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Tendo em vista que a alimentação dos dados cadastrais é mutável por estar sempre em atualização, para este estudo, estamos considerando os dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social do mês de agosto de 2013. Nesse período, o município de Natal contava com 387.189 (trezentos e oitenta e sete mil, cento e oitenta e nove) pessoas cadastradas no programa, sendo que apenas 282.511 (duzentos e oitenta e dois mil, quinhentos e onze) estavam com seus cadastros válidos.

Em relação às famílias, foram cadastradas 105.674 (cento e cinco mil, seiscentos e setenta e quatro), mas somente 92.265 (noventa e dois mil, duzentos e sessenta e cinco) estavam com seus respectivos cadastros válidos. Tratando sobre os beneficiários ou aqueles que de fato recebem o benefício, encontramos o total de 47.671 (quarenta e sete mil, seiscentos e setenta e uma) famílias, pouco mais da

metade dos aptos ao programa, o que representa o quantitativo de 88.601 (oitenta e oito mil e seiscentas e uma) pessoas.

Gráfico 2 – Demonstrativo de pessoas beneficiárias por bairros

Fonte: Plano Local de Habitação de Interesse Social (NATAL, 2013).

Conforme verificamos, por se tratar de bairros periféricos, é visível a alta incidência de beneficiários no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, com 13.285 pessoas. Os bairros de Lagoa Azul e Felipe Camarão aparecem praticamente empatados com 10.363 e 10.036 beneficiários, respectivamente. No topo da pirâmide, o bairro de Capim Macio figura no banco de dados da prefeitura como o de menor incidência de beneficiários do Programa Bolsa família, com 43 pessoas.

Gráfico 3 – Demonstrativo de beneficiários por faixa etária

Fonte: Plano Local de Habitação de Interesse Social, Natal 2013.

Para este estudo, considera-se a faixa etária das pessoas responsáveis pelos núcleos familiares, ou os beneficiários básicos, excluindo-se, portanto, as

demais variáveis. Notadamente, a faixa etária de maior benefício está localizada entre 31 a 40 anos de idade. A partir dos 41 anos de idade, nota-se um declínio progressivo dos beneficiários básicos. Vale destacar, ainda, que há um beneficiário com 112 anos de idade e três beneficiários com apenas 16 anos de idade.

Tabela 5 – Demonstrativo de Beneficiários por Região Administrativa

Zona Soma de Beneficiários (%) Soma de Beneficiários (Abs)

Leste 6,6 5.709

Norte 50,2 43.545

Oeste 39,8 34.510

Sul 3,3 2.892

Zona Rural 0,1 28

Zona sem dados ou inválidos - 1.917

Total Geral 100 88.601

Fonte: Plano Local de Habitação de Interesse Social (NATAL, 2013).

É notório que a Zona Norte da capital, composta por sete bairros, aparece no topo das pessoas que recebem o benefício do Bolsa Família, chegando a ultrapassar a soma de todas as outras regiões administrativas. Vale mencionar que essa é a maior região, tanto em extensão territorial quanto em população, o que contribui com a elevação desses dados, acrescentando-se que boa parte dos seus bairros está encravada na periferia. No outro lado, aparece a Zona Sul que representa apenas 3,3% das pessoas beneficiárias pelo programa, mesmo essa região contando com sete bairros, onde se localizam os principais hotéis, shoppings, restaurantes e boa parte das praias turísticas, a exemplo de Ponta Negra.

Ao fazer o levantamento dos valores pagos a todos os beneficiários do programa Bolsa Família em Natal, tendo como parâmetro as planilhas da prefeitura, chegamos, no mês de agosto de 2013, a um montante de R$ 6.020.218,00 (seis milhões, vinte mil, duzentos e dezoito reais), o que representa um benefício médio de R$126,29 por família ou R$ 67,95 por pessoa. Nota-se, portanto, que há um sincronismo entre as políticas sociais compensatórias, a exemplo do Programa Bolsa Família, conjugadas às necessidades habitacionais de interesse social. Essa sincronia ocorre desde a realização dos cadastros sociais do governo federal, utilizado em todo o país, o que permite minimizar injustiças na distribuição dos mais diversos programas sociais já existentes.

Nesse cenário, o Cadastro Único tem sido preponderante na obtenção do diagnóstico socioeconômico das famílias de baixa renda, o que tem contribuído com o poder público na elaboração de planejamento e políticas voltadas a esse segmento da sociedade, a exemplo do PMCMV e do PBF. Por conseguinte, a inclusão no CadÚnico é uma das condições basilares para inserção no Programa Minha Casa, Minha Vida (faixa 1), que também exige em seu processo seletivo, a aprovação no Cadastro Nacional de Mutuários (CADMUT), para evitar que o mutuário possua casa própria ou financiada em qualquer unidade da federação.

Um fator que contribuiu para esta pesquisa foram os programas sociais estarem interligados por meio do Cadastro Único. Tanto que quando analisamos em quais regiões administrativas estão concentrados os maiores números de beneficiários do Programa Bolsa Família, encontramos que são nas mesmas regiões com maior índice de assentamentos urbanizados parcialmente: regiões norte e oeste, respectivamente. Ao passo que essas regiões somam 90% (noventa por centro) do total de beneficiários do PBF em Natal, também se destacam no quesito assentamentos urbanizados parcialmente, conforme Gráfico 4 a seguir, objeto de estudo realizado pela prefeitura municipal de Natal, por meio da empresa IDESPLAN, contratada para elaborar o PLHIS dessa capital.

Gráfico 4 – Distribuição total de assentamentos e intervenções por Zonas Administrativas

Desse modo, mesmo que o objetivo específico deste trabalho esteja relacionado com traçar o perfil do déficit habitacional na Zona Norte de Natal,

verifica-se de suma importância a análise mais apurada do Programa Bolsa Família na cidade, especialmente pela transversalidade dos temas que se completam e contribuem para a compreensão do déficit. O estudo do PBF também servirá de base para a pesquisa de campo que será realizada a seguir.

4 ANÁLISE DOS DADOS

4.1 PESQUISA QUANTITATIVA DOS BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA BOLSA

Benzer Belgeler