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ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER

5.1 SONUÇ VE TARTIŞMA

O campo acadêmico é um dos produtores de significados capazes de interpretar e guiar a atuação dos atores econômicos sobre a realidade social. Sendo assim, é de valia compreender a institucionalização do empreendedorismo dentro do campo acadêmico. Este capítulo expõe o surgimento e institucionalização do empreendedorismo em âmbito internacional e nacional. Para tanto, será apresentado, primeiramente, como esta temática se transformou em disciplina acadêmica nos EUA. Também faz parte do processo de institucionalização do empreendedorismo o fato de estas teorias terem transbordado os limites do mundo acadêmico sendo adotadas por “gurus” que atuam em um mercado de pacotes gerenciais (Huczynski, 1993; Donadone, 2000).

Howard Aldrich (2004) publicou um estudo a respeito da história do empreeendedorismo enquanto disciplina acadêmica nos EUA. Segundo ele, desde a década de

70, há debates em torno da legitimação deste campo de pesquisa. Para entendê-lo é preciso tomá-lo historicamente.

Dentro das Business School, o estudo do empreendedorismo cresceu a partir de pesquisas que tinham orientação prática sobre as pequenas empresas. Os primeiros cursos focando a administração de pequenas empresas surgem, em 1947, na Harvard Business School e, em 1953, na University New York. Conferências sobre empreendedorismo foram iniciadas na década de 1970. A primeira aconteceu em Purdue University e a partir dela um grupo de acadêmicos começaram a fazer lobby para criar a autonomia do empreendedorismo entre as disciplinas acadêmicas, o que foi conseguido em 1987.

Um obstáculo para a institucionalização do empreendedorismo como disciplina acadêmica era a ausência de publicações especializadas. A primeira revista acadêmica iniciada em 1949, “Explorations in Entrepreneurship History”, teve seu título alterado para “Explorations in Economic History”. Outra dificuldade se deve ao fato de que as universidades de maior prestígio nos EUA, não se interessavam pelo assunto. Apesar de pesquisas serem realizadas em temas relacionados ao que hoje se chama empreendedorismo, não havia uma identidade acadêmica em torno deste termo.

Ainda segundo Aldrich, outras revistas foram criadas na década de 70, por elas pode-se ter um indicador da institucionalização do campo do empreendedorismo. Por exemplo, a “American Journal of Small Business” criada nos anos 70, mudou de nome em 1988 para “Entrepreneurship Theory and Practice” e a revista do respeitado Ian MacMillan33: “Journal of Business Venturing”. A partir de 1988, foram criadas outras que se relacionam mais diretamente com o tema das pequenas empresas: “Family Business Review”, “Small Business Economics”, “Small Business Strategy” e “Entrepreneurship e Regional Development”.

A primeira conferência anual foi iniciada em 1981 pela Babson College, a qual tem sido a referência em pesquisas acadêmicas em empreendedorismo. Os sociólogos sempre foram minoria neste campo, estando principalmente inseridos em departamentos de “Business School”, em assuntos relacionados à teoria das organizações.

O campo acadêmico em torno do empreendedorismo cresceu na década de 80, em parte estimulado pelo interesse político em torno do trabalho de David Birch, a partir de 1979. Ele pesquisou o papel das pequenas firmas para a geração de empregos e promoveu

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Professor de inovação e empreendedorismo na Universidade do Sul da África. Diretor do Centro de Pesquisa em Empreendedorismo.

debates posteriores. O trabalho de Birch atraiu atenção de políticos do mundo e foi chamado para aconselhar políticos nos EUA, Europa e Ásia.

O surgimento do mercado dot.com foi outro fato que fez crescer o interesse popular e acadêmico na década de 90 sobre o empreendedorismo. Livros e revistas sobre o tema se tornaram um produto do mercado publicitário.

Donadone (1996) demonstra que na década de 80, a mídia de negócios teve um importante papel difusor dos principais pacotes gerenciais. Os principais atores difusores destes pacotes são chamados de ‘gurus gerenciais’. Segundo Huczynskin (1993), pode-se identificar três tipos principais de gurus: os acadêmicos, os consultores e os managers heróis, profissionais bem sucedidos que transformam suas idéias e experiências profissionais em produtos deste mercado. A institucionalização do empreendedorismo no mundo acadêmico se deu concomitantemente à formação de um mercado de pacotes gerenciais a partir de 1980, popularizando as teorias acadêmicas na mídia (livros, jornais, revistas, vídeos, sites, etc). Empresas de marketing de rede como a Amway sustentam a coesão do grupo utilizando, dentre outras táticas, o discurso do empreendedorismo.

