanos, percebemos, por meio desse conhecimento pré-estabelecido sobre os diversos tipos de violência, que o

bullying é uma prática recorrente, que acomete alunos no cotidiano escolar com

mais intensidade do que poderíamos imaginar. Não podemos negar as memórias que esse fenômeno traz para o campo social dos sujeitos envolvidos, por conseguinte, manifestando na História do Tempo Presente um amplo campo de pesquisa, dando forma para mais uma página (re)escrita da história.

3 HISTÓRIA E MEMÓRIAS DE BULLYING E CYBERBULLYNG: UM MERGULHO NAS NARRATIVAS DE EDUCANDOS E EDUCADORES

Neste capítulo, pretendemos aprofundar os estudos acerca da história, da memória e do tempo presente, como também interpretar as histórias e as memórias, por meio das narrativas dos entrevistados em torno do bullying e do cyberbullying, sob a ótica da metodologia da História Oral.

3.1História e Memórias do bullying no lócus investigativo

Nessa tessitura, abriremos uma reflexão acerca de história e memória, para compreendermos como o bullying surgiu no lócus investigativo. Conforme Benveniste (1969) e Hartog (1990), citados por Le Goff (2013, p. 22):

A palavra história (em todas as línguas românicas e em inglês) vem do grego iotopin, em dialeto jônico (KEUCK, 1934). Esta forma deriva da raiz indo-europeia wid, weid, “ver”. Daí o sânscrito vettas, “testemunha”, e o grego iotwp, testemunha no sentido do “aquele que vê”. Esta concepção da visão como fonte essencial de conhecimento leva-nos a ideia de que iotwp, “aquele que vê”, é também “aquele que sabe”; iotopei, em grego antigo, é “procurar saber”, “informar-se”. IOTOPIN significa, pois, “procurar”. É este o sentido da palavra em Heródoto, no início de suas Histórias, que são “investigações”, “pesquisas”.

No entendimento desse pensamento, o mesmo autor afirma que, nas línguas românicas (e noutras), “história” exprime dois, senão três, conceitos diferentes, quais sejam:

1) “A investigação das ações realizadas pelos homens” (Heródoto) que se esforça por se construir em ciência, a ciência histórica;

2) O objeto da investigação é o que os homens realizaram. Como diz Paul Veyne, “a história é quer uma série de acontecimentos, quer a narrativa dessa série de acontecimentos” (1968, p.423).

Para Le Goff (2013), a história também pode ter o terceiro sentido, o de narrativa. Nesses termos, o autor discorre que uma história é uma narrativa, verdadeira ou falsa, com base na “realidade histórica” ou puramente imaginária – pode ser uma narrativa histórica ou uma fábula. Ricoeur (2007, p. 362) colabora com esse pensamento ao afirmar que:

[...] Seria assim existencialmente justificado o duplo emprego da palavra “história”: como um conjunto dos acontecimentos (esses fatos) no testemunho, na narrativa, na explicação e, finalmente, na representação historiadora do passado. Fazemos a história e fazemos história porque somos históricos.

Nessa perspectiva, tanto Le Goff (2013) quanto Ricoeur (2007) mostram que a história é fundamental para evidenciar os acontecimentos de uma época, período ou momento histórico. Dessa forma, centram-se no plano das ideias, pela tríade bem conhecida das instâncias da temporalidade: presente, passado e futuro. Como bem coloca Ricoeur (2007, p. 364), “existem três tempos: o passado, o presente, o futuro. Ora, o presente do passado é a memória, o presente do presente é a visão, o presente do futuro é a expectativa”.

Foi na revista da Annales – fundada em 1929 por Lucien Febvre e Marc Bloch – que essa concepção das relações passado/presente desempenhou um grande papel, que inspirou e deu nome à revista britânica de história Pastand

Present (Passado e Presente). Esta, em seu primeiro número, no ano de 1952,

apontou que “A história não pode, logicamente, separar o estudo do passado do estudo do presente e do futuro”. Seguindo essa mesma linha de pensamento, Le Goff (2013, p.213) acrescenta: “o futuro, tal qual o passado, atrai os homens de hoje, que procuram suas raízes e sua identidade e, mais que nunca, fascina-os”.

Marc Bloch (1942) apresentou também ao historiador, como método, um movimento geminado: entender o presente pelo passado e vice-versa. “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas é talvez igualmente inútil esgotar-se a compreender o passado, se nada se souber do presente”. Na compreensão de Halbwachs (2006, p. 86),

A história não é todo o passado e também não é tudo o que resta do passado. Ou, por assim dizer, ao lado de uma história escrita há uma história viva, que se perpetua ou se renova através do tempo, na qual se deve encontrar novamente um grande número dessas correntes antigas que desapareceram apenas na aparência.

Sob esse viés da história, trazemos para o campo da reflexão o estudo das memórias, haja vista ser uma teoria de suma importância para compreendermos o bullying no movimento da história. Nesse sentido, desde que a História Oral se instituiu como prática e movimento nos 60 e 70, os historiadores orais discutem questões em torno de história e memória.

Se nos remetermos ao dicionário, a palavra memória significa, entre outros: 1.Faculdade de reter as ideias adquiridas anteriormente, de conservar a lembrança do passado ou da coisa ausente; 2.Reminiscência, lembrança, recordação. (AMORA, 1999, p.456). O mesmo autor traz também o significado da memória informática, sendo ela a central dos computadores, ou seja, a unidade do computador que armazena informações para usos posteriores. Le Goff (2013, p. 387) traz seu ponto de vista sobre a memória, quando afirma que:

A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas graças às quais o homem pode atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas.

