C- Temel Hizmetleri Asgari Düzeyde Yerine Getirebilme Olanağı SÖK, incelediği birçok somut yakınma olayında, dar anlamda
V- SONUÇ: ULUSALÜSTÜ HUKUKA EKSİKSİZ DÖNÜŞ KAÇINILMAZ
A técnica de ruptura da solidariedade estabelecida entre certos elementos consiste na afirmação de que elementos que deveriam ficar separados e independentes estão intimamente associados; o que é indevido. Os dados conceituais que servem de fundamento para a argumentação são, assim, remanejados na dissociação das noções. A dissociação de noções visa desfazer incompatibilidades; assim, por exemplo, para desfazer a afirmação de incompatibilidade entre a regra hindu de não-violência e o costume védico dos sacrifícios sanguinolentos, defende-se inexistir crueldade senão na transgressão de uma regra, quando se comete, então, um ato ilícito. A noção de crueldade é afastada de seu sentido habitual, pois resulta de uma dissociação de noções, reestruturando a concepção do real, exprimindo uma visão de mundo.
Visando à compreensão da técnica da dissociação de noções e à apreciação de seus resultados, os proponentes da Nova Retórica examinam a dissociação das noções que originam o par ―aparência-realidade‖, considerado o protótipo de toda dissociação nocional em decorrência de seu uso generalizado, e a dissociação das noções que originam vários outros pares filosóficos (meio-fim, ato-pessoa, individual-universal etc). Na conclusão deste capítulo IV da terceira parte do Tratado, consideram-se expressões linguísticas das dissociações e as dissociações que incidem sobre o próprio discurso.
2.3.4.1 O par aparência-realidade
A necessidade de distinguir ―aparência‖ de ―realidade‖ nasceu do problema criado pelas incompatibilidades entre aparências. Por exemplo, o bastão mergulhado parcialmente na
água parece-nos, à vista, curvo; mas ao tato, reto. Partindo da hipótese de que todos os aspectos do real são compatíveis entre si, é inaceitável que algo seja reto e curvo simultaneamente. Assim, visto que as aparências podem opor-se, mas o real é coerente; pela elaboração dessa coerência, proceder-se-á uma dissociação entre as aparências: separando as que correspondem ao real das que não correspondem, sendo essas últimas ditas enganosas. Percebe-se, assim, que o termo ―realidade‖, embora nem sempre acompanhado de um critério definidor preciso, fornece uma norma potencial que permite valorizar ou desvalorizar determinados aspectos sobre os quais a realidade se apresenta. A preferência dada ao ―real‖ se exprime no pensamento cotidiano, em circunstâncias muito variadas; inclusive o uso habitual de nossa linguagem o atesta, conforme destacam os proponentes da Nova Retórica com o exemplo ―Tentarei, senhor, limitar o que tenho a dizer ao ponto real que está em exame...‖; ou seja, aquele que fala procurará limitar-se ao que lhe parece importante.
2.3.4.2 Os pares filosóficos na construção argumentativa
Os proponentes da Nova Retórica destacam uma série de pares filosóficos constantes na argumentação: meio-fim, ato-pessoa, normal-norma, particular-geral, imaginação-entendimento, contingência-necessidade, imobilidade-movimento etc. A todos esses pares filosóficos, resultantes de dissociações; faz-se presente na argumentação os pares antitéticos, tais quais: bem-mal, justo-injusto, alto-baixo, e pares classificatórios, os quais dividem o passado em épocas, uma superfície em regiões, um gênero em espécies.
O empenho argumentativo consistirá ora em tirar partido de dissociações já aceitas pelo auditório, ora em introduzir dissociações criadas no contexto argumentativo no qual se está, ora em apresentar dissociações aceitas por outros auditórios, ora em lembrar uma dissociação que se presume esquecida pelo auditório. O empenho argumentativo também visa, frequentemente, à inversão de pares estabelecidos. Tratar algo como um meio, por exemplo, é desvalorizá-lo, pois é tirar-lhe o valor absoluto, o valor que se confere ao que vale como um fim ou como um princípio.
Para quem conhece os termos de uma língua, a presença de pares filosóficos se revela por expressões características que possibilitam distinguir o termo I do par (o termo, em geral, desvalorizado) do termo II do par (em geral, o termo valorizado). Assim é que, por exemplo, a partir da oposição ―aparência-realidade‖, qualquer noção que seja pode ser
dissociada pela adição dos adjetivos ―aparente‖ ou ―real‖, ou dos advérbios ―aparentemente‖ ou ―realmente‖. O termo II do par geralmente é denominado ―propriamente dito‖; em contrapartida, anuncia-se o termo I por meio de prefixos como ―pseudo‖, ―quase‖, ―não‖. Aspas também se prestam ao anúncio do termo I. As definições também se prestam à dissociação de noções; notadamente todas as vezes que ela pretende fornecer o sentido real da noção, oposto ao seu uso habitual ou aparente; assim, por exemplo, a noção de ―trabalho‖ pode ser definida como ―a ação feita para o Divino e cada vez mais em união com o Divino –
apenas para o Divino e nada mais.‖
Quanto à incidência das dissociações, destacam os proponentes da Nova Retórica que estas não incidem apenas sobre as noções utilizadas na argumentação, mas também sobre o próprio discurso, pois, a respeito do discurso, o ouvinte pratica, espontaneamente ou não, dissociações. Assim, por exemplo, um discurso percebido como artificial, em contraposição à imagem que se tem de um discurso natural, teria a eficácia dos enunciados eliminada, pois seria apenas uma simulação, como as lágrimas insinceras ou os cumprimentos excessivos.
Com esse subtópico, concluímos a apresentação das técnicas descritas no Tratado; das quais lançaremos mão na compreensão da subcategoria modalidade deôntica na argumentação.
Como arremate deste capítulo, expomos questões relativas às partes do discurso e à ordem do discurso; pontos esses também explorados na terceira parte do Tratado, especificamente no capítulo V, intitulado A interação dos argumentos. As partes do discurso são relevantes à compreensão da modalidade deôntica em função argumentativa. Uma de nossas hipóteses acerca dos modos de atuação das expressões linguísticas da modalidade deôntica em função argumentativa concerne à sua distribuição no todo discursivo, pois postulamos que elas, mais frequentemente, se fazem presente na etapa destinada às provas (argumentação ou confirmação-refutação) e na etapa consagrada à peroração (epílogo). Nossa hipótese embasa-se na correlação que traçamos entre a natureza das expressões linguísticas modalizadoras deônticas (caracteristicamente proposições avaliativo-incitativas, que convocam a realizar uma ação ou a evitar que algo se produza) à natureza dessas partes do discurso, respectivamente, persuadir e reforçar a persuasão.