164 KUNTER/YENİSEY/NUHOĞLU, s 1711.
SONUÇ YERİNE
No arcabouço institucional vigente, coube a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), criada pela Lei Federal n.º 9.427/96, na modalidade de autarquia de regime especial, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, como sede no Distrito Federal e sem prazo definido para encerrar as suas atividades, o papel de regular o setor elétrico do país.
O seu poder normativo e as competências de fiscalização abrangem a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização de energia elétrica, observadas as diretrizes e políticas articuladas pela União, conforme se depreende do art. 2º, caput, da mesma Lei. Não existem óbices para que a agência desenvolva as suas atribuições em regime de cooperação com outros órgãos públicos de natureza regulatória, ou não, criados no âmbito dos estados por meio da celebração de convênios. Esta competência era mais sentida antes da revogação do parágrafo único, do art. 2º, pela Lei Federal n.º 10.848/2004, que revogou a hipótese de articulação para o aproveitamento energético dos cursos d‘água.
A reforma inserida pela Lei n.º 10.848/2004, foi ampla, não apenas porque criou novas competências para a ANEEL, mas porque encartou na titularidade do Poder Concedente diversas competências setoriais, como: a) elaborar o plano de outorgas, definir as diretrizes para os procedimentos licitatórios e promover as licitações destinadas à contratação de concessionários de serviço público para produção, transmissão e distribuição de energia elétrica e para a outorga de concessão para aproveitamento de potenciais hidráulicos; e, b) celebrar os contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público e expedir atos autorizativos, retirando-os da exclusiva incumbência da ANEEL, tal como se infere do Art. 3-A e seus incisos.
A redefinição institucional no plano da Lei, cuja alteração depende de um processo legislativo específico e repleto de etapas, não obstou que a União, por meio de outro ato regulamentar, consubstanciado no Decreto federal n.º 4.932/2003, devolvesse estas competências à ANEEL a título de delegação entre entes públicos. A delegação por Decreto é ato que pode ser revisto a qualquer momento pelo Governo Federal, carecendo de solidez institucional.
O art. 3º da mesma Lei dispôs, de maneira exaustiva, sobre as competências gerais da agência, mantendo-lhe com prerrogativas importantes, dentre outras, para: a) gerir os contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público; b) dirimir, no âmbito administrativo, as divergências entre concessionárias, permissionárias, autorizadas, produtores independentes e autoprodutores, bem como entre esses agentes e seus consumidores; c) zelar pelo cumprimento da legislação
de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica; d) zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica; e) aprovar as regras e os procedimentos de comercialização de energia elétrica, contratada de formas regulada e livre; f) promover processos licitatórios para atendimento às necessidades do mercado; e, g) definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição.
No pertinente as suas especificidades de recursos humanos, o art. 4º, da Lei 9.427/96 estabelece, em concordância com a Lei Federal n.º 9.986/2000, a direção da agência por um diretor-geral e outros quatro diretores que deliberam de forma colegiada, nomeados pelo Presidente da República e aprovados pelo Senado Federal para mandato não coincidente de quatro anos. O período de quarentena é previsto no art. 9º, vedando a prestação de quaisquer serviços privados pelo período de 12 (doze) meses após o desligamento do cargo.
4.3.1.1 Outorgas e prorrogações dos serviços de energia elétrica
A implantação do modelo concorrencial no setor elétrico do Brasil exigiu transformações estruturais na cadeia, com uma disciplina jurídica diferenciada instituída pela Lei federal n.º 9.074/95, com as alterações da Lei n.º 10.848/04, em que foram isolados os serviços de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, antes passíveis de exploração em mais de uma modalidade pela mesma pessoa jurídica.
Pelo art. 4º, § 5º, da Lei n.º 9.074/95, primordialmente as concessionárias, permissionárias e autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica que atuem no Sistema Interligado Nacional (SIN) ficaram proibidas de desenvolver atividades no âmbito da geração de energia elétrica, da transmissão de energia elétrica e da venda de energia a consumidores livres, exceto às unidades consumidoras localizadas na área de concessão ou permissão da empresa distribuidora, sob as mesmas condições reguladas aplicáveis aos demais consumidores cativos, inclusive quanto a tarifas e prazos. Estas disposições, contudo, não são aplicáveis às distribuidoras e cooperativas de eletrificação rural no atendimento de sistemas isolados e no atendimento ao seu mercado próprio, desde que seja inferior a 500 GWh/ano e a totalidade da energia gerada seja a ele destinada.
energia elétrica com atuação no Sistema Interligado Nacional, que ficaram vedadas de se coligar ou controlar as sociedades que desenvolvem atividade de distribuição. A Lei previu inclusive a ocasião do estabelecimento de sanções em caso do descumprimento da separação absoluta das atividades de geração, transmissão e distribuição.
A outorga inicial para quaisquer dos serviços, ou mesmo para prorrogação dos vínculos já existentes, podem ser feitos onerosamente, em favor da União, conforme art. 4º, §1º, da Lei n.º 9.074/95. O s custos para a implantação da atividade podem ser elevados, o que deve levar em conta um prazo de vigência para a exploração dos serviços capaz de amortizar os investimentos realizados, sem oposição ao preço razoável da tarifa.
Como política de universalização do acesso aos serviços de energia elétrica a Lei n.º 10.438/02, mediante seu art. 15, caput, autorizou o órgão regulador a promover licitação para distribuição em áreas já concedidas, desde que não hajam cláusulas de exclusividade nos contratos, que constituem um procedimento de exceção.