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6. SONUÇ VE ÖNERİLER

Dentre as centenas de recortes de jornais e revistas com que nos deparamos durante o processo de organização, registro e inventariação dos fundos de Achilles Vivacqua, encontramos um lado que queremos aqui mostrar: o lado questionador, crítico do escritor. O primeiro recorte que abordaremos constitui um ensaio intitulado “Bellos paízes americanos”, publicado na revista Semana Ilustrada (ano II, n. 84, 26 mar. 1929), no qual o escritor realiza algumas reflexões acerca da literatura brasileira, do modernismo, da literatura em geral, da América e, também, da obra de Gastón Figueira:

A renovação intellectual americana, conduzida dentro de um grande movimento de fraternidade, podemos afirmar que é hoje a verdadeira pintura moderna do espírito e do pensamento de uma geração nova. Na nova arte vemos dominante a ânsia

fórma cada vez mais nova. Nessa marca é clara a intenção dos novos espíritos de suster ou afastar as tendencias tão mal cunhadas na face da nossa literatura passada, colhidas nas fontes falsas. Essa razão de coisas que observamos no espirito moderno americano – obedece a mais transcendental das leis que regem a estructura intellectual no presente seculo. Ou melhor, a mesma lei que regia outrora séculos atrás. Com uma differença apenas: que a mocidade actual póde, através das obras de sciencia, literatura, arte e história, se viver o passado e viver o presente.

Si remontarmos a outros tempos, veremos que Gluck fez o drama lyrico soffrer a mesma transformação que Corneille imprimiu na tragedia franceza. E que, após uma época de energia heroica, época que revolta o animo de um povo, vem, como tem vindo, uma hora propicia e serena de verdadeira arte. O que fica atraz, servirá de moldura ao presente. É o que se tem dado com todas as escolas. E é o que se vem dando com o modernismo. Revoluçao. Há de chegar a hora do descanço. Mas, ella não será para os moços de hoje. Cabe aos que vêm atraz, marchando os contornos, harmonizal-a e sustel-a no seu pedestal, até que uma corrente de novas idéas, acarretando novos sonhos realizadores, venha destruil-a. Ao chegarmos ahi ainda não attingimos o momento supremo onde a idéa se une a forma, a sciencia se eguala à inspiração e o pensamento novo circula livremente dentro da nossa estructura espiritual. Não. O soffrimento infinito e sem nome que conheceram Santo Agostinho e Pascal, e que tantos soluços arrancou em Rousseau e imprimiu nas obras daquelle tempo um caracter de grandeza, de inquietude, de energia e religiosidade, não é o mesmo de hoje.

Obedecendo essa mesma lei de constante transformação, é que chegamos ao actual momento moderno.

Gastón Figueira – Para Los Ninos de America- Libreria del Collegio – Buenos Aires, 1928. – É um desses espíritos sadios da nova geração do Uruguay que mais se

tem batido em prol da união dos povos americanos, não só em várias obras já publicadas, como em artigos constantes nas publicações de sua patria. O que de mais interessante observamos nesse livro de Gastón Figueira – é ele ter se lembrado de se fazer creança novamente. E dando a mão aos meninos americanos, gritou com a voz cheia de brandura: “Niños de América: \ vivide como niños la vida clara del niño. Vivid la alegremente, ampliamente... Niños de América: mi mas vivo anhelo es llegar a vuestros corazones, donde todo es espontancidad, luz, alegria.”

[...]

Gastón Figueira acredita muito na sinceridade da nova geração americana. [...] É pela união sincera e serena do pensamento, e não como diz ser. Alcantara Machado, “que a sinceridade da nova geração expressa a verdade quando tomada pelo espirito de revolta”, que attingimos a perfeição espiritual ou política. Não. É pela revolução serena do espirito. Também não é só o Brasil presentemente que nos interessa. Toda a America, sim. Toda a America de que nos fala com verdadeiro espirito de fraternidade, Gastón Figueira em Para los Niños de América.