O campo do empreendedorismo não ficou imune à atuação dos vários tipos de gurus. Por exemplo, embora o debate os autores clássicos façam é com outros autores de sua época, a partir de um contexto social e acadêmico peculiar, ainda hoje, tanto Schumpeter quanto McClelland são citados em manuais gerencias, mas sem qualquer consideração contextual. Deste modo, retiram-se os contextos históricos, e ambos passam a ser considerados gurus por aqueles que os sucederam.

Deste modo, McClelland e Birch se constituíram em gurus dos tipos acadêmico e consultor, respectivamente. Além deles, ícones empreendedores (gurus do tipo managers heróis) aparecem nos jornais e revistas, como por exemplo, Bill Gates e Steve Jobs34. Em 2002, haviam 17 periódicos orientados para empreendedorismo e mais de 7000 livros tendo o termo como palavra-chave (Aldrich, 2004).

Neste período, o interesse acadêmico aumentou e cresceram os números de centros de pesquisa em empreendedorismo. Há, nas universidades americanas, disciplinas de

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William Henry Gates III é, em parceria com o sócio Paul Allen, o fundador da Microsoft, a maior e mais conhecida empresa de software do mundo.

Steven Paul Jobs, principal rival de Bill Gates, é um empresário co-fundador das empresas de informática Apple Inc, da NeXT e do estúdio Pixar. Criou alta notoriedade em torno de seu nome por levar a cabo uma política industrial que valoriza a inovação e o design de seus produtos.

empreendedorismo na graduação, MBA, linhas de pesquisa em doutorado e programas de doutorado exclusivamente em empreendedorismo.

O empreendedorismo saiu do mundo acadêmico e se espraiou não só pela literatura popular e pela mídia, mas também nas atividades de ONGs e organismos internacionais.

Após a Segunda Grande Guerra, a ONU buscou fomentar a criação de empresas e, para isso, além das linhas de crédito e treinamentos gerenciais buscou junto à USAID (United States Agency for International Development) pesquisas que estavam sendo realizadas pelo psicólogo David McClelland (Harvard) para desenvolver programas de capacitação focalizando a motivação. Como resultado, teve-se a criação de um programa de treinamento em empreendedorismo conhecido hoje como Empretec. Desde 1988, este vem sendo implementado pela ONU juntamente com entidades locais de diversos países. Este programa tem sido realizado, até 2007, principalmente nos países da América Latina e África. No Brasil, é implementado pelo SEBRAE.

Outro exemplo de nível internacional foi quando a OCDE publicou, em 1998, o documento “Fostering the Entrepreneurship: a Thematic Review”. Neste mesmo ano, também a Comissão Européia e o Fórum Econômico Mundial também incluíram a criação de empresas como temática em suas pautas (Dornelas, 2001).

Um outro organismo internacional que promove o empreendedorismo é o Instituto Endeavor, criado nos EUA em 1997 por alunos da Harvard. Com atividades em vários países da América Latina, o Endeavor chegou ao Brasil em 2000 e tem como missão “gerar emprego e renda através do fomento à cultura empreendedora baseada em oportunidade e inovação” 35.

Além disso, desde 1998 é publicada anualmente a pesquisa GEM (General Entrepreneurship Monitor) realizada por pesquisadores da Babson College (EUA) conjuntamente com a London Business School (Inglaterra), cujo objetivo é medir a atividade empreendedora, ou seja, de criação de empresas dos países, e observar sua relação com o crescimento econômico. O estudo GEM36 estabeleceu um índice de criação de novos negócios (Atividade Empreendedora Total). Este índice mede o potencial Empreendedor de cada país, e por ele, é estabelecido um ranking mundial. Em 2006 foram 42 países pesquisados e o Brasil ficou em quinto lugar.

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Veja site: http://www.endeavor.org.br, acesso em 20/ abril de 2007

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O GEM classifica os empreendedores por: I) oportunidade, ou seja, indivíduo cria uma empresa com planejamento prévio visando geração de lucro e emprego e II) necessidade, no qual o indivíduo age por falta de opção, por desemprego e não por planejamento, muitas vezes gerando empreendimentos informais.

O GEM tem por base as pesquisas feitas por McClelland, segundo abordagem comportamental. Na apresentação do Relatório da pesquisa GEM, encontrado na internet (com link no site do SEBRAE) define-se o empreendedorismo como a criação de novos negócios e a importância da pesquisa GEM:

O GEM tem tido uma presença crescente no Brasil. Seus relatórios, sumários e estudos derivados contribuem para o estabelecimento de uma nova linguagem do empreendedorismo. Terminologias antes desconhecidas passam a fazer parte de uma espécie de senso comum do tema – pense-se, por exemplo, na difusão da expressão “empreendedorismo por necessidade”. ( GEM)

Inicialmente, como temática acadêmica, o empreendedorismo passou a ser produto do mercado de pacotes gerenciais e programas de políticas públicas, vários outros atores sociais tomaram-no como bandeira para suas práticas. Com isso, a noção de empreendedorismo perpassa hoje vários âmbitos da sociedade.