Na compreensão de Rousso, citado por Ferreira e Amado (2006, p.94), a memória, no sentido básico do termo, é a presença do passado e acrescenta:

A memória, para prolongar essa definição lapidar, é uma construção psíquica e intelectual que acarreta de fato uma representação seletiva do passado, um passado que nunca é aquele do indivíduo somente, mas de um indivíduo inserido num contexto familiar, social, nacional.

Santos (2012, p. 22) destaca que temos a memória entre os valores mais caros associados ao ser humano e afirma que “a memória, é associada à percepção de pertencimento a um mundo que engloba e constitui os indivíduos. Mais do que isso, a memória é vista como um atributo que permite ao homem se perceber em sua finitude”. Halbwachs (2006) complementa o pensamento de Santos (2012), trazendo para o campo do discurso a memória individual e coletiva, pontuando que elas se entrelaçam no movimento das narrativas, das lembranças dos indivíduos: “é muito comum atribuirmos a nós mesmos, como se apenas em nós se originassem, as ideias, as reflexões, sentimentos e emoções que nos foram inspiradas pelo nosso grupo”. Afirma que:

Não basta reconstruir pedaço a pedaço a imagem de um acontecimento passado para obter uma lembrança. É preciso que esta reconstrução funcione a partir de dados ou de noções comuns que estejam em nosso espírito e também no dos outros, porque elas estão sempre passando destes para aqueles e vice-versa, o que será possível somente se tiverem feito parte e continuarem fazendo parte de uma mesma sociedade, de um mesmo grupo (HALBWAHS, 2006, p.39).

Sobre as lembranças, Halbwachs (2006, p.91) também discorre:

A lembrança é uma reconstrução do passado com ajuda de dados tomados de empréstimo ao presente e preparados por outras reconstruções feitas em épocas anteriores e de onde a imagem de outrora já saiu bastante

alterada. Claro, se pela memória somos remetidos ao contato direto com alguma de nossas antigas impressões, por definição a lembrança se distinguiria dessas ideias mais ou menos precisas que a nossa reflexão, auxiliada por narrativas, testemunhos e confidências dos outros, nos permite fazer de como teria sido o nosso passado.

Assim, evidenciamos a importância que a história e as memórias do

bullying demonstram no lócus investigativo, estampando o plano de fundo de nossas

pesquisas iniciais. Acontecimentos, lembranças e reflexões se constituem em peças chaves para compreendermos como esse fenômeno marcou uma época e o princípio de nosso interesse por esse objeto de pesquisa. Como já mencionamos, foi em meados dos anos de 200017que um registro desse fenômeno, “novo e velho” ao mesmo tempo, marcou o início desse acontecimento na escola onde trabalhava.

Foi a partir desse fato que a escola passou a adotar medidas que perpassam pela reconstrução e pelo reposicionamento na estrutura do Projeto Pedagógico Curricular – PPC, evidenciando o combate e as ações em torno do

bullying, com o apoio dos educadores e familiares. Esse documento traz, em linhas

gerais, orientações para que os educadores tenham conhecimento de como esse fenômeno afeta a vida dos envolvidos, bem como se ampara nas Leis nº 8.538 e 8.839/08, que discorrem sobre o combate ao bullying e à pedofilia. Destaque-se a Lei nº 8.538/08, que trata de ações de combate ao bullying nas escolas públicas e privadas da Paraíba. Desse modo, pontuamos que:

Os Promotores da Infância e Juventude, Alley e Soraya Escorel, iniciaram a reunião com a exibição de um vídeo com depoimentos de pessoas que sofreram bullying. Depois, divulgaram a Lei Estadual 8.538/08, que institui o programa de combate ao bullying nas escolas da rede pública e privada da Paraíba. "Apresentamos os casos de bullying que aconteceram no Brasil e no mundo, dados, notícias, depoimentos e a lei estadual. Deixamos claro que vamos cobrar o cumprimento dessa lei", disse a promotora. (Ministério Público da Paraíba – MP/PB, 4/5/2009).

Fante e Pedra (2008, p. 106), em seu livro Bullying: Perguntas e

Respostas, enfatizam o quê as escolas devem fazer para enfrentar esse fenômeno e

acreditam que:

A prevenção começa pelo conhecimento. É preciso que a escola reconheça a existência do fenômeno e, sobretudo, esteja consciente de seus prejuízos

17 A maior visibilidade desse fenômeno no Brasil se deu pelas pesquisas que Fante e Pedra

realizaram e do Programa antibullying Educar para Paz. Em meados de 2006, os mesmos autores realizaram o I Fórum Brasileiro sobre o Bullying Escolar, em Brasília/DF, com a participação de diversos segmentos da sociedade. No entanto, a maioria das escolas ainda não está preparada, algumas por desconhecimento, outras por omissão, muitas por comodismo e negação ao fenômeno Fante e Pedra (2008, p. 105-106.)

para a personalidade e o desenvolvimento socioeducacional dos estudantes. A escola também precisa capacitar seus profissionais para a observação, identificação, diagnóstico, intervenção e encaminhamentos corretos, levar o tema à discussão com toda comunidade escolar e traçar estratégias preventivas que sejam capazes de fazer frente ao fenômeno. Além do engajamento de todos, é preciso contar com a ajuda de consultores externos, como especialistas no tema, psicólogos e assistentes sociais.

Para os mesmos autores, a cultura da paz é a saída para todos os tipos de violência e um grande instrumento que as escolas possuem para reduzir o

bullying e seus efeitos. Dessa forma, todos devem disseminar os valores humanos,

vislumbrando uma escrita da história respeitosa e harmônica.

Nesse sentido, ao nos reportarmos a história e memória, podemos afirmar, nas palavras de Delgado (2010, p. 50), que “são construções dos homens,

Benzer Belgeler