Como podemos perceber no fragmento acima, Achilles Vivacqua mostra ter uma ideia clara sobre o que estava acontecendo no momento, sobre a relevância e a importância do que ele chama de “renovação intelectual americana”. Notamos que ele não fala, simplesmente, do Brasil, mas, também, da América. Afirma que essa renovação consiste na “verdadeira pintura moderna do espírito e do pensamento de uma geração nova”, ou seja, os modernistas. Aponta o que ele define como “ansia dynamica da imaginação” na “nova arte”. Caracteriza o contexto do Modernismo, dessa busca de atualização e mudança, como uma “marcha” na qual é nítida “a intenção dos novos espiritos de suster ou afastar as tendencias tão mal cunhadas na

face da nossa literatura passada, colhidas nas fontes falsas”. Aqui, como era costume dos modernistas, Achilles aponta um problema na literatura passada, a ser solucionado. Aponta a “razão de coisas que observamos no espírito moderno americano”, que, segundo ele, é a:

mais transcendental das leis que regem a estructura no presente seculo. Ou melhor, a mesma lei que regia outrora séculos atrás. Com uma differença apenas: que a mocidade actual póde, através das obras de sciencia, literatura, arte e história, se viver o passado e viver o presente..

Sobre o momento do modernismo, o escritor afirma ser “a hora propícia e serena de verdadeira arte”, e diz que o passado, nesse contexto, “servirá de moldura para o presente” – fato que, segundo Achilles, ocorria com todas as escolas. Sobre a já mencionada “revolução”, exaltada pelo escritor, ele diz ser “a hora do descanço”, isto é, o momento em que surgirão novas ideias, pensamentos, que começarão a solucionar os problemas que circundam a literatura e a mudar o quadro presente. Sobre esse momento, essa “revolução”, Achilles afirma que não ficará a cargo dos “moços de hoje”, ou seja, dos jovens modernistas, mas, sim, caberá “aos que vêm atraz, marchando devagar, arredondar-lhe os contornos, harmonizal-a e sustel-a no seu pedestal, até que uma corrente de novas idéas, acarretando novos sonhos realizadores, venha destruíl-a”. E prossegue dizendo que é seguindo essa mesma lei de constante transformação que “chegamos ao actual momento moderno”. Um momento de constantes renovações e mudanças.

Sobre o escritor uruguaio Gastón Figueira e sua obra Para los niños de America, Achilles Vivacqua, tece elogios ao escritor e diz que ele é um desses “espiritos sadios da nova geração do Uruguay que se tem batido em prol da união dos povos americanos”. Prossegue dizendo que não é só o Brasil “presentemente” que interessa aos modernistas, mas “Toda a America, sim. Toda a America de que nos fala com verdadeiro espirito de fraternidade, Gastón Figueira em Para los Niños de América”.26

26 Como argumentou Francisco Aurélio na ocasião da defesa desta dissertação, a leitura de “Bellos Paizes

Americanos” possibilita uma aproximação com, por exemplo, o texto “O Espírito Moderno” lido por Graça Aranha em conferência na Academia Brasileira de Letras, em 19 de junho de 1924. As reflexões presentes neste texto permitem a compreensão das primeiras inquietações modernistas. Mostremos um fragmento: “A finalidade da arte não é a imitação da natureza. Ela tem o seu fim em si mesma. O espírito humano é tão criador (como é a natureza e só se atinge a obra de arte, quando o espírito se liberta da natureza e age independente. As formas artísticas que se limitam a reproduzir a natureza são de qualidade inferior àquelas que o artista formula como criação individual e livre. Nem todos os povos primitivos se subordinaram à natureza, muitos foram verdadeiramente artistas, criando obras de arte sem imitação, como jogos de fantasia espiritual. Quanto mais uma civilização é artista, mais ela se afasta da natureza. A arte não é um canto da natureza visto através de um temperamento, como a paisagem não é um estado da alma. Todas estas fórmulas subjetivas fizeram o seu tempo. (174) São incompreensíveis hoje. A essência da arte está nas emoções provocadas pelos sentimentos vagos, que nos vêm dos contatos sensíveis com o Universo e que se exprimem nas cores, nas linhas, nos sons, nas palavras” (Revista da Academia, n. 31, p. 231-233).

Em uma resenha publicada na revista Fon-Fon (ano XX, n. 46, 13 nov. 1926), intitulada “O suave enlevo”, assinada por Roberto Theodoro (pseudônimo de Achilles Vivacqua), o crítico trata sobre a obra O suave enlevo, de Bastos Portella. Mostrando conhecimento sobre a obra e seu autor, e demonstrando precisão e coerência em seus comentários (cita trechos da obra para fundamentar suas afirmações), o escritor inicia seu texto caracterizando Bastos Portella como “jovem e bizarro pernambucano”, cujas “rimas traz mergulhadas profundamente no coração”. Diz ser o poeta “dotado pela natureza dos raros dons da intelligencia” e autor de formosos versos. Roberto Theodoro afirma ser o escritor pernambucano “príncipe seductor de seus admiradores” e possuidor de um “romantismo fóra do commum e impecável”. Afirma que na obra em questão “encontramos entesourados, mimos que são verdadeiras joias laboradas por uma arte toda sua”.

O crítico caracteriza O suave enlevo como um “annimado de belleza”, no qual a “a alma do poeta se prende maravilhada e cheia de ternura numa vida interior”. Prossegue dizendo que a obra/ o poeta:

vive exclusivamente de sua alma para scisma de uma alma maior, vendo, num conjuncto de sonhos, quieto e brando, as idéas florescerem com viço, como lindas roseiras num jardim, para depois, colhel-as e offertal-as aos leitores num “Suave enlevo”.

Como notamos, trata-se de uma resenha favorável ao escritor e a sua obra. Mas nem sempre Achilles Vivacqua era tão generoso. Em alguns de seus textos, tece severos comentários acerca de seu objeto de pesquisa.

Em uma nota intitulada “Noites de pavor”, publicada no jornal Época+ (12 abr. 1926), Roberto Theodoro comenta a obra Noites de pavor, de Juarez Felicissimo:

Quem escreve estas linhas, ao ter um livro entre as mãos, sente invencivel desejo de lêr o que nelle contem. Foi assim que, ao receber «Noites de Pavor», do senhor Juarez Felicissimo, li-o com toda a necessaria attençao. Seja-me permittido referir, aqui, de relance, ao seu trabalho. O jovem estreante de «Noites de Pavor» serve-se, não raro, do mesmo assumpto, para quase todos os trabalhos.

É pena! O sr. Juarez, moço que possue a capacidade bastante para cooperar na legião dos novos da literatura de Minas, deve abandonar, de vez, essas suggestoes momentaneas de que lhe enchem o espirito os crimes diariamente publicados pelos jornaes enredados, sempre, em torno à mesma rotina.

Transcrevamos alguns exemplos. Da vingança: «Tomou firme a arma e golpeou o proprio pulso». [...]

Não quero dizer, com estes exemplos, que lhe faltem qualidades de um bom «conteur».

Seus contos revelam certa espontaneidade, bom gosto e alguma techinica...

Roberto Theodoro inicia sua curta resenha crítica dizendo que, quando recebeu em mãos a referida obra, leu-a com muita atenção. Depois, apresenta suas impressões sobre a leitura. Segundo ele, o escritor Juarez Felicissimo faz uso frequente do mesmo assunto em quase todos os seus trabalhos. Isso, para o crítico, é um fato lamentável, pois o jovem escritor possui “capacidade bastante para cooperar na legião dos novos da literatura de Minas”, e, por isso, na visão de Roberto Theodoro, deveria abandonar “essas suggestões momentaneas de que lhe enchem o espírito os crimes diariamente publicados pelos jornais – enredados, sempre, em torna à mesma rotina”.

Também transcreve alguns trechos da obra nos quais detectou as questões que levantou e alega que não queria dizer que o autor de Noites de pavor não possuía qualidade de um bom “conteur” (contista). E, como forma de amenizar sua crítica, afirma que os contos presentes na obra revelam “certa espontaneidade, bom gosto e alguma technica”.

Portanto, como podemos perceber, trata-se de uma nota não muito elogiosa sobre a obra. Assumindo a postura de crítico literário, Achilles Vivacqua, sob o pseudônimo Roberto Theodoro, mostra leitura, conhecimento e precisão diante de seu objeto de análise. É preciso e seguro em suas colocações, transparecendo a verdadeira face de um crítico. Para fundamentar suas colocações, cita trechos do livro e comenta-os com propriedade.

Da resenha acima analisada, surgiu outra, intitulada “A pedidos”, de Neyrel, publicada no jornal Diário de Minas (dez. 1926). Nela, Neyrel discorre sobre a mesma obra,

Noites de pavor, de Juarez Felicissimo, rebatendo o texto de Roberto Theodoro:

É este o título do livro que o sr. Juarez Felicissimo publicou. O seu estylo é attrahente. Os contos, são «fantasticamente» começados e acabados. Inspirou-se em Alvares de Azevedo, e penso, que teve boa inspiração. Parece-me que é o primeiro contista fantastico que em Minas publica um livro.

Dou-lhe os meus parabens.

---

E o que notei é o sr. Roberto Theodoro não se agradar do livro. É bem interessante! Criticou horrivelmente o sr. Juarez, sendo também por sua vez, um contista fantastico.

«Foi offender, e sahiu offendido». É bem engraçado!

Talvez si elle pensasse, não faria o que fez. Mostrou-se agora um verdadeiro rival! O seu acto está enlutado! ...

Meus pesames.

Neyrel

O crítico inicia elogiando a obra em questão. Na segunda parte de seu texto, ele menciona a crítica à mesma obra feita por Roberto Theodoro. Neyrel alega que o escritor

“criticou horrivelmente” o contista Juarez Felicissimo, e que ele, Roberto Theodoro, também era um “contista fantástico”. Afirma que o escritor “foi offender e sahiu ofendido”, o que diz ser “bem engraçado”.

Adiante em seu texto, Neyrel diz que a resenha de Roberto Theodoro foi um “erro que não deveria ter sido cometido” e que, assim, ele “mostrou-se um verdadeiro rival” e que o ato do escritor estava “enlutado”.

Notamos, na leitura da nota, um tom severo de crítica e desaprovação de Neyrel aos comentários feitos por Roberto Theodoro sobre a obra de Juarez Felicissimo.

Outra resenha da mesma natureza é a de Thomaz Paiva publicada em 7 de outubro de 1927, intitulada “Um crítico de província – para o sr. Roberto Theodoro ler”.27 Trata-se da resposta de Joaquim Thomaz Paiva ao texto de Roberto Theodoro sobre a sua obra Jerusalém. A resenha é estruturada da seguinte maneira: primeiramente, é apresentada a fala de Roberto Theodoro, e depois entra em cena Joaquim T. Paiva.

«Jerusalem» – versos – Joaquim T. Paiva

Os leitores porventura já foram seduzidos pela latada florida que espalha o cipó braúna sobre a copa de um pau-dálho – pondo no verde da mata linda mancha amarello-vivo, – que nos ilude como se fosse majestoso ipé? Há por ahi livros que nada mais são que verdadeiros pau-dalhos – revestidos pela ramagem florida do cipó braúna. Não raro encontro um desses exemplares sobre minha mesa de trabalho. Admiro a sua capa maravilhosamente illustrada, leio o seu titulo e, ás vezes até o nome do... autor. Dentro, nada que se aproveite; a mesma cantillena de sempre, em versos idiotas, com os quaes julga o poeta, talvez, amollecer o duro coração de sua dulcinéa...

É o que succede ao senhor Joaquim Thomaz Paiva – Há em «Jerusalem» versos de nenhuma espontaneidade como, por exemplo, estas e muitas quadras:

«De tanto pranto ceguei-me. Vivo sem luz e tacteio... Ah! Se eu podesse dormir – Em teu seio... [...]»

Se, por um lado, temos em «Jerusalem» esses versos de construcção pouco solida, temos por outro, alguns que são toleraveis e compensam essas falhas tao perdoaveis em quem como o senhor Joaquim T. Paiva se inicia nas letras... Antes de julgarmos um livro, devemos primeiramente observar as duas faces – versos maos, versos bons, e, dahi, deduzirmos as qualidades possíveis para a futura realização de equilíbrio do espirito do autor. O senhor Joaquim Thomaz Paiva ainda não possue apitidões bastante para vencer.

Agora eu:

– Tive a felicidade de ler este pedacinho de ouro da hortelandia de paus-dalho e cipós brauna que á a grammatica do sr. Roberto Theodoro, somente agora depois de uma longa ausencia no Rio de Janeiro.

27

A fonte de publicação do recorte foi removida. Ele se encontra arquivado no AEM-UFMG, na Série Fortuna Crítica.

Felicidade, porque, até então, o dito cujo crítico para mim era por completo um desconhecido, um inedito das dúzias, um “ilustre” critico de provincia...

Achei que devia responder à crítica do sr. Roberto Theodoro, não para dar-lhe importancia de responder a uma chronica sua. Mas somente para dizer-lhe que não me attingiu absolutamente a sua insollita agressão de judeu expatriado do mundo das letras.

Não me attingiu porque sou um nome senão totalmente conhecido no meio literario brasileiro, sou, podendo proclamal-o com justo orgulho, pelo menos mais conhecido que o sr. Roberto Theodoro.

Sou jornalista no Rio de Janeiro, critico literario de um verpertino, e a par de tudo isso mantenho relações de amisade a mais cordial com os maiores nomes literarios estrangeiros.

Não quero evocar tanta coisa em meu soccorro porque vejo que a offensiva foi feita por moiro... eu sou gaulez, ataco de fronte erguida e altiva, não vou buscar o refugio incerto das muralhas chinezas.

Fique sabendo o sr. Roberto Theodoro que o autor de «Jerusalem» não vive em absoluto da industria literária e não tem a arreganhos dos delfins desmamados que noctambulam pelas redacçoes de revistas de província a desfazer a sua bílis pestosa sobre uma chronica sem grammatica e sem tino sobre quem não lhe deve coisa alguma e lhes ignora a misera existencia.

Prometto não voltar ao assumpto. Passe bem “seu” chronista de cipó-brauna. Bello Horizonte, 07/10/1927.

Joaquim Thomaz Paiva

Novamente, no texto apresentado, vemos a crítica afiada de Roberto Theodoro. Inicialmente, ele fala sobre a capa da obra analisada. Ele afirma que se trata de uma capa “maravilhosamente illustrada” e lista algumas colocações sobre ela, discutindo-as. Afirma que, ao abrir o livro, não encontrou nada de que se pudesse tirar algum proveito. Classifica os versos de Joaquim T. Paiva como “idiotas”, “de nenhuma espontaneidade”, de “construção pouco sólida”. Cita quadras da obra para complementar e comprovar suas alegações. Ao final de seu texto, Roberto Theodoro pondera que, se, por um lado, em Jerusalém, temos versos de construção pouco sólida, temos, em contrapartida, alguns que são “toleraveis e compensam essas falhas tão perdoaveis em quem como o senhor Joaquim T. Paiva se inicia nas letras...”. Depois, completa sua reflexão dizendo que antes de julgarmos um livro, é necessário que observemos as duas faces que ele apresenta: versos maus, versos bons, e, a partir daí, “deduzirmos as qualidades possíveis para a futura realização de equilíbrio do espirito do autor”. Finaliza colocando que o autor Joaquim T. Paiva ainda não possui aptidões suficientes para vencer.

Após citar a fala do crítico sobre sua obra, Joaquim T. Paiva lança sua resposta. Inicia dizendo que teve “a felicidade de ler este pedacinho de ouro da hortelandia de pausdalho e cipós braúna que é a grammatica de Roberto Theodoro”. De maneira crítica, sarcástica, ele “elogia” essa gramática e define o escritor como “illustre crítico de província”.

Joaquim, em certa altura de seu texto, diz que a crítica de Roberto Theodoro não o atingiu, e denomina o ocorrido como uma “insolita aggressao de judeu expatriado do mundo das letras”. Afirma que ele, Joaquim T. Paiva, é conhecido e possui importantes contatos, “relações com os maiores nomes”, enquanto Roberto Theodoro, segundo ele, não é conhecido no mundo das letras, e o chama de “chronista de cipó braúna”.

Deixando de lado todos os problemas que encontramos na resenha acima, vemos que a crítica de Achilles Vivacqua realmente, em alguns casos, rendeu. Nela, ele mostra seu lado crítico e “ácido” que não agradou a todos os que se depararam com ele. Essa face do escritor vai totalmente contra a serenidade “permanente” que muitos identificavam nele, comprovando ser ele, como já afirmamos anteriormente, um homem com várias facetas.

O que foi possível observar ao estudarmos Achilles Vivacqua e investigarmos o que amigos e conhecidos disseram sobre ele é que ele, definitivamente, não viu, simplesmente, a vida passar. Em vida, viveu o que pôde e posicionou-se diante de toda a realidade que presenciou. Criou, recriou e reproduziu, em versos e prosa, a sua forma de ver e lidar com o mundo.

Em um recorte presente no arquivo de Achilles Vivacqua, encontramos a visão do escritor do que é a arte, de sua função social e da sua importância. Trata-se de uma matéria intitulada “Grupo Verde”,28 sem indicação de fonte de publicação, datada de 8 de dezembro de 1928. Citemos e analisemos alguns fragmentos.

Segundo o poeta, “em matéria de arte, a alma deve banhar-se de côres graduadas, vestir-se de emoção – para que o pensamento, dentro de um mundo visionário, se eleve às cousas bellas”. Prossegue dizendo que é devido à arte que nosso senso estético “adquire a paz

Benzer Belgeler