Satış Sonrası Hizmet
4. SONUÇ VE ÖNERİLER
Dos trabalhos dessa área do conhecimento, destacamos os seguintes dados: 8 1 1 1 FIGURA 18 - PSICOLOGIA
SUDESTE SUL NORTE NORDESTE
18% 18% 9% 28% 9% 9% 9% FIGURA 19 - PSICOLOGIA USP USP.RP UFRJ UERJ UFRGS UFRN UFCE
Há muitos estudos no campo da Psicologia com centralidade no entendimento dos elementos cognitivos e subjetivos que marcam esse período da vida e em como o profissional da Psicologia em seu campo de atuação pode contribuir para o trabalho em uma equipe multidisciplinar. Essa discussão se dá também pelo ingresso desse profissional na área social, principalmente na atuação dos CRAS e CREAS, que vem requisitando a incorporação de psicólogos em equipes de atendimento sócio assistencial, saindo do campo privativo da saúde e colocando um caráter social que ainda vem se consolidando na profissão.
Constata-se que nas pesquisas alguns pontos motivam os pesquisadores da psicologia para entender o processo de passagem da adolescência para a juventude: aspectos objetivos, como o trabalho, têm centralidade no entendimento do objeto de estudo e, no campo subjetivo, as emoções, os sonhos, os projetos de vida e as relações familiares.
Há uma tendência desses pesquisadores em apostar no ceticismo precoce que envolve a juventude e que, entre os laços de solidariedade estão a família e os amigos, enquanto suportes para as dificuldades da vida.
Segundo Matheus52 (2000), a restrição de expectativas tem um preço: uma disposição para a revolta, que questiona a realidade refratária e desigual. Assim, essa geração, em sua diversidade, formula suas próprias respostas, o que lhes confere um espaço no corpo social e marca sua história.
No entanto, é importante destacar que a forma como os jovens vêm questionando as expressões da questão social postas na sociedade contemporânea não é entendida pelos pesquisadores da Psicocoliga de forma crítica. Na maioria dos estudos, não há uma preocupação em contextualizar as questões postas pelo capitalismo contemporâneo enquanto o grande gerador da desigualdade em que esses jovens estão vivendo.
Mesmo o sentido dado ao trabalho na maioria das dissertações e teses não trata dessa categoria no sentido ontológico, mas a interpreta no sentido dado ao emprego e/ou ocupação, muito pautado nos elementos subjetivos.
52 MATHEUS, Tiago Luis Corbisier. Ideais na adolescência: falta e perspectiva na
virada do século. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2000.
Cabe ressaltar que há trabalhos que tratam da categoria trabalho em seu sentido ontológico e merecem destaque em suas análises, como é o caso de Andrade53 (2001) que, em sua síntese, coloca:
[...] a inserção no mercado de trabalho é referida pelos jovens como uma forma de preencher suas necessidades de consumo, ocupação de um tempo ocioso, evitar as atividades domésticas, independência em relação aos pais [...] o trabalho para os jovens representa uma atividade restrita que lhe dá pouca oportunidade de criação, mas é significativa pelos sujeitos como algo bom, embora eles reconheçam a limitação da atividade que desenvolvem. Esta inserção coloca-se como uma forma de preencher um vácuo de perspectivas de desenvolvimento que se cria quando eles já tem uma certa escolaridade ou quando abandonam a escola. (ANDRADE, 2001, p. 95).
A autora também aponta que as mudanças postas pela sociedade contemporânea forjam uma juventude que não tem a capacidade de projetar seus sonhos, de construir um projeto de vida, pois há dificuldade para este ser criado pelo trabalho, ou pela inserção no mundo do trabalho (o trabalho em sua constituição ontológica). Torna-os, pelo contrário, presos à possibilidade de realizar uma ocupação remunerada que irá custear seus gastos, sem perspectiva a longo prazo.
Para Maia (2007)54, tanto o sujeito concreto quanto a subjetividade são
compreendidos como produções culturais e sociais, modos de ser e de estar no mundo que emergem dentro de contextos históricos específicos. O trabalho é entendido como uma instância privilegiada de inserção social e, portanto, como
53 ANDRADE, Luciane Sá de. Jovens inseridos no mercado de trabalho, algumas
contribuições a partir da visão sócio-histórica de desenvolvimento. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Psicologia da Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto, 2001.
54 MAIA, Ana Augusta Ravasco Moreira. Ninguém pode ficar parado: juventude,
trabalho e projetos de vida. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2007.
categoria que contribui de modo central para as produções de subjetividade, possuindo fundamental papel para que os jovens possam construir projetos de vida que possibilitem o desenvolvimento de trajetórias e narrativas consistentes.
Há pesquisas que fizeram o estudo exatamente para entender uma dimensão ética e sem perspectiva trazida pelo jovem, no intuito de entender a produção subjetiva e social em que se encontra o cenário vida/existência dos jovens, pois, segundo essas pesquisas, na busca por um lugar social, os jovens criam estratégias de inserção/inscrição social que não sejam pelo trabalho. Esses estudos partem dos pressupostos de que é na relação de solidariedade que as possibilidades acontecem e de que os jovens estariam vivendo um momento em que contar com o outro na resolução de seus problemas é a única alternativa. Veem na família a principal relação de confiança e, quando a expectativa de a família sanar suas necessidades, principalmente as de consumo, não se concretiza, é onde entra a relação de conflito que chega à ruptura dos laços (WICKERT, 2002)55.
Nesse processo de ruptura com a família, as pesquisas na área da Psicologia demonstram que aqui se localiza o grande agente que vai levar os jovens a cometer atos infracionais, o que revela uma tendência clara ao familismo, a culpabilização da família por todos os problemas a ela inerentes, sem questionar o sistema de forma crítica.
Isso fica evidente nos estudos de Almeida (2002)56 com 104 jovens internos do sistema socioeducativo que usaram como estratégia de sobrevivência para conseguir dinheiro e ter acesso a bens de consumo na sua vida algum tipo de ato infracional. Ressalta a autora que esses jovens têm um histórico marcado pelo trabalho infantil imposto pela família, ou por viver nas ruas pedindo esmolas, para garantir o sustento da casa. Conclui que esses
55 WICKERT, Luciana Fin. Desemprego e juventude: jovens em busca do primeiro
emprego. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2002.
56 ALMEIDA, Marilia Mastrocolla de. Compreendendo as estratégias de sobrevivência
de jovens antes e depois da internação na FEBEM de Ribeirão Preto. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Psicologia da Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto, 2002.
jovens estariam fadados a viver na ilegalidade, pois a maioria não conseguia projetar para sua vida a realização de uma atividade tida como “lícita”.
As pesquisas mostram diálogos com jovens cujas histórias de vida geralmente são marcadas por dificuldade de diálogo e compreensão das relações familiares: veem-se em conflito entre as concepções tradicionais de família e a realidade vivida, tendo em vista que suas configurações e relações familiares divergem muito do modelo de “família estruturada” posto pelo modelo conservador burguês e imposto pela sociedade. A família é concebida como espaço privilegiado da afetividade, seja nas vivências de apoio ou de conflito, afetando o desenvolvimento da personalidade individual, determinando as condutas que o jovem apresenta no contexto social.
Isso marca uma importante discussão, que é o lugar da pobreza na vida desses jovens. Algumas pesquisas se preocuparam em identificar quais eram as percepções desses jovens sobre o fenômeno da pobreza, ou seja, se consideravam-se pobres, suas perspectivas de futuro, se acreditavam que a pobreza poderia deixar de existir e quais suas causas e fenômenos.
O estudo de Teixeira (2006)57 mostra que a representação social da pobreza está composta em torno de nove elementos principais, que são os seguintes: “precisar de ajuda”, “comida”, “trabalho”, “estudo”, “sentimentos negativos”, “dinheiro”, “moradia”, “governo” e “lutar/se virar”. Já as percepções dos jovens sobre a pobreza podem ser condensadas, segundo a pesquisadora, da seguinte forma: “[...] eles não se consideram pobres, acreditam que a pobreza existe devido a fatores externos a eles, acham que ela acabará e que o futuro irá melhorar”.
A análise feita por Teixeira (2006) retrata uma tendência em demonstrar em seus estudos que a relação de solidariedade entre os jovens com seus familiares e amigos cria uma dependência de ajuda, o que aparece como elemento central: a discussão sobre dependência e autonomia na vida dos jovens pobres perpassa todos os estudos.
57 TEIXEIRA, Carla Geraldo de Moraes. Representação Social da Pobreza. Dissertação
de Mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2006.
Poucos são os estudos que olham para os jovens da burguesia. Há uma centralidade nos jovens da classe trabalhadora ou que vivem do trabalho, mas cabe destacar que em estudos sobre os jovens da burguesia, há o mesmo objeto de estudo, o de entender as maneiras pelas quais os jovens da contemporaneidade vem construindo trajetórias, narrativas e projetos de vida.
Para Maia (2007):
[...] os principais resultados mostram que os projetos de vida dos jovens carregam em si muitas características inerentes ao contexto contemporâneo e às maneiras como o trabalho se configura: as ideias de flexibilidade, mudança, aceleração, movimento constante, abertura ao novo, entre outras. São projetos de vida múltiplos caracterizados pela mutabilidade, nos quais uma das poucas certezas que os guia é a de que ninguém pode ficar parado. As trajetórias são marcadas pelo movimento e pela lógica do “cada um por si” havendo um enorme comprometimento consigo mesmo. Os projetos possuem caráter individual, não sendo a eles integrados interesses coletivos. De um modo geral, pode-se observar que os projetos se mostram como tentativas de adaptação ao complexo cenário atual que parece facilitar a emergência de modos de ser e estar cada vez mais individualizado. (MAIA, 2007, p. 16).
Os resultados das pesquisas com os jovens pertencentes à burguesia vai ao encontro exato do que é posto pelo ideário neoliberal, em que o processo de individualização e competitividade são acentuados e que para sobreviver à lógica do sistema volta-se à reflexão de Hobbes: “o homem é o lobo do homem”. Coincide que essa analogia nunca esteve tão evidente como na sociedade contemporânea.
Outro dado importante observado nas pesquisas de Psicologia é a busca por entender como os aspectos subjetivos se constituem na realidade urbana e rural, como os jovens dos territórios rurais estão construindo seus projetos de vida e quais seus sonhos e expectativas para o futuro.
Segundo Furlani (2007)58:
[...] o fato do jovem, residir em territórios rurais ou urbanos, não difere completamente em seus projetos de vida. Constatou a pesquisadora em seus estudos que os jovens demonstram uma limitação quanto à diversidade de projetos de vida. Percebeu-se que a maioria dos jovens está muito presa ao presente imediato – estudar e/ou trabalhar –, e que se limita a essa realidade. Identificou que os jovens do ambiente rural tendem a buscar mais cedo o trabalho, sendo esses trabalhos informais, sem a garantia de direitos trabalhistas, o que gera uma insegurança em relação ao lugar em que moram. Este fato se relaciona com o projeto de morar em outro lugar na busca por melhores oportunidades de trabalho. Já em relação aos jovens do ambiente urbano, identificou-se uma queixa em relação à violência urbana, gerando sentimentos de contraste em relação ao lugar que habitam. Os jovens do ambiente urbano expressam um maior desejo de ingressar na faculdade do que os jovens do ambiente rural. (FURLANI, 2007, p. 21).
Já no que se refere aos trabalhos de psicólogos na área social, essa é uma demanda que vem em crescente preocupação por essa área do conhecimento ao atuar no campo social, após a implantação do SUAS, da NOB-RH, quando o psicólogo é requisitado a compor as equipes de trabalho multidisciplinar, quanto a construir uma identidade para sua atuação. O psicólogo, que tem uma forte formação para atendimento clínico, ao ser requisitado a desenvolver atividades que relacionem as questões subjetivas ao contexto social, é demandado a refletir sobre o exercício de analisar as múltiplas expressões da questão social como elemento constitutivo e constituinte das atuações prestadas.
É notório observar o princípio de um salto crítico nos estudos apresentados, uma vez que começa a ocorrer uma mudança no olhar desses pesquisadores para os problemas por eles estudados.
58 FURLANI, Daniela Dias. Juventude e Afetividade: Tecendo Projetos de Vida.
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da Universidade Federal do Ceará, 2